Desenvolvedora: Tose
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: RPG de Ação | Retrô
Data de lançamento: 16 de outubro de 2026
Preço: R$ 169,00
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Ivanir Ignacchitti
A linha de remasters da franquia Tales tem sido a chance perfeita de jogadores conhecerem alguns dos títulos mais queridos da série. Após remasterizar um jogo recente e ser bastante criticada por isso, a Bandai Namco decidiu apostar no passado e trouxe para as plataformas modernas uma das primeiras iterações da franquia, Tales of Eternia Remastered.
O clássico do PS1 apresenta aos novos fãs a experiência 2D da série, enquanto alegra os veteranos com o bom e velho Tales of, além de nos dar esperança para um futuro melhor em relação ao projeto Remastered.
Por que remasterizar Tales of Eternia?

Desde o anúncio do Projeto Remastered em 2024, a Bandai Namco tem remasterizado títulos da série Tales of de maneira bem aleatória. Com um foco principal nos jogos da era PS3, tivemos o lançamento fora de ordem de Graces F, Xillia e Berseria, este último sendo o mais criticado por ser um título muito recente.
Como um projeto que busca resgatar o passado da franquia, a iniciativa certamente não parecia estar cumprindo com seu objetivo. Inúmeras teorias surgiram, com muitos fãs acreditando que apenas os jogos da era PS3 receberiam tal tratamento, já que são os mais fáceis de trabalhar, enquanto os mais antigos estariam fadados a serem esquecidos.
Eis que então a Bandai Namco anuncia que Tales of Eternia, título lançado em 2000 no PS1, seria o próximo jogo do projeto. O anúncio pegou a todos de surpresa, especialmente por se tratar de um jogo antigo, mas, ainda mais importante, por ser um jogo da era 2D da franquia, a era que muitos fãs gostariam que fossem o foco do Projeto Remastered.

Lançar Tales of Eternia também pode ser visto como uma decisão estranha por parte da Bandai Namco, afinal de contas o primeiro título da franquia, Tales of Phantasia, seria o candidato ideal para ser o primeiro remaster 2D, não? Bem, sim e não. De fato, a aventura de estreia da série seria uma ótima forma de começar a relançar os jogos mais antigos (e digo isso como um grande fã de Phantasia), mas também existem razões para o relançamento de Tales of Eternia antes dos outros.
Tales of Eternia foi, tecnicamente, o quarto jogo da franquia Tales. Até o momento, a série tinha a versão original de Tales of Phantasia, lançado no Super Famicom, Tales of Destiny, lançado no PlayStation 1, e então um remake de Phantasia no PS1 que utiliza a engine de Destiny. Apesar disso, Eternia foi onde a raiz em que Tales of começou em si. Tivemos uma reformulação geral na engine que incluía gráficos e jogabilidade.
Todos os Tales of subsequentes, seja 2D ou 3D, são baseados em Eternia. Os títulos 2D continuam com o estilo artístico introduzidos aqui, enquanto os 3D pegam suas mecânicas e introduzem mecânicas e outras adições minúsculas sem perder o DNA do jogo de PS1. Além disso, Eternia também foi o último título antes da divisão oficial do Wolf Team, os desenvolvedores original da franquia, em Team Destiny e Team Symphonia, como expliquei em meu texto de Tales of Graces F Remastered.
O conto eterno dos dois mundos

Assim como é esperado de muitos outros títulos da série, Tales of Eternia apresenta uma narrativa única que não é interligada a outro jogo. Apesar de possuir elementos que aparecem em outras experiências da série, Eternia coloca seu próprio toque nas coisas de forma a ficar algo similar mas ainda único.
O universo de Tales of Eternia é separado em dois mundos, Inferia e Celestia, que, apesar de próximos, não possuem uma forma de se comunicar entre si. A história segue os protagonistas Reid Hershel e Farah Oersted, dois amigos de infância que vivem em Inferia. Um dia, ambos encontram Meredy, uma garota de Celestia, que veio até Inferia para impedir a Grand Fall, um misterioso evento cataclísmico que destruirá ambos os mundos.
Com a ajuda de Keele Zeibel, outro amigo de infância de Reid e Farah, o grupo consegue contactar os Greater Craymels, espíritos interligados aos elementos de cada mundo, recebendo sua ajuda em sua missão de salvar Celestia e Inferia. Explorando ambos os planetas, o quarteto ainda recebe ajuda de Chat, tataraneta do lendário pirata Aifread, e Max, o líder de um grupo rebelde em Celestia.

