Desenvolvedora: Pipeworks Studios
Publicadora: Atari
Gênero: Gênero | Tag1,Tag2
Data de lançamento: DATA
Preço: R$ 76,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Atari.
Revisão: Lucas Ferreira
Tenho pra mim que não tem nada mais legal que Kaijus. Ver monstros gigantes destruindo cidades e às vezes até mesmo brigando com outros monstro gigantes talvez seja uma das coisas mais legais que eu tenha conhecimento. E, se existir algum “monstro gigante” mais lendário e conhecido que o Godzilla, eu sinceramente não estava sabendo.
Godzilla é uma lenda nos cinemas, mas com toda a reconhecibilidade do personagem, é claro que os videogames não ficariam de fora da festa. Dentre as dezenas de jogos que Godzilla recebeu ao longo dos anos, eu sempre reparei que um deles é muito mais bem lembrado e amado pelos fãs que os outros: Godzilla: Destroy All Monsters Melee, para Nintendo GameCube e Xbox.
Esse era um jogo de luta em arena onde você escolhia um dos kaijus da franquia e saía na porrada com outros kaijus, e ele era sim muito divertido! Não a toa, acabou se tornando um game muito bem lembrado pelos fãs de Godzilla, e é daí que a ideia de um remaster se torna interessante, tendo em vista que até hoje o jogo estava preso nas plataformas originais que eu havia mencionado antes, sem sequer ter um lançamento para o PS2, que era a mais popular da época!
Por isso, eu acho a existência de Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered incrível. Trazer de volta um dos mais queridos jogos licenciados da sexta geração é uma ideia bem atraente, mas será que a Atari, junto da Pipeworks, desenvolvedora do game original, conseguiram realizar esse trabalho com a dignidade que um nome como Godzilla merece?
Quando os gigantes se encontram
A história do Destroy All Monsters Melee é bem simples e rasa, sendo só um contexto para os Kaijus da série saírem na porrada uns com os outros, mas acho legal dizer que ela é uma homenagem bem direta ao filme de mesmo nome que o jogo, lançado em 1968. Aqui, uma raça alienígena chamada Vortaak invade a Terra e anuncia que assumiu o controle dos monstros gigantes do planeta. Utilizando uma tecnologia de controle mental, os aliens transformam os kaijus em armas, os obrigando a atacar cidades ao redor do mundo.

Entretanto, um dos monstros consegue escapar do controle dos alienígenas e fugir da Monster Island. É aí que começa a curta campanha: você como jogador assume o controle dessa criatura e precisa enfrentar os demais kaijus, que continuam sob influência dos Vortaak ao redor do mundo inteiro.
Não tem muito desenvolvimento e nada progride de verdade — e não é como se um jogo desse calibre precisasse disso também —, mas eu posso dizer, pelo menos, que acho as referências ao filme bem legais. Não é uma tradução direta: os Kilaaks do filme não existem e foram substituídos pelos Vortaak, mas até mesmo nessas diferenças é possível sentir as influências que o clássico Destroy All Monsters teve no jogo que compartilha seu nome.
Porrada, prédio caindo e caos!
Destroy All Monsters Melee é um jogo de luta, mais especificamente, um arena fighter: você seleciona um entre doze monstros disponíveis e é colocado para sair no soco contra outro desses monstros no meio de uma cidade.
Toda a movimentação do jogo é 3D, com você podendo caminhar pelo espaço da cidade livremente, e o que eu acho legal sobre isso é que o jogo faz você SE SENTIR o monstro que está controlando: os ataques têm muito impacto tanto visual quanto sonoro, carregando uma certa “lentidão proposital” para transmitir com mais clareza que você é um monstro gigante e pesado; quando você cai em cima de algum prédio ou construção ela é destruída e até mesmo socar essas estruturas faz com que elas sofram danos progressivamente, até desabarem por completo.

