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Desenvolvedores: Toby Fox
Publicadora: 8-4
Gênero: RPG | Bullet Hell
Data de lançamento: 24 de junho de 2026
Preço: R$ 119,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia adquirido pelo redator.
Revisão: Lucas Ferreira
Obs.: A análise vai cobrir spoilers leves do capítulo 5 de DELTARUNE.
Com DELTARUNE oficialmente ultrapassando mais da metade da sua jornada, depois de quase 8 anos desde o lançamento do primeiro capítulo, finalmente temos em nossas mãos o tão aguardado e antecipado capítulo 5 da história.
Antes do lançamento, Toby Fox definiu, em sua newsletter, esse capítulo como “uma última aventura divertida antes do Sol se pôr completamente”, e é exatamente essa a proposta passada nesta parte do jogo. Se esse capítulo é o pôr do sol, então tudo que seguirá a partir daqui será pura escuridão, e em vários momentos durante a história os personagens lembram o jogador desse fato.
Embora seja o capítulo mais divisivo lançado até agora, desviando bastante da curva narrativa que a história estava seguindo, fica quase impossível não se animar com cada atualização e criar uma série de especulações e teorias diferentes de onde a história vai nos levar e se a profecia realmente será cumprida. Sendo assim, vamos finalmente analisar Festival Day: quinto capítulo de DELTARUNE.
Mysterious wind

O capítulo nos deixa imediatamente onde nós paramos no final do anterior: com Kris acordando após ter tido uma noite nada agradável por causa da mamãe cabra e o esqueleto esquisito. Apesar desse leve percalço, finalmente chegamos no dia do festival da cidade, evento tão antecipado ao longo dos outros capítulos. Então, após fazer uma torrada para uma Toriel altamente de ressaca, Kris parte para o Dark World onde os preparativos para o encontro de Susie com Noelle estão…fervorosos.

Voltar pra história de DELTARUNE depois de um ano da montanha russa de emoções que foi jogar os capítulos 3 e 4, e poder viver o festival, foi como reencontrar velhos amigos depois de um longo tempo, e é o motivo pelo qual eu fiquei tão decepcionada quando nada de tão relevante aconteceu. Para uma ocasião que foi tão desenvolvida e falada durante todos os outros capítulos, além de ser o centro de dezenas de teorias ao longo dos anos, o festival nada mais foi do que uma parte muito breve do capítulo onde nada propriamente se desenvolveu, tudo passou rápido demais e o mais importante: O Papyrus não apareceu. A essa altura, minha teoria pessoal é de que ou ele nem existe no universo de DELTARUNE, ou ele é o Roaring Knight.
O ponto alto do festival foi durante o segmento de Susie e Noelle, que finalmente confessaram seus sentimentos depois de tanta antecipação, apenas para serem interrompidas pela mãe da Noelle que liga pra informar que o Rudy caiu das escadas (e o resto do capítulo segue sua progressão sem a gente saber se ele tá vivo ou morto. All according to plant.). Tudo isso acontece enquanto Kris tirava um cochilo, acordando apenas pra abrir mais uma Dark Fountain na floricultura de Asgore e nos introduzindo a mais um mundo e uma série de novos personagens que tranquilamente se tornaram os meus favoritos de todo o jogo até o momento.
Flowers blooms in your heart

Estrela do show, atraente, com um senso de humor impecável e absolutamente irresistível, pra ser bem sincera — essa é apenas a minha opinião sobre o Sans. Mas vamos falar sobre o maior antagonista desse capítulo: Flowery. Não, eu não escrevi errado.
Por ter seu foco na floricultura de Asgore, a maior parte do capítulo 5 gira em torno das sete flores de cores distintas que descobrimos ser do buquê de casamento dele e são bastante familiares pra qualquer um que já jogou UNDERTALE. Suas manifestações no Dark World são guiadas majoritariamente por Flowery, a flor dourada, que insiste em flertar e passar tempo com Asgore, e que junto das outras flores, empenha-se em construir um mundo de fantasia perfeito que libere o personagem da solidão de pai divorciado que ele vive no mundo real, mesmo que por pouco tempo.
Cada uma das flores incorpora uma personalidade carismática e distinta, criando aqui o elenco de personagens mais legal que já foi apresentado até o momento, além das melhores batalhas. Elas funcionam como um paralelo das sete almas humanas caídas em UNDERTALE, e levantam um dilema moral nessa parte da narrativa que envolve sonhos, amores e retirar a consciência recém adquirida de suas almas inocentes, que só querem libertar uma cabra bondosa de uma realidade isolada e triste.

