Desenvolvedora: Bandai Namco
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 22 de maio, 2026
Preço: R$ 284,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Manuela Feitosa
A Bandai Namco está continuando com os relançamentos da saga Tales of, só que dessa vez, a desenvolvedora está fazendo um re-release especial. Tales of ARISE: Beyond the Dawn Edition chega ao Nintendo Switch 2, estreando a série na nova plataforma e oferecendo aos fãs da Nintendo a chance de experimentar o último lançamento oficial da série.
Como o próprio nome sugere, a edição traz o jogo base e sua expansão, “Beyond the Dawn.” São duas aventuras em um pacote, mesmo que a segunda jornada seja repleta de conteúdo reutilizado e sem inovações. Apesar de estar chegando tarde aos consoles Nintendo, Arise ainda é um título que vale a pena ser experimentado por quem quer conhecer mais da franquia, além do fato de que este talvez seja o título que finalmente vai fazer a Bandai Namco começar a olhar para o Switch 2 quando o assunto são os remasters da franquia.
Modernizando uma fórmula clássica

Tales of Arise foi lançado originalmente em 2021 para o PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series e PC. O título saiu cinco anos após o último jogo da série, Tales of Berseria, com um dos maiores períodos de espera entre títulos da franquia. De forma geral, este jogo foi desenvolvido como um recomeço para a série, servindo como um ponto de entrada para os novatos.
Realmente, olhando por fora fica bem óbvio que os desenvolvedores cumpriram com o objetivo de criar algo inovador na série. Tales of Arise é bem diferente de todos os títulos anteriores, trazendo uma gameplay reformulada e algumas decisões de designs que podem ser vistas como controversas. Apesar de suas grandes mudanças, o charme da franquia, a jogabilidade que busca inovar a cada novo jogo lançado e a utilização de certos clichês de anime continuam integrados ao design do game.
Os dois mundos e duas jornadas

A história da jornada principal de Tales of Arise foca em dois mundos que são interligados, Dahna e Rena. 300 anos antes da narrativa começar, Rena conquistou Dahna com a ajuda de sua tecnologia avançada e uso de magia batizada de Astral Arts, escravizando a população para seus próprios fins.
A narrativa segue o misterioso Máscara de Ferro, um escravo sem memórias e que usa uma máscara de ferro que cobre todo o seu rosto. Se envolvendo sem querer com o grupo rebelde Corvos Carmesim, Máscara de Ferro acaba se aliando a uma jovem de Rena misteriosa chamada Shionne, que possui o objetivo de eliminar os Lordes Renanos que dominam Dahna por suas próprias razões. Máscara de Ferro eventualmente recupera um pouco de suas memórias como seu nome (Alphen), e a habilidade de usar uma espada em chamas “criada” por Shionne.
A dupla então começa uma longa jornada para enfrentar os lordes e libertar Dahna no processo. Encontrando novos aliados e passando por muitos desafios juntos, o grupo descobre os segredos por trás da invasão de Rena e a relação entre as duas raças, além de lidar com uma ameaça ainda maior que é responsável pela situação atual que interliga ambos os planetas.

Já Beyond the Dawn é uma história que ocorre após o final da narrativa principal. Um ano após a união dos mundos de Rena e Dhana, as pessoas de ambos os mundos estão lentamente se acostumando com a nova realidade. Muitos cidadões de Dhana ainda odeiam os moradores de Rena por seus vários anos de escravidão e os cidadões de Rena ainda não aceitam ter que conviver em harmonia com seus antigos escravos.
Alphen e Shionne viajam juntos pelo novo mundo selando os chamados Mausoléus, misteriosas “tumbas” que vêm surgindo e possuem monstros e tecnologia que nas mãos erradas podem gerar problemas. Em uma de suas travessias, a dupla se reúne com seus antigos aliados enquanto se depara com a jovem Nazamil, filha de um ex-lorde Reano com uma escrava de Dhana. Por conta de sua existência única, a jovem é odiada por membros das duas raças e Alphen e Shionne decidem ajudá-la a encontrar seu próprio lugar no mundo.

