[Review] Orangeblood

[Review] Orangeblood

14/01/2020 1 Por Carlos

Desenvolvedora: Grayfax Software
Publicadora:  PLAYISM
Gênero: RPG
Data de lançamento: 14 de Janeiro, 2020 (Steam)
Preço: R$37,99
Formato: Digital

Ambientado em uma ilha artificial futurista localizada na costa de Okinawa, cheia de mafiosos de diversos países que devem ser combatidos por quatro garotas de anime moe com um arsenal de deixar qualquer um com inveja, essa estranha combinação que mais parece um mod de GTA foi desenvolvida pela Grayfax Software e publicado pela PLAYISM. Por mais aleatória que parece a combinação, Orangeblood funciona muito bem!

Estilo gráfico

Embora o design dos personagens me lembre levemente personagens de anime/mangá, elas ainda conseguem possuem sua própria identidade, não puxando tanto para designs genéricos e apelativos com traços de anime vistos em muitos jogos indies atualmente. Isso fica evidente nos diálogos onde são mostrados os avatares bem mais expressivos e seus sprites com animações de laser que refletem as suas personalidades.

O trabalho feito com Pixel Art me deixou embasbacado, com cenários altamente detalhados relatando bem os diferentes estilos da cidade que podem ir desde um beco escuro cheio de lixo a áreas mais movimentadas com transportes voando, coqueiros balançando com o vento e vários letreiros de neon.

Mesmo a simplicidade do estilo gráfico, as animações conseguem surpreender trazendo movimentações para coisas relativamente inúteis, como as animações de banho ou das personagens ficarem paradas onde a protagonista começa a fumar. Esse tipo de cuidado é algo que valorizo muito.

 O jogador ainda é apresentado a um bom número de opções de filtros para simular filmes retrôs, além de algumas opções coloração. Apesar da feature parecer ótima, infelizmente não é possível deixar a coloração sem efeitos como em umas das imagens da divulgação do jogo. Sem estes efeitos é possível notar melhor os detalhes dos cenários onde pessoalmente acho que eles acabam tirando boa parte da beleza gráfica sendo um daqueles casos de menos é mais.

Um RPG Thung Life

Ao contrário dos RPG’s onde cada personagem já começa com  uma classe e equipamentos exclusivos, em Orangeblood todos os itens podem ser equipados em qualquer personagem, sem quaisquer restrições. Embora todas as armas sejam armas de fogo, cada uma possuiu um esquema de ataque diferente podendo variar na quantidade de tiros e até a escolha do alvo. Aqui, as únicas diferenças entre os personagens são suas Skills iniciais, mas ao l decorrer de sua aventura é possível adicionar mais Skills por meios de itens, porém  novamente elas não são exclusivas, dando um leque de possibilidades na hora de montar sua estratégia.

O combate possui um sistema de ataque prévio que garante a vantagem de começar com mais MP, que normalmente inicia vazio independente de quanto sobrou da ultima batalha. Além disso, dependendo da situação isso resulta em ganhar em uma rodada.

Dentro do combate é importante notar a influencia da velocidade, não é novidade que ela influência na ordem de quem vai atacar primeiro, mas a questão é que independente da ordem de ataque o jogador deve escolher as ações pela ordem que ele coloca o personagem no menu e isso pode confundir na hora de executa-los. Primeiro se deve escolher as ações de todos os personagens e seus respectivos alvos, então o jogo vai para a rodada de ataque onde a ordem é definida pela velocidade do personagem. Isso resulta em atacar um alvo errado pelo original ter morrido ou escolher uma ação que acabe não valendo a pena.

O maior diferencial no combate é uma espécie de sistema de munição. Cada arma vai ter um numero diferente de munições e de quantas são gastas por ataque. Quando um ataque acaba com a munição pela metade, o personagem recarrega a arma mas os golpes serão bem mais fracos. No entanto, existe a possibilidade de somente recarregar a arma em vez de atacar, embora possa parecer uma má ideia, dependendo do equipamento recarregar a arma pode dar alguns buffs ou curar – e isso é de suma importância já que é impossível usar itens durante a batalha. É possível também contornar isso com habilidades de cura ou de reviver o aliado.

