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Desenvolvedora: ω-Force
Publicadora: Koei Tecmo
Gênero: Ação | Musou
Data de lançamento: 20 de março de 2018
Preço: R$ 340,00
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation Vita, Xbox One, PC, Stadia
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Koei Tecmo.
Revisão: Davi Sousa
De vez em quando, o NintendoBoy tem a oportunidade de revisitar um jogo que havia sido lançado nos “primórdios” do site, em uma era onde até mesmo eu, o redator que vos escreve, não estava nele. Um destes jogos, que agora temos uma chance melhor de analisar, foi feito pela nossa querida ω-Force, baseado em uma IP que passou por altos e baixos desde sua estreia, mas que é inegavelmente um anime marcante: Attack on Titan!
Originalmente lançado em 2009 na revista Bessatsu Shōnen Magazine da Kodansha, Attack on Titan (ou Shingeki no Kyojin) é a história de uma sociedade que vive isolada numa nação composta por três muralhas, que servem para proteger seus habitantes dos perigosos titãs que habitam os arredores da região. Attack on Titan teve uma recepção muito positiva inicialmente e um anime que durou quatro temporadas, lançadas entre 2013 e 2024.
E, como todo anime que faz sucesso, Attack on Titan eventualmente receberia suas adaptações para jogos; e apesar de existirem diferentes jogos da série, gostaria de explorar aqueles feitos pela ω-Force! O primeiro desta saga, lançado em 2016, foi um jogo de ação que pegava as mecânicas de movimentação que o mangá demonstrava seus personagens fazendo em alta velocidade e aplicava uma gameplay que fazia jus a isso, porém adaptava apenas a primeira temporada do anime, limitando a história a ser contada aos primeiros 24 episódios do anime.
2018, no entanto, nos entregou o que seria possivelmente uma das experimentações mais interessantes com a fórmula de Attack on Titan, seguida por uma expansão que sairia no ano seguinte! Attack on Titan 2: Final Battle é um pacote que inclui a sequência do jogo de ação e que adapta as três temporadas iniciais do aclamado anime. Mas entre titãs, tramas políticas e muitas, muitas mortes, o jogo acerta na dose que deveria entregar?
Reviva a icônica história… por outros olhos
[Devido ao jogo não permitir gravações de vídeo, minhas screenshots estão meio borradas em gameplay ativa]
Nossa história começa na região das Três Muralhas, com as Muralhas Maria, Rose e Sina servindo como a principal proteção da humanidade contra a constante ameaça dos Titãs. Aqueles familiares com o mangá já sabem o que acontece: Maria, a primeira muralha, é atacada e invadida pelos Titãs que seriam conhecidos como Titã Colossal e Titã Blindado, e nesse ataque muitas pessoas perderam as vidas, incluindo os parentes de nossos três protagonistas principais: Eren, Mikasa e Armin.

Porém, divergindo do mangá e dando à ω-Force uma desculpa para adaptar os eventos da primeira temporada novamente, temos um novo personagem, um avatar customizável que o jogo reconhece apenas como “nosso(a) companheiro(a)”. Vindo também do distrito de Shiganshina assim como Eren e seus amigos, est protagonista perdeu os pais para um ataque do Titã Blindado e, movido pelas palavras de Eren de “matar todos os titãs”, se junta ao Esquadrão de Reconhecimento, uma organização militar que costuma lidar com Titãs.
Attack on Titan 2 reproduz perfeitamente os eventos da primeira temporada, que adapta os arcos de invasão até o arco da Titã Fêmea, mas também adapta de forma excelente (e finaliza sua campanha principal) o arco do duelo de Titãs, que revela mais informações sobre o mundo de Attack on Titan fora das muralhas, e também as verdadeiras identidades por trás dos Titãs Colossal e Blindado. Tudo isso, é claro, na perspectiva de um personagem terceiro que, apesar de não afetar a história do mangá diretamente, tem seus motivos para estar envolvido na trama, e isso é divertido de acompanhar com o resto do elenco!
Irei entrar em mais detalhes sobre a história, que continua de fato nos modos adicionados na versão Final Battle, mas preciso acrescentar que, apesar deste jogo ser um excelente retelling do mangá, eu ainda aconselho que os interessados leiam o mangá ou vejam o anime, que foi lindamente adaptado pelo estúdio WIT, com a MAPPA assumindo para a temporada final – que este jogo não adapta. A história de Attack on Titan é genuinamente interessante, e o que começa como uma simples vingança contra Titãs vai evoluindo a trama para mistérios políticos e uma mensagem de guerra contra o inimigo invisível que é o medo e o ódio que as pessoas abrigam em si.

