Review | Kaze and the Wild Masks

Review | Kaze and the Wild Masks

23/03/2021 1 Por Luiz Estrella

Desenvolvedora: PixelHive
Publicadora: SOEDESCO
Data de lançamento: 26 de Março 2021
Preço: R$ 159,00
Formato: Digital e físico

Análise feita com chave fornecida gentilmente pela SOEDESCO.


Kaze and the Wild Masks é um jogo de plataforma 2D desenvolvido pelo estúdio brasileiro “PixelHive” (Sim, é daqui!). O primeiro game autoral do time busca inspiração em clássicos do gênero, principalmente a série Donkey Kong Country, que fez considerável sucesso no Brasil durante o auge do Super Nintendo. A proposta para se destacar é misturar os elementos de sucesso desses clássicos com mecânicas atualizadas e uma expressividade única.

A premissa é no mínimo interessante, vamos conferir o resultado?

Primeira impressão positiva


Ao começar o jogo, as cenas iniciais já chamam a atenção, em um estilo que mistura imagens estáticas com diversos efeitos para dar a sensação de movimento. O resultado final é bem estilizado, funcionando perfeitamente para contar a história do game em cenas rápidas e sem diálogo, que conectam os acontecimentos ao final de cada mundo. Kaze é o típico mascote carismático e sua missão é… um pouco abstrata? É interessante por que a lore é contada principalmente por artes que você ganha com colecionáveis, mas nada é explicado diretamente e, pra ser sincero, achei a escolha positiva, caracteriza alguns personagens mas deixa uma sensação de mistério.

Existe um vilão principal e os seus soldados são frutas e vegetais que ganharam vida, esses estão espalhados pelo jogo. O estilo visual é bem caprichado, os cenários são variados e vão desde florestas coloridas até ambientes mais escuros, com tons de azul. Ao longo do jogo a variedade de cenários vai diminuindo, mas não chega a ficar repetitivo, até mesmo por que o desenho das fases é sempre diferente.

Tudo na medida certa


Quando comecei a apertar os botões para jogar, percebi que é bem simples. Kaze se move para esquerda e direita com os analógicos ou d-pad, pula no B e começa a planar quando você aperta Y no ar. É uma decisão curiosa deixar a função de planar no moveset fixo, mas funciona perfeitamente e garante aquele ajuste mais tranquilo em cada pulo. Todas as ações tem resposta instantânea e não tive nenhum problema com a movimentação. O game tem uma dificuldade considerável e eu morri várias e várias vezes, mas nunca senti que foi por falta de precisão ou atraso na resposta dos controles.

O jogo possui de 7 a 8 fases em cada ilha, a campanha principal tem 4 ilhas, o que já é uma quantidade considerável de conteúdo mas ainda há mais para quem gosta de colecionáveis. Dentro de cada fase é o ponto forte da jogatina, Kaze and the Wild Masks me divertiu muito com as diversas mecânicas que introduz ao longo da campanha, várias delas são clássicas: plataforma flutuantes, deslizar em cordas e estilingues que funcionam de maneira bem parecida com os barris da série Donkey Kong Country. O diferencial, é que cada uma dessas ideias é executada com um cuidado impressionante, nada é posicionado fora do lugar ou sem propósito, o jogo apresenta a mecânica, a desenvolve e depois adiciona twists complexos que testam a habilidade do jogador.

Uma das minhas fases favoritas posiciona flores fechadas suspensas no cenário, toda vez que Kaze toca nelas, as pétalas se abrem e luzes se acendem na fase temporariamente, fazendo os inimigos se retraírem.

Existem 3 colecionáveis principais: as 4 letras que formam as palavras “KAZE” (lembra alguma coisa?), os 100 cristais vermelhos escondidos em cada fase (na realidade há um pouco mais que 100, mas só é exigido coletar 100) e as metades do cristal verde, cada uma adquirida em dois desafios bônus escondidos dentro de cada fase. Honestamente, os colecionáveis não estão super escondidos, mas muitos exigem um desafio extra para conseguir, principalmente as metades do cristal verde. A experiência foi bem satisfatória por que consegui a maioria dos colecionáveis jogando pela primeira vez, mesmo os mais escondidos, o jogo sempre dá uma dica (um buraquinho no cenário que seja) e isso reforça a sensação de uma dificuldade justa.

