Review | Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy

Review | Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy

11/02/2021 1 Por Marcos

Desenvolvedora: Gust
Publicadora: Koei Tecmo
Data de lançamento: 26 de janeiro 2021 (NA)
Preço: R$ 344,88
Formato: Físico/Digital


Em Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout, as aventuras de Ryza e seus amigos Tao, Lent e Klaudia terminou da forma de que um dia veríamos novamente o grupo em um novo capítulo, porém desta vez imaginaríamos que o próximo encontro daria prosseguimento aos objetivos traçados por cada um deles. Eis que Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy surgi para dá continuidade à história do primeiro jogo – que embora de certa forma possa ser aproveitado sem ter jogado ele – conecta novamente a alquimista Ryza aos seus amigos três anos após se despidirem na Kurken Island.


De antemão já digo que Atelier Ryza 2 é uma sequência essencial pois ele não apenas expande a lore do primeiro jogo enquanto introduz novas figuras, como também corrige a falta de um elemento que dá identidade à franquia que talvez era a principal reclamação em Ever Darkness & the Secret Hideout. Nesta análise, irei contar minha experiência com Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy abordando tudo aquilo que ele tem a oferecer em relação ao seu antecessor, e claro, se de fato honra como uma continuação.


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A alquimista retorna em uma nova aventura


Três anos se passaram desde que Ryza se despediu de seus amigos e ficou na Kurken Island aperfeiçoando suas habilidades como alquimista. Agora, a protagonista de novo visual e aparência mais madura parte para a capital Ashra-am Baird a pedido de seu amigo Tao para ajudá-lo em sua pesquisa sobre algumas ruínas que podem ser encontradas em torno da região. Na ocasião, a alquimista é incumbida por Moritz Brunnen, um aristocrata que reside em Kurken Island, a resolver um mistério em volta do que ele julga ser uma pedra – o que logo no início do jogo descobre-se ser um ovo no qual nasce uma pequena criatura apelidada por Ryza de Fi, e que por algum motivo posssui ligação com as ruinas.

Ryza então se junta a seu amigo Tao, que está acompanhado de sua aprendiz Patricia Abelheim (Patty) na pesquisa sobre as ruinas e a misteriosa conexão de Fi com elas. Claro, conforme progredimos, Ryza encontra novos aliados que ajudam na investigação como o caçador de tesouros Clifford e a descendente da raça Oren Serri. A opção de escolha de personagens na party se expande quando outros velhos amigos de Ryza acabam a encontrando por coincidência na capital, embora outros acabam apenas se tornando personagens de suporte para o desenrolar da história do jogo.

A narrativa de Lost Legends & the Secret Fairy se desenvolve bem lentamente, que embora possa parecer um ponto negativo para aqueles que querem ir direto ao ponto, em contrapartida acaba dando espaço para outros afazeres mais descontraídos característicos da série como interagir com seus companheiros e residentes da Ashra-am Baird em eventos paralelos trazendo o sistema de slice of life ainda mais rico em relação com Ever Darkness & the Secret Hideout. Neste quesito, Lost Legends & the Secret Fairy mostra como a Gust se importou em aprimorar este elemento em relação ao seu antecessor, além também de se importar de trazer colegas de Ryza da Kurken Island dando-lhes até um voice actor dando ainda mais personalidade a elas.

Em relação ao que de fato Atelier Ryza 2 traz além de uma nova trama, no jogo temos como o ponto principal as ruínas. Aqui devo dizer que sua progressão na história está de fato na resolução delas, onde após descobrir uma, é necessário explorar cada canto e resolve quebra-cabeças que consiste em encontrar fragmentos de memórias e alinhar as informações contidas neles através de espiritos que você encontra em cada ruína. No fim, basta coletar e organizar tudo, enfrentar um Boss (quando houver) e partir para a próxima. O ponto negativo é como praticamente você repete o processo de afazeres quando chega em uma ruína, sendo a unica variação encontrada são nos cenários e elementos de jogabilidade que não impressionam tanto, já que o level design é o mesmo para quase todas as ruínas, o que fez me sentir em um loop.

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy também introduz novas mecânicas de gameplay que afastam demais da experiência mais linear de Ever Darkness & the Secret Hideout. Por exemplo, aqui temos um mapa mais aberto e áreas que te dão uma liberdade de exploração oferecendo agora possibilidade de nadar e mergulharar, escalar, pular de uma plataforma a outra, atravessar pequenos túneis, além de uma montaria que é conveniente na hora de vagar pelo mundo mais expandido do jogo e de brinde ele coleta materiais de Synthesis que só podem ser encontrados no solo. Todas as adições citadas são bem-vindas e bem exploradas no jogo, e espero que isso não fique limitado apenas a Atelier Ryza 2.

O que há de novo nos sistemas do jogo?


O tradicional sistema de Synthesis de Atelier 2 trouxe pequenas mudanças em como fazemos nossos itens mesmo que em partes isso seja apenas na interface. Se já conhece o sistema sabe que desde os primórdios da série ele é como o coração dos jogos de Atelier. Tudo que lhe diz respeito a sua progressão acaba por ser na base de criação de algum (s) item através do Synthesis. A série influência fortemente nisso, tanto que isso implica também na sua performance em batalha já que os itens de cura, por exemplo, vem tudo na base de criação em seu caldeirão – não apenas isso, mas a qualidade das armas e equipamentos que cada personagem possui, tais como os efeitos que você os dará, depende disso. O interessante desta abordagem é que na parte do progresso de cada personagem o incentivo ao Synthesis elimina grande parte do que é ficar mais poderoso fazendo o temível grinding para estar acima dos inimigos e ter alguma vantagem, o que quer dizer que não adianta você estar mais forte que eles se seus itens de suporte e equipamentos não forem igualmente de qualidade.

