Review | Miitopia

Review | Miitopia

30/05/2021 0 Por Luiz Estrella

Desenvolvedora: Grezzo
Publicadora: Nintendo
Data de lançamento: 21 de maio, 2021
Preço: R$ 249,00
Formato: Digital e Físico

Análise feita com chave fornecida gentilmente pela Nintendo.


RPG é um gênero familiar para a Nintendo, a empresa já produziu várias séries famosas como Earthbound, Pokemon, Fire Emblem e Xenoblade, porém, é curioso observar que dificilmente estes jogos são produzidos pela famosa Nintendo EPD, o estúdio interno mais antigo da gigante do Japão. Por essa razão, Miitopia me chamou atenção desde a primeira vez que foi anunciado para o 3DS, um RPG desenvolvido internamente pela Nintendo e que utilizava a versatilidade dos Miis para criar uma história personalizada para cada jogador.

Agora em 2021, Miitopia reaparece no Nintendo Switch, com algumas novas funcionalidades e um considerável pulo gráfico, não pude experimentar no 3DS, então essa foi a primeira vez que joguei e confesso que me surpreendi com o jogo.

Elenco personalizado


Poucas coisas são tão tenebrosas quanto se imaginar sem o próprio rosto, sem os traços únicos que compõem a nossa face. Apesar de parecer infantil, a premissa do jogo é um pouco surrealista, o vilão da história é um dark lord que rouba o rosto dos cidadãos de Miitopia para colocar em monstros, deixando para trás apenas o corpo inerte das pessoas sem face. Cabe então, ao grupo de heróis derrotar esses monstros e literalmente recuperar a cara das vítimas.

Quem é o dark lord? Quem são os cidadãos? Quem são os heróis? É aí que entra a principal característica do game, aproveitando-se da expressividade dos famosos avatares da Nintendo, o jogo permite que você escolha quais Miis vão “interpretar” cada papel. Praticamente todos os personagens podem ser escolhidos pelo jogador, você pode usar qualquer Mii salvo no console, criar um novo, importar da internet ou usar os fornecidos pela própria Nintendo.

Essa funcionalidade é o grande diferencial do game e provavelmente o seu ponto mais forte, a liberdade para escolher os Miis abre espaço para todo tipo de situação: um parente seu como o vilão da história, uma figura da cultura pop como seu parceiro de time ou simplesmente um personagem que você criou na hora ganhando vida com os diálogos do jogo. Os personagens, os cenários, os acontecimentos, tudo é escrito para criar as situações mais absurdas e cômicas possíveis com os personagens que você selecionou, é uma verdadeira máquina de situações compartilháveis e fez eu encher o albúm de fotos do meu Switch.

Uma das novidades da versão de Switch são as opções de maquiagem e peruca, ambos servem para personalizar ainda mais os Miis e abrem espaço para criações fantásticas, é capaz de você ter visto o resultado na internet. O mais interessante é que mesmo as criações mais absurdas, encaixam perfeitamente com as animações do jogo, a localização dos olhos, bocas, nariz, nada perde o sentido, é de longe o melhor criador de Mii que a Nintendo já disponibilizou.

Vale ressaltar que essa característica de personalização é extremamente dependente do jogador, caso você não tenha disposição para se dedicar um pouco e pelo menos escolher os personagens disponível na internet, a experiência é afetada. É semelhante a jogos como Animal Crossing e Mario Maker, que exigem ação ativa do jogador.

Um RPG simples


Apesar de ser um RPG, Miitopia possui uma estrutura simples. A progressão acontece em um mapa com diversos pontos, cada ponto pode ser uma “área comum”, uma cidade ou um evento específico do jogo.

O que eu me refiro como “área comum” são os trechos em que os seus personagens caminham pelo cenário automaticamente e eventos aleatórios vão acontecendo, como uma batalha, uma interação entre os personagens ou encontrar um baú. Esses eventos lembram um pouco a experiência de um RPG clássico de mesa.

As batalhas são de turno, apesar do seu time ter 4 pessoas, só é permitido que você controle o seu personagem, os outros atacam por conta própria. À sua disposição você tem um ataque normal ou uma skill especial, que é dependente do job do seu personagem, aliás, a variedade de jobs é sensacional, desde os clássicos cavaleiro, mago e clérigo até os hilários pop star, gato, tanque e princesa.

