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Desenvolvedora: Fabraz
Publicadora: Atari
Gênero: Plataforma 3D
Data de lançamento: 22 de maio, 2026
Preço: R$ 52,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Atari.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
O que dizer sobre Bubsy the Bobcat? O personagem recentemente se transformou em um dos ícones dos jogos por todos os motivos errados. O histórico de aventuras do gatuno é menos do que favorável — e todo mundo parece saber disso, até mesmo os responsáveis pelo desenvolvimento dos jogos protagonizados por Bubsy, que voltaram com tudo.
Após o infame Bubsy 3D, ficamos um tempo bem considerável sem nenhum jogo estrelando Bubsy… até Bubsy: The Woolies Strike Back ser anunciado e lançado do mais absoluto nada em 2017. Não, o Woolies Strike Back não foi bom, tampouco a sua sequência intitulada Paws of Fire, mas ambos os jogos foram bem o bastante para consolidar Bubsy como um personagem vivo no mundo dos games.
E é então que chegamos ao dia de hoje, com o inacreditável lançamento de Bubsy 4D… uma sequência do terrível Bubsy 3D. Não, isso não é um sonho – ou pesadelo-, estamos vendo um novo jogo de plataforma do BUBSY.
Agora, como a nova empreitada de jogos de plataforma 3D (ou 4D, se a gente quiser ser mais exato) se compara com a tentativa anterior? E será que nosso lince favorito finalmente conseguiu se redimir e estrear em um bom jogo?
Em busca das lãs de ouro
Bubsy 4D acompanha o protagonista em uma aventura para recuperar 15 lãs douradas que foram roubadas pelos “BaaBots”, ovelhas que se revoltaram contra seus captores Woolies. É a premissa mais básica e seca possível, mas que realisticamente funciona para o que o jogo quer ser.

Ajuda bastante que Bubsy é um personagem até que aceitável neste jogo, no sentido de que eu AMO odiar esse gato. Ele não cala a boca, é irritante, faz piadinhas sem graça — e esse é parte de seu charme! A trama se passa no futuro e o herói agora tem sobrinhos, cresceu, mudou de roupa, mas mesmo assim ninguém o leva a sério (igual na vida real).
E, apesar da narrativa base ser, sim, superbásica, os diálogos que acontecem no meio de tudo isso costumam ser no mínimo engraçadinhos com algumas piadas autodepreciativas para o personagem principal, como se o pessoal da Fabraz, desenvolvedora do jogo, soubesse exatamente no que eles tinham se metido.

Não esperem uma narrativa profunda e épica, com mensagens simbólicas nem coisa do tipo. A história realmente só começa e termina sem nenhum clímax, quase como um episódio de um desenho animado infantil de comédia.
Surpresa! Os controles são bons!
De longe, a maior surpresa que eu tive quando eu comecei a jogar Bubsy 4D foi que o jogo funciona maravilhosamente bem. Pode parecer um pouco desengonçado de começo, mas, quando você entende a forma que a física funciona e como toda a movimentação de Bubsy interage com o cenário, a coisa começa a clicar.
A princípio, Bubsy pode fazer tudo o que você espera: correr, pular, dar pulo duplo, planar por alguns segundos no ar assim como ele faz nos outros jogos, etc. A novidade aqui é que ele também consegue se transformar em uma bola e sair rolando pela fase, transformando a gameplay em algo mais baseado em física e impulso — e é aqui que a coisa começa a ficar interessante de verdade, pois, utilizando de rampas e pulando nos momentos certos, essa transformação se torna um ótimo utensílio para speedruns.

O level design do jogo, apesar de bem básico, costuma deixar bastante espaço para o jogador o “destruir” caso você saiba utilizar o arsenal que o lince fornece: sair voando pela fase não apenas é algo divertido, como desafiador e incentivado pelo jogo, tendo em vista que um modo “Contra o Tempo” começa sempre que você entra numa fase pela segunda vez, fazendo com que esses movimentos sejam usados em todo seu potencial.
Além dos já citados, outros podem ser desbloqueados na lojinha do jogo para te ajudar ainda mais nessas corridas contra o tempo, como um pulo mais poderoso, um poder que te permite grudar em paredes e por aí vai. Eles são secundários e nunca requisitados para terminar a campanha principal, mas acabam ajudando bastante.
Na mesma loja, skins dos mais variados tipos também podem ser compradas, da roupa clássica do Bubsy ao modelo dele usado em Bubsy 3D, ou o “Estilo Ouriço”, que deixa o bichano pelado e de tênis (pessoalmente, minha favorita).