A narrativa de Tales of Eternia é bem simples e introduz elementos que continuariam a serem explorados em outros jogos da franquia. Além disso, ela também reutiliza certos pontos dos dois jogos anteriores ao título (Phantasia e Destiny). O Remastered é ainda melhor do que o lançamento ocidental original pois temos as famosas skits (cenas opcionais com os membros da party), expandindo ainda mais a caracterização de cada personagem e os desenvolvendo mais naturalmente.
Este também é um título especial em termos de história pois temos apenas quatro personagens jogáveis (com Chat e Max sendo opcionais, para um total de seis personagens). Como tal, a narrativa flui de uma maneira que permite mostrar a evolução e o desenvolvimento do elenco de forma natural e muito bem representada. Nenhum dos quatro personagens é jogado de lado e sua evolução é um dos principais pontos da história do título.
O bom e velho Linear Motion Battle System

Tales of Eternia Remastered é um RPG de ação que utiliza uma variação do clássico sistema de batalha da franquia batizado de Aggressive Linear Motion Battle System. Basicamente, como o próprio nome implica, ele é uma versão mais “agressiva” do LMBS, com sua principal novidade sendo a remoção do infame spell pausing, onde feitiços de nível alto pausavam a ação.
Graças a essa mudança, além de um incremento na velocidade de movimento e ataques, o combate de Tales of Eternia fica ainda mais próximo de um jogo de luta 2D. Muito da base da franquia, especialmente dos títulos do Team Symphonia (Tales of Symphonia, Tales of the Abyss e Tales of Vesperia), começaram aqui, com os personagens podendo realizar combos básicos de até 3 ataques (dois normais e o terceiro requerendo segurar para baixo ou cima). As artes, ataques especiais que os personagens aprendem, também existem aqui, divididas em duas categorias: skill e sacred skill.
Ainda não há um sistema complexo de combos, mas há uma certa progressão nos ataques: básicos > skill > sacred skill. Além disso, Tales of Eternia também expandiu o sistema de Hi Ougi (Mystic Arte), o mais alto nível de habilidades de ataques especiais, que foi introduzido no remake de Phantasia. Além de Reid possuir uma MA que é ativada de forma similar ao jogo anterior (pressionando ataque, ataque especial e defesa enquanto o HP pisca em vermelho), o protagonista também possui outros ataques especiais que funcionam como extensão de artes, requerendo o aperto do botão de skill no momento certo.

Já os magos do time receberam mudanças com o sistema de Craymels. Ao longo da aventura, a equipe consegue o apoio dos espíritos elementais de cada mundo. Em termos de gameplay, os Craymels permitem que os magos da party possam aprender novos feitiços elementais. Keele e Meredy possuem uma Craymel Cage, que pode guardar até seis Craymel. Os espíritos ganham exp conforme os personagens participam em batalhas e após certos níveis é possível realizar um “fringe”, ato em que as cages são misturadas, para assim habilitar novos feitiços.
Diferentes combinações de Craymels resultam em diferentes magias sendo desbloqueadas para tal personagem. Além disso, durante as batalhas, conforme o mago utiliza um feitiço de um certo elemento, uma barra invisível de vitalidade é preenchida. Assim que ela estiver cheia, é possível invocar o Craymel daquele elemento para um ataque devastador.
O combate de Tales of Eternia é bem simples e direto se comparado a outros jogos da série, especialmente aos mais recentes títulos do projeto Remastered. Dito isso, o sistema também possui algumas mecânicas secretas que funcionam como easter egg ou se tornaram icônicas o bastante para reaparecer em games futuros (como o feitiço secreto Blue Earth).
De certa forma, é possível considerar o combate bastante limitado e extremamente repetitivo, mas é preciso lembrar que este é um título lançado originalmente em 2000 e que Tales of Eternia levava o PlayStation 1 ao seu limite. A engine ainda possuía algumas limitações (como um feitiço de alto nível por vez), mas a base já estava montada para o que viria no futuro.
Tales of clássico em sua mais pura essência

Tales of Eternia Remastered é uma experiência clássica da franquia Tales em todos os seus detalhes. Sem mudar nada de forma drástica, esta é a mesma versão de seu lançamento original, incluindo todos os seus pontos positivos e negativos, especialmente alguns mais defasados.
O título é um jogo 2D misturando sprites com cenários pré-renderizados. São visuais bonitos, com as sprites sendo bem animadas. Mesmo com as limitações do seu estilo visual, efeitos como balões de fala, ajudam a expandir as interações entre os personagens, trazendo consigo o charme único que a franquia perdeu nos seus últimos títulos.
Por ter sido lançado no PlayStation 1, onde o controle analógico era algo opcional, a movimentação pelos cenários de Tales of Eternia Remastered é um pouco confusa. Fica um pouco difícil de jogar o título no analógico e alguns quebra-cabeças que envolvem empurrar objetos do cenário sofrem bastante com isso e problemas de colisão.

