[Review] Giraffe and Annika

[Review] Giraffe and Annika

25/08/2020 0 Por Diiiih

Desenvolvedora: Atelier Mimina
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG, Aventura
Data de lançamento: 25 de Agosto, 2020
Preço: US$ 29,99
Formato: Físico, Digital

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Giraffe and Annika é um jogo japonês de RPG e aventura que a princípio pode até parecer apenas mais um dos tantos jogos que chegam ao Nintendo Switch, mas que tem por trás de seu desenvolvimento uma história muito interessante.

O jogo é um título indie desenvolvido pelo estúdio Atelier Mimina, que na verdade é composto por apenas uma pessoa: Atsushi Saito. Conheci o jogo logo assim que foi revelado ao mundo pela primeira vez, em maio de 2018 durante a BitSummit daquele ano, o evento japonês focado em jogos indies. Desde o primeiro trailer conceitual o jogo me chamou a atenção pelo fato de ser um game indie, porém em 3D utilizando nada menos do que a Unreal Engine 4. A partir daquele momento, passei a acompanhar Saito no Twitter e a ver suas postagens sobre o desenvolvimento do jogo.

Com o passar do tempo, eventualmente o jogo recebeu uma publisher e foi publicado na Steam pela PLAYISM em fevereiro de 2020, mas foi em abril deste ano que eu fiquei realmente surpreso de uma forma positiva quando foi anunciado que a NIS America publicaria a versão de consoles do jogo no ocidente.

Enfim, agora que estamos contextualizados, vamos à versão de Nintendo Switch de Giraffe and Annika.

Como já dito, o game possui um estilo de RPG com aventura, com uma jogabilidade e exploração que lembram um bocado os jogos da série Atelier (qualquer semelhança com o nome do estúdio é mera coincidência). Você controlará a menina Annika em um ambiente aberto e irá explorar os ambientes com a finalidade de completar quebra-cabeças para avançar na história e/ou atingir as diversas conquistas que o jogo oferece – sim, a versão de Nintendo Switch possui um sistema de conquistas interno que podem ser desbloqueadas realizando determinadas tarefas.

Mas Giraffe and Annika também possui alguns estilos a mais, e digamos que o jogo poderia ser considerado mais ou menos um “metroidvania”, já que conforme você vai avançando no jogo, novas habilidades vão sendo aprendidas pela protagonista, permitindo assim que novas áreas sejam acessadas. E por fim, há ainda o sistema de batalhas diferenciado do jogo: quando você vai para uma batalha, o jogo se torna rítmico e você causará dano ao inimigo realizando uma sequencia de comandos.

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Explorando a Ilha

Giraffe and Annika se passa em uma pequena ilha chamada Spica, e você deverá explorar cada canto da mesma para prosseguir com a história, que obviamente não irei comentar para não estragar parte da experiência com o jogo. O que posso dizer é que, se você procura um jogo para relaxar e aproveitar o tempo, este título é um prato cheio. Aqui não há um sentimento de urgência, e tudo irá contribuir para uma gameplay calma, para ser concluída numa tarde.

Mas como assim numa tarde?!

Bom, o jogo é relativamente curto, e ao jogar numa primeira vez, você irá levar cerca de 6 a 10 horas, dependendo do seu desempenho, mas há uma conquista que será desbloqueada se você terminar a história em menos de quatro horas e meia.

“Ah, então, o jogo é super curto e eu não vou gastar 30 dólares nele!”

Calma, calma! Continua lendo a avaliação. Como eu disse, você irá levar cerca de 6 a 10 horas para terminar o jogo pela primeira vez dependendo do seu desempenho. Eu por exemplo, me perdi completamente procurando algumas resoluções de puzzles e levei cerca de 6 horas e 20 minutos para terminar o jogo. Mas eu poderia ter demorado muito mais, pois há ainda diversos colecionáveis para pegar, como os “Meowsterpieces”, as obras de arte que você coleciona no jogo e guarda numa galeria, recebendo itens como recompensa, ou os pedaços de papel que irão revelar um segredo caso você conseguir juntar todos.

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Ao todo, o jogo tem três dungeons específicas temáticas, sendo a da floresta, da água e do fogo, com mais dois segmentos adicionais, totalizando cinco desafios. Ao final de cada desafio você irá enfrentar um chefe com o gameplay rítmico. Fora esses confrontos, não há inimigos no mapa e mesmo se você morrer, ficando sem ar debaixo da água ou caindo de lugares muito altos, você simplesmente irá voltar de um local próximo para continuar tentando superar os desafios.

Bom, falando mais um pouquinho sobre a história, posso dizer que da metade pra frente há uma volta de 180º e que eu fiquei um pouco apreensivo em descobrir o desfecho. Acredito que muitos serão pegos de surpresa aqui.