Sendo um jogo de ação, no entanto, vocês poderão ver que Attack on Titan 2 não perde muito tempo com as partes menos ativas do anime, e está constantemente ou pulando trechos de um arco, adaptando-os apenas em cutscenes in-engine, e as partes ativas da história sendo o salto direto à gameplay! E falando desta gameplay, chegou a hora de comentarmos sobre ela…
Um jogo no estilo Warriors… mas sem guerreiros
Logo de cara, quero especificar que nem todo jogo da ω-Force tem a cara de Warriors, mas… qualé!? Attack on Titan 2 tem a aparência geral de um jogo de Warriors, o mesmo esquema de um controle de Warriors e, dependendo do tipo de Warriors que você joga, até um sistema de tomada de territórios semelhante.
É claro que, diferente mentede um musou dedicado, estamos enfrentando inimigos gigantes espalhados pelo mapa, com um sistema de movimentação que te faz parecer um misto de espadachim com Homem-Aranha e, honestamente, a sensação é excelente uma vez que você se acostuma com a física do jogo.

Resumindo a gameplay a certas bases, o jogador no modo iHstória controla o seu personagem customizável por todos os momentos, e podemos separar esses momentos em três bases: preparo, interação e combate ativo!
- Preparo: acontece antes e entre os momentos mais ativos do jogo. Aqui, o jogador irá separar itens e dinheiro para criar e equipar equipamentos melhores. Baseando-se em sistemas de RPG, diferentes conjuntos trazem diferentes vantagens – você pode ter uma lâmina que dura mais que as outras, mas, em contrapartida, dá menos dano, etc.
- Interação: pode acontecer entre os seus momentos de preparo e até durante os combates. É a forma com que o seu avatar irá interagir com os personagens daquele mundo. Semelhante a sistemas de suporte presentes em franquias como Fire Emblem ou Persona (Supports e Social Links, respectivamente), você também pode ver interações entre personagens que não envolvem o seu avatar.
- Combate ativo: a gameplay do jogo em combate gira em torno do uso da Omni-Directional Mobility Gear, ou ODM-Gear. Através dela, o jogador consegue se atirar pelo mapa usando ganchos que ajudam em uma movimentação 3D, saca lâminas que vão se desgastando com o tempo e precisam ser repostas, e pode dar um boost de movimentação com o gás presente na ODM-Gear – tudo isso para um combate que envolve cortar partes de titãs ou atacar diretamente no ponto fraco deles, o pescoço.

Claro que estou resumindo a gameplay de nosso protagonista mudo, porque o jogo possui outros modos e até formas de controle, mas a atividade na qual você irá passar mais tempo é se divertindo entre os preparos que precisa fazer para ter certos armamentos durante a campanha, se equipar e ir atacar os titãs (hah, eu falei o título do jogo) ou apenas apressar a própria campanha, porque, apesar de ter uns elementos de RPG que dificultam uma progressão corrida, eu não diria que este é um jogo exatamente difícil.
Vale apontar, porém, que apressar o jogo pode deixar um gosto um tanto ruim, pois, por adaptar só as duas primeiras temporadas iniciais, a campanha de Attack on Titan 2 em seu modo História é um tanto curta. E é aí que entra um dos maiores trunfos que o jogo tem em seu baralho…
Você pode continuar a história… ou testar outros modos
Final Battle, a expansão para Attack on Titan 2 lançada em 2018, é uma expansão que a KOEI TECMO viu como necessária após o lançamento da terceira temporada do anime. Final Battle adiciona um conteúdo significativo na forma de dois modos adicionais para o jogo, o modo História de Personagens e o modo Recuperação de Território. Como o jogo original já possui o modo História e o Outro Modo, isso dá um total de quatro modos distintos que jogadores de AoT2: Final Battle podem experienciar!
Um resumo básico para cada modo aqui:
- Modo História: a narrativa que segue o “nosso(a) companheiro(a)”, adaptando os eventos do anime até a 2ª temporada.
- Outro Modo: missões paralelas que podem ser jogadas com outros personagens além do avatar, conforme você progride no modo História. Possui suporte para multiplayer online.
- Recuperação de Território: um modo que adiciona uma gameplay de estratégia onde os jogadores precisarão se aventurar em território de Titãs dentro e fora da Muralha Maria e conseguir recursos e recrutas novos.
- História de Personagens: a continuação direta da história, adaptando a 3ª temporada do anime. É uma mistura da gameplay base do jogo, e suas cutscenes usam tanto as pré-renderizadas quanto as in-engine (como se fosse uma visual novel, neste segundo caso).

Embora o jogo não te faça escolher múltiplos modos de uma vez, determinados modos conferem vantagens na campanha principal, dando acesso a mecânicas e itens que o jogador provavelmente ainda não teria num determinado ponto da história. A progressão não é injusta, mas ter uma pequena vantagem para agilizar o processo geral é algo difícil de se reclamar.
Num geral, eu acabei gastando bastante do meu tempo no modo de Recuperação de Território. As mecânicas que ele utiliza, como os turnos e a barra de moral de exército, são coisas que fazem sentido de um ponto de vista militar e que limitam um pouco do quanto você pode abusar das missões que ele oferece. A História de Personagens também adiciona mecânicas e itens novos, além de incluir cinco novos personagens, como o meu favorito e possessor do poder do Titã Bestial, Zeke!

