Desenvolvedora: Spike Chunsoft
Publicadora: Spike Chunsoft
Data de lançamento: 03 de dezembro, 2021
Preço: R$ 76,45
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Spike Chunsoft.
Danganronpa para os poucos familiarizados é uma franquia de jogos de aventura que se assemelham a Visual Novel. A série é que conta com 3 títulos principais fez grande sucesso no Japão e no mundo e chegou a ganhar uma adaptação em anime do primeiro jogo em meados de 2013, aonde eu mesmo conheci a franquia.
Recentemente, Danganronpa completou 10 anos de vida esse ano, sendo o timing perfeito oportunidade para que a Spike Chunsoft pudesse apresentar sua aclamada série a novos fãs, sendo eles os donos de Nintendo Switch — que receberam a trilogia na sua versão “Anniversary Edition” contenfo algumas melhorias de Qualidade de Vida e um inédito Boardgame com elementos de RPG, o Danganronpa S: Ultimate Summer Camp —, inclusive está é a primeira vez que a série chega em uma plataforma Nintendo.
Contudo, o que faremos aqui não é abordar todos os jogos em um único texto, mas sim apresentando cada título em análises separadas que irão ao ar no NintendoBoy até o final de dezembro. Basicamente estamos dando início ao especial “mês Danganronpa” aqui no site, portanto fiquem de olho nas nossas próximas coberturas!
Trigger Happy Havoc
O primeiro jogo da franquia no qual focaremos nessa review é o responsável por uma legião de fãs apaixonados como eu. Com um cast extremamente carismático, uma impressão de estilo artístico forte e uma ambientação imersiva, o Danganronpa: Trigger Happy Havoc já conta com os principais pontos fortes da franquia. Mas sem mais delongas, vamos então iniciando com a estrutura de Danganronpa.
Danganronpa: Trigger Happy Havoc se passa no colégio Topo da Esperança em tradução livre, um local que estuda e pesquisa jovens prodígios em suas áreas além de investir em desenvolver seus talentos únicos. Todos possuem alguma individualidade marcante em que é muito bom. Desde talentos mais comuns como o Super jogador de Baseball, até os mais únicos e estranhos de vermos em uma escola como líder de gangue de motoqueiros de nível super colegial.

Dentre esses temos nosso protagonista, Naegi Makoto, que entre os alunos japoneses foi sorteado para entrar na escola como o “Super sortudo”. Se mostrando alguém bastante genérico, ele é o ponto de vista perfeito para que o jogador entre na história, além de contrastar com perfeição a natureza excêntrica dos demais personagens.
Mistérios e assassinatos
Embora a premissa da existência e convivência nessa escola já fosse o suficiente para contar uma boa história, o jogo tem um foco completamente diferente disso. Após adentrar na escola pela primeira vez, nosso protagonista desmaia e acorda já dentro da escola. Após uma rápida analise ele percebe que as janelas estão bloqueadas por chapas de metal, e que todos os lugares estão cercados de câmeras de segurança. Seguido por uma série de diálogos investigativos e revelaçõe, os alunos descobrem que estão presos na escola, e que para sair dali terão que jogar um jogo.
Nesse jogo, um aluno precisa matar outro aluno sem ser descoberto em um tribunal escolar que virá após o assassinato. Caso o assassino consiga se safar impune após o tribunal, todos os outros irão morrer, mas caso seja descoberto será executado. Com essa forte premissa nosso jogo começa de verdade, assim como a vida de Naegi Makoto de desvendar crimes.
Esperança e desespero

Sendo esse o tema principal da série, até mesmo os capítulos são divididos em duas partes que representam esses ideais. Na primeira metade do capitulo a vida conjunta dos personagens é estabelecida, laços e relações como um todo são explorados. Você terá momentos de convívio aonde pode escolher um personagem de quem goste para estreitar laços de amizade, e caso o faça poderá obter habilidades desses personagens que podem ser usadas posteriormente no tribunal.
Além disso essa parte do capitulo costuma culminar em um motivo. Em geral os alunos precisam de algum tipo de empurrão para matar outro, por isso o Monokuma, mascote da franquia Danganronpa e organizador do jogo, provém motivos constantemente para as matanças. Desde alguns mais triviais como dinheiro até outros mais sérios como revelar os seus segredos mais íntimos.