O sistema de batalhas me agradou de forma geral, é um sistema simples e rápido mas com algumas novidades, como os “sprinkles” que são doses de HP, MP etc que você pode distribuir para o seu time em qualquer momento da batalha, aumentando um pouco a ação ativa do jogador, já que apenas um personagem é controlável (Isso não chega a solucionar o problema por completo, como abordarei mais à frente).

Porém, o que afeta consideravelmente as batalhas e ainda não citei, é o sistema de relacionamentos.

Relacionamentos


Ao fim de cada “área comum”, tem um hotel. Dentro você administra os personagens do seu time e o relacionamento entre eles, aqui mais uma vez o jogo brilha por conta dos Miis, as interações dos personagens dentro do hotel ou em passeios são muito bem humoradas e carismáticas, servem para desenvolver o nível de relacionamento entre eles, liberando novas ações dentro das batalhas.

O maior diferencial dentro das batalhas, é justamente a relação entre os personagens, diversas interações são liberadas: um personagem se sacrificar por outro, consolar alguem que tomou dano, sentir desejo de vingança depois da morte de um amigo ou até se irritar com alguma atitude. As batalhas se tornam imprevisíveis e divertidas, lembrando outros rpgs como Earthbound e Persona.

Outra novidade aqui é a presença dos cavalos, durante a jornada você cria um para lhe acompanhar e ele participa ativamente do time, cada personagem tem um relacionamento com o carismático animal e ele pode ajudar até mesmo nas batalhas. O fato de o jogo simplesmente decidir colocar um cavalo no seu time, que interage com todos mundo em até uma certa personalidade, resume a aura bizarra e divertida de Miitopia.

O visual do jogo contribui muito para o carisma de cada cena, os Miis tem expressões e animações hilárias. As animações estilizadas de transição também são bem charmosas e junto com a trilha sonora realçam a proposta casual e divertida do game. Vale lembrar que o pulo gráfico é considerável em relação ao 3DS, o game muda texturas, iluminação e resolução, ainda que o visual seja simples, o resultado é satisfatório.

Ritmo de jogo


As mecânicas de Miitopia que apresentei até aqui são de fato sólidas e bem elaboradas, porém, durante a jogatina em vários momentos o jogo fica monótono, principalmente pela ausência de ação ativa do jogador, apenas assistindo o game “acontecer” com os personagens andando e as batalhas em que você controla apenas o seu personagem.

O mesmo é válido para as interações, o que no começo é divertido e interessante de assistir, com o tempo começa a se repetir, diferentes personagens com os mesmos diálogos e interações deixam claro para o jogador que aquilo tudo funciona como um algorítimo e prejudica um pouco a magia. O resultado é que durante boa parte da experiência, o “ZR” vai ser o seu melhor amigo, ao segurar o botão o jogo todo acontece com o dobro da velocidade.

Fica claro que os desenvolvedores estavam cientes dessa problemática, isso por que o jogo sempre tenta movimentar as coisas em cada capítulo, os cenários e personagens mudam, o seu time muda, novas mecânicas aparecem e por mais que a história não se leve tão a sério, alguns acontecimentos depois da metade do jogo são genuinamente interessantes e me mantiveram engajado na narrativa. O ponto é, apesar de todas essas tentativas contribuirem de maneira positiva para o game, não conseguem solucionar o problema de ritmo por completo, a sensação final é de uma experiência com altos e baixos.

Conclusão


Miitopia é um experimento muito interessante e eu diria que em grande parte é bem sucedido, o jogo mostra a universalidade dos miis mesmo anos depois do lançamento do Wii, a escrita criativa e bem humorada também é maravilhosa, evidenciando o lado mais cômico da Nintendo. Infelizmente, a experiência não conseguiu manter o meu engajamento constante em todos os trechos, principalmente por conta de uma certa “automação” na jogabilidade, criando trechos entediantes. A recomendação vale principalmente para aqueles que querem uma diversão casual, para se jogar em curtos períodos e até mesmo se divertir com familiares ao colocar o Mii destes dentro do jogo.

Prós:

• Proposta original e divertida
• Interações cômicas bem escritas
• Mecânicas simples e funcionais
• Sempre busca surpreender o jogador

Contras:

• Interações se repetem ao longo do jogo
• Trechos entediantes
• Excesso de automação

Nota final

7

Luiz Estrella
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