Logo de cara, a maior frustração demonstrada pelos fãs em torno do capítulo 5 é de ser o capítulo onde menos ocorre progressão na história, deixando os fãs com mais dúvidas do que respostas. Enquanto isso é de fato algo que acontece — nós oficialmente passamos da metade da história e muito pouco já foi esclarecido, consequentemente matando o hype que foi criado especialmente depois do final do capítulo 4 —, eu não interpretaria isso como algo majoritariamente ruim ou negativo. O capítulo 5 claramente é a calma antes da tempestade, e ao mesmo tempo em que eu, pessoalmente, gostaria de ter visto um pouco mais de resolução nos plots, vale lembrar que a história ainda não acabou e que não ter ainda todas as respostas e resoluções das teorias não necessariamente significa que a escrita seja ruim.
Apesar de não ter comentado sobre a Weird Route na review do capítulo 1-4, preciso ressaltar nessa review que é aqui que as coisas tomam um rumo revelador e aterrorizante na história. Com cerca de 20 minutos de duração e sem nenhuma espécie de batalha, encontro ou Dark World, Kris passa o festival inteiro dormindo e ao acordar encontra uma Noelle angustiada perto do lago que implora a Kris (ao jogador, na verdade) que façam uma loucura juntes. E aí elus se afogam! E a seguinte tela depois de uma sequência horrível de comandos pra prosseguir com o afogamento aparece:

O jogo aparenta ser corrompido, e levanta-se a dúvida (seguida de dezenas de teorias) de o quê os jogadores que escolhem seguir essa rota vão receber no lançamento do capítulo 6. Além disso, ao concluir essa sequência, o jogo cria automaticamente um save data pra Weird Route, mesmo que o jogador apague ou altere seu save file.
They’re eating my flesh!

Sempre inovando em cada capítulo com uma mecânica diferente e criativa, o jogo aqui se transforma durante certos segmentos em um side-scolling que é acionado por tótens espalhados ao longo do Dark World. A nova perspectiva de ângulo permite que a Fun Gang enxergue o mundo de outro ângulo e descubra segredos e enigmas que envolvem o espaço entre eles. Os botões A e B permitem que Kris pule e ataque com sua espada, enquanto o X atribui ações a Susie e Ralsei que ajudam nos momentos de combate e plataforma.
Esse capítulo é de longe o que mais remete a elementos vistos em UNDERTALE, e isso também pode ser observado em algumas sequências de combate onde temos, por exemplo, o retorno do modo roxo que restringe a SOUL a movimentos entre linhas cruzadas, utilizado inclusive por uma personagem já vista antes, pra quem é familiar com o primeiro jogo do Toby. Durante as batalhas contra as flores, podemos observar também padrões que fortemente remetem aos ataques de Flowey durante UNDERTALE, mas que ao mesmo tempo não deixam de inovar entre si, trazendo consigo um grande sentimento de nostalgia (inclusive, destaque muito especial aqui pra batalha que transformou tudo em um digno mini-Ace-Attorney).

Algo que também adiciona esse clima nostálgico é a trilha sonora, onde temos uma forte integração de leitmotifs já vistos no capítulo 1 e que impulsionam não só uma sensação de familiaridade, mas também causam no jogador a sensação de um abraço quentinho — a menos que seja no boss secreto, onde a sensação é mais de um soco na cara. Diante disso, sinto que nem preciso me estender em como a trilha sonora é de longe uma das melhores partes do jogo inteiro, e onde eu sinto que o Toby Fox nunca vai decepcionar nem se ele tentasse muito.
Leaf it to me

O capítulo 5 de DELTARUNE foca nos momentos íntimos e emocionais ao invés de revelar grandes informações sobre sua narrativa, resultando em uma história comovente e que fortalece a essência da série. Podendo ser interpretado como um prelúdio para a escuridão que está por vir nos capítulos (NÃO faça a piada) 6 e 7, colocando poucos pingos nos is e com um plot pouco significativo para alimentar a mente de todos os criadores de teorias do Reddit, essa ainda assim é uma parte da história que se sustenta bem sozinha e é a dose perfeita de pura alegria e raio de sol antes do caos iminente prometido pela profecia.
Prós:
- Novas seções side-scrolling tornam a exploração muito mais interativa e é, de longe, a mecânica mais criativa e divertida já apresentada;
- Trilha sonora impecável e inovadora que combina temas conhecidos dos personagens já vistos em outros capítulos com melodias totalmente novas;
- História que foca num olhar mais sentimental e nostálgico no elenco de personagens e seus laços antes que a parte sombria e densa da narrativa tome controle.
Contras:
- O festival, que há muito é apresentado como um marco importante, termina muito rapidamente, causando a impressão de uma oportunidade que foi desperdiçada;
- Os principais mistérios em torno da história principal são em sua maioria totalmente ignorados, fazendo com que esse desvio dê ao capítulo a fama de ser um filler.
Nota
9,5