Inicialmente, existe uma sensação mais tranquila que deixa o jogador se acostumar com a movimentação e o ritmo do jogo, absorvendo o cenário de cada fase e a trilha sonora ambiente. A partir da segunda ilha, já existe um pulo considerável na dificuldade e as mortes vão ficando mais frequentes, o game começa a exigir mais reflexo do jogador com mecânicas complexas, mais inimigos e novas máscaras.

“Máscaras Selvagens”


O principal “tempero” do gameplay são as Wild Masks, máscaras de uso obrigatório que aparecem em fases específicas e alteram o moveset de Kaze. O termo selvagem (wild) no título é por que cada uma delas é de um animal em específico.

As máscaras trazem uma variedade de gameplay muito bem vinda, há diversos trechos dedicados a elas, no geral, eu sempre ficava bem animado ao ver uma. A primeira é a do falcão, que possibilita o voo, ao apertar B, Kaze ganha altitude e assim é possível navegar pela fase, é a que menos gostei, me deu bastante trabalho em trechos que exigiam uma precisão milimétrica. A segunda é a do tubarão, que funciona em fases aquáticas e o controle é super preciso e responsivo. A terceira é a do tigre que não muda tanto o cenário, mas dá dois movimentos novos: dash horizontal e a possibilidade de escalar superfícies verticais. Por fim, a máscara de dragão transforma o jogo em um infinity runner onde o jogador só precisa pular e mergulhar no momento correto.

O game utiliza bastante as máscaras, incluindo em chefes no final de cada ilha (com exceção do primeiro) que tem batalhas longas e funcionam quase como fases individuais. O que me incomodou com a batalha de chefes é que todos utilizam o clássico modelo de desviar dos ataques até o boss ficar vulnerável. A proposta encaixa com o resto do jogo, porém, algumas batalhas são maçantes, se você morrer na última etapa, volta pra primeira e precisa de novo aguardar a vulnerabilidade do chefe. Alguma maneira de acelerar o processo para jogadores que queiram arriscar um pouco seria uma boa saída, evitando um pouco a repetição.

Atenção aos detalhes


A experiência geral exibe um claro polimento graças a atenção a detalhes. Como comentei, cada fase é pensada com muito cuidado e o mesmo se aplica a outros elementos do jogo. As animações da personagem e dos inimigos é um dos pontos altos, ambos esbanjam personalidade e me diverti só olhando para eles, às vezes até inimigos repetidos aparecem com adereços diferentes dependendo da situação. Sem falar das referências nacionais, a maioria dos inimigos são frutas e verduras, imaginem a minha surpresa quando vi uma pitaya (aliás, uma fruta belíssima) caminhando pelo cenário.

Além dos detalhes visuais, existe uma preocupação com a acessibilidade. Como comentei, a dificuldade é elevada e quanto mais se avança, mais as mortes ficam frequentes. Porém, o jogo abandona o clássico sistema de vidas, uma decisão que já tem se tornado padrão na indústria para o gênero de plataforma, dessa forma, não importa quantas vezes você morrer, sempre voltará para o último checkpoint. A proposta incentiva o jogador a continuar tentando e dá mais liberdade para os desenvolvedores ousarem nos desafios.

Ainda assim, é possível que alguns jogadores sintam dificuldades com o posicionamento de checkpoints, com o número frequente de mortes, pode ser cansativo refazer vários trechos complexos. Nesse contexto, o jogo oferece o modo casual, que adiciona checkpoints extras e aumenta a resistência a dano. A solução apresentada é adequada, atende um número maior de jogadores e deixa claro o modo “recomendado” pelos desenvolvedores.

Conclusão


Kaze and the Wild Masks é uma grata surpresa, trazendo diversos dos melhores elementos de jogos de plataforma aliado a um incrível polimento e forte personalidade, a experiência final é divertida e desafiante. O ritmo é viciante e o conteúdo é satisfatório, joguei praticamente sem parar mas nunca tive a sensação que o conteúdo era pouco ou raso, com muitos colecionáveis e fases extras, o fator replay também é um destaque. Recomendo como obrigatório para qualquer fã do gênero, principalmente para aos amantes da franquia Donkey Kong Country.

Prós:

• Fases divertidas e desafiadoras
• Visual detalhado e expressivo
• Experiência com forte polimento
• Boa quantidade de conteúdo

Contras:

• Batalhas contra chefes desnecessáriamente longas

9

Luiz Estrella
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