Desenvolvedora: Media.Vision
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: RPG
Data de lançamento: 10 de julho de 2026
Preço: R$ 339,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Lucas Barreto
Chegando alguns meses após o seu lançamento em outras plataformas, Digimon Story Time Stranger finalmente está disponível nos consoles Nintendo. O mais novo título dos monstrinhos digitais traz uma experiência que reúne os melhores elementos da sub-série Story.
Tendo passado 8 longos anos em desenvolvimento, Time Stranger por muito tempo foi uma incógnita. Com o jogo recebendo poucas menções ao longo dos anos, fãs aos poucos perdiam a esperança… mas a espera valeu à pena. Oferecendo uma das histórias mais cativantes da franquia e ambiciosos sistemas que resgatam ideias dos títulos lançados no DS, Digimon Story Time Stranger é certamente uma experiência que encantará qualquer fã.
Realmente somos Digimon Story Time Stranger
Para aqueles que não conhecem Digimon, deixe-me explicar rapidamente algo bem importante sobre a franquia em relação aos videogames. Existem duas subséries principais de Digimon no mundo dos games: World e Story. Enquanto World foca na criação de monstros e é inspirada nos V-pets (os “tamagotchis” de Digimon), Story são JRPG’s tradicionais que misturam elementos da franquia e mecânicas esperadas do gênero.
A subsérie Story teve início em 2006 no Nintendo DS, com seus jogos chegando ao ocidente com o nome de World, por reconhecimento da marca. Foi só com a duologia Cyber Sleuth, lançado no Vita e depois portado para outros consoles incluindo o Switch, que a subsérie em si ganhou um reconhecimento maior do público geral.
Explico isso pois Time Stranger une bem essas duas eras diferentes da subsérie. Há elementos que marcaram presença nos primeiros títulos, mas que foram deixados de lado pela duologia Cyber Sleuth, enquanto ele ainda mantém muito das coisas que a era moderna de Story possui.

A narrativa de Time Stranger coloca os jogadores no papel de Dan/Kanan Yuki, agentes da Adamas, uma organização secreta que lida com investigação de anormalidades. Sua missão mais recente coloca o protagonista para explorar o prédio governamental de Tóquio, encontrando no local Digimons, além de uma misteriosa garota que aparentemente o conhece. A dupla acaba sendo pega em uma guerra entre diferentes Digimons, causando uma explosão que resulta no fim do mundo e o agente sendo enviado para oito anos no passado.
Reencontrando a garota e descobrindo seu nome, Inori Misono, o agente testemunha Inori salvar um Elecmon, que digivolve para Aegiomon. O trio forma um laço de amizade e acaba sendo sugado para o Digimundo: Iliad, descobrindo sobre a guerra civil entre os diferentes Digimons daquele mundo. Decidido a ajudar a enfrentar a ameaça dos Titãs, além de aprender sobre o destino de Aegiomon como o Grande Guardião, o trio se aventura pelo Digimundo e o tempo em si para salvar ambos os mundos de uma ameaça que visa destruir toda a existência.

A história de Time Stranger foca bastante na relação entre Inori e Aegiomon, com o protagonista sendo quase que um coadjuvante acompanhando a dupla. Diferente da duologia Cyber Sleuth, que focava demais no mundo humano, o título permite a exploração do Digimundo Illiad, sendo esta a primeira vez que tal lugar é palco de um dos jogos. A narrativa também é bem séria com tópicos esperados de produções com um público mais velho em mente. O tópico principal é sobre como continuar vivendo para o futuro, enquanto supera-se as dores e traumas do passado para juntos poder criar um amanhã melhor. O final é tão emocionante quanto é de se esperar dos títulos mais recentes da subsérie Story.
Para quem já conhece a subsérie, especialmente pelos títulos do DS, contudo, pode acabar se decepcionando com a revelação do verdadeiro vilão do jogo. Não que seja ruim, mas o personagem em si é alguém que foi criado para os jogos de DS e só havia aparecido neles, servindo como vilão final em um e uma força importante em outro, então assim que seu nome é primeiro revelado aqui, já é óbvio que uma hora ou outra precisamos enfrentá-lo.
Por fim, este jogo também serve como a história de introdução para os Olympos XII, um grupo de Digimons que existe há um tempo na franquia. Ao longo da narrativa, encontramos e ajudamos os membros, eventualmente culminando na formação oficial do grupo.
Lutando contra o tempo

