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Desenvolvedora: Bethesda Game Studios, Virtuos
Publicadora: Bethesda
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 11 de agosto de 2026
Preço: R$ 249,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Bethesda.
Revisão: Manuela Feitosa
A Bethesda foi modesta ao chamar The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered de remaster. Agora disponível para Nintendo Switch 2, a aventura que antecede cronologicamente o clássico The Elder Scrolls: Skyrim ganhou um belo banho de loja, sendo, para mim, um remake fiel, praticamente 1:1 do original.
Não pretendo entrar na seara de filosofar sobre as diferenças entre remasters e remakes, ao menos não neste espaço, mas Oblivion Remastered entrega muito mais, tecnicamente falando, do que muitos jogos que se vendem como remakes. Você, caro leitor, deve ter alguns nomes em mente, eu não preciso nem comentar.
Lançado originalmente em abril de 2025 para PS5, Xbox Series X|S e PC, o quarto episódio de Elder Scrolls pode ser considerado um milagre no Switch 2 apenas pelo fato de, bem, ser capaz de rodar. Digo isso por ser um jogo desenvolvido na pesada Unreal Engine 5, que não tem um bom histórico de otimização, e por ser um game com problemas consideráveis, mesmo em plataformas parrudas.
Um jogo perfeito para a proposta do Switch 2

Como mencionei, o simples fato de Oblivion Remastered rodar no Nintendo Switch 2 é uma conquista que, por si só, merece elogios. Estamos falando de um mundo aberto repleto de camadas, com muitos ambientes externos exploráveis, itens e NPCs com os quais podemos interagir. Goste ou não, Oblivion representou um marco para a história dos videogames em sua época pelo seu grau profundo de imersão.
Convenhamos, se sustentar até hoje como um excelente RPG de ação, depois de tantas mudanças pelas quais o gênero passou nas últimas décadas, é para poucos. Mais uma vez, mérito da Bethesda por produzir jogos atemporais e, aqui, um port que faz jus ao hardware atual e, sobretudo, se aproveita da portabilidade do Switch 2.
Você pode, por exemplo, transformar um dos seus Joy-Cons 2 em um mouse para ganhar mais precisão no modo em primeira pessoa, como se estivesse jogando em um PC. Se você prefere tornar a jogabilidade ainda mais intuitiva, habilitar o giroscópio é uma boa opção, o que torna a experiência mais convidativa, em especial para lidar com armas de longa distância.

Também pude experimentá-lo com um Pro Controller 2 e fiquei impressionado com o quão satisfatório é controlar o personagem, seja em primeira ou terceira pessoa, além da qualidade do feedback tátil das ações, independentemente da escolha de controle. Naturalmente, ainda é um título com o DNA da Bethesda, então a movimentação, no geral, é meio desengonçada e um tanto robótica, o que, de certa forma, compõe seu charme.
O combate, por sua vez, tem suas nuances e seu maior atrativo é a flexibilidade que o jogador tem para experimentar armas e magias, contanto que a sua classe escolhida esteja de acordo. Ainda que seja um tanto difícil acertar golpes precisos no modo em terceira pessoa com armas corpo a corpo (e a tela pequena do Switch 2 não colabora muito), batalhar é satisfatório e sempre instiga à experimentação.
O fardo da Unreal Engine 5
Como era de se imaginar, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered precisou fazer concessões para se adequar ao hardware do Switch 2. Nem mesmo nas plataformas mais poderosas, vide PS5 Pro e PC, o jogo apresenta um desempenho razoável, mesmo um ano após o seu lançamento.
Entrando um pouco no tecniquês (um mal necessário), o Switch 2 se beneficia do upscale via DLSS para entregar uma resolução de 1080p na TV e 900p no modo portátil. Pode não parecer muito quando comparamos a outros ports mais otimizados para o Switch 2, mas confesso que a qualidade não me incomodou a ponto de considerá-la uma ressalva.