A falta de uma lista de missões foi algo bastante prejudicial para mim, porque nunca se sabe o que tem que ser efeito seja nas missões principais ou nas opcionais. As missões ainda possuem certas marcações no minimapa, embora só mostram se o local é de uma missão principal ou apenas entregar itens de missão secundaria. Prestar atenção nos diálogos acaba sendo essencial para progredir no jogo.

Bem vindo a New Koza!

O mapa principal possui uma visão bem compacta, o que eu quero dizer é que ele tem muitas localizações mas estão sempre bem perto umas da outras, apesar de às vezes com algum caminho confusos ate eles. Existe também o recurso de viagem rápida, mas ele pode ser útil ao mesmo tempo que pode atrapalhar: se for usado com muita frequência, ele pode se tornar um péssimo habito que vai acabar dificultando aprender a localização das áreas.

Os NPC’s que existem pelo mapa podem ser um problema, normalmente eles só andam por ai e ocasionalmente resolvem falar algo. Quando isso acontece, uma caixa de diálogo se abre onde infelizmente acaba ficando na frente de tudo na tela. Algumas vezes até impedindo a visualização de um item que o jogador recebeu. Os diálogos dos NPCs também ocorrem quando o jogador encosta nele e isso vale para os de venda – os que vendem/compram itens abrem a janela da loja, mas os que só vendem comida (itens de Cura) são automaticamente aberto sempre que encostar neles, bem como as maquinas de venda.

 As áreas com inimigos possuem baús que contém equipamentos que geralmente são melhores que os que você encontra nas lojas. Esses baús funcionam como Lootboxs, para abri-los são necessárias chaves que podem dropar de qualquer inimigo, mesmo sendo possível cair equipamentos. A melhor maneira de conseguir bons equipamentos é ir atrás dos baús especiais que abrir eles é necessário ter várias chaves, e para isso é preciso ter alguma área sem baús. Simplificando, é necessário abrir baús para que possam aparecer os especiais.

Trilha Sonora

Aqui foi umas das partes que mais gostei em Orangeblood. O som de background combina perfeitamente com a atmosfera urbana, cumprindo muito bem seu papel. Com um estilo hiphop do final dos anos 90, ele acaba tendo uma pegada agradável de às vezes me trazendo nostálgia me levando a época de Streets of Rage e Grand Theft Auto: San Andreas. Não se sinta estranho deixar seus personagens parados só para poder ouvir a musica ou então ficar cantarolando elas enquanto joga.

Vida de mercenário

O jogo conta a historia de Vanilla, uma presidiária que faz um acordo para sair da cadeia e ter sua ficha limpa às ordens de “Iceman”, uma figura misteriosa que passa suas instruções pelo telefone e manda uma garota chamada Machiko para ser parceira de vanilla nessa jornada enfrentando criminosos, robôs e mutantes. O jogo segue mais o lado da intriga de criminosos por território envolvendo grupos de diversas nacionalidades.

Conclusão

Sendo o primeiro jogo da desenvolvedora, é notável o capricho que tiveram até entregar aos jogadores. Embora eu possa dizer que não seja um projeto muito ambicioso, ele ainda tem méritos pelo excelente trabalhado dentro da proposta. Mesmoseus defeitos ainda conseguiram me divertir. Para aqueles que são fãs de jogos com temática urbana e de gangues mas não joga RPGs com frequência, ele pode ser uma boa porta de entrada.

 

* Cópia para análise disponibilizada gentilmente pela PLAYISM*

Avaliação: 7,5/10

Significado das notas de 1 a 10
1 – Melhor vomitar do que jogar isso
3 – Vai fazer outra coisa.
5 – Só jogue se você for MUITO fã mesmo…
6 – Jogo legal pra se divertir e se distrair.
8 – jogo bom, vale bem seu tempo e dinheiro!
9 – Jogo excelente que vai deixar uma marca em você!
10 – Jogo obrigatório!