Desenvolvedor: Eric Rodríguez
Publicadora: JanduSoft
Gênero: Farm/Life Sim
Data de lançamento: 16 de julho de 2026
Preço: R$ 27,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela JanduSoft.
Revisão: Davi Sousa
Que Stardew Valley subiu a barra de qualidade de cozy games em geral, todos sabemos, mas também há aqueles que se inspiraram no jogo de Eric Barone com força. Se há muitos roguelikes aqui e ali sendo lançados a todo momento, mesmo que em menor proporção, o mesmo se pode dizer de cozy games. Este segundo, no entanto, nunca me passou esta sensação saturada que o primeiro passa.
Por fim, temos Farlands, um jogo que, sim, quer ser uma boa reimaginação de Stardew Valley e não tem vergonha de assumir isso, mas, como devemos analisá-lo não só em comparação com a qualidade, mas também em como ele se coloca como um título próprio?
E se em vez de irmos para o interior, fôssemos para outro planeta?
O nome “Farlands” não é por acaso, de maneira alguma. O jogo começa quando nosso personagem personalizável (como por padrão neste tipo de game) compra um terreno bem barato de um clássico vendedor golpista (tal qual vemos por aí em nosso dia a dia); no caso, um planeta bem isolado que ninguém quer.
É curioso como vamos descobrindo o porquê disso no decorrer dos dias por meio dos personagens, o que torna a experiência bem imersiva. E por falar em imersão, realmente acredito que seja onde Farlands mais brilha. Para elogiar esse aspecto específico, é importante ressaltar como os próprios devs sabem o que citei na introdução do texto: as pessoas não vão querer continuar a jogar um clone de Stardew Valley se ele não fizer tudo isso muito bem, pois sabem o quanto o game é memorável e absurdo em qualidade por si só.

E é justamente por isso que todos os aspectos relacionados à imersão neste título realmente são acima da média do que costumamos ver, como sua belíssima pixel art não só na direção de arte, como também em suas caprichadas animações, e, principalmente, uma trilha sonora surpreendentemente incrível. Ao ouvi-la, é muito interessante perceber como ela reflete a familiaridade de Stardew Valley, com uma estrutura que remete à emoção do jogo por si só de maneira autoassociativa. No entanto, ela carrega consigo alguns elementos que nos lembram de efeitos sonoros de espaço que trazem uma atmosfera única.

Cito ainda dois fatores que realmente fazem este tipo de RPG ser incrível: o mundo e os personagens. Em vez de uma cidade ao lado, a estrutura de eventos ao redor de Farlands acontece por meio de visitas a diferentes planetas, com culturas próprias e muito vivos. Muitos deles, inclusive, abordam questões bem identificáveis com problemas cotidianos que vivemos em nosso dia a dia por meio do ambiente, sem contar o quanto o ambiente é recheado de NPCs interessantes que não costumam falam algo extremamente genérico.
Se o Brasil não fez o “arroz com feijão” pelo hexa, Farlands faz
Se Farlands talvez consiga ter uma identidade própria em sua imersão, pode ser ele não agrade àqueles que queiram um cozy game diferenciado dos demais mecanicamente. Seu loop de gameplay de é majoritariamente igual ao de Stardew Valley, com pequenas ideias emprestadas de outros jogos para questões como a viagem entre planetas. Acho justo aqueles que criticam jogos como este, que surfam na ideia de apenas reproduzir uma fórmula que deu certo, apelidados pejorativamente de “clones”; no entanto, Farlands é um “clone” de primeira prateleira, alta qualidade e muito bom nisso.

Digo isso principalmente levando em conta o tamanho esforço que o jogo faz para trazer uma imersão interessante com a arte e a trilha sonora. Também acredito ser importante pontuar que muito do tamanho sucesso do game de Eric Barone foi decorrente do quanto todos sentíamos falta de Harvest Moon em seus melhores dias. Farlands pode até imitar, mas não consigo negar que é muito comparável a Coromon, um clone dos games clássicos de Pokémon muito bem produzido, o qual simplesmente queremos jogar após um dia terrível pelo apego emocional que ele nos traz.
O “defeito” que não é um defeito
Se elogiei cada aspecto de Farlands sem pestanejar até aqui, seu único tombo não se dá pela sua qualidade, mas sim por uma questão técnica que poderia ser minúscula em outro tipo de jogo, mas não em um cozy game.

O game possui um problema muito grande de loading ao transitarmos entre mapas ou de um dia para o outro, de uma maneira que chega a parecer o medo de nosso jogo ter travado em um PS1, como acontecia às vezes. Isso poderia ser aceitável em um jogo de um gênero focado no dinamismo, mas esse tipo de coisa acontecer com frequência em um jogo feito com intuito terapêutico realmente é uma pedra no sapato.
Um clone aprimorado, tal qual vários
Entendo quem critica games como este por serem mais do mesmo, mas tomo a liberdade, no fim desta review, de não só elogiar como também defender Farlands como uma exceção em meio aos vários clones existentes. Embora não reinvente a roda, este título investe muito em aspectos imersivos, a ponto de superar a qualidade usual da experiência de Stardew Valley.
No entanto, não acho justo desmerecer o título de nosso amigo ConcernedApe em prol de exaltar este, levando em conta o quanto Stardew foi marcante, a ponto de Farlands poder existir; neste sentido, o sucessor talvez nunca vença seu mestre. No fim do dia, só queremos deitar no sofá e jogar algo familiar após um dia estressante de trabalho, e levando em conta o preço deste jogo no Switch, realmente acredito que ele oferece muito mais do que uma gama gigantesca de jogos na mesma faixa de preço.
Prós:
- Imersão incrível;
- Excelente trabalho de pixel art;
- Trilha sonora encantadora;
- Mundo vivo e imersivo;
- Mecânicas bastante funcionais.
Contras:
- Telas de carregamento absurdamente longas no Nintendo Switch;
- Embora seja um ótimo “clone”, não reinventa nada.
Nota
9