A narrativa do jogo principal contém assuntos sérios como escravidão, racismo e vingança. Já Beyond the Dawn adiciona temas como suícido, depressão, sentimento de não fazer parte de um local, além de expandir algumas questões do jogo original, mostrando que o sonho de coexistência é algo que ainda precisa de muito esforço. O jogo principal termina de uma forma boa, mas Beyond the Dawn mostra que só porque as coisas terminaram boas, não quer dizer que 300 anos de escravidão vão ser apagados tão facilmente.
A história do jogo possui alguns momentos da narrativa bem cruéis com vilões fazendo atrocidades imorais, como genocídios a um certo grupo de membros de Dahna, por exemplo. Curiosamente, contudo, alguns dos temas apresentados neste título já apareceram em outros jogos da série, como Tales of Symphonia, que também utiliza dois mundos como parte de sua narrativa, e Tales of Rebirth, que explora ainda mais a fundo questões de racismo entre duas raças diferentes e como o ódio nascido disso afeta pessoas e seus descendentes.
Apesar disso, na minha opinião, tais temas são melhores representados nos outros títulos da série do que em Arise. Há uma falta de nuance sobre como alguns temas são abordados, ou uma exploração mais profunda em relação a outros.
Lutando de forma rápida e sem problemas

Tales of Arise utiliza uma nova variação do clássico sistema de batalha da franquia Tales of. O novo Linear Motion Battle System muda a fórmula tradicional de combate ao oferecer novidades que tornam-o um dos mais prazerosos sistemas de batalha de toda a série. Começando pelo básico, jogadores têm acesso a um botão de ataque normal e até três artes que podem ser acionados ao pressionar um dos botões faciais do controle.
O sistema de combate introduz o sistema de BP para a realização das Artes. Ele é uma evolução do Soul System de Tales of Berseria, onde Artes e magias custam uma certa quantidade de BP. A barra responsável por tal sistema é recarregável automaticamente durante as batalhas, mas o jogo incentiva que jogadores tenham um bom controle sobre como vão gastar o recurso durante as batalhas.
Alphen, o protagonista, também possui uma mecânica totalmente diferente dos outros personagens. O herói pode utilizar a espada flamejante como uma extensão de certas Artes. Contudo, para realizar os poderosos ataques é necessário sacrificar um pouco de seu HP, então o jogador deve saber quando e onde será melhor utilizá-los.

Outra grande mudança no sistema de combate é em relação às magias de suporte e cura. Em jogos passados elas funcionam com a mesma barra que Artes e magias, mas aqui temos a introdução dos Pontos de Cura, ou PC. Contando como uma barra separada à parte que é usável pelo grupo inteiro, o PC é utilizado para realizar magias de suportes, curar ferimentos ou realizar certas ações durante a exploração. Diferente de BP, PC não é recuperado durante as batalhas, então a única forma de restaurar pontos perdidos é utilizando itens ou descansando em pontos específicos.
Essa mudança cria um tipo de dificuldade artificial que torna Tales of Arise um jogo um pouco mais difícil que seus antecessores. O jogo começa com poucos Ponto de Cura, aumentando-os conforme o grupo sobe de nível, e os únicos itens capazes de restaurar PC são itens consumíveis que aqui são mais caros do que o normal. Aliado a isso está a forma de se conseguir dinheiro no jogo: não é possível conseguir gald derrotando monstros, apenas vendendo o que não utilizaremos ou completando sidequests, fazendo com que tenhamos uma escassez de dinheiro por uma boa parte da jornada, aumentando ainda mais a dificuldade.
Arise também remove a defesa, adicionando em seu lugar uma esquiva à la jogos do tipo Souls. A esquiva garante frames de invencibilidade, e o jogo incentiva os jogadores a dominar tal recurso. Enquanto para inimigos normais até que não é muito problemático ter dificuldades para aprender o melhor momento para se esquivar, contra chefes o assunto muda. Os chefes de Tales of Arise possuem Super Armor, impedindo que jogadores possam realizar longos combos, uma tradição da série que recompensava jogadores habilidosos, além de terem barras de saúde extremamente grandes, levando a batalhas de atritos que vão acabar com seus recursos já escassos.

Por fim, temos duas grandes adições ao sistema de combate: Boost Attacks e Boost Strikes. Ambos têm relação com a utilização de um ou mais personagens em conjunto durante ataques. Os Boost Attacks são ataques realizados por membros diferentes do grupo durante os combates. Cada personagem, tanto ativo quanto na reserva, tem uma barra separada que se carrega ao realizar ataques e outros movimentos específicos. Ao apertar um dos botões direcionais relacionados a um dos membros do grupo, um ataque especial é realizado. Cada boost attack tem propriedades diferentes, e utilizá-los contra certos inimigos pode deixá-los em um estado atordoado por alguns segundos.
Já os Boost Strikes servem como finalizações para um ou mais inimigos. Uma barra especial se preenche a cada combo que o jogador realiza no inimigo e ao ficar cheia é possível ativar o Boost Strikes. Tais ataques especiais envolvem dois personagens realizando ações específicas em uma rápida cutscene. Veteranos da franquia reconhecem alguns desses ataques como Artes específicas já realizadas em jogos antigos.
Em um resumo, esse é o sistema de combate de Tales of Arise. Beyond the Dawn reutiliza todas as suas mecânicas sem adicionar nada de novo. Nem mesmo o Multiplayer, um clássico da série desde o segundo título, Tales of Destiny, foi restaurado para Beyond the Dawn, tendo sido removido no jogo principal.
Modernizando um conto

