Review | Gal*Gun Returns

Review | Gal*Gun Returns

08/02/2021 1 Por Erick Figueiredo

Desenvolvedora: Inti Creates
Publicadora: PQube
Data de lançamento: 12 de fevereiro de 2021
Preço: R$ 250,00
Formato: Digital e físico

Gal*Gun Returns é a remasterização do primeiro jogo da inusitada série de shooter em primeira pessoa Gal*Gun, lançado originalmente em 2011 no Japão como um exclusivo do Xbox 360, mas que depois ganhou uma versão para o PS3. Gal*Gun Returns veio ao Nintendo Switch e PC como uma celebração dos 10 anos da franquia da Inti Creates e sendo a primeira vez que os fãs ocidentais poderão enfim experimentar as origens dessa franquia, que embora inovadora, até hoje possui controvérsias devido o tema abordado não ser convidativo à grande parte do público ocidental.

O sonho de todo weeaboo está em Gal*Gun

Gal*Gun é uma franquia bem aos moldes da cultura japonesa e em específico um atrativo para os weebs. Desenvolvida pela Inti Creates (o estúdio responsável pelos incríveis títulos de Mega Man Zero no Game Boy Advance e sua própria série Azure Striker Gunvolt) e publicado pela britânica PQube, o jogo é um rail shooter estilo arcade com todo seu apelo envolvendo o ecchi. Por causa disso, não é surpresa saber que desde o lançamento do primeiro jogo, a série Gal*Gun sempre se meteu em controvérsias relacionado ao conteúdo oferecido, já que aqui temos em grande parte garotas do colegial tendo suas roupas intimas expostas.

No título, os jogadores assumem o papel do protagonista Tenzou Motesugi, um estudante do colegial que é um fracasso com garotas. Entretanto, sua sorte está prestes a mudar, pois a aprendiz de cupido, Patako, aparece e escolhe o rapaz como o alvo de suas flechadas com feromônio, para assim o jovem conseguir finalmente uma namorada.

Infelizmente, Patako acaba cometendo um erro e Tenzou recebe uma diversas flechadas de feromônio, tornando-o irresistível por um dia inteiro. Com ondas de garotas prontas para se entregar para ao protagonista, o jovem decide escolher uma de suas amigas como aquela que deverá se apaixonar por ele, enquanto “atira” flechas de feromônio nas outras para “acalma-las”, se é que você me entende.

A história de Gal*gun é apenas um dos pontos esquisitos que ele tem a oferecer, sem sombra de dúvidas é um produto feito exclusivamente para otakus, mas não a comunidade em geral, e sim os grandes entusiastas de um conteúdo mais picante. Logo no início da aventura, você deve escolher qual heroína será o seu objetivo final e após a escolha o jogo toma um rumo diferente, fazendo assim com que você tenha um incentivo a mais para jogá-lo novamente assim que terminar a rota de uma heroína escolhida.

Uma pistolada esquisita

A jogabilidade de Gal*Gun Returns é bastante simples. O título é principalmente um rail shooter estilo arcade com o personagem se movendo sozinho e o jogador só precisando mirar nas garotas e atirar antes que elas consigam confessar seu amor ao protagonista. É possível derrotar as garotas acertando-as diversas vezes, ou então mirando em seus pontos fracos. Ademais, além dos tiros normais, também é possível, após preencher certos requisitos, entrar no Doki Doki Mode, onde você foca apenas em uma garota e “extermina-la” após enchê-la de tiros de feromônio.

Em suma, o jogo não oferece grandes desafios, apesar de ainda assim requerer que o jogador seja bom no gatilho. Ainda, as garotas surgem de onde você menos espera, e algumas atacam de longe com gritos – requerendo que você acerte as palavras antes delas encostarem em você – enquanto outras preferem chegar perto e te entregar cartas de amor. Com a vida do jogador sendo perdida cada vez que uma garota se confessa, o título oferece Checkpoints caso você morra.

