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Desenvolvedora: Digital Sun
Publicadora: 11 bit studios
Gênero: RPG de ação | Roguelike
Data de lançamento: 02 de setembro de 2026
Preço: R$ 88,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela 11 bit studios
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
O fato de eu compartilhar jogos com meu irmão me fez conhecer o primeiro Moonlighter, jogo comprado por ele e que, desse modo, pude jogar. O título conta a jornada de um lojista que comercializava relíquias, artefatos e objetos das dimensões perigosas que ele explorava como um aventureiro combatente, derrotando inimigos e saqueando baús para conseguir seus produtos; um ganha-pão inusitado, eu diria.
E uns bons anos depois, o aventureiro Will ganha o seu segundo título, Moonlighter 2: The Endless Vault, que resolve apostar numa boa repaginada visual misturada com a boa gameplay do primeiro jogo. Agora, saberemos se esta nova aventura resultou numa continuação bem-vinda ou só num repeteco de seu antecessor.
A vida continua, digo, no caso, as vidas

A história começa após os acontecimentos do primeiro jogo, com um vilão chamado Marlock invadindo e dominando a Vila Rynoka (vilarejo da obra anterior). Isso força seus habitantes a se deslocarem e se estabelecerem em um novo lar, a Vila de Tresna. Assim, eles têm que recomeçar suas vidas do zero, com o protagonista sendo forçado a concentrar seus negócios numa loja diferente daquela herança tão amada de seu avô.
Honestamente, é uma justificativa perfeitamente plausível para recriar o estilo de gameplay do primeiro jogo, pois a jornada de Will basicamente consiste numa vida dupla, praticamente uma dinâmica no estilo Bruce/Batman.
De noite, o caçador
Durante as noites, nosso protagonista escolhe uma arma e explora outra dimensão dentre algumas opções por meio de um portal, tal qual no primeiro jogo. Após derrotar todos os inimigos de uma sala, Will pode pegar a recompensa daquele cômodo, como um baú, upgrade para a aventura daquela noite em específico, dentre outras alternativas.
Nos baús das dimensões estão os artefatos, que têm uma novidade gritante em The Endless Vault. Agora, todos os itens têm atributos chamados de “qualidade”, que basicamente são multiplicadores do valor daquela unidade de item. Foi uma mudança que eu pensei que poderia quebrar o mercado do jogo, mas acabou casando muito bem com sua proposta.

Essa mudança contribuiu principalmente quanto ao modo de armazenar itens na mochila; ele ainda segue uma dinâmica de “puzzles” do primeiro jogo, mas agora de um jeito bem mais marcante. As maldições (atributo que cria interação com um dos itens ou até mesmo todo o restante da mochila) têm uma sinergia muito boa com a qualidade, podendo gerar estratégias de usar a maldição de um item para aumentar a qualidade de um outro item mais raro e, assim, gerar mais lucro. Um elemento que era bem mais raso no primeiro jogo se torna uma diversão à parte para mim neste segundo título.
Sobre a gameplay da noite, eu vejo uma evolução em relação à de seu antecessor. O combate teve uma boa melhorada, seguindo um fluxo de velocidade melhor e trazendo de volta não só inimigos convencionais do primeiro Moonlighter, como boas novas opções, tornando as lutas ainda mais divertidas. E como não só de oponentes convencionais vivem os combates, temos os chefões. Nestes, sim, eu diria que a evolução foi maior, tendo batalhas bem mais interessantes e memoráveis do que no primeiro jogo, no qual eu não consideraria as boss fights como um dos pontos fortes.
Além disso, se o personagem morre na expedição, ao invés de perder todos os itens da mochila, a qualidade de todos eles cai pela metade e você pode comercializá-los ainda assim. Essa mudança foi perfeita para mim, porque é uma punição pela morte, mas que não dá ao jogador uma sensação de retrocesso ou de uma run feita em vão.
De dia, um vendedor
O grande foco dos dias ensolarados será a sua lojinha, na qual você comercializa e gerencia os itens adquiridos à noite, tendo que ajustar os preços num ponto satisfatório, comprando decorações e mobílias e a expandindo com o passar do tempo. A loja nessa continuação conta com um robô assistente chamado K3PP3R, que serve para inúmeras coisas: funciona como um baú para guardar itens, como meio para customizar a sua loja na estética e mobílias gerais, e pode atribuir upgrades a seu estabelecimento.
O robô ainda conta com uma barra diária de vendas. Ao enchê-la por completo, você terá upgrades de atributos de venda específicos naquele dia, funcionando como nas expedições: pode-se escolher um upgrade entre três opções sortidas. Além disso, você pode equipar um pet durante o dia de vendas, que também é capaz de conceder algum atributo dependendo do bichinho escolhido.

