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Desenvolvedora: Seed Sparkle Lab
Publicadora: Seed Sparkle Lab
Gênero: Life Sim
Data de lançamento: 18 de agosto de 2026
Preço: R$ 199,10
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela Seed Sparkle Lab.
Revisão: Manuela Feitosa
Não há nada mais decepcionante do que um bom jogo preso em um produto tecnicamente mal otimizado. Há ali potencial, momentos divertidos, alguns quase encantadores… mas então vem a frustração, decepção e, por fim, o marasmo.
Essa é a última introdução que gostaria de ter falando de Starsand Island, que sendo bem justo foi um jogo que eu considerei divertidíssimo e inspirado. Tendo passado um bom tempo em early access na Steam, esperava ver um port otimizado para Switch 2, mas encontrei uma build que, francamente, parece um beta. Encontremos um caminho entre flores e espinhos.
O sonho do CLT
Já falei algumas vezes sobre a Anemoia em textos passados, que é aquilo que a internet brasileira caracterizou como a “saudade do que a gente não viveu”. Se algo justifica a explosão de jogos cozy/farm sim é, com certeza, esse sentimento crescente em uma sociedade urbana doente, não muito diferente do fugere urbem idealizado por nossos poetas românticos, mas encapsulado em produtos convenientes de serem, bem, consumidos.
Stardew Valley, Animal Crossing, Minecraft… todos são jogos em que o jogador se distancia do urbano e vive da terra, não recusando trabalho, mas utilizando-o sem ter descontos de mais valia e para o bem de uma comunidade restrita. Não deve ser difícil constatar que Starsand Island surge como mais um título nessa leva.

Plantar, mineirar, pescar, caçar, construir… aqui temos o pacote completo: após voltarmos para nossa cidade de origem, herdando terras da família, podemos ter uma vida nova. Após decidirmos uma profissão inicial, começamos a conhecer a população da cidade, criar conexões e explorar o ambiente ao redor.
Se há algum diferencial em Starsand Island, não espere em encontrá-lo no loop de gameplay. Cada profissão está vinculada a um NPC, mas o ciclo é o mesmo para todas: construa uma ferramenta ou aprimore anteriores, consiga recursos e crie novos itens. O que encanta aqui, porém, é a apresentação e o cenário. A obra é composta por um gráfico estilizado, bem remetente ao traço da HoyoVerse, e, com a câmera por cima do ombro ao invés da visão isométrica, temos uma perspectiva atípica para jogos do gênero, o que traz um toque de novidade.
Além disso, vale destacar as possibilidades de transporte: de skates a montarias animais, de patins a motos, o jogo dá uma mobilidade empolgante ao jogador, com bastante espaço para conhecer, estilizar e interagir com novos NPCs, reforçando laços com missões e presentes.

Com uma implementação competente e diferente do usual, Starsand island mistura a fórmula batida do gênero de simulação com o suficiente para deixar o loop viciante, que no fim das contas é o que esperamos. Starsand Island é, no fim, uma sopa maluca, com uma floresta-dungeon tirada das minas de Stardew Valley (com direito a boss-fights e puzzles), relacionamentos de Story of Seasons, visual de Genshin Impact, customização de Infinity Nikki, crafting de Animal Crossing: New Horizons… e talvez por saber exatamente o que tirar e de onde, temos um produto extremamente apelativo a fãs do gênero.
Ainda assim, existem alguns problemas em seu level design, especificamente no fluxo de missões. Em suma, temos várias possibilidades de especializações, e ao cumprir certos requisitos conseguimos desbloquear melhorias na árvore de habilidades. É um conceito atípico para um farm sim, mas interessante pela miríade de possibilidades aqui encontradas.
O problema é que algumas missões podem ser dadas ao jogador após este ter cumprido o objetivo de outra forma, e ao invés do critério ser considerado completo, temos de refazer o feito. É um deslize que gera certo desgaste, mas nada de extremamente grave.
Quando a esmola é demais, o santo desconfia
Pegar inspirações de outras obras, especialmente as bem sucedidas, não pode ser considerado um ponto negativo. No máximo, e deixando casos extremos de plágio de lado, podemos apontar que o título em questão não traz novidades, e pode se tornar um tanto fatigante. Quem dera que o texto fosse por esse caminho! Afinal, o maior problema de Starsand Island é a performance.

Não sou uma pessoa criteriosa em relação à performance. Pop-ups pontuais? Texturas mal otimizadas? Quedas pontuais de frame? Entendo que a parte técnica deve existir para passar ao jogador a intenção da obra, e questões pontuais existirão mesmo no mais ambicioso dos projetos. Mas quando o jogo, enquanto produto, aparenta não estar finalizado, com crashes, glitches e bugs que impedem que o título seja acessado, então não há como apaziguar a situação.
Loads demorados, erro no carregamento de maquinário essencial para o jogo, lag de input, texturas quebradas, crashes que resetam progresso… infelizmente, Starsand Island cumpre todos os requisitos negativos quando falamos de ports. Esta review mesma foi adiada alguns dias para aguardarmos os patches iniciais, mas a diferença é pouco perceptível, com muitos problemas ainda, na versão de Switch 2, para podermos recomendar a outros jogadores. Comparando a outro jogo do gênero, Starsand Island muito me lembrou a performance de Disney Dreamlight Valley no Switch original, mas talvez um pouco menos otimizado.

Não tenho gosto algum ao constatar tais fatos porque, principalmente, acredito que há um bom jogo por baixo das linhas de código mal otimizadas. Fazia tempo que não mergulhava tão a fundo em um jogo de simulação, muito porque o loop me é tão familiar, e julgo ser raro encontrar um título que consiga deixá-lo tão renovado.
No avistamento de uma estrela cadente

Se pudesse fazer um pedido, seria que Starsand Island ficasse um tempo a mais no forno. Antes, estava animado para os patches, já que de fato gostaria de ter jogado uma boa versão da obra.
Depois de alguns crashes que me obrigaram a refazer alguns dias inteiros, o tédio se instalou, e com muita dificuldade o título conseguirá recuperar minha boa fé. É por não ignorar seu potencial que dou a nota a seguir ao invés de uma menor ao título.
Prós:
- Estilo e perspectiva trazem frescor a um gênero desgastado;
- Loop é viciante, embora nada inovador;
- Opções de transporte carregam ar de novidade.
Contras:
- A performance no Switch 2 é mal otimizada, com pop-ups excessivos, erros de load e crashes em excesso;
- As missões se tornam repetitivas por terem objetivos com overlaps não considerados nos critérios de completude.
Nota
5