Entre as sessões de rail shooter, Gal*Gun Returns utiliza outros elementos de jogabilidade como um estilo visual novel para explicar a história e decidir a rota para o final. Durante algumas partes, é possível escolher diversas opções de resposta que influenciam no final do jogo, como a garota que será sua escolhida e os próximos estágios.

Gal*Gun oferece com uma proposta “única” e “diferente”

Gal*Gun Returns apresenta gráficos refinados se sua versão original para se adequar às plataforma modernas em que está disponível e uma jogabilidade simples e  fácil de se dominar. A proposta de Gal*Gun é unica e diferente de tudo já visto no gênero que se enquadra e dos demais jogos com uma pegada mais ecchi. Entretanto, o fato de ser um título diferente e feito para um público mais específico é que pode não agradar muito ao público em geral do Nintendo Switch, embora o console atualmente possua uma ampla gama de jogos estilo anime com foco no fanservice.

Além de sua campanha principal, Gal*Gun Returns oferece ainda um modo de Time Attack e o Doki Doki Carnival, este último um modo onde todas as garotas, exceto a por quem o protagonista se apaixonou na campanha, o odeiem. Se tudo isso não lhe é suficiente, o jogador tem acesso a um sumário onde é possível conferir as biografias de cada uma das personagens apresentadas no título e seus modelos, onde cada uma delas tem suas próprias diferenças que as tornam únicas, como cabelos diferentes, voice acting e modelos diferentes de calcinhas para cada uma delas.

Por causa dessa tendência de ser um jogo ecchi, Gal*Gun sempre foi visto com olhoa feias daqueles não habituados nesse universo de fetiche japonês. Infelizmente, Gal*Gun é apenas isso, um jogo ecchi feito para aqueles que gostam de olhar garotas de animes com roupa escolar e dar espiar aquela espiada em sua calcinha, de com a desculpa de uma jogabilidade que favorece o jogador a praticar tal ato. Nem mesmo a jogabilidade do título o salva, como já mencionado, ela um rail shooter simples e não há muita coisas extra a se fazer além de pegar os finais de cada rota da garota que o protagonista escolhe. Além disso, o jogo sofre de alguns problemas com suas hitboxes e a falta de controles giroscópio que poderia muito bem ser aproveitado na versão do Nintendo Switch.

Em contrapartida, os efeitos sonoros e visuais do jogo são bons até, com cada uma das personagens tendo suas próprias vozes. Infelizmente, não é o bastante e apesar de todo o trabalho da Inti Creates, não é possível realmente considerar Gal*Gun Returns como um título que é necessário jogar na biblioteca de ótimos jogos do Nintendo Switch, ao menos claro, que você se encaixe no perfil do público que Gal*Gun tenta atrair.

Talvez seja melhor assistir um anime ecchi

Gal*Gun Returns é um título bastante fraco que se apoia demais na sua mistura de ecchi com rail shooter. Considerando que rail shooters é um gênero pouco explorado e que tem tido poucos lançamentos nos últimos anos, poderia-se recomenda-lo caso você tenha interesse neste estilo de jogo já que consegue entregar uma proposta única, só que não é o caso aqui, pois se você se não curte jogos com ecchi, ou tem grandes problemas com esse gênero de anime, não há motivo para jogá-lo. E mesmo se você curta, eu tenho certeza que deve existir animes, e até mesmo outros jogos, que fazem o fanservice bem melhor do que Gal*Gun Returns. A não ser que você seja um grande fã da franquia  ou queira sacanear apresentá-la a um amigo, como foi o caso comigo, não há motivos ter este jogo em sua conta da eShop ou um cartucho em sua prateleira.

Prós

  • Bons visuais para o Nintendo Switch
  • Enredo e personagens atrativos para otakus que curtem algo voltado para o fanservice

Contras

  • Bem fácil
  • Fanservice em excesso pode afastar uma gama de jogadores
  • Problemas com hitbox, acabam por dificultando certas partes do jogo

5

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