Como um Tales of antigo, as dungeons são enormes e com desafios que fazem com que a experiência seja bem mais do que ir de um ponto até o outro. Alguns dos quebra-cabeças são fáceis de resolver, mas há alguns mais complexos que testam a capacidade cognitiva do jogador. Os mapas dos mundos também são variados e possuem muitos segredos para serem descobertos.
Na parte sonora, a trilha musical composta por Motoi Sakuraba é boa, possuindo uma variedade de temas distintos. A principal novidade do remaster, contudo, é sua redublagem em inglês. Os dubladores originais do elenco se perderam com o tempo, visto que eles não foram creditados no original, então a Bandai Namco decidiu retraduzir e dublar novamente o jogo. Não tenho muito o que comentar sobre a redublagem, já que joguei em japonês, mas posso falar da nova tradução.

A nova tradução foi um trabalho esquisito por parte da Bandai Namco. Apesar do novo texto não ter uma disparidade tão grande da sua versão original, o trabalho realizado nele deixa alguns questionamentos, isso porque a empresa decidiu relocalizar tudo, mas manter o mesmo nome original para as skills. Sei que fizeram isso para agradar os fãs do original, mas já fazem anos que temos as localizações corretas dos ataques, então seria legal se Tales of Eternia Remastered pudesse ter feito essa mudança.
Essa, é claro, não é a única novidade do remaster. Os visuais e sons tiveram algumas melhorias, sendo possível até mesmo escolher entre os originais ou os remasterizados. Além disso, temos ícones de destino, que ajudam a mostrar o caminho para progredir a história e sidequests importantes e podem ser desativados a qualquer momento, uma dificuldade adicional no New Game Plus, além de modificadores relacionados a experiência, dinheiro, dano e mais.

Como Eternia não possui o Grade Shop, que só foi introduzido no jogo seguinte, Tales of Destiny 2, esses modificadores são o mais próximo do que existe via tal opção. Além disso, a equipe de desenvolvimento também mudou a forma como a EX Dungeon do jogo é acessada, antes requerendo o New Game Plus, enquanto aqui ela fica disponível assim que a dungeon final do título é desbloqueada.
Tendo sido lançado para o Switch e o Switch 2, Tales of Eternia Remastered é um dos melhores relançamentos da série, utilizando todo o poderio das plataformas e, finalmente, oferecendo uma experiência que não deixa a desejar comparado às plataformas rivais. O game roda a 60 fps com resolução de até 4k no modo Dock do Switch 2. No portátil, apesar da resolução diminuir, o desempenho geral não é afetado, fornecendo uma ótima experiência, mesmo quando a ação se torna frenética com muitas magias e efeitos visuais na tela.
O conto eterno que se moderniza

Tales of Eternia Remastered é mais um fantástico trabalho de remasterização da série Tales of. Trazendo um dos mais importantes títulos da franquia para plataformas modernas, Eternia é um ótimo exemplo do que fez Tales of se tornar algo tão querido para os amantes de JRPG’s. Apesar de sua idade trazer consigo alguns pequenos problemas, o charme único do título oferece um gosto de uma era em que o gênero estava em seu auge, provando ser um sopro de vida no moderno mundo cheio de experiências repetitivas e cada vez mais limitadas em escopo.
Que Tales of Eternia Remastered seja apenas o primeiro remaster de um jogo 2D da série. Após terminá-lo completando tudo o que estava disponível, especialmente os duelos especiais cheios de referências a Tales of Phantasia, meu título favorito da série, tudo o que eu quero agora é que a Bandai Namco traga o icônico primeiro jogo da franquia e seus sucessores que ficaram presos no Japão (Destiny 2, Rebirth e Destiny DC) para as plataformas modernas.
Prós:
- A clássica experiência Tales of em sua forma mais pura, perfeito para quem quer conhecer a série;
- Opções de customização da experiência modernizam o título de uma forma muito boa;
- É o primeiro Remaster que as versões de Switch e Switch 2 não deixam a desejar comparado as outras plataformas;
- Muito conteúdo opcional para explorar e descobrir;
- O quarteto principal evolui muito bem ao longo da narrativa.
Contras:
- Algumas limitações da era PlayStation continuam presentes;
- Sistema de combate pode ser visto como muito básico por quem já jogou os Remasters mais recentes.
Nota
9,5
