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Desenvolvedora: Eidos-Montréal
Publicadora: CDE Entertainment. PLAYON
Gênero: Ação e aventura
Data de lançamento: 5 de novembro de 2026
Preço: R$ 199,00
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela PLAYON.
Revisão: Manuela Feitosa
Em 2014, o roteirista de Scooby-Doo e Dawn of the Dead foi chamado para escrever e dirigir um filme no já badalado MCU. Ao invés de optar por um quadrinho famoso, James Gunn surgiu com ‘Guardiões da Galáxia’, um conceito no mínimo estranho. Afinal, o que um grupo composto por um guaxinim, uma árvore, um terráqueo, a filha adotiva do maior vilão do universo e um brutamontes incapaz de compreender ironia poderia oferecer?
Em retrospecto, muitos apontam que o comportomento aparentemente atípico daquele que, agora, é a cabeça por trás de todo universo da DC, estabeleceu um padrão em produções audiovisuais quase previsível. Puxe personagens desconhecidos, jogue uma música Rock-pop dos anos ’80 e voilà: tem-se um filme do James Gunn! Apesar de considerar esse pensamento bem injusto, é inegável apontar que a adaptação para jogos da série é uma direta da obra cinematográfica.
É uma decisão acertada, adiciono em seguida. Mas, em todo modo, jogadores de plataformas da Nintendo ficaram privados do lançamento lá em 2021, e apenas 5 anos depois estamos recebendo, enfim, um porte para o Nintendo Switch 2, com conteúdo adicional e um esquema de controle único para o console.
O que me perguntava, antes de criar um novo save, era se cinco anos carregariam consigo o cansaço do MCU, das fórmulas banais das narrativas dos super-heróis, ou se iria encontrar aqui um aceno convidativo para a trilogia que, francamente, ainda considero como a melhor série da ruína que se tornou o universo compartilhado da Marvel. Não percamos tempo, e mergulhemos de vez no que é proposto para o grupo mais infame dos quadrinhos na mídia de jogos!
Hooked On A Feeling
Guardiões da Galáxia é um jogo de ação linear simples. Sua estrutura é composta por capítulos, separados por diferentes cenários, compondo uma grande história de proporções interplanetárias. De imediato, o título já supõe que o jogador tenha certa familiaridade com o grupo de heróis desajustados, visto que desde o princípio da narrativa o grupo já está formado, embora ainda no início, buscando trabalhos para fechar as contas.

Nosso papel é controlar Peter Quill, o Senhor das Estrelas. Sua origem é ligeiramente diferente da dos filmes, e é construída a partir de flashbacks ao longo do enredo, mas sua personalidade de líder complacente e fanático por músicas de sua infância não apenas permanece a mesma da dos filmes como também serve como motor de muitos dos conflitos.
Tudo começa em uma missão em um antigo campo de batalha, que tanto serve como tutorial como definidor de relacionamentos entre os grupos. Rocket e Groot são como unha e carne, Drax é o gladiador brutal de sempre, mas ainda com um pé atrás em relação à Gamorra, filha de Thanos (o assassino de sua família). Peter serve como um bom meio-termo entre os membros, principalmente porque o jogador pode escolher opções de diálogo a depender de certas conversas, impactando na dinâmica do grupo.
A direção de arte desde o primeiro minuto mostra sua capacidade de causar a estranheza de uma galáxia recheada de particularidades. Naves espaciais são distintas e complexas, inimigos podem assumir múltiplas formas e o fundo dos cenários sempre apresentam algo diferente. Ao longo do título, certos ambientes se repetem, gerando certo desgaste, mas logo são contrapostos por cenas completamente diversas, causando uma explosão de impressões bem em linha com a escala cósmica do projeto.