Tales of Arise foi desenvolvido usando a Unreal Engine 4, o que significa um grande avanço visual para a série. Apesar do game ter perdido a grande variedade de inimigos presentes em outros jogos, a mudança para a Unreal Engine 4 ajuda Arise a se aproximar mais de outros JRPGs que foram lançados no mesmo período.
As tradicionais skits foram modificadas, agora utilizando os modelos 3Ds dos heróis e sendo apresentadas em um formato mais similar ao de um gibi. Fica um detalhe, porém: enquanto em jogos passados as skits eram mais utilizadas como uma forma de expandir os personagens com cenas adicionais, muitas cenas da narrativa principal são neste formato, com algumas relevantes para certos momentos sendo opcionais, e o jogo não as distribui muito bem.
Outro tradicional sistema da franquia, o sistema de cozinhar, também foi modificado. Agora só é possível preparar refeições antes de dormir, e em vez de ter o efeito da comida durar apenas algumas batalhas, agora ele dura por uma quantidade de tempo limitado. O jogo também lhe pergunta se deseja cozinhar com um personagem específico para receber bônus exclusivo em troca de tempo reduzido.

Como novidade, a série Tales finalmente recebeu seu próprio minigame de pesca. Ele é bem simples e oferece alguns bônus adicionais, mas o minigame é introduzido muito tarde. Crafting também retorna aqui com algumas novidades, e temos também sidequests adicionais que concedem itens e dinheiro.
A trilha sonora de Tales of Arise continua tendo a presença do compositor Motoi Sakuraba. O músico aproveitou o período de descanso entre jogos e preparou uma soundtrack muito boa, com uma boa mistura de estilos musicais e instrumentos. Além de composições novas, também há remixes de temas antigos muito bons aqui.
Assim como é o caso com o combate, Beyond the Dawn não adiciona nada novo aos sistemas de jogo. O DLC reutiliza inimigos, mapas e até mesmo chefes do jogo principal, sendo um grande copia e cola. É desapontante. Ao menos temos novas músicas compostas por Motoi Sakuraba, mas é muito pouco para um DLC que foi lançado dois anos após o jogo principal.
Beyond the Switch 2
Texto por Angelus, o redator que originalmente estava com o jogo para essa review

Talvez uma das maiores curiosidades que eu tinha sobre o Tales of Arise no Nintendo Switch 2 era a performance. No PC, o jogo não demandava uma máquina muito potente, e considerando que ele roda na venerável Unreal Engine 4, eu tinha altas expectativas que o Switch 2 conseguiria rodá-lo muito facilmente, e após jogar, posso dizer que ele consegue trazer essa experiência.
Durante minha jogatina, não notei nenhum gargalo significativo. Arise é um jogo muito bonito graças ao seu Atmospheric Shader, e mesmo no Switch 2, a taxa de quadros se manteve bem consistente, tanto no modo portátil quanto no modo dock. Os únicos momentos que teve uma queda na taxa de quadros são quando tem muita ação, especialmente quando se usam muitas Artes em sucessão. Porém, eu consigo me lembrar que isso ocorria até no PS5, então não é algo que eu colocaria como uma falha.
As chamas da esperança não se apagam no Switch 2

Tales of ARISE: Beyond the Dawn Edition traz ao Nintendo Switch 2 o título mais moderno da saga Tales of, sendo este um pequeno desvio no caminho das remasterizações da série. Como um JRPG, Arise é um jogo bom, com mecânicas legais, um divertido sistema de batalha e uma história até interessante. Beyond the Dawn, contudo, é um adicional tão meh que realmente só vale a pena conferir se você quiser explorar mais um pouco desse mundo.
Já para os fãs veteranos, Tales of Arise ainda possui algumas das características esperadas da franquia Tales of, mas a forma como elas são apresentadas é bem diferente da experiência que podemos encontrar no resto da série. As tropes de anime, personagens e suas personalidades, sistema de combate e temas de sua narrativa podem até parecer com Tales of, mas falta aquilo que os torna Tales of.
Prós:
- Sistema de combate é divertido e adiciona algumas boas novidades à fórmula;
- São duas aventuras em um único pacote, além de conter todo o DLC extra do jogo original;
- O jogo está rodando bem no Nintendo Switch 2.
Contras:
- Mudanças em mecânicas e elementos tradicionais da franquia fazem este ser um jogo menos Tales of;
- Dificuldade artificial com sistemas que não funcionam muito bem, incluindo chefes com super armor;
- História perde o fôlego na segunda metade da aventura.
Nota
7
⁹
