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Review | Tunche

Muitos mistérios cercam a selva amazônica, e esse grupo de aventureiros está tentando desbrava-la. Descubra lendas antigas em Tunche!
Thomas Mertens 02/11/2021

Desenvolvedora: LEAP Game Studios
Publicadora: HYPETRAIN DIGITAL
Data de lançamento: 2 de novembro, 2021
Preço: R$101,95
Formato: Digital

Análise feita com chave fornecida gentilmente pela HYPETRAIN DIGITAL.

A selva amazônica é repleta de misticismo, uma cultura antiga, lendas e religiões muito diferente do que estamos acostumados. Agora Tunche nos traz uma breve apresentação desses aspectos e nos leva para uma viagem, ou melhor, 5 jornadas com nossos protagonistas. Cada um tem suas metas, seus medos, seus sonhos, suas necessidades, mas todos conectados por um mesmo destino: encontrar o Tunche.

Sendo o primeiro game peruano que conseguiu financiamento na plataforma Kickstarter, arrecadando mais de 55 mil dólares, o jogo em que mistura hack-and-slash e beat’em up com roguelike, além de desenhos feitos à mão pode até ser uma inspiração para você. 

Lendas e mitos

Não vou fingir que sou grande conhecedor da cultura indígena da américa do sul, mas sei que vários dos temas abordados aqui são definitivamente fantásticos. Eu gosto muito dessas ideias de deuses antigos, criaturas místicas, lendas perdidas pelo tempo e coisa e tal, especialmente de culturas que não estamos acostumados a ver. A forma como a equipe de desenvolvimento trouxe esses elementos pro jogo foi bem interessante, inclusive, o primeiro chefe é uma preguiça gigante!

Temos 6 personagens jogáveis, cada um deles com alguns capítulos de história desbloqueável (aparentemente você não é obrigado a “assistir as cutscenes”, pois a rota entre as salas, mas elas são bonitinhas e interessantes, então vi todas). E temos até que uma diversidade interessante: Pancho é um índio cantor, Nayra é uma índia guerreira muito determinada, Qaru é um jovem caçador que acompanhava o irmão, mas por motivos além da compreensão humana, seus braços foram transformados em asas. Rumi é uma aprendiz de feitiços, aumentando seu arsenal a cada dia por uma certa responsabilidade herdada, e por fim temos uma jovem maga que veste até uma cartola.

Tudo que faz um jogo rogue

Sendo mais um roguelike no mercado, Tunche também funcionará em runs, a cada ida, podemos voltar mais fortes, tendo descoberto mais sobre as histórias, desbloqueando novas habilidades ou mesmo encontrado novos seres mágicos, com artefatos novos e coisa e tal. Esses poderes podem ser desbloqueados ao coletarmos fragmentos mágicos. Ao mesmo tempo, durante a run também coletaremos moedas que só nos servem até morrermos, então elas só viram itens que usaremos nessa tentativa, então não seja muito mão de vaca, ok?

Para progredir pelos cenários, temos um combo básico inicialmente liberado, um ataque a distância (que consome energia mágica), o famoso dash, e a habilidade de atirar um inimigo para o alto. Vale lembrar também que trabalhamos em 3 dimensões. Mesmo que os bonecos sejam sprites, podemos nos deslocar para esquerda e direita, pular, e ainda ir para frente e pra trás, o que é clássico dos beat’em up de forma geral. Limpando uma área, podemos escolher dentre algumas opções, o que nos dá uma margem interessante. Prefiro pegar mais um núcleo (o artefato que nos dá alguma habilidade durante essa run), ou prefiro pegar logo mais moedas, fragmentou, ou mesmo desbloquear outra página da história?

Mas, por outro lado, Tunche acaba sendo meio pesado de jogar. Cansativo talvez seja uma palavra melhor. Não por ser frustrante de morrer, mas porque o progresso é extremamente lento, e seus métodos não são muito claros, então demora muito para sequer desbloquearmos novas habilidades para os personagens, tendo que repetir o cenário várias vezes para conseguir avançar um pouquinho só. E isso também é um problema, pois os estágios são muito similares e sem graça. Sempre os mesmos monstros, praticamente na mesma ordem. Ou seja, parece que antes do chefe, jogamos a mesma fase uma 10 vezes.

O uso da terceira dimensão também é um problema, pois é extremamente impreciso. Isso combinado com o ridículo combo básico me tirou muito do jogo, não tendo disposição para fazer mais de 2 runs a cada vez que abria jogo.

Vale lembrar também que o jogo pode sim ser jogado com até 4 jogadores, o que com certeza trará uma chance de sucesso maior, e muito mais diversão para cada run. É até incomum vermos esse tipo de jogo nos dar a opção de multiplayer, mesmo que seja comum para beat’em ups (ah que saudade do meu SNES).

Qualidades e defeitos

Algo que quero ressaltar como positivo de Tunche, é sua arte. Todos os modelos são muito bonitos e bem feitos, desenhados à mão. Os ataques são bonitos e bem acabados. O que me chamou muita atenção foram as cutscenes que contam a história de cada um, apresentadas como histórias em quadrinhos dinâmica, com legendas. Infelizmente os diálogos não tem narrador, mas são bons o bastante para não fazer falta.

Do ponto de vista mais técnico mesmo, além dos problemas de progressão que mencionei, tudo no jogo parece funcionar bem. Os comandos são simples, a sequência de combos é compreensível e não precisamos usar 20 mil botões ao mesmo tempo para fazer algo maneiro, gráficos lindos, trilha sonora ok (não marca, mas não é ruim). 

Mas, uma das gimmicks do jogo é justamente a nota do seu combo, indo das notas D até SSS (sim, são muitos níveis). Quanto mais logo e mais estiloso seu combo, melhor. Mas infelizmente isso é algo que não ficou bem aproveitado, pois ela depende do seu estilo de jogo. Quanto mais combinações de ataque fizer, mais rápido sobe sua nota. Até aí tudo bem, o problema é que ela decai tão rápido, que desviar de um ataque significa perder pontos consideráveis, além de ela resetar ao final da sala em que estamos. Pela própria dinâmica do jogo, é bem difícil chegar consistentemente no A, desmotivando sequer o esforço para tal, que aliado com a imprecisão que comentei ontem, se torna um problema.

Conclusão

Em suma, Tunche é sim um bom jogo, tem mérito e trabalho duro aqui, fazendo história no kickstarter. Com certeza me diverti jogando, especialmente pelas artes e temática incomum, que mesmo não sendo um jogo brasileiro, também é parte da nossa história de alguma forma, o que cria uma certa conexão bem agradável. Se você gosta de rogues, pode ir sem medo, os problemas não devem te incomodar tanto assim, e talvez você até veja mais como desafios extras. De toda forma, vale a experiência, e provavelmente jogar em grupo é mais divertido e trará melhores resultados. Aliás, o jogo é feito sim para ser multiplayer, então eu naõ recomendo que compre para jogar solo, perde boa parte da magia.

Prós:

  • Lindo demais
  • Multiplayer
  • Simples e eficiente

Contras:

  • Progresso muito lento
  • Falta de clareza sobre moedas do jogo
  • Jogar sozinho prejudica a experiência

Nota final:

6.5

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Nerd de carteirinha desde que me entendo por gente. Reviewer de jogos, especialmente indie.
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