Desenvolvedora: Orube Game Studio
Publicadora: Orube Game Studio
Data de lançamento: 04 de Novembro, 2021
Preço: R$ 29,90
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Orube Game Studio.
Numa terra de fantasia e magia, um ser maligno conhecido como o Rei dos Pesadelos busca espalhar o mal com seus fiéis minions. O grande mago felino Tomé e seus amigos Guardiões (todos animais) aguardam o cumprimento de uma antiga profecia, que diz que um grande herói será o responsável por trazer a paz para a região. Em meio aos perigos das terras de Subrosa surge uma criaturinha roxa, fofa, bizarra, com uma língua desproporcionalmente grande e super habilidosa, chamada Mombo. Seria ele o herói da profecia? O roteiro do jogo brinca em demasia com isso e é engraçado ver a reação dos personagens. Até porque, Mombo foge do arquétipo do herói idealizado por obras de ficção nas mais diferentes mídias. E jogar com essa construção cultural é bem divertido.
Super Mombo Quest acompanha a jornada da criatura linguaruda e misteriosa Mombo enfrentando os mais diferentes perigos pelos quatro quantos de Subrosa. A missão – a revelia da compreensão dessa responsabilidade por nosso herói – é deter os planos malignos do Rei dos Pesadelos de uma vez por todas. O jogo desenvolvido pelo estúdio brasileiro Orube Game Studio e que chegou para celulares, PC e Switch no início de novembro, foi uma grata surpresa e soma força com outros títulos de peso lançados esse ano como Kaze and the Wild Masks e Dandy Ace.
Controles precisos gameplay fluida
Sendo um jogo de plataforma 2D, bem sabemos que o forte de títulos do gênero não está necessariamente na narrativa, mas sim na gameplay. A história de Mombo é divertida e por se tratar de um game brasileiro, as piadas brincam com maestria com nossa cultura. Mas, apesar disso, o roteiro repete fórmulas já vistas em diversos outros títulos. A falta de originalidade é compensada por controles precisos numa gameplay fluida, que mescla com maestria diversos elementos de títulos consagrados como Super Meat Boy e Super Mario Bros. De quebra, para a alegria dos Metroid-lovers de plantão, ainda existem alguns elementos de Metroidvania. Em suma, Super Mombo Quest é uma salada de frutas brasileira, muito bem feita e deliciosa de se experimentar.
Os controles e mecânicas são simples, mas requerem precisão em sua execução durante as fases. Desde o início, todas as habilidades de Mombo (pulos duplos, saltos, deslizar pelas paredes etc) estão disponíveis. No jogo derrotamos os inimigos, tal qual em Super Mario Bros, pulando em cima deles. As áreas funcionam como arenas em que temos, geralmente, dois objetivos principais. O primeiro é derrotar todos os inimigos. Mas, para cumprir nossa meta devemos ficar atentos a uma barra de combo que fica no canto inferior da tela. Para concluir com êxito esse objetivo devemos derrotar os inimigos antes que essa barre se esgote, realizando um Super Mombo Combo. O segundo objetivo é coletar todos os cristais roxos espalhados pelos cenários. Ao concluirmos com êxito tais objetivos ganhamos medalhões (Combo Coins) que servem para desbloquear chefões e novas áreas no jogo.
Derrote os chefões e ganhe novas habilidades
Ao final de cada área – se tivermos um quantitativo de medalhões suficientes – podemos enfrentar um chefão. As lutas contras os chefes funcionam com o clássico esquema de memorização de padrões, como em Mega Man, por exemplo. Derrotá-los assegura à Mombo uma nova habilidade extraída do poder da Pedra Elemental. Com o Mombo de cor verde podemos planar, com o Mombo de cor vermelha podemos dar um dash de fogo e por aí vai. Com exceção da versão padrão de Mombo (roxa), temos ao todo quatro variações de habilidades, que ajudam a diversificar a gameplay e tornar nossa aventura mais dinâmica e pouco repetitiva. Porém, essas habilidades são subaproveitadas e com exceção de uma outra área do jogo em que certo poder é exigido, dificilmente você irá usar todas com regularidade.
Cada área em Super Mombo Quest possui sub-áreas interconectadas que nos permitem a exploração livre. Esse elemento e as melhorias nas habilidades de Mombo dão o toque Metroidvania ao jogo. Pelas fases encontramos checkpoints e tótens de viagem rápida. A primeira permite que recuperemos vidas perdidas e a segunda permite que nos desloquemos de forma livre para outras áreas das fases. Desbloquear os tótens de viagem rápida requer que derrotemos uma horda de inimigos. Ah! E em algumas áreas podemos resgatar os moradores do Vilarejo dos Guardiões aprisionados pelo Rei dos Pesadelos e ganhar recompensas por isso.
O Vilarejo dos Guardiões, na verdade, funciona como área segura. O local serve como uma espécie de HUB central para explorarmos as diferentes áreas do jogo. Conforme avançamos pelas fases, o funcionamento da vila vai voltando à normalidade. E por lá podemos trocar os cristais coletados nas fases por melhorias para o mapa, artefatos e itens mágicos que conferem novas habilidades a Mombo e ajudam em sua aventura.
Os mapas são simples e as áreas sempre escondem um segredo ou outro. Porém, a possibilidade de comprar os segredos dos mapas por um valor irrisório, com a NPC Úrsula, faz com que o censo de exploração se perca um pouco. Nesse sentido, apesar da não-linearidade da exploração, dificilmente você irá se sentir perdido no jogo. Um grande problema, no entanto, é a forma como a consulta ao mapa foi concebida. Só podemos visualizar a área em que estamos explorando no momento. Se quisermos, por exemplo, ver o quanto exploramos da área “Vulcão Feroz”, só conseguiremos fazer isso se estivermos naquela área. Burocrático demais!
Excelente trabalho técnico

O visual em pixel-art é bonito e os gráficos coloridos são super charmosos. Os cenários são diversificados (florestas, vulcões, montanhas, fábricas, entre outros) e possuem um level design muito bem construído que te instiga a explorar as diferentes formas de derrotar os inimigos em tela e conseguir com precisão um Super Mombo Combo. A competente trilha sonora acompanha todo o excelente trabalho de design das fases, com batidas eletrônicas originais e divertidas. Para completar o trabalho técnico, a equipe da Orube Game Studio, entregou uma experiência fluida que, mesmo com uma grande quantidade de inimigos em tela, não engasga ou apresenta qualquer queda de framerate.
Super Mombo Quest aposta na simplicidade e na síntese de elementos de alguns jogos de plataforma de sucesso para criar algo próprio. O personagem, apesar de não ter uma linha de diálogo, é carismático e cria de forma ligeira um elo de ligação com o jogador. O título, no entanto, não está livre de problemas. Os elementos de Metroidvania poderiam ter sido melhor explorados, as habilidades de Mombo também são subutilizadas e a dificuldade poderia ser um pouco mais elevada, sem tornar – é claro – o jogo proibitivo para certos públicos. Ainda sim Super Mombo Quest encanta, diverte e demonstra que o nosso país tem muito potencial na indústria de games.
Prós:
- Belos gráficos em pixel-art
- Controles precisos
- Melodias divertidas
- Gameplay fluida
Contras:
- Elementos de Metroidvania pouco explorados
- Consulta burocrática ao mapa
- Habilidades subutilizadas
- Fácil demais




