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Desenvolvedores: Omiya Soft, Grounding, Neos Corporation
Publicadora: Neos Corporation, Clear River Games (Físico)
Gênero: Estratégia | Jogo de Tabuleiro
Data de lançamento: 16 de julho de 2026
Preço: R$ 300,00 (Switch 2 Edition) | R$ 250,00 (Switch)
Formato: Físico e Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela Clear River Games.
Revisão: Manuela Feitosa
Culdcept Begins é o mais novo jogo da franquia de jogos de tabuleiro digital Culdcept, que teve seu início em 1997 no Sega Saturn. Com a intenção de ser uma porta de entrada para a série, a obra tenta ser amigável com novatos enquanto explora um pouco das origens em sua narrativa.
Uma era de conflitos

Culdcept Begins acompanha a história de Kamru, um estudante de Culdcept de origem misteriosa. Após uma série de eventos, ele consegue ser selecionado para a Guarda Real dos Cepters, partindo em uma jornada que poderá definir o destino do mundo.
Em meio a um contexto de conflitos reacendendo pelo continente, ficamos conhecendo mais sobre as várias tribos que o habitam. Em se tratando de um jogo de tabuleiro, as disputas são feitas através dele em vez de quaisquer outros métodos e visualmente há uma predileção por um estilo peculiar que consegue mesclar cor e sobriedade, chibi e um formato que reforça pontas e estilos geométricos.

Um detalhe que chama a atenção é a forma como a obra usa um contexto de trama histórica de fantasia para apresentar a experiência. Há um forte clima de estar vivenciando a história sendo feita como em um Final Fantasy Tactics da vida, o que também é reforçado pelo estilo da trilha sonora.
Em meio a isso, o jogo também introduz suas bases, com a adição paulatina de novas mecânicas, sejam elas ligadas às cartas centrais dos adversários ou ao território do tabuleiro. Esse ritmo ajuda a facilitar a entrada e é feito de uma boa forma, já que, exceto pelos primeiros confrontos, a gameplay já está aberta à experimentação e ao fator sorte, deixando o nível de engajamento com as possibilidades bem alto.
Investindo na magia

Em termos de gameplay, Culdcept Begins é um jogo de tabuleiro no estilo Banco Imobiliário, porém, em vez de dinheiro, os jogadores acumulam magia e podem usá-la para ativar cartas de sua mão. A ideia é que é possível invocar monstros para dominar territórios e utilizar outros feitiços com efeitos variados.
Ganha o jogador que conseguir alcançar uma certa quantidade de magia e voltar ao castelo primeiro. O caminho pode ser caótico, dependendo da sorte nos dados para definir o quanto andamos pelo tabuleiro, de ter cartas boas em mãos para lidar com as situações variadas em campo e de um bom uso dos recursos para ter vantagem na disputa.
Um detalhe curioso é que, ao contrário do que costuma acontecer em jogos de cartas tradicionais, todos os jogadores têm acesso à mão dos oponentes. Isso faz com que seja possível calcular as possibilidades de reação uns dos outros na hora de avaliar suas ações.
Dominando um território por vez no tabuleiro

Em geral, um turno comum de Culdcept funciona da seguinte forma: rola-se um dado e se alcança uma área específica. Na maioria das vezes, essa localidade será um terreno associado a um dos quatro elementos (fogo, água, terra e ar) e será possível colocar um monstro para assumir o domínio desse ponto, tendo vantagem criaturas daquele mesmo elemento.
Caso o local já esteja tomado por um monstro de um adversário, é possível partir para um duelo para definir quem fica com o território, sendo usados os valores de ataque e HP de cada um na disputa. Caso o jogador não tenha condições de vencer, porém, pode ser mais vantajoso simplesmente pagar a taxa de magia daquele terreno, evitando o custo adicional de invocar um monstro da mão.

Nas batalhas, o atacante tende a ter a vantagem da iniciativa, mas existem efeitos especiais de certos monstros que mudam essa lógica. Contanto que sobreviva ao combate, o defensor sempre tem a vantagem no que se refere a manter o controle do território. Dos dois lados, os jogadores podem ainda usar uma única carta adicional para melhorar as chances de vitória.
A lista de cartas que podem ser usadas inclui armas e armaduras que alteram os status dos monstros e podem adicionar efeitos específicos, assim como pergaminhos mágicos que são como uma ação direta contra monstros. Certas criaturas podem ter restrições quanto ao uso desses itens ou ser invulneráveis a feitiços.
Antes da rolagem de dados, também é possível usar cartas específicas de feitiço instantâneo. Os efeitos são bem variados e incluem influenciar os dados, atacar diretamente monstros de um inimigo, roubar ou obter magia de outra forma, comprar mais cartas, entre outros. Não poder usá-las depois e ter um número limitado de cartas na mão implica em ter que ter um bom planejamento.
Ordem e progresso