Digimon Story Time Stranger é um RPG com jogabilidade de combate por turnos. Os jogadores podem utilizar até seis Digimons ao mesmo tempo (3 ativos e 3 como backup), cada um possuindo seus próprios atributos e ataques especiais. Além dos nossos próprios monstrinhos, também é possível contar em certas batalhas com a ajuda de NPC’s, aumentando o limite para até 6 criaturas por batalha. Cada Digimon possui um tipo específico (Data, Free ou Virus), que possui vantagens uns sobre os outros. Ataques também possuem elementos, que também influenciam no dano e resistência.
Parece um pouco com Pokémon, mas há diferenças significativas entre os dois sistemas. Digimon possui mais elementos adicionais que influenciam bastante o combate, tanto dentro quanto fora dele. Digimons também possuem dois outros “atributos” que influenciam todos os seus outros status: Talent e Bond. O primeiro indica o nível máximo que o monstrinho pode alcançar (podendo ser aumentado conforme você o utiliza em combate, além de outras ações). Já o Bond é interligado aos atributos principais da criatura, permitindo que o monstrinho possa “carregar” uma certa porcentagem dos atributos adquiridos através de Level Up (ou treinamento) em futuras Digievoluções.

Assim como acontecia nos jogos da subsérie para o Nintendo DS, todos os Digimons podem alcançar atributos máximos (9999). Pontos extras adquiridos através de level up ou treinados na fazenda – uma área onde o jogador pode treinar atributos – podem ser carregados entre as Digievoluções, desde que o Bond com a criatura seja acima de 1%. Assim, é possível ter um time com os monstros que você preferir. Ao mesmo tempo que isso possa ser visto como algo bom, o sistema também tem seus negativos, especialmente ligado a uma mecânica que sempre foi um dos principais pontos da franquia Digimon.
Digimon possui diferentes níveis de evolução. Os monstrinhos são divididos em: In-training, In-training 2, Rookies, Champion, Ultimate, Mega e Mega +. Como em Pokémon, cada evolução é mais forte do que a anterior, mas, diferente da franquia do Pikachu, Digimons não seguem uma única linha evolutiva, podendo se transformar em múltiplas criaturas e até mesmo regressar a certos estágios. Time Stranger dá uma “condensada” neste sistema, seguindo algo próximo da duologia Cyber Sleuth, onde, por conta do número limitado de monstros (475, sem contar DLC), as linhas evolutivas foram reduzidas e todas as criaturinhas podem se transformar uma nas outras. Através do processo de Digivolução e Degeneração, é possível acessar todos os monstros disponíveis no jogo.
Com isso, o que realmente torna um Digimon único, ao menos neste título, é seu ataque especial. Como é possível treinar os atributos até o limite e customizar as técnicas adicionais, o jogador tem uma maior liberdade para compor equipes da forma que assim desejar. Além disso, cada evolução requer certos atributos, com algumas requerendo itens especiais.

Digimons também têm personalidades, que afetam a evolução dos atributos e habilidades passivas. É possível alterar a personalidade do monstrinho através da fazenda com o uso de itens especiais. Por fim, a digievolução de DNA requer que as criaturas estejam com certas personalidades.
Ainda em relação ao sistema de combate, o agente também pode preencher uma barra especial, com pontos adquiridos a cada ação do Digimon. Quando a mesma está cheia é possível utilizar uma das Agent Skills que causam efeitos especiais como dano extremo em um único inimigo, buffar status da party inteira, entre outros.
As Agents Skills podem ser adquiridas em um menu dedicado ao agente. Além das habilidades, também é possível adquirir buffs passivos que afetam os Digimons dependendo de sua personalidade. Todas essas skills são adquiridas com Anomaly Points, adquiridos ao completar certos eventos da missão principal ou através de sidequests. Além disso, adquirir um certo número de skills aumenta o rank do agente.