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O Gameplay

Como já dito, o jogo se comporta como um RPG de aventura e exploração com desbloqueio de habilidades que possibilitam o acesso à novas áreas, e batalhas rítmicas. Eventualmente, Annika poderá pular, mergulhar e correr. Há ainda outros itens que adicionam mais dinâmica ao jogo, como a máquina de fotografar e o relógio para ficar de olho no tempo, já que o jogo possui uma dinâmica de noite e dia e o horário em específico é essencial para certas partes do jogo, inclusive, até há momentos em que você precisará esperar alguns dias para avançar na história, e poderá fazer isso esperando o tempo passar, ou dormindo.

Aqui, uma única reclamação que destaco é que o pulo de Annika é um tanto impreciso, tornando alguns segmentos de plataforma um pouco difíceis pra mim, mas isso pode ser algo feito de propósito, ou pode ser que eu simplesmente não seja tão bom para jogos assim. Não é nada que tenha realmente me atrapalhado, apenas aumentou um pouco mais o desafio.

Durante os confrontos rítmicos, o jogo foi extremamente responsivo, e isso era algo que me preocupava, o que no final, felizmente foi muito bem programado.

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O Desempenho

Como já dito, Giraffe and Annika é um jogo desenvolvido em Unreal Engine 4, e é um jogo desenvolvido primariamente por apenas uma pessoa, e foi nessa parte onde eu mais fiquei surpreso. Temos diversos exemplos de jogos no Nintendo Switch que são desenvolvidos em Unreal Engine 4 e ficam com problemas de desempenho por má otimização. Muito bem, aqui, o caso é surpreendentemente positivo:

  • A resolução do jogo em modo dock fica acima de 720p, e em modo portátil fica em resolução nativa (720p) na interface de usuário – HUD e poucas as vezes em que percebi uma leve queda de resolução.
  • O jogo roda em 30 frames por segundo quase cravados, e eu só senti uma leve queda em uma única área de exploração quando a tela exibia diversos efeitos especiais e reflexo da água.

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A Trilha Sonora

O game tem a trilha sonora impecável. Lembram que eu comentei mais cedo que este jogo serve para relaxar? Pois bem, a música do jogo contribui para isso. É nostálgica e gostosa de escutar, casando perfeitamente com o clima que o jogo quer passar. E como as lutas são em estilo rítmico, as músicas de batalha – cada uma diferente da outra – são muito bem feitas.

Durante a exploração da ilha ainda, haverá três diferentes músicas ou variações, que irão sendo alternadas de acordo com o horário do dia. Por exemplo: de manhã a música é um pouco mais suave, como se você tivesse acabado de acordar, durante a tarde a música fica mais agitada, pois agora estamos em pleno vapor, e de noite a música fica bem calma, já que é a hora de dormir.

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Alo, alo, Carioca?

Eu senti a necessidade de separar um parágrafo especificamente para falar sobre um detalhe do jogo. No meio da aventura há uma montanha que deve ser acessada através de um bondinho e, assim que eu bati o olho nele passando nos cabos ao fundo, imediatamente me lembrei do Pão de Açúcar (atração turística no bairro da Urca no Rio de Janeiro, onde há um teleférico que nos leva até o alto do morro do Pão de Açúcar).

Se foi uma referência proposital ou não, eu não sei, mas pra mim foi algo bem legal de ver presente no jogo. Passar por ali no jogo me trouxe excelentes memórias.

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Conclusão

Giraffe and Annika é, antes de mais nada, um jogo indie desenvolvido por uma única pessoa e, apesar da campanha ter uma duração um tanto quanto curta, isso não significa que você irá jogar o título apenas uma vez e abandoná-lo após.

O jogo possui muitos segredos para desvendar, conquistas para alcançar e isso por si só irá lhe fazer gastar um bom tempo jogando. Por exemplo, cada uma das cinco batalhas pode ser jogada em três diferentes níveis de dificuldade, possuindo ainda um sistema de pontuação que poderá ser superada. E para fazer TUDO o que o jogo oferece você irá precisar termina-lo pelo menos umas quatro vezes.

Com um gameplay agradável, uma história leve contada em forma de quadrinhos e personagens carismáticos, Giraffe and Annika é um jogo perfeito para você que gosta de experiências ao estilo jogos da série Atelier, Rune Factory ou Story of Seasons.

Ainda, mesmo que o jogo não faça muito o seu estilo, é um título que ainda vale a pena ser jogado para ver o que um estúdio de apenas uma pessoa pode conseguir no Nintendo Switch utilizando nada mais, nada menos do que a Unreal Engine 4, ferramenta essa que as vezes dá trabalho até para grandes times de desenvolvedores.

Se você gosta do gênero e se a arte e gameplay apelou para você, com certeza esse jogo será um prato cheio.

Avaliação: 8,5 / 10

Jogo avaliado por cópia gentilmente fornecida pela Nis America

1 – Melhor vomitar do que jogar isso
3 – Vai fazer outra coisa.
5 – Só jogue se você for MUITO fã mesmo…
6 – Jogo legal pra se divertir e se distrair.
7 – Jogo divertido, mas não é nenhuma obra de arte.
8 – Jogo bom, vale bem seu tempo e dinheiro!
9 – Jogo excelente que vai deixar uma marca em você!
10 – Jogo obrigatório!