Quanto às mudanças em relação a seu antecessor, elas foram bem menores em relação às da parte noturna do jogo, mas não inexistentes. Para começar, existem bem mais setores de upgrade para gastar o seu suado dinheirinho; claro, quem era do primeiro Moonlighter está de volta, mas existem boas novas opções de NPCs que concedem não só tasks agora, mas também contam com seus serviços que podem lhe auxiliar nas expedições ou no comércio, resultando numa vila bem mais rica que a do primeiro jogo.
É uma mudança que, num ponto de vista geral, me agradou na maior parte do tempo, pois agora tem de existir um cuidado bem maior de seleção no que você gastará seu dinheiro primeiro. Apesar disso, chega a um ponto do jogo que fica meio chato e parece que só tem vendedor tacando-lhe upgrade de graça, como melhorias de porcentagem mínimas de critérios específicos ou multiplicadores de quase tudo que é valor, como se a criatividade tivesse acabado para alguns eixos e estivessem forçando isso goela abaixo.
“Eis aqui o futuro”
Mesmo com todas as mudanças já mencionadas (a maioria envolvendo upgrades, mas, ainda assim, mudanças), a maior disparadamente é o visual. Moonlughter 2 abandona a boa pixel art do primeiro jogo numa visão totalmente top-down e aposta em modelos 3D numa visão de câmera isométrica, que, somados ao esquema roguelite, deixa a experiência relativamente semelhante com os dois jogos de Hades.

De primeiro contato, eu estranhei bastante a mudança. Mesmo preferindo o primeiro jogo no quesito visual, foi só uma questão de tempo para eu me acostumar, enquanto a câmera nova contribui positivamente para a exploração. A atmosfera me remete, até certo ponto, ao primeiro Moonlighter, mas se distancia o bastante para eu considerar a sua própria, com as dimensões sendo bem coesas quanto ao que cada uma delas se propõe a fazer, tornando cada uma bem única.
A placa torta de boas-vindas
Apesar de já mencionado que a mudança visual não incomoda, a transição de tipo de gameplay parece custar um pouco quanto a alguns aspectos. Não foram casos gritantes ou frequentes, mas infelizmente existiu uma quantidade maior de problemas de colisão e travamento do que eu gostaria de admitir, com certos elementos não parecendo interagir bem entre si.
Mas uma questão que realmente me incomodou (e eu nunca pensei que algum jogo desse site que eu pegasse pra review fosse ter esse aspecto negativo tão específico) é a quantidade de loading. Não sei quanto às outras versões, mas a de Nintendo Switch 2 é repleta de telas de carregamento, e elas não são tão rapidinhas não.
Não sou nenhum gamer hardcore de internet com fetiche em reclamar de gráficos, tempo de loading e querer desempenho máximo. Porém, se a troca de elementos de um jogo (que vive de ciclos) para o outro custou tanto em quesito de desempenho, talvez fosse uma mudança que nem valeu tanto a pena no fim do dia. Afinal, nesse aspecto, o primeiro Moonlighter era bem funcional.

A última vez que me recordo de ter jogado um título com esse problema foi Jump Force e, mesmo sendo alguém com uma boa inclinação para ansiedade, esse tipo de coisa MUITO dificilmente me incomoda. Inclusive, tive um congelamento de tela em um dos loadings, o que me forçou a sair do jogo e entrar, pondo a minha run em risco total.
Por fim, um último incômodo, mas esse BEM menor, é que o jogo não é muito claro quanto a seu sistema de saves, o que me deixava com receio de fechar o software e perder progresso, coisa que não aconteceu (ainda bem).
Trato feito?

Apesar desses pequenos empecilhos, Moonlighter 2: The Endless Vault é uma continuação digna, que mantém basicamente tudo do que torna o primeiro jogo maravilhoso, adicionando um tempero a mais na experiência para justificar assim uma sequência. A mudança da gameplay é válida e funcional, enquanto a parte visual, apesar de não ser uma melhora, também não compromete na identidade visual.
Contudo, devo dizer que a impressão que fica é que poderiam dosar melhor na quantia de setores de upgrades, que ficou exagerado além do necessário, somado ao fato de o jogo ter um desempenho aquém do esperado, o que é uma pena. Comentado tudo isso, não comprometeu tanto da experiência a ponto de estragá-la ou algo assim, ou seja, podemos dizer que trato feito.
Prós:
- Trilha sonora satisfatória, mantendo a qualidade da do antecessor;
- Mantém as características principais do primeiro Moonlighter;
- Combate melhorado em relação àquele mesmo título;
- Dinâmica de vida dupla da gameplay continua muito divertida;
- Atmosfera de mundo marcante;
- Profundidade maior em tudo mecanicamente.
Contras:
- Telas de carregamento excessivas e longas;
- Desempenho da versão de Switch 2 falho em alguns momentos substanciais.
Nota
8,5
