Desenvolvedora: Heart Machine
Publicadora: Devolver Digital
Gênero: Ação e aventura | Metroidvania
Data de lançamento: 29 de abril, 2026
Preço: R$ 37,94
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Devolver Digital.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Um jogo que me rendeu sentimentos confusos sobre videogame, sobre o gênero metroidvania e, que mesmo assim, eu não conseguia parar de jogar. Possessor(s) me pegou um pouco de surpresa, já que geralmente gosto de jogos metroidvania, com as nossas clássicas mecânicas de interagir com o mundo e voltar pelos caminhos etc. e tal.
Bom, se você achou esse primeiro parágrafo confuso, era mais ou menos a intenção mesmo. Em um resumo breve, Possesor(s) me deixou muito incomodado de jogar, mas, ao mesmo tempo, eu adorei. Então pega seu café e me acompanhe.
Universo paralelo e, ainda assim, pós-apocalíptico
Sendo honesto, a lore não é exatamente a parte principal do jogo, embora seja ela sim que conduz nossas ações. A narrativa gira em torno de dois personagens principais: Luca e Rhem.
A primeira é uma jovem de 16 anos, nos últimos anos de colégio, que vive numa cidade controlada por uma empresa (falo dela logo mais). O segundo é um demônio, mas no não exatamente no conceito de criatura maligna habitante do inferno que come almas por prazer de ver sofrimento humano, mais como… um vampiro, talvez? Algo entre isso e os demônios do anime de Castelvania (Netflix #PagaNois).
O início do jogo começa com uma fenda abrindo bem no meio da cidade, acessando a dimensão dos demônios, de onde Rhem sai. Luca, ao tentar ajudar seu amigo, acaba se ferindo.
Rhem, também ferido, faz um acordo com ela e acabam um suportando o outro, unindo-se em um só ser (não importa, possessão demoníaca, magia de videogame, etc). Com isso, Luca busca vingança contra quem matou seu amigo e Rhem busca uma maneira de retornar ao seu mundo.
Ele não é o único demônio à solta e ela não é a única pessoa/coisa possuída. Alguns ficaram agressivos e são, afinal, os inimigos do jogo.

A grande revelação aqui, contada logo no início, é que os demônios não estão no lado de cá por acaso e não foi por causa da fenda que eles chegaram aqui. Ou melhor, eles não atravessaram a fenda para atacar os humanos da cidade; na verdade, eles já estavam aqui por algum outro motivo.
Antes do rompimento, o mundo normal funcionava um pouco diferente do nosso, onde as principais cidades só eram metrópoles desenvolvidas por causa das grandes corporações que as possuíam. No nosso caso, a Empresa de energia Agardyne mantém aqui seus funcionários (separados em “castas”, de acordo com sua qualificação no trabalho) e suas famílias.
Quero começar reclamando, mas serei honesto
Como comentei no início, é um metroidvania, então vamos ter os poderes clássicos, como wall jump, dash, agachar, se balançar em objetos com um chicote, e backtracking — muito backtracking. O combate aqui também não entrega nada muito inovador, tendo um ataque básico, que em geral comba até uns quatro ataques e cuja arma pode ser trocada, e três especiais, que são itens do cotidiano (bola de boliche, celular, prataria), cada um causando um efeito/ataque diferente.
É bacana experimentar as combinações e escolher qual que você mais gosta. Agora, sobre os “poderes”, tal qual wall jump e chicote, eles são meio que essenciais para progredir na história, e é nisso que reside o primeiro problema. Lembrem-se disso.

Os inimigos são bem variados, tendo a versão normal e, depois, uma mais poderosa (ou só diferente). Como não ganhamos power-up de força e tudo sempre dá o mesmo dano (variando com arma e velocidade dela), acaba ficando cansativo e irritante ter que combatê-los novamente a cada cenário. Mas o real problema disso pra mim foi o parry (outra mecânica clássica e problema número 2).
Quanto à movimentação, achei-a bastante legal. Plataformas de pulo, se pendurar e ficar igual Homem-Aranha por aí para alcançar outras áreas, o dash que atravessa algumas plataformas, o wall jump para fazer acrobacia… Combinar tudo isso é muito divertido.
Só tive problemas com o chicote, e alguns inimigos atrapalhando, o que foi bem frustrante. Ah, temos cenários de água aqui também, e, nossa, que horrível (problemas 3 e 4 para a lista).
Por fim, acho que o mapa é um ponto que chama muito a atenção. É realmente muito enorme e cheio de side-quests, caminhos secretos e itens espalhados, mas você nunca sabe qual é seu próximo destino (acho que fecharei a lista de problemas nesse aqui).