Essa interação com o cenário, pra mim, é uma das coisas mais legais do jogo. Ao invés de simplesmente lutar em uma arena 3D que por acaso tem prédios ao redor, aqui a cidade inteira faz parte da luta!
É possível agarrar objetos do cenário e arremessar eles contra o adversário, utilizar construções como armas improvisadas e até jogar o próprio oponente contra os objetos do cenário. Tudo isso ajuda bastante a transmitir aquela sensação de estar não apenas assistindo, mas CONTROLANDO uma batalha entre monstros gigantes em um filme de Godzilla.

E eu acredito que essa sensação era a coisa mais importante que a experiência PRECISAVA acertar, porque Destroy All Monsters não é um jogo de luta muito complexo: temos alguns combos, mas o combate em si não é muito aprofundado quanto você veria em outros jogos de luta.
A variedade de ataques é bem pouca e o combate mais “lento” certamente faz esse jogo não ser tão interessante a um nível competitivo quanto outros, mas está tudo bem! Porque isso não é Street Fighter, Mortal Kombat ou Smash Bros., Godzilla: Destroy All Monsters Melee tem a proposta inteiramente diferente de ser… um party game!
Não é o tipo de jogo que você abre e vai treinar pra subir de ranque no modo online, ou esperando que apareça na EVO 2027, esse é o jogo que você abre pra se divertir quando tem uma festa em casa com seus amigos de forma mais casual, dando risada e aproveitando o momento.
E está tudo bem, não acho que só por ser “um jogo de luta” ele obrigatoriamente tem que ter a mesma profundidade de um Street Fighter 6 ou Guilty Gear, uma experiência mais casual, menos aprofundada e bobinha é aceitável, desde que cumpra a própria proposta e eu digo com tranquilidade que Destroy All Monsters Melee cumpre o que ele propõe a fazer de forma satisfatória.
Escolha seu monstro e entre na batalha
Na maré contrária de outros jogos de luta mais atuais, Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered tem uma série de conteúdo desbloqueável que você só terá acesso completando algumas missões nos modos single-player no jogo.
São 12 personagens jogáveis no total, mas apenas 4 deles podem ser selecionados desde o começo do jogo, com o resto sendo bloqueado por trás de missões específicas, que variam de dificuldade: algumas podem ser concluídas simplesmente ao terminar o “Modo Aventura” do jogo uma única vez, enquanto outras tem requerimentos mais específicos, como desbloquear 8 mapas de batalha, fazer ações específicas nas lutas, etc.

Numa época onde jogos costumam vir com tudo já desbloqueado, é legal ter um jogo que incentiva re-jogabilidade desta maneira. Desbloquear os mais diversos monstros desse universo é satisfatório, mas fica aqui um adendo para o fato que não temos grandes novidades nessa área: apesar da oportunidade de expandir o elenco com monstros como Mothra, Biollante ou SpaceGodzilla, o remaster acaba optando por manter o elenco de personagens do jogo original, o que é uma decisão que não me desce muito.
A ausência de alguns desses monstros (em especial Mothra, que só aparece como um item no meio das lutas e é um dos meus favoritos do universo) me é esquisita, e o remaster era a chance perfeita de adicionar mais conteúdo ao jogo. Acredito que alguns personagens adicionais trariam mais valor ao pacote e seriam um fanservice bacana.

Do mais, além do modo padrão de batalha, temos alguns outros disponíveis: no Modo Sobrevivência, você vai lutar com uma série infinita de monstros, com cada nocaute recuperando uma parcela da sua vida. Achei esse um modo bem legal para treinar minhas habilidades um pouco, e ver o quanto eu consigo sobreviver acaba por ser bem satisfatório também.
Mas o grande destaque pra mim foi o Modo Destruição, onde você seleciona um monstro e é colocado em uma cidade com o objetivo de destruir o máximo de estruturas possíveis em um limite de tempo.