Esse rank está interligado ao sistema de digievoluções, sendo necessário ter um certo rank para poder evoluir um monstrinho para um nível superior. O grande problema é que os Anomaly Points são distribuídos de forma muito desequilibrada. A história principal concede muito poucos e as sidequests, que oferecem o maior número, são mal distribuídas ao longo do jogo. Você habilita algumas no início, passa um bom tempo sem e então só perto da reta final do jogo é que você começa a habilitar mais e mais. Isso significa que por muito tempo você ficará limitado a certos monstros, impossibilitado de ter alguns dos mais icônicos, por que seu rank não é suficiente. Caso você decida ignorar as sidequests, a situação é ainda pior, com você ficando com monstros de nível baixo por uma quantidade ainda maior de tempo.
No geral, o sistema de combate de Time Stranger é muito bom e o jogo te oferece muitas formas de experimentar e descobrir estratégias a fim de superar os desafios. Cada sistema e mecânica se interliga muito bem e a possibilidade de tornar os monstrinhos em opções viáveis em diferentes contextos faz com que os fãs mais veteranos da franquia possam se divertir bastante utilizando o elenco que melhor preferir, além de permitir que os novatos possam experimentar sem ter medo de escolher a pior opção possível.
Oito longos anos

Em termos de apresentação, Digimon Story Time Stranger é o jogo da franquia mais bonito já lançado. Títulos dos monstrinhos digitais não são conhecidos por ter altos valores de produção, mas como esse game foi desenvolvido para consoles de mesa o salto gráfico em comparação a Cyber Sleuth é notável. Não apenas os modelos dos personagens e dos monstros são muito bons, como também temos uma maior variedade de cenários e biomas disponíveis para exploração.
Uma das principais reclamações dos fãs com Cyber Sleuth era como tudo era igual e não podíamos explorar o Digimundo. Time Stranger corrige ambos, introduzindo o vasto mundo digital com seus diferentes biomas que são cheios de vida e com muitas referências à franquia em si.

Os efeitos sonoros também são muito bons. Cada monstro tem sua própria voz, gritando o nome de seus ataques igual ao que vemos nos animes da série. A dublagem em inglês foi oferecida pela primeira vez, e em termos de legenda temos vários idiomas disponíveis, incluindo o nosso português. Vale mencionar, porém, que existem erros de tradução e até de gramática.
Em termos de desempenho, Time Stranger chegou ao Nintendo Switch e Switch 2 oferecendo dois modos: qualidade e desempenho. No seu lançamento original para outras plataformas, o título foi bastante criticado por quedas de frame, então a Bandai Namco decidiu oferecer tal opção para os donos da plataforma.

No modo qualidade o jogo mira alcançar resolução de 4k e 30fps no dock, e 1080p e 30fps no portátil. Já no desempenho, a resolução se limita a 1080p e 60fps nos dois estilos. A diferença entre ambos é nítida e eu preferi muito mais jogar na segunda opção. Senti que a qualidade, pelos meus testes, dava uma pequena travada em certos momentos, além da fluidez geral se perder bastante. Eu joguei 90% do título em modo portátil (a maneira que prefiro jogar JRPGs na plataforma) e não tenho do que reclamar, o título rodou muito bem sem problemas até mesmo quando tinha muita ação acontecendo durante certos duelos.
Dito isso, Time Stranger sofre um pequeno problema de pacing no final de sua narrativa. É bem visível que os desenvolvedores ficaram sem tempo e apressaram as coisas nos últimos meses de desenvolvimento. A segunda parte da história segue um padrão bem repetitivo que apenas introduz dois novos lugares, enquanto te força a re-explorar os mesmos locais do passado e até mesmo faz com que você os complete duas vezes seguidas. Além disso, certos plot points serem introduzidos muito rapidamente e então resolvidos fora de tela ou de forma bem simples, perdendo um pouco da força que a primeira parte da narrativa possuía.
O estranho que superou o tempo

No geral, Digimon Story Time Stranger é uma excelente pedida para os fãs dos monstrinhos digitais. Até mesmo para quem não conhece a franquia, este é um excelente ponto de entrada. O título possui uma jogabilidade divertida, com mecânicas que incentivam os jogadores a utilizarem as criaturas que mais gostaram, além de uma fantástica história que possui um belo final.
O título tem pequenos problemas de pacing e com o sistema de Agent Rank, mas eles são coisas que não atrapalham a experiência geral. Com os DLC’s chegando nas próximas semanas e outros já anunciados para o futuro, é certo que este é o momento perfeito para conhecer a franquia.
Prós:
- Uma intrigante narrativa que possui um dos finais mais emocionantes da franquia
- Mecânicas de combate e o sistemas relacionados às criaturas são muito boas
- Título roda sem problemas no Switch 2
- Alto valor de produção para a franquia
- Possui legendas em português
Contras:
- Problemas de pacing na segunda metade da narrativa
- Leva tempo demais para habilitar os níveis de evolução mais fortes
Nota
9,5
