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Review | Sludge Life

Tocando em temas delicados com gráficos desconcertantes, Sludge Life nos apresenta GHOST, um grafiteiro que quer deixar sua marca enquanto tudo está envolto por um mar de lama.
Thomas Mertens 02/06/2021

Desenvolvedora: Terri Vellmann, Doseone
Publicadora: Devolver Digital
Data de lançamento: 02 de junho, 2021
Preço: R$76,45
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com cópia disponibilizada gentilmente pela Devolver Digital.


Este jogo não é recomendado para menores de 18 anos.

Perambule por uma ilha minúscula em um planeta coberto de poluição, onde você é o promissor grafiteiro GHOST, um tranquilo delinquente que busca seu lugar na elite do grafite.

Explore a paisagem repleta de marcas corporativas, junte-se a outros grafiteiros, e roube tranqueiras e corações pelo caminho. Você vai virar o rei da ilha e grafitar tudo quanto é canto, vai se infiltrar na poluente empresa GLUG, ou vai simplesmente tocar o terror?

Do que se trarta?

Resumidamente, é isso aí. A citação acima resume bem o espírito do jogo. Buscamos lugares para deixar a marca do grafiteiro GHOST, e é isso. Temos também NPCs espalhado pela ilha cercada por um mar de lodo e poluição, sem muita perspectiva sequer de sair dali, então o tom do jogo é meio angustiante de propósito. Além disso, temos 3 finais alternativos, e pelo menos 2 deles fazem sentido

Nenhuma interação com eles é obrigatória para o prosseguimento do jogo, e acho que nenhum deles te dá dicas também, então o desafio de encontrar lugares para sua tag se torna mais difícil ainda. Para realiza-lo, podemos andar por aí, pulando e escalando os cenários, pulando janelas, e invadindo propriedade privada. Para grafitar, basta encontrar o lugar, se posicionar e apertar o botão, e pronto. Não ter que se preocupar com tinta é um alívio.

SpeedRun

Embora não tenha sido feita para speedrunners, é um prato cheio para quem gosta desse tipo de desafio. Veja, a única parte obrigatória do jogo é encontrar os lugares para suas tags, enquanto falar com os NPCs é opcional. Eles apenas te contam como é a vida por ali, o que eles faziam, o que acontece pela ilha, mas nada relevante, tanto que eles nem se mexem. O que é tanto bom quanto ruim, já que você não fica travado a nada, mas pode escolher descobrir.

Já a jogabilidade, nada muito inovador. É em primeira pessoa, não temos um corpo físico, mas podemos pular, pegar coisas etc. O mapa em si é bem grande, muito fácil de se perder, já que tudo é parecido. Os gráficos são… desconcertantes. É tudo meio caleidoscópico, meio distorcido. Não que os modelos sejam assim, mas os filtros que colocam sobre a arte deixam tudo dessa forma.

O menu é feito pensado para o uso no PC, então a navegação nele é bem desagradável também. Temos vários “minigames” que instalamos no laptop (menu do jogo), e como tudo no mundo corporativo tenta render o máximo de dinheiro, até pop-ups temos. Fecha-los no analógico também é difícil e meio que estraga o pouco de diversão que tínhamos nesses aps. fora que a tela ainda fica distorcendo-se, e pode atacar os mais sensíveis. É uma situação bem desagradável.

Não é para todo mundo

Lembro inicialmente que é um jogo para maiores de 18 anos, ok? Definitivamente eu não sou o público alvo de Sludge Life. Tentei evitar comentários opinativos ao longo do texto para trazer isso aqui. Primeiro: mesmo sendo um jogo super básico, ele é denso no sentido da sua proposta. Ele promove uma crítica, uma sátira talvez metafórica, talvez mais verossímil do que pareça, mas ainda assim, é um jogo um tanto sobre revolta.

Todas as subtramas que vemos são de alguma forma negativa. Vícios, greves, abuso de poder, minorias etc. Essas são sim discussões muito importante sim na nossa vida, mas vai da ideologia de cada um como você quer discutir e até enfrentar isso. As escolhas do jogo não batem com as minhas, mas reconheço que é importante salienta-las, afinal, a vida é cruel, mais com um do que com outros. Reforço que não é um jogo para todo mundo. Até a abordagem visual é bastante incômoda pra mim, mas é questão de gosto mesmo. Recomendo que só jogue se realmente interessar, e seja consciente das suas opiniões.

Avaliação

Mas, botando minhas opiniões pessoais de lado, analisando o jogo em si. Senti falta de uma estrutura narrativa mais bem elaborada, já que nada se apresenta e nem temos diálogos muito maiores que 5 linhas. Sim, é de propósito, mas parece faltar algo. A jogabilidade é comum, mas satisfatória. Temos alguns itens que ajudam na progressão também, então é um ponto positivo.

Prós

  • Jogabilidade simples e decente;
  • Liberdade de explorar ou não a história;
  • Super acessível para speed run.

Contras

  • Não é pra todo mundo;
  • Falta de desenvolvimento;
  • Artes muitos desconcertantes;
  • Temas pesados com abordagem questionável.

Nota final:

5

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Nerd de carteirinha desde que me entendo por gente. Reviewer de jogos, especialmente indie.
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