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Desenvolvedora: Kairosoft
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: Simulação | Gerenciamento
Data de lançamento: 23 de outubro de 2026
Preço: R$ 114,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PC, App Store, Google Play
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Lucas Ferreira
Num mundo tomado por jogos de fighting arena de animes, é muito bacana quando surge um título diferente. ONE PIECE: Grand Gourmet chegou como uma surpresa das boas; apostou em uma pegada de gerenciamento e tycoon completamente fora do habitual.
Algo diferente dessa vez.

Na prática, comandamos o novo restaurante navio Baratie, criado pelos funcionários Patty e Carne (do Baratie original) para combater uma cópia fajuta. Essa versão foi feita pelos chapéus de palha falsos que usavam a fama do lugar para aplicar golpes, roubos e vender pratos superfaturados e sem qualidade, manchando a reputação do estabelecimento original.
O novo navio foi passado para a nossa tripulação favorita, com papel fundamental do nosso cozinheiro cavalheiro sobrancelha de minhoca, Vinsmoke Sanji. Não bastando, Luffy danificou o sucessor do Baratie sem querer, fazendo a gente começar com o projeto praticamente do zero. Para completar, precisamos reunir todos os chapéus de palha, que estão espalhados pelos mares após uma tempestade. Quando encontrados ao longo do caminho, eles podem ser de grande ajuda para o negócio.

Eu que sou o capitão!
Para acabar com a má fama espalhada pelo restaurante falso, o objetivo é fazer o nosso negócio crescer e dominar aquele mar em específico. O jogo segue nessa pegada de superar a concorrência desonesta em cada nova região (mar) do mapa.
Cada mar traz a sua própria variedade de clientes e missões específicas. Quando você cumpre as tarefas da área, chama a atenção da cópia fajuta para uma batalha culinária com júri, onde o vencedor “domina” o local, virando o dono culinário da região.
As missões variam entre acumular reputação, bater as vendas do rival no dia e transformar clientes em fãs. Esse ritmo de objetivos é a chave principal para evoluir o restaurante e liberar ainda mais recursos.

Quem tem fome, é sempre cliente.
Conquistar a clientela até virarem fãs é parte essencial do negócio, já que eles vão atrás da sua comida não importando o quão longe você está ancorado. Como os mares acompanham as sagas da história, a gente reencontra personagens conhecidos em ordem semelhante ao anime e ao mangá.
Cada cliente é único no visual, contando com sprites e animações charmosas, algumas com personagens representados pela primeira vez em um jogo de One Piece, além de único nas exigências, que envolvem prato favorito desejado, decoração temática de preferência e construir estruturas específicas no navio. Se você atende aos pedidos ou manda um presente cobiçado pela personagem, assim, terá um novo fã.

Esses desejos costumam combinar direitinho com cada um dos personagens na maior parte do tempo. Conforme eles fazem pedidos, ganham pontos de afinidade que viram coraçõezinhos, usados para comprar novas estruturas e customizar o navio.
É legal ir avançando devido à sensação de um mundo vivo, com um restaurante realmente funcional, mas seguindo a lógica do anime. Os personagens saem e se espalham em mesas aleatórias entre si, gerando combinações bem inusitadas. Além disso, alguns diálogos que nunca aconteceram na obra, mas que combinam (seja por um assunto em comum, por exemplo), geram um coraçãozinho também, sempre aparecendo em uma janela pro jogador ver e apreciar.

Hora da comida, obrigado, tá bom demais!
Outro ponto forte são os pratos, criados a partir de ideias dos funcionários e dos próprios clientes. Se você tiver o ingrediente correto no estoque, além da personagem específica, a receita sai; se não tiver, o jeito é sair explorando os mundos para encontrar.

As explorações são simples: você manda o capitão Luffy (sozinho ou com outro companheiro) para recolher itens e ingredientes pelo caminho. Só precisa ficar de olho no nível dos personagens, treinando eles com pontos individuais para aguentarem a aventura.
Os itens da exploração podem ser entregues aos clientes para aumentar a velocidade ou quantia de pedidos, enquanto os ingredientes servem para criar e evoluir o sabor das comidas. Além disso, um aspecto que eu adoro é que dá para batizar os pratos e o restaurante como você quiser, um detalhe trivial que traz todo um charme.

Navio também é companheiro
Tão importante quanto o cardápio é o visual e a apresentação geral do restaurante, e nisso o jogo não deixa a desejar, com uma customização bastante diversificada. Dá para mudar pisos, mesas, objetos de iluminação, divisórias de mesa, todos com temas das ilhas, como Alabasta, Ilha do Céu e Sabaody, o que deixa o ambiente mais aconchegante visualmente. Com um cenário bem montado e cheio de elementos, a mesa vem a ser mais confortável para os clientes.

O jogo leva essa gestão a sério e coloca um monte de estruturas extras no Baratie. Você pode montar locais de descanso para pets, cantinhos para a tripulação, palcos, aquários e piscinas, com opção para dar e vender (até demais para um restaurante, quiçá melhor que o Baratie original).
A parte mais engraçada é escalar clientes com alta afinidade para trabalharem nessas salas, mesmo que não sejam do bando. Isso gera alguns momentos meio forçados com certas salas feitas para tipos específicos, algo que você só aceita por ser resenha de videogame.
Não vai ser você, Teach…
Apesar do carinho com a obra e das opções de customização, infelizmente nem tudo são flores. O menu é horrível; mesmo depois de boas horas jogando, eu não me achei direito nele, o que deixa a navegação bem chata para um jogo completamente focado em gestão. Esse layout complicado irrita bastante, porque a gente precisa mexer no menu toda hora. Fazer tarefas simples pode acabar virando um processo cansativo, embora eu tenha conseguido me acostumar.

O visual conta com sprites muito bem feitinhos, e a música é agradável, mas a variedade desses elementos às vezes deixa a desejar. Eu adorei a trilha do gerenciamento, mas tive que me segurar para não enjoar da mesma canção repetindo no meu ouvido o tempo todo, com uma vibe “música de combate do Sonic Unleashed”.

Nossos sonhos de vencer, temos que juntar!
Se o menu fosse mais organizado, já resolveria 80% dos meus problemas do jogo. Como é um recurso usado o tempo todo, um ajuste ali mudaria tudo da água para o vinho. Mesmo com esses percalços, o jogo foi uma experiência super relaxante, viciante e satisfatória. Eu não costumo jogar tantas obras do gênero, mas a proposta me pegou de jeito por ser fã de One Piece e de joguinhos.

No fim das contas, é uma ideia diferente que mais franquias famosas deviam tentar. Valeu a pena ver uma alternativa leve feita num mercado de games saturado, que costuma focar só em lucro rápido usando personagens conhecidos.
Prós:
- O jogo apresenta bom loop de jogabilidade dado ao que o gênero propõe;
- Um carinho enorme pelos detalhes da obra original, incluindo os minuciosos;
- Oferece uma customização ampla em quase tudo;
- Apresentação visual bem charmosa.
Contras:
- A navegação pelos menus é infame e confusa;
- A trilha sonora pouco variada se torna repetitiva após um tempo.
Nota
8,5