Na tela pequena, inclusive, a diferença de 900p para 1080p é minúscula, para não dizer imperceptível aos olhos menos treinados. Com relação à performance, o jogo almeja se manter nos 30 fps em ambos os modos, apesar de raramente conseguir. As mesmas oscilações de desempenho que presenciei em um PS5 Pro também pude notar no Switch 2, com a diferença que a meta no console da Sony era 60 fps.
As quedas ao explorar o mundo aberto são tão intensas que, por vezes, causam pequenos congelamentos na imagem, como se o jogo estivesse prestes a fechar. Dentro das dungeons, por outro lado, em cenários mais fechados e com menos luminosidade, quase não tive problemas ou travamentos que prejudicassem a jogatina, felizmente.
Além dos ajustes que precisaram ser feitos na resolução e, sobretudo, na performance, a Bethesda também reduziu a densidade da vegetação em áreas abertas, do nível de detalhes à quantidade de árvores. Já a distância de renderização, o tal do draw distance, foi limitada para não gerar tantos pop-ins, o que, por consequência, diminui a nitidez dos locais que enxergamos ao horizonte.

No quesito iluminação, fiquei positivamente surpreso pela forma como a Bethesda tentou preservar a qualidade das versões mais potentes do jogo, dos reflexos no metal das armaduras às tochas que nos guiam pelas masmorras. Os feixes de luz embelezam e suavizam cenários que, tecnicamente, foram “podados” para a versão de Switch 2, o que também é mérito da tecnologia de sombras da Unreal Engine 5.
Escolhas que faziam diferença há duas décadas
Para quem não pôde jogar Oblivion em seu lançamento, no longínquo 2006, trata-se de um dos RPGs de ação mais influentes da história, um jogo que pavimentou o terreno para o mundo aberto sem precedentes que viria a seguir: The Elder Scrolls V: Skyrim. Oblivion, à época, já flertava com a exploração orgânica que hoje vemos como tendência em The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Elden Ring.
A história já começa em meio ao caos em Cyrodiil. Com o assassinato do imperador Uriel Septim VII logo no início do game, você, como um guerreiro predestinado a coisas maiores na visão do próprio governante, parte rumo a uma jornada para descobrir o paradeiro do herdeiro do trono. A única maneira de restaurar as barreiras protetoras responsáveis por manter Tamriel a salvo de uma invasão de Oblivion, isto é, do inferno, é garantir a segurança do sangue real, a herança em carne e osso de Uriel.

Apesar de a narrativa ter momentos marcantes, o que sempre diferenciou Oblivion dos demais RPGs ocidentais é a quantidade de escolhas que se pode fazer com o seu personagem e, em especial, a liberdade que se tem para mudar a percepção do mundo sobre você. Pode não parecer uma grande evolução nos dias de hoje, mas o sistema de fama e infâmia adicionou camadas mais profundas aos diálogos e às reações dos personagens que poucos jogos modernos conseguiram reproduzir depois.
Seus atos de bondade, seus crimes e, principalmente, suas batalhas vencidas ficam sempre marcadas em Tamriel. Por isso, Oblivion é, até hoje, um título com alto fator replay: os jogadores querem reviver a aventura de outra forma, fazendo outras escolhas e tendo novas experiências à medida que o mundo reage de maneiras diferentes às ações do seu personagem. Por ser um RPG profundo e pautado em escolhas, que fique registrado para os marinheiros de primeira viagem: é um jogo que exige dedicação (e tempo) acima da média.
Oblivion é atemporal
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered é um milagre só por rodar sem explodir o Switch 2. Para um jogo que não está otimizado nem mesmo nos consoles mais potentes, a versão dedicada ao console da Nintendo entrega bons visuais, ainda que com limitações gritantes de desempenho, e uma portabilidade que casa muito bem com a proposta mais sandbox dos RPGs da Bethesda.
Prós:
- A Unreal Engine 5 renovou o visual por completo;
- Port competente, mesmo considerando a má otimização;
- Bem adaptado às funcionalidades do Switch 2, incluindo o uso do mouse;
- Liberdade de escolhas irretocável para um RPG dos anos 2000;
- Combate satisfatório, ainda que mantenha o jeito desengonçado do original.
Contras:
- Gargalos sérios de desempenho no mundo aberto;
- Pop-ins, distância de renderização limitada e outras ressalvas técnicas.
Nota
8
