Desenvolvedora: Otomate, Design Factory
Publicadora: Idea Factory International
Data de lançamento: 20 de Setembro, 2022
Preço: R$ 248,99
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Idea Factory International.
Revisão: Davi Dumont
Quando se fala de otome games, existem alguns títulos que são considerados grandes hits e recebem relançamentos e sequências para vários sistemas ao longo do tempo. Amnesia: Memories é um deles, tendo sido lançado para PSP, PS Vita, Android, iOS e PC, além de ter recebido dois fandiscs (Amnesia Later e Amnesia Crowd) complementando a história e uma sequência (World). Agora o jogo e a coletânea complementa Later & Crowd chegam ao Nintendo Switch no Ocidente aumentando a já numerosa leva de otomes no console da Nintendo.
Recordações
Tudo começa com um curioso incidente que faz com que a sua personagem, cujo nome você precisa escolher, perca as memórias graças à aparição de um espírito chamado Orion, uma fada advinda do mundo dos sonhos. Juntos, os dois tentarão voltar ao cotidiano comum da protagonista apesar das tribulações de não se recordar de nada.

Já no início do jogo, após uma conversa com Orion, o jogador pode escolher entre quatro opções de mundo ligados aos quatro naipes do baralho. Cada um deles levará a garota a uma realidade diferente na qual a sua relação com os personagens principais é diferente. Há também um quinto mundo desbloqueável após concluir todas essas histórias.
No mundo dos corações, temos Shin, um rapaz tsundere que acaba tendo dificuldade de expressar seu amor e acaba parecendo um pouco cruel e rude às vezes. No mundo de espadas, temos Ikki, um rapaz acostumado a ser bajulado e amado por várias garotas. No mundo de paus, temos Kent, um rapaz inteligente que costuma analisar bastante as coisas. No mundo de ouros, temos Toma, um amigo de infância da protagonista que trata a garota com bastante carinho, mas talvez seja protetivo até demais. Por fim, o mundo coringa traz um rapaz curioso que aparece nas outras histórias.

Além da questão dos rapazes em si, cada história apresenta uma proposta diferente. Na história de Shin, o rapaz tenta provar sua inocência em relação a um grave acidente que acometeu a protagonista. Na rota de Toma, temos um thriller em que o rapaz se contradiz constantemente. Para Ikki, é necessário tentar descobrir um jeito de agir normalmente para o rapaz não desconfiar do problema. A rota do Kent mostra o rapaz em uma situação similar, mas o relacionamento dos dois está passando por maus bocados. Por fim, a história final explica vários segredos, especialmente ligados ao interesse romântico e suas atitudes um tanto estranhas e contraditórias.
Um legado do passado

Apesar do mistério ser envolvente graças ao conceito de ir recuperando as memórias da protagonista aos poucos e à grande diferença entre as rotas, Amnesia: Memories acaba não desenvolvendo tão bem os seus personagens. As rotas acabam sendo curtas e pouco envolventes, especialmente se comparadas às de jogos mais recentes.
Em especial, a obra opta por fazer uma associação da falta de memórias da personagem com uma noção de self-insert, optando por uma personalidade mais branda possível para que o jogador possa se considerar dentro da história. Auxiliando a obra nisso, está a figura de Orion, que é na prática o equivalente à Navi de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, dando voz a um personagem completamente mudo em vários momentos. Além disso, ele tenta expressar os sentimentos desejados, guiar o jogador a pensar em certas decisões banais e é um péssimo ajudante. Mesmo não tendo nada contra a sua personalidade, senti que o jogo falha em utilizá-lo de forma interessante, sendo apenas uma muleta para o roteiro.

Outro problema diz respeito à qualidade de vida do jogo, que não conta com vários elementos que se tornaram padrão em visual novels. Especialmente levando em conta a usual qualidade de títulos da Otomate nesse quesito, Amnesia: Memories falha em não contar com qualquer sistema que facilite a navegação pelas escolhas, como fluxogramas interativos, listas de capítulos, entre outras opções que permitem conseguir o final ideal rapidamente.
Isso é especialmente grave porque o jogo não conta com um bom indicativo visual de escolhas corretas. Há uma página no menu com barras bastante abstratas sobre o relacionamento entre os personagens, mas ela não é clara e nem auxilia adequadamente a entender a corretude das decisões tomadas.

Além disso, apesar de ser um relançamento, Amnesia: Memories continua tendo vários erros de escrita, incluindo pequenos problemas de tradução, bugs e erros de digitação. A movimentação labial dos personagens também é dessincronizada, causando um forte estranhamento durante a leitura, e, apesar de uma qualidade boa de forma geral, algumas ilustrações (CGs) incluem poses e expressões estranhas e artificiais que quebram o envolvimento com a cena.
Clássico esquecível

De modo geral, apesar de uma proposta de mistério interessante e das variações de cada rota, Amnesia: Memories é um dos otome games que menos gostei desde que comecei a jogar títulos do gênero em 2012. A falta de elementos de qualidade de vida, o pouco desenvolvimento dos personagens e vários outros pequenos errinhos tornam a experiência uma visual novel bastante mediana que não merece destaque diante de tantas obras de maior qualidade no console, como Cupid Parasite [temos uma análise dele aqui], Variable Barricade, Code:Realize, Collar x Malice, etc.
Prós:
- Conceito de recuperar as memórias da protagonista é um gancho interessante para o mistério;
- Além das personalidades dos interesses românticos, cada rota tem uma proposta única em torno do problema da perda de memória;
- Seleção fácil de interesse romântico no início sem precisar de guias.
Contras:
- Rotas curtas que não desenvolvem adequadamente os personagens;
- A figura de Orion é majoritariamente mal utilizada como tentativa de eliminar a perspectiva da protagonista como sua própria personagem e não um self-insert;
- Ausência de elementos de qualidade de vida dos otomes atuais como fluxogramas, seleção de capítulos e afins;
- Vários erros de tradução e escrita;
- Algumas ilustrações têm poses e expressões estranhas;
- Animação labial dessincronizada chega a ser pior do que não ter.
Nota Final:
6,5
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