Ponto legal a comentar também é a criatividade das batalhas contra chefes. Cada um tem um padrão especial de ataque bem bacana. Vale lembrar que o jogo é feito para ser difícil, então morrer é comum e frequente.
Resmungos de sábado à noite
Como mencionei, embora eu tenha jogado por horas a fio sem perceber muito o tempo passar, ou seja, gostando do jogo e das pílulas de história aqui e ali e até entendendo as lições sobre vida que ele apresenta, Possessor(s), ainda assim, me deixou frustrado e puto muitas e muitas vezes.
A lista de problemas do tópico anterior virá a seguir, em alguma ordem, mas vocês vão ver como tudo está conectado. Vale lembrar também que tive uma quantidade considerável de crashes no game em momentos aleatórios e bugs como entrar na água e o jogo ainda entender que você está no solo normal.
Você não consegue nadar, mas consegue golpear, e seu ar está acabando, sem conseguir pular para a borda, porque, afinal, está submerso (mergulhador de Schrödinger).

Acho que o que mais me cansou foi ter que ficar vagando no mapa, tentando ir atrás de um dos objetivos principais, e depois de cruzar um deserto, vencer hordas de inimigos chatos, estar por um triz de vida e descobrir que não consegue progredir porque deve ter algum poder que ainda não liberou por ter escolhido o destino errado…
Quando o mapa é enorme e inimigos renascem constantemente, isso cansa. Eu tenho também a sensação de que esses poderes estão localizados junto das side-quests, mas ok.
Os inimigos em geral são fracos, mas a maioria deles só pode ser derrotada usando o parry, porém essa é uma mecânica terrivelmente mal realizada no jogo. O timing é bem esquisito de acertar e existe uma lógica proposital do parry falhar de vez em quando, mesmo que não existam inimigos; me parece que é quando você leva uma esfera de energia, mas, como são vários inimigos simultâneos e vários golpes, dá preguiça de ficar tentando, realmente.

Outra mecânica falha é o balanço no chicote. E dessa eu realmente gosto, sabe? Mas são tantas e tantas vezes que o chicote não pega no apoio… ele fica destacado, tudo pra dar certo, mas só erra e você cai…
Mas se você é um velho amargurado que reclamou por quase 10 parágrafos, por que disse que gostou mesmo assim?
Pois é, eu também estou surpreso. Realmente sou muito bom em reclamar.

Gostei sim. A história, embora rasa, ainda te pega. O visual é bonito, a movimentação é bacana, os temas abordados são legais, tem fofoca, tem vingança, amor, amizade, morte, pena, liberdade, dor e querer — e até discute um tanto meritocracia, disparidade social etc.
Confesso que fiquei bastante impressionado em como eles conseguiram construir bastante os personagens com apenas pílulas de cenas. Ah sim, aliás, as legendas e menus estão em PT-BR, mas não temos áudio das falas em nenhum idioma.
Notei também que volta e meia passavam-se horas e eu ainda estava jogando, sem perceber que passou tanto tempo. Me parece um bom indício de que gostei.
Valeu a experiência?
Galera, então: aqui eu geralmente falo o quanto vale ou não a pena e pontuo alguma coisa mais parecida com uma conclusão, mas acho que já me estendi muito acima, então serei bem breve.

É um metroidvania com algums problemas, mas que cumpre o que promete. Não entrega nada novo, não tem muita originalidade, mas trabalha bem com o que tem. Por menos de 50 reais é, sem dúvidas, um acerto, mas tenha em mente as ressalvas que apontei.
Se você não está acostumado com o gênero, Possessor(s) NÃO é para você. Se não curte exploração, também não. E se tem pressa, com certeza esqueça o jogo.
Prós:
- Metroidvania, não tem como errar, é um gênero divertido;
- Diversidade de armas e estilos de combate. Mas depois de escolher a sua, você gasta recursos valioso nela;
- Falar com as vozes da sua cabeça não é algo incomum por aqui, eu quase me sinto normal
- Aborda temas importantes sutilmente, e conseguem te deixar pensativo quando para pra lembrar do jogo
- A aparência e estilo de arte dos personagens e bosses são bem legais, de verdade;
- Usar coisas do dia a dia como armas e itens com novas funções é bem bacana.
Contras:
- Bugs aos montes no Switch 2, atrapalham muito e te tiram da experiência;
- Falta originalidade, não entrega nada novo, só recicla as mecânicas que já existem, sem muita criatividade;
- Às vezes cansa e enche o saco pela repetição.
Nota
7