E no Nintendo Switch 2, as texturas são detalhadas, com uma nitidez em linha com ports de jogos AAA que já abordamos à exaustão em outras reviews. Isso não quer dizer que a versão seja perfeita, inclusive longe disso! Mas deixarei comentários técnicos na próxima seção do texto. Por agora, resta apontar que narrativamente Guardiões da Galáxia apresenta uma experiência que faz muito jus a seu nome. A narrativa geral apresenta personagens queridos, cenários reconhecíveis e faz uma boa relação com a temática de herança que pauta a trilogia dos filmes.
Grande parte do encanto do título está nos diálogos, que pipocam a todo instante. São cômicos na medida certa, frequentes e fornecem uma boa teia de relacionamentos para lidarmos. Quill não é deixado em paz por um instante: sempre há um conflito para resolver, uma discussão para apartar ou uma decisão para tomar, e o jogador precisa ficar atento a cada detalhe.
Ainda assim, não espere a melhor narrativa de todas. Comparando a outros títulos do gênero, Guardiões da Galáxia não tem peso o suficiente para se igualar aos melhores momentos de Arkham, ficando equiparado com os jogos do Homem-Aranha da Insomnicac: perfeitamente aceitáveis em um teto de propostas, incapazes de alcançar grandeza temática.
Ain’t No Mountain High Enough
Sejamos francos: a régua para AAA é bastante curta. Depois de tantos comentários positivos de outras versões, esperava bem mais de Guardiões da Galáxia. Quando seu ponto de maior força é a história, que se iguala às boas produções do MCU (portanto, medíocres no máximo), é difíicil tirar algo de positivo do combate.

O jogo tem uma estrutura completamente previsível: uma linha reta com plataformas burocráticas e eventuais desvios para colecionáveis e uma arena. Aqui, Quill pode atirar, com um sistema de recarga semelhante a Gears of War, com reloads que podem fornecer um tiro mais potente, flutuar com suas botas de propulsão, atacar com uma opção Mellee menos potente e realizar esquivas.
É um sistema polido, mas entediante em sua repetitividade. Temos uma opção de selecionar ataques especiais com os demais membros do grupo, dando certa quebra de ritmo e margem de estratégia, mas com o tempo a opção também se torna burocrática e repetitiva.
Os colecionávies (roupinhas, basicamente) não são incentivos tão grandes para exploração, visto que não aplicam efeitos distintos em campo de batalha. Existe, contudo, um recurso que pode ser trocado por upgrades na arma de Quill em mesas específicas, e tenho por mim que esse é de fato o melhor incentivo do jogo. Ainda assim, como o combate não é tão divertido, o upgrade pelo upgrade não vale tanto.

Ainda assim, nada dessas falhas me faz desgostar do título enquanto obra bloockbuster. Nenhum jogo precisa ser transformador, no final das contas, e até o momento eu recomendaria sem muitos pontos adicionais a fãs dos filmes. Entretanto, tenho problemas sérios com o port para o Nintendo Switch 2.
Primeiro: o conteúdo adicional é bem-vindo (skins exclusivas, controle de mouse e de movimento), mas insuficientes para trazer o melhor do console. Primeiro porque o controle de movimento não é limitado ao gyro na mira, servindo para controlar Quill em seções específicas que, francamente, não funcionam. Em uma delas, tive de desligar por completo a função. Segundo porque existem erros estruturais no jogo, com crashes muito frequentes (principalmente no menu de skins), pop-ups e queda de frames incômodos e bugs visuais aqui e acolá.
Os crashes, infelizmente, são problemas que não posso passar por cima, principalmente porque meu save atual foi completamente corrompido. Explico: antes do lançamento, em uma atualização de software, meu jogo ficou corrompido em um nível que, ao carregar o save, meu jogo crasha, obrigando-me voltar um capítulo inteiro (e logo um grande) sem muitas garantias que o problema será resolvido.
The Boys Are Back In Town

É muito bom mesmo ver tantos ports de jogos grandes no Nintendo Switch 2, mas sinto que a porteira foi escancarada cedo demais. Os primeiros ports que experimentei no console estavam imaculados, mas com mais frequência vejo casos de edições apressadas e publicadas com pouco esmero. É uma pena, porque eu verdadeiramente estava gostando do título, e pretendo voltar a ele em updates futuros, mas não posso recomendar uma versão ruim embora de um jogo bom.
Minha recomendação? Esperar updates e futuras promoções, na expectativa de que Guardiões da Galáxia se mostre de forma franca e justa para o público nintendista.
Prós:
- Direção de arte inspirada nos transporta para um universo repleto de mistério;
- Diálogos frequentes constroem bem o dinamismo da equipe de heróis mais desajustados da galáxia.
Contras:
- Port mal-otimizado gera crashes frequentemente;
- O combate pouco inspirado desperta tédio.
Nota
6,5