Além disso, devo mencionar que o jogo introduz uma Skill Tree, que em combinação com o Synthesis você desbloqueia matérias primas ou aprimora o uso de criação de item usado SP que é ganho concluindo sidequest, criando coisas no Synthesis, ou resolvendo os quebra-cabeças das ruínas. A Skill Tree por sua vez substitui (pelo menos por enquanto) o Nivel de Alquimista que neste caso fazia o mesmo papel. Mas não ache que é apenas farmar SP e desbloquear tudo de uma vez, pois haverá algumas funções ou itens que ficam trancados dependendo de até onde você progrediu no jogo, por exemplo.

Sobre o sistema de batalha, Lost Legends & the Secret Fairy regasta o mesmo estilo em ATB de seu antecessor, porém com algumas mecânicas extras e um layout diferenciado dando um alinhamento diferente de como era com o primeiro jogo. Basicamente você possui três integrantes em campo atacando toda vez que seu icone passa pelo losango no canto inferior da tela, além de um substituto que pode ser acionado assim que sua barra estiver cheia. Na batalha em si, você controla as ações de um personagem enquanto a CPU realiza ações aleatoriamente do restante da party a não ser que você acabe alternando para gerencia-los por conta própria. Toda vez que um personagem ataca você ganha um AP (funciona como um barra MP e é compartilhado por toda a party) que é usado para realizar ações especiais chamadas Shift Skills de cada personagem. Usando as Shift Skills você aumenta o seu Tactics Level (limite 5), que quando é usado durante uma Skill Chain você pode fazer ataques em cadeia enquanto alterna entre os personagem. Além disso, Atelier Ryza 2 retona com o Fatal Drive, que são as skills speciais dos personagens, mas aqui estão com animações bem mais exageradas lembrando os ataques em Atelier Dusk Trilogy. Você pode usar um Fatal Drive apenas se estiver com o Tactics Level no 5.

Existem outros elementos dentro da batalha que se eu paresse para explicar acabaria virando um tutorial completo, por isso apenas abordei a premissa básica do modo batalha do jogo. Em comparação com o primeiro título, ele se mantém dinâmico exigindo que o jogador fique atento gerenciado diversas coisas na tela, então não te culpo se de início ficar confuso ou frustrado com tudo isso, mas te garanto que você irá se acostumar e nem irá perceber.

Atelier Ryza ainda é visualmente lindo no Switch!


O jogo inova em vários aspectos ao mesmo tempo que joga seguro na parte visual onde praticamente tudo que você vê nas áreas do jogo lembra vagamente o que já havia visitado em Ever Darkness & the Secret Hideout. Neste caso, eu não considero isso algo ruim, pois o estilo visual do jogo implica nisso, o que acaba dando a sensação de que é tudo igual ao anterior. E novamente sobre a parte visual, mas em termos técnicos, Atelier Ryza 2 é belíssimo no Nintendo Switch mesmo sendo considerado a versão mais inferior por acabar tendo texturas de baixa qualidade, muito efeito de blur, e efeitos visuais que acabam ficando de fora pela limitação do hardware como por exemplo a ausência de poças d’água em dias chuvosos.

A Gust parece estar em constante evolução em como está trabalhando com o hardware atual da Nintendo, já que para quem pegou a série Atelier desde Lydie & Suelle viu como havia uma distância entre a versão de Nintendo Switch e PlayStation 4. Mas a cada título os esforços foram mostrados através de cada jogo lançando com Atelier Ryza sendo um exemplo de visualmente agradável em um hardware limitado.

Um bom jogo de Atelier, e uma sequência digna de elogios


Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy é uma continuação necessária às aventuras de Ryza pois traz parte do desenvolvimento de cada personagem apresentado anteriormente à tona ao mesmo tempo que mostra muita coisa nova notando assim uma grande evolução ao primeiro título, fazendo-o até parecer mais datado. Eu admiro a preocupação da Gust de aprimorar certas coisas que reparamos em Ever Darkness & the Secret Hideout em vez de só introduzir mecânicas novas, então posso dizer que sim, Atelier Ryza 2 é uma excelente sequência. Minha crítica vai apenas para as ruínas do jogo, no qual eu vi uma oportunidade perdida de explorar elementos de masmorras trazendo armadilhas ou quebra-cabeças sem relação à coleta de memórias para agregar na exploração do jogo, pois no fim você já sabe o que esperar toda vez que partir para uma ruína diferente.

Eu poderia recomendar Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy também para quem quer o título como seu primeiro jogo de Atelier. Mas se for começar por Ryza, eu insisto que jogue o primeiro, pois é lá que vem a evolução dos personagens que compõe a trama, além de ser ali que seus objetivos centrais são formandos. Assim você poderá ter um experiência definitiva e um certo apego por cada um em vez de pegar tudo já acontecendo, pois é como se estivesse pulado Naruto classico e indo direto para o Shippuden. Por fim, Lost Legends & the Secret Fairy é um bom jogo de Atelier, e uma ótima sequência que inova em suas mecânicas base e cativa com seus personagens. Posso dizer que me diverti muito neste jogo.

Avaliação

Prós:
• Ótimos visuais no Nintendo Switch
• Elementos de Slice of Life ainda melhores que o antecessor
• Sistema de batalha dinâmico e funcional, embora possivelmente demore para pegar o jeito
Contras:
• Exploração de ruínas legais, porém com objetivos repetitivos

9