Outro ponto importante a se ter em mente para vencer as disputas em Culdcept Begins é a evolução dos terrenos. Ao parar em um castelo/forte ou ultrapassar uma área sob sua jurisdição, o jogador pode fazer alterações em um de seus domínios. A primeira possibilidade é aumentar o nível do terreno, o que garante um bônus de HP ao monstro que o controla e a quantidade de magia que o inimigo terá que pagar se parar naquela área.
Também é possível alterar o elemento de um terreno para um dos quatro básicos, trocar de monstro por um da mão e movimentar uma criatura já invocada para suas adjacências. Com a última opção é possível fazer um monstro roubar o terreno de um oponente seguindo as mesmas regras tradicionais de um duelo.
Em compensação, usar essas funcionalidades de terreno pressupõe não invocar uma nova criatura naquele turno para tomar o terreno em que pisamos, aceitando o custo de magia caso lá haja um monstro adversário. O resultado é que é necessário avaliar com bastante cautela os gastos em um turno, especialmente porque magia é um recurso limitado.

A magia exigida pelo objetivo final é calculada com base na soma de dois valores: a quantidade de magia que o jogador possui em mãos e investida nos territórios. Quando o jogador cai em uma casa sem ter os recursos necessários, o resultado é ter que vender um dos terrenos já obtidos, o que pode impactar bem significativamente os seus recursos.
A perda de território é especialmente sensível por uma série de fatores, já que a aquisição de muitas áreas de um mesmo elemento implica em uma “cadeia de vantagens” que amplia o valor dos locais. Daí, ao ter um terreno tomado ou vendido, a perda pode ser monumental e até implicar na completa incapacidade de reverter a situação.
A montagem do baralho

Cabe ao jogador tentar montar seu baralho tendo em mente vários fatores e efeitos, assim como a sinergia das cartas. Com isso, é necessário pensar, por exemplo, se um monstro com um efeito especial pode ser mais interessante do que um mais básico, ou se o investimento em ter cartas com requerimentos mais avançados compensa tendo em vista a dependência em navegar bem no terreno anteriormente.
Como é de praxe em um jogo de cartas, toda decisão na montagem do baralho é também perder a possibilidade de colocar outra carta. As escolhas podem parecer ótimas no campo das ideias, mas dependem de tanta sorte para funcionar que não se mostram práticas na vida real. Aí é importante testar, repensar na lógica e ir brincando com as possibilidades.

Conforme o jogador avança na história, é possível obter mais cartas e desbloquear mais opções de pacote temático na lojinha. Também são liberados elementos estéticos (como capas de baralho, personagens alternativos e formatos de tabuleiro) que podem ser usados nas disputas online e locais com outros jogadores. No Nintendo Switch 2, é possível usar a funcionalidade GameShare para jogar com outras pessoas que não possuem o jogo, deixando a experiência do multiplayer bem mais fácil.
Um dos poucos defeitos de Culdcept Begins é o fato de que alguns elementos de gameplay são apresentados apenas na forma de símbolos sem uma explicação mais detalhada. Eles são relativamente poucos, mas não ter uma forma de ler uma descrição explicando que uma certa carta depende de já ter obtido um terreno de certo elemento pode dificultar a montagem de baralhos, especialmente quando o jogador ainda está iniciando ou após ficar muito tempo sem jogar. O mesmo acontece com alguns termos como “All Morph” nas opções do versus, cujo detalhamento ajudaria o entendimento imediato.
Uma porta de entrada que mostra seu valor

Culdcept Begins é uma ótima forma de adentrar no universo da tradicional franquia de tabuleiro digital iniciada no Sega Saturn. A lógica de jogo é muito divertida, dando ao jogador inúmeras opções estratégicas enquanto também coloca uma boa dose de sorte nas partidas.
Prós:
- Gameplay de jogo de tabuleiro divertida e cheia de opções estratégicas;
- Cartas com efeitos interessantes para montar baralhos únicos;
- Estilo audiovisual instigante que remete a obras de fantasia histórica;
- Modo História serve como uma introdução gradual às mecânicas para novatos sem deixar as disputas caírem no marasmo.
Contras:
- Alguns elementos mecânicos e de interface acabam sendo um pouco confusos inicialmente.
Nota
9