Uma das minhas críticas é em relação ao level design, que acaba repetindo muito das mesmas ideias em cada uma das fases, sem apresentar coisas muito empolgantes e novas. Mesmo com todos os elogios acima, sinto que os produtores não exploraram todo o potencial que a base da movimentação do Bubsy fornece, até porque esse é um jogo bem curto, contendo apenas 15 fases bastante breves e lineares. A exploração é recompensada por meio de itens para melhorar o protagonista e adquirir novas skins, mas isso não aumenta tanto assim o tamanho da experiência, que deve durar no máximo umas três horas se você for um bom jogador.

O polimento do game também deixa a desejar: em alguns momentos, eu simplesmente atravessei o chão ou a parede sem motivo algum e isso acabou resultando em algumas mortes injustas. O sistema de respawn quando o jogador morre é bem ruinzinho também: mais de uma vez eu voltei para alguma plataforma onde era impossível me salvar ou avançar na fase.
Bubsy entra na 4ª Dimensão
Bubsy 4D não é um jogo feio, o grande problema é que ele também não é um jogo bonito. Os visuais me confundem muito, porque a franquia apresenta uma nova direção de arte: mais cartoon, com personagens mais expressivos e até um contorno preto pra dar aquela vibe de desenho animado jogável, e isso é ótimo! Em diversos momentos, o jogo é bem agradável de se olhar, mesmo com todas as claras limitações de orçamento que o time teve.

Mas em certos locais o estilo de arte não brilha tanto assim. Alguns objetos acabam passando a impressão de serem simples demai ou às vezes o cenário apenas não foi tão bem-feito e erros acabaram passando, além de que o sistema de pop-in não colabora, com as coisas sumindo e aparecendo bem diante dos seus olhos. O segundo mundo do jogo, em particular, é um caso grave: deve ser uma das coleções de fases mais feias que eu já vi num jogo de plataforma 3D, atrás apenas do próprio Bubsy 3D, ironicamente.

Certas áreas do jogo realmente passam a sensação de estarem incompletas por conta disso e, apesar do estilo de arte brilhar em alguns momentos, eu acabei não o achando tão bonito quanto poderia ter sido em mais da metade da campanha. As músicas, por outro lado, são bem agradáveis durante toda a experiência, se não apenas um pouco repetitivas e esquecíveis demais, mas o jogo é tão curto que mal dá pra perceber pra começo de conversa.
O retorno que ninguém pediu, mas que faz bem
Digo sem medo que Bubsy 4D é o primeiro jogo competente do Bubsy. Não é um espetáculo, e você certamente não deveria esperar muito mais do que 15 fases curtas e divertidinhas com uma movimentação ótima, mas o jogo também não é horrível como Bubsy 3D ou ruim como… bem, todo o resto da série.

É verdade que o histórico de Bubsy não é dos mais favoráveis, mas eu espero de verdade que esse seja o começo de uma redenção para ele. Por trás do gatinho irritante que é feito de chacota por todo mundo que gosta de videogame, eu enxergo um personagem carismático que poderia receber um jogo muito bom no futuro.
O pessoal da Fabraz fez um bom trabalho considerando todas as circunstâncias e esse é um jogo fácil de se recomendar por conta de seu preço localizado baixíssimo (U$ 20 viraram R$ 50, digno de aplausos). Quem sabe os desenvolvedores melhorem essa base num futuro Bubsy 5D?
Prós:
- Movimentação fluida e divertida;
- Boas músicas;
- Divertido de dominar;
- Bubsy segue sendo falastrão e carismático.
Contras:
- Visualmente inconsistente;
- Duração curta demais;
- Mau polido no Nintendo Switch 2;
- Sem opção de idioma em português brasileiro.
Nota
7
