Desenvolvedora: Wondernaut Studio
Publicadora: Untold Tales
Data de lançamento: 17 de dezembro, 2021
Preço: R$ 66,25
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Untold Tales.
Uma coisa que não me cansa de surpreender, é a capacidade inventiva das narrativas dos nossos amados joguinhos. Acho muito interessante como muitas vezes, há certas nuances nas mensagens que algumas histórias carregam. Isso permite que cada experiência seja singular, única, na medida que a interpretação sobre aquilo que está acontecendo em tela se liga diretamente com a carga cultural e as percepções que cada jogador possui.
Aspire: Ina’s Tale brinca com isso. A temática é sutil e passível de interpretações. Podemos ver no título a busca pela esperança e liberdade, a superação dos medos, o vazio proporcionado pelo avanço tecnológico ou o embate entre luz e escuridão. Uma escuridão que anula nossa identidade e faz com que o nosso nome caia no esquecimento. A jovem Ina é o coração desse lugar que desbravamos. E ao longo da aventura vai descobrindo ser mais do que imaginava. Uma intrépida e curiosa menina, de longos cabelos vermelhos, que desperta do sono que a prendia em sonhos profundos. Sonhos esses que não a permitia viver. Dessa forma, o que Ina mais quer, é buscar a saída dessa espécie de prisão (a Torre) para finalmente se reencontrar com o mundo.
Visual caprichado e melodias memoráveis

Aspire: Ina’s Tale é um jogo de plataforma 2D focado – como já mencionado – na narrativa e também na resolução de quebra-cabeças. O visual é muito caprichado. Cada cenário possui sua própria identidade, misturando elementos naturais com mecânicos. O jogo faz bom uso dos efeitos de luz e sombra, e a paleta de cores oscila entre o monocromático e tons vibrantes. As melodias, orquestradas, são belíssimas e preenchem na medida certa a nossa aventura, nos passando a exata sensação de perigo, vitória, esperança e solidão, dependendo das áreas que exploramos.
Por falar nisso, os locais que visitamos – com exceção do primeiro – não contam com inimigos ou grandes perigos. Explorando cada canto no interior das câmaras da Torre, o contato que temos com outros seres são pontuais. Na jornada, algumas figuras irão ajudar a jovem Ina a alcançar seu objetivo. Personagens que tiveram suas identidades esquecidas e são somente a sombra daquilo que já foram um dia. Seja o Bobo, o Ladrão, o Fulgor Guia ou a Arquiteta, todos contribuem de alguma forma para que ela tenha êxito na sua aventura.
Curto e com falhas técnicas

O jogo, desenvolvido pela Wondernaut Studio e publicado no dia 17 de dezembro pelo estúdio Untold Tales, tem lá seus méritos, mas por ser curto demais a impressão que temos é de que a história poderia ser melhor trabalhada. Talvez, seja proposital. Pois, é bem provável que a sua percepção sobre a narrativa mude ou se aprofunde numa nova run. O fato de escolhermos certas linhas de diálogo, ajuda a construir essa sensação, mas ainda sim, em uma manhã ou uma tarde, você irá conseguir fechar – sem problemas – o game.
Salvo a nossa efêmera experiência com o título, o jogo padece de alguns problemas técnicos. Ele conta com poucos comandos. Além de pular e andar para os lados, Ina pode manipular certos espíritos de energia que vivem na Torre (elementos geométricos luminosos), empurrar caixotes e se pendurar em cipós para solucionar os quebra-cabeças das áreas, abrindo caminho. Nada muito complexo. Até aí nenhum problema! No entanto, os elementos de quebra-cabeça são repetitivos, a movimentação de Ina é muito lenta e nem um pouco suave. Os pulos da personagem também são muito imprecisos e dificultam fugir de certos perigos em alguns momentos do jogo, como no início e no final do título, causando certa frustração. Menos mal que cada nova área guarda uma estátua de ponto de salvamento.


A ausência de colecionáveis para melhor nos situar na narrativa também é um problema. Tudo acaba sendo subjetivo demais. Não há um “fio condutor”. O máximo que encontramos pelo caminho, são fragmentos de memória dos NPC’s que nos auxiliam. Nada demais! Ainda sim, não há uma forma de acessarmos os arquivos com essas informações pelos menus do jogo. Ou você tira um print ou grava a mensagem. Esses colecionáveis, nesse sentido, acabam não agregando muita coisa à aventura e podem ser ignorados pelo jogador.
Sonhando com a liberdade
O ponto forte de Aspire: Ina’s Tale é a liberdade interpretativa que podemos tecer acerca de sua forte narrativa. Junto a isso temos um visual muito bonito, unido a melodias memoráveis. O jogo, porém, peca na simplicidade de sua proposta e em problemas técnicos que esmaecem um pouco o seu brilho. Ele é fácil demais, os elementos de plataforma podem frustrar por conta da imprecisão dos comandos e os puzzles – mesmo com a curta duração do jogo – são repetitivos. Apesar de tudo, a bela história da jovem, que sonha com sua liberdade, encanta e nos prende do início ao fim.
Prós:
- Visualmente muito bonito
- Melodias memoráveis
- Narrativa encantadora
- Localização PT-BR
Contras:
- Puzzles de fácil resoluçã e repetitivos
- imprecisão dos comandos
- Curto demais
Nota:
7
- Review | MIO: Memories In Orbit - 20/01/2026
- Review | Metroid Prime 4: Beyond – Nintendo Switch 2 Edition - 17/12/2025
- Review | Mortal Kombat: Legacy Kollection - 19/11/2025
