Desenvolvedora: Electronic Arts Orlando Publicadora: Electronic Arts
Gênero: Esporte | Simulação
Data de lançamento: 13 de agosto de 2026
Preço: R$ 349,00
Formato: Digital, Físico (Game-Key Card)
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela Eletronic Arts
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
EA SPORTS Madden NFL 27 é o mais novo jogo da série tradicional de jogos de futebol americano da EA. Para quem já acompanha as linhas esportivas da empresa, a expectativa é a de uma experiência relativamente segura, mas e para um novato, será que NFL 27 é uma boa porta de entrada?
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Um esporte de complexidades e seu simulador

Parte da linha EA Sports, Madden é um jogo de futebol americano no formato simulador, permitindo que os jogadores encarem o esporte de vários ângulos. A ideia é similar ao também anual EA Sports FC, dando uma série de opções de modos do que fazer. É possível fazer carreiras de técnico e de jogador ou simplesmente participar de disputas mais rápidas.
Um ponto importante é justamente que a simulação envolve um nível de detalhamento extremamente técnico. Mesmo em termos de partidas curtas, é necessário fazer escolhas de táticas dos times, assumindo a posição do jogador que está com a bola ou, durante momentos de defesa, o mais próximo de uma possível jogada.
Como funciona o jogo?

Para quem não sabe, a ideia básica do futebol americano envolve tentar articular o time para avançar rumo ao final do campo adversário com a bola oval. Fazer isso constitui um Touchdown, que é a jogada que concede o maior valor de pontos (6 + possibilidade de fazer extra antes do contra-ataque), embora haja também outras formas de fazer pontos como o chute por dentro da área entre as traves.
O gerenciamento da equipe é como organizar um pelotão de um exército em que cada jogador precisa assumir posições específicas para tentar garantir o avanço. Embora chegar ao ponto final do campo seja o objetivo principal, muito do jogo é baseado em ir gradualmente avançando para dentro do campo adversário ou, em momentos de defesa (quando não se está com a bola), evitar que ele faça qualquer progresso.

Sem saber exatamente o que o adversário pretende, boa parte da ofensiva envolve tentar enganar o oponente e fazer passes inteligentes para avançar. Articula-se então um tipo de jogada específica, definindo-se primeiro as posições que cada membro ocupará e como se movimentará pelo campo.
Quem articula a jogada no campo é o Quarterback, que tem que gerenciar as possibilidades de passes do time. No ataque, táticas comuns envolvem a decisão de para quem tocar a bola, tendo tanto a chance de arremessá-la à distância para alguém que já está mais à frente ou repassar para um corredor fazer o trajeto. Para que tudo isso funcione, é necessária uma linha de bloqueio que ativamente impeça o adversário de ir atrás de quem está com a bola, abrindo o caminho para as jogadas e evitando um ataque surpresa no próprio Quarterback enquanto ele se organiza.
O susto inicial e as formas de aprendizado

Embora toda a dinâmica do jogo seja interessante, essa complexidade da lógica das equipes assusta bastante no início. Ao contrário do futebol tradicional, não dá para simplesmente manter a formação básica o tempo todo e desligar o cérebro, e a pior parte é que escolhas ruins podem deixar o time simplesmente paralisado em campo, perdendo as jogadas e incapacitado de avançar dentro do seu prazo limitado.
Nesse ponto entra o maior problema dos jogos da série: a introdução dos iniciantes, o que também foi apontado pelo nosso redator Luiz Estrella na análise do Madden NFL 26. Ao contrário dele, eu já tinha uma noção básica do funcionamento do esporte, das posições dos times e das estratégias possíveis, mas, ainda assim, o contato inicial foi bem duro.

Para tentar dar conta de toda a complexidade do esporte, temos controles muito cheios de detalhes e elementos contextuais, e a navegação por menus para as estratégias é confusa inicialmente para novatos. Quem já jogou os anteriores, porém, deve se sentir em casa com esses elementos, afinal, a experiência do simulador não muda tanto assim em seus lançamentos anuais.
Felizmente, temos um sistema robusto de tutoriais explorando os vários detalhes de cada funcionalidade (seja ofensiva ou defensiva) no Skills Trainer do modo Training Camp. Também é possível jogar minigames que exploram essas mecânicas de uma forma bem divertida e praticar jogadas para entender as dinâmicas de cada tática específica em um ambiente controlado.
As amarras do online

Apesar do jogo entregar o essencial, é importante ter em mente um detalhe bem importante que é a sua dependência do online. Embora seja natural que certos aspectos envolvendo o multiplayer acabassem sendo limitados, alguns modos, como o Superstar, não podem ser acessados sem uma conta EA e a conexão aos servidores, mesmo tendo uma estrutura que poderia muito bem funcionar de forma independente com conexão apenas para obter benefícios.
Na semana do lançamento, a situação era ainda pior: sequer era possível acessar o menu inicial sem passar por esse registro, que envolve, entre outras coisas, o cadastro do cartão de crédito ou foto de um documento oficial. Porém, o jogo recebeu uma atualização e agora já é possível pelo menos aproveitar alguns recursos, como a partida offline e os menus de treinamento.

No campo sonoro, a trilha conta com uma boa variedade de músicas norte-americanas gostosas de escutar, geralmente de artistas bem conhecidos. Já no aspecto visual, é possível notar alguns defeitos aqui e ali nas animações e em detalhes variados. A pior parte é que o jogo passa uma impressão de gravação de TV com ruídos ao ver algumas animações especialmente no modo portátil do Switch 2.
Também gostaria de destacar que, apesar de ter um menu bem grande de opções de acessibilidade, não consegui encontrar nenhuma forma de colocar legendas para as falas dos narradores que são bem presentes. O jogo não conta com tradução para o português do Brasil e acompanhar a narração sem nada escrito às vezes é complexo.
Um touchdown que demanda esforço

EA SPORTS Madden NFL 27 é um simulador complexo de futebol americano que mantém as forças e fraquezas da franquia. O contato inicial de um jogador novato exacerba a complexidade do jogo, mas há um bom espaço para aprender e se divertir com o esporte se o jogador se esforçar e a forte dependência do online não for problema.
Prós:
- Sistema robusto de simulação do esporte em si e suas dinâmicas;
- Minigames divertidos que ajudam a entender alguns detalhes de jogo;
- Tutorial bem robusto para estudar o funcionamento da gameplay;
- A seleção de músicas americanas é gostosa de ouvir.
Contras:
- Acessar alguns modos é completamente impossível sem internet;
- O primeiro contato com o jogo é um tanto complexo e desanimador;
- Pequenos defeitos visuais, clipping e afins;
- Apesar de ter um menu gigante de acessibilidade, recursos importantes como legendas para as narrações estão ausentes, assim como a possibilidade de jogar em PT-BR.
Nota
6