Cada novo objeto destruído te dá mais pontos, e acreditem quando eu digo que isso é muito divertido! Eu mencionei antes que a movimentação do jogo faz você SE SENTIR o Godzilla, mas esse modo mais do que todos os outros me dá a sensação de ser uma força imparável que precisa ser detida.
Aqui, não existe um adversário para enfrentar ou uma batalha para vencer: seu único objetivo é causar o máximo de caos possível, e seu único oponente é o quão bom você é pra fazer isso de um jeito eficiente. Derrubar prédios, destruir pontes, esmagar construções e sair atropelando tudo que aparece pelo caminho é uma experiência muito gostosa. É uma proposta bastante simples, mas que combina muito bem com aquilo que torna o Godzilla tão divertido de assistir e, nesse caso, controlar.
Um verdadeiro filme de monstros
Visualmente, eu achei a versão remasterizada uma melhoria bem grande em relação ao original. A iluminação foi retrabalhada, ficando um pouco mais “realista” e agradável para os olhos, e todos os monstros receberam uma repaginada visual, com texturas mais bem definidas e mais detalhes adicionados à modelagem, os deixando ainda mais próximos dos filmes do que tínhamos no GameCube.
No Switch 2, o jogo rodou muito bem: a resolução é boa, não notei quedas de frame e num geral a performance me deixou bastante contente.

A trilha sonora também captura bem a energia dos filmes, com uma pegada mais “orquestrada” e tensa, passando de forma boa a tensão de ter dois monstros lutando numa cidade enquanto destroem tudo.
Minha única ressalva é que elas não são necessariamente muito memoráveis quando comparadas às trilhas dos filmes, e algumas acabam passando despercebidas em meio a toda porradaria. Ainda assim, cumprem bem seu papel e ajudam a manter a identidade da franquia.
Mas, claro, nem tudo são flores: apesar do jogo ser bonito, um problema um tanto grave que eu tive com ele foi com a câmera. Em mais de um momento a câmera foi parar atrás de algum objeto e bloqueou a minha visão da luta, não me deixando ver a mim mesma nem ao meu oponente e me deixando em posição de desvantagem se comparado à CPU do game.

O caso da imagem acima foi um particularmente grave, onde um OVNI passou bem na frente da câmera obstruindo basicamente TODA a minha visão por uns bons segundos. Pode parecer pouco, mas num jogo de luta onde cada errozinho seu pode causar sua derrota, esse tipo de coisa importa bastante.
Mas apesar de ter acontecido algumas vezes, eu admito também que não é um problema tão frequente e nem é como se acontecesse em TODAS AS PARTIDAS, mas infelizmente acabou sendo um pouco mais comum do que eu gostaria que fosse.
O Rei dos Monstros voltou aos videogames
No fim, Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered é uma experiência que entrega exatamente o que promete: te colocar no controle de alguns dos mais icônicos monstros que o cinema tem a oferecer e te deixar destruir cidades enquanto cai no soco com outras criaturas.
É um jogo simples, que não tenta ser complexo nem oferecer uma profundidade que ele simplesmente não tem, mas que entende o apelo da própria proposta e aposta com tudo nisso.

Gostaria que tivesse um pouco mais de conteúdo, personagens novos exclusivos para o remaster e até tive problemas técnicos com a câmera, mas nada disso impediu que eu me divertisse com o caos que a mera proposta do jogo me proporciona, e pra mim esse é um mérito e tanto.
Não é um jogo perfeito que vai agradar a todos, mas é fácil de notar o motivo dele ter conquistado tantos fãs desse universo: Godzilla Destroy All Monsters Melee é o tipo de jogo que captura muito bem a essência de uma franquia já consagrada, e às vezes isso é tudo que precisamos para nos divertirmos.
Prós:
- Combate com boa sensação de impacto;
- Cenários destrutíveis tornam as batalhas mais divertidas;
- Te faz se sentir como um Kaiju;
- Elenco com monstros icônicos;
- Ótimo para multiplayer local com amigos.
Contras:
- Pouca variedade de conteúdo;
- Problemas ocasionais com a câmera;
- Ausência de alguns Kaijus queridos pelos fãs;
- O remaster não adiciona tantas novidades.
Nota
7