A segunda metade do capitulo no entanto tem inicio no momento em que um corpo é encontrado, assim que o assassinato daquele capitulo acontece, as investigações tem inicio, e o clima muda completamente. Então falaremos mais disso a seguir.
Investigação
Nessa parte do capitulo o jogador deve coletar pistas que serão usadas posteriormente no terminal escolar, é semelhante aos momentos fora do tribunal de Phoenix Wright: Ace Atornney para quem já conhece a franquia da Capcom deve entender como funciona. No entanto as pistas em Danganronpa são mais abundantes e podem ajudar o jogador a solucionar o caso mentalmente enquanto as coleta. Ainda assim a verdadeira resposta só pode ser obtida enfrentando o tribunal.

Os casos variam entre si, e todo tipo de informação importa, local, vitima, arma e hora são a base geral para resolver os casos e tendem a ser assuntos frequentes durantes os tribunais. O período de investigação se encerra assim que o jogador coleta todas as provas necessárias e em sequência temos o inicio imediato do tribunal.
O tribunal
— Essa é a parte do jogo que possui elementos mais fortes de gameplay.

Uma série de diferentes mini-games colocarão o jogador a prova entre conversas para solucionar enigmas, desde um mini-game mais comum, o Non-stop Debate, que consiste em pegar os argumentos e provas e até mesmo falas de outros personagens para usar de munição em contradições, até os mais abstratos, como um jogo de forca para descobrir palavras chaves, os mini-games são bastante variados.
Em relação ao resto da franquia, os mini-games do primeiro jogo são um pouco menos elaborados, o que é comum. Ainda assim sou capaz de me divertir com a maioria deles até hoje. Eles também são ótimos para aqueles que não são muito habilidosos já que não exigem mecânica do jogador em quase nenhuma situação além de possuírem uma curva de aprendizado equilibrada.

No tribunal também são postos a prova as habilidades que você recebe fazendo amizade com outros personagens. Seja aumentar o tempo de um mini-game, diminuir o custo de para focar ou o dano tomado por algum mini-game (já que o jogador possui uma barra de vida que diminui com deduções erradas), as múltiplas possibilidades tornam a experiência sempre única além de representarem bem o portador da habilidade. O tribunal é, sem dúvidas, a parte mais estimulante e divertida da franquia toda, e isso é verdade para este titulo também. Um extra interessante para os não familiarizados com a franquia é que é possível configurar a dificuldade da lógica, bem como dá mecânica separadamente.
A estética de Danganronpa
Para quem conhece a franquia, seu uso de cores fortes artificiais, seus tons fortes e frios, e seus personagens com personalidades caricatas são marcas já muito difundidas até para fora do fandom. Mas para aqueles que não conhecem, essa é uma excelente porta de entrada, todos os elementos estão lá.

Alguns personagens desse jogo são mais simples e exagerados que dos próximos e digo isso porque Danganronpa usa aquele “truque” de fazer personagens que não são exatamente profundos, mas esbanja carisma e personalidade, para que você se apegue a eles através do afeto. E embora normalmente não seja muito fã dessa abordagem, em Danganronpa isso funciona bem, já que nem todos os personagens tem o mesmo tempo de tela, então mesmo os primeiro a morrer já deixam uma extremamente forte impressão no jogador.
No mais não acho que o jogo tenha uma forte mensagem filosófica, ele é ao mesmo tempo uma abordagem engraçada e desconstruída quase como uma sátira a alguns clichês do shounen, no mesmo passo que se apropria desses pontos para funcionar.
Uma deliciosa história de aventura
Danganronpa: Trigger Happy Havoc é uma excelente história contada em 6 capítulos que ao mesmo tempo responde as principais perguntas criadas pela história e deixa os ganchos necessários para as próximas entradas. Com um ritmo de leitura delicioso, mini-games de lógicas encantadores e uma história para lá de intrigante, Danganronpa se sustenta uma aventura atual mesmo após 10 anos.
O charme visual da estética única, a misteriosa escola aonde o jogo se passa e que fica maior a cada capitulo, e os elementos clássicos da franquia como o sangue rosa, todos os minuciosos detalhes que compõe uma das mais Visual Novel de maior sucesso da história.
Prós:
- História intrigante;
- Estética apaixonante;
- Personagens carismáticos;
- Mini-games divertidos .
Contras:
- O ritmo poderia ser mais dinâmico em alguns momentos específicos;
- O jogo poderia dar mais pistas dos mistérios do jogo para o jogador ter a chance de descobrir algumas coisas sozinho.
Nota Final:
9