Esperanças (e preocupações) para a sequência
O principal motivo para essa review estar sendo feita é, em parte, uma preparação para a sequência, Attack on Titan 3, que sairá no fim deste ano, dia 10 de dezembro! O terceiro jogo seguirá a mesma premissa: reintroduzir a história de Attack on Titan pela visão de um outro protagonista avatar, desta vez levando a história até a conclusão final do mangá.
A principal diferença, e creio que uma tentativa de justificar a sequência, é que o jogo conta com sistemas mais diversos, um pseudo mundo aberto e uma repaginada nas mecânicas de uso da ODM-Gear, que, pelo que vimos da gameplay até então, a deixam mais dinâmica e permitem que o jogador mire em pontos específicos dos Titãs ao invés de dar lock-on em partes segmentadas – comparando com um outro jogo com sistema similar, é parecido com o Sistema de Foco presente em Monster Hunter Wilds!

Meu medo, no entanto, é que, na tentativa de mudar algo que sabemos funcionar, eles possam acabar prejudicando um sistema que muitos curtem. Particularmente, eu gosto da forma como a ODM-Gear funciona na movimentação geral de personagens e fiquei um tanto receoso quanto à gameplay nos mostrada até agora, mas eu acredito que a equipe da ω-Force sabe o que está fazendo e está preparando tudo para tornar essa experiência uma despedida digna para um mangá com um final um tanto controverso (pru!).
Mas por enquanto, ficaremos no aguardo para mais novidades de Attack on Titan 3, e, enquanto isso, vocês podem ler as notícias que temos sobre o jogo aqui!
Este Titã não está para ataque
Antes de fazermos críticas a um jogo, acredito que duas perguntas são necessárias: o jogo se propõe a entregar o aspecto (ou falta do mesmo) que está prometendo? Essa falha afeta o produto final? No fim, meus problemas com Attack on Titan 2: Final Battle foram mais aspectos triviais do que problemas que prejudicaram a experiência final, mas ainda vejo como sendo problemas que atrapalhariam a gameplay geral de algumas pessoas e até fãs da IP de AoT.
Para começar, o sistema de movimentação da ODM-Gear é excelente quando você o entende, mas, antes disso, o jogador pode acabar levando umas porradas das mecânicas do jogo ou até ficar se arrastando no chão enquanto for passando de uma área para outra. Confesso que eu achei o sistema de movimentação injusto inicialmente, mas isso porque eu tinha começado justamente com o modo de História de Personagens, que imagino que os desenvolvedores tenham feito para os mais experientes no jogo – mas mesmo sem entender como o ODM-Gear funcionava, eu consegui fazer algumas missões no modo antes de seguir para a história principal.

O jogo em si pode acabar parecendo bastante repetitivo, mas creio que aqueles que gostam de outros jogos da ω-Force, como os da série Warriors, já podem estar preparados para lidar com isso.
Apesar dos inúmeros modos de gameplay que mencionei, a maioria deles se resume a “mate x quantidade de Titãs” ou “derrote x Boss Titã”, com as variações maiores de gameplay apenas ocorrendo com personagens que podem se transformar em Titãs, como Eren, Ymir, Reiner e Zeke – com Bertolt e Armin usando suas transformações como uma “screen nuke” essencialmente.
No fim, minha maior crítica a Attack on Titan 2 acaba sendo algo bobo: a falta de músicas do Sawano presentes no jogo final. Não estou pedindo todas as músicas, e confesso que até curti a vibe de marcha que a trilha sonora do jogo dá. Mas céus, algumas cenas que tem no jogo, feitas com os gráficos belos das cutscenes pré-renderizadas e que tentam imitar o anime, perdem um pouco do peso sem as músicas com vocal.

Queria pelo menos um Barricades ou ətˈæk 0N tάɪtn…
Afirmando o óbvio aos fãs (e haters) do Isayama
Dando a resposta mais anticlímax possível para uma análise, eu diria que Attack on Titan 2 agrada justamente ao público que tenta agradar, que são os fãs de Attack on Titan! É uma resposta genérica e honestamente idiota, mas resume bem a experiência que tive com o jogo. Muitos momentos do anime que vi anos atrás sendo recriados in-game me deixaram empolgado de maneira legítima, mesmo sem o peso que o anime e o mangá possuem por ser de uma mídia diferente de um jogo.

Enquanto só podemos esperar que Attack on Titan 3 tenha uma qualidade semelhante ou quiçá superior a este título, Attack on Titan 2: Final Battle entrega uma gameplay de ação genuinamente divertida e uma movimentação que você dificilmente verá em outro jogo. Num geral, se você ficou interessado nesta review, mas nunca leu ou assistiu a obra, experiencie-a antes e depois experimente o jogo, lhe garanto que vai valer a pena!
Prós:
- Uma gameplay de movimentação muito divertida;
- Recria perfeitamente a história de três temporadas ótimas;
- Nosso avatar é a forma perfeita de interagirmos com o mundo do jogo;
- Quatro modos distintos de jogo que são divertidos em seus próprios aspectos;
- Armin ainda é o melhor personagem (fato).
Contras:
- Apesar da diversidade em alguns aspectos, a gameplay pode ser “repetitiva”;
- Sem as músicas licenciadas maravilhosas que tocam no anime.
Nota
8,5


