Review | Lynn, The Girl Drawn On Puzzles

Review | Lynn, The Girl Drawn On Puzzles

24/12/2021 0 Por Paulo Cézar

Desenvolvedora: Dotoris
Publicadora: CFK
Data de lançamento: 23 de dezembro, 2021
Preço: US $ 7,99

Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela CFK.

Contextualizando

Pessoalmente, de tempos em tempos me vejo voltando a ideia de como video games são um tipo de entretenimento único, até esquisto, pensando isoladamente. É natural pensar que os jogos eletrônicos só são mais um dos pilares da megalomaníaca industria cultural capitalista que transforma tudo que é virtualmente possível em mercadoria. Apesar de essa ser uma verdade, eu diria que é uma verdade rasa, que ignora alguns aspectos interessantes da categoria como um todo.

Diferentemente das outras formas de arte que são consumidas majoritariamente de forma passiva, os video games diferentemente, são consumidos em sua grande maioria de forma ativa, ou seja, o jogador, o equivalente ao espectador em outras mídias, é, de certa forma, incluído na obra como um todo. Naturalmente essa característica não é exclusiva ao video games, especialmente atualmente, onde as barreiras entre as formas de entretenimento são cada vez mais turvas, mas ainda é interessante discutir como uma forma de entretenimento que pode vir a exigir tanto do seu consumidor final se tornou tão popular.

Não é difícil enxergar os video games como sucessores espirituais aos clássicos jogos de tabuleiros e seus derivados, que fatualmente existem a alguns milênios, especialmente quando em essência ambos são tão parecidos, ambos sendo desafios artificiais criados com a ideia de entreter, passar o tempo ou simplesmente passar uma mensagem. Porém um fenômeno tão interessante quanto esse não tão nebuloso parentesco é o ressurgimento desses clássicos jogos, agora em meio eletrônico. É interessante perceber como a conveniência trazida pelo meio digital transformou o cenário de jogos que já tinham tradições competitivas centenárias, como o xadrez e suas variações.

A verdade é que o meio digital proporcionou possibilidades que antes seriam impossíveis em meio físico, os puzzles, mais conhecidos por nossas bandas como quebra cabeças, agora não precisavam mais ser apenas um conjunto de algumas centenas de peças que se encaixariam no final formando uma imagem. Com isso chegamos ao assunto da review de hoje, o jogo Lynn, The Girl Drawn On Puzzles, que possuiu um nome um tanto quanto sugestivo.

Jogabilidade e Estética

Se você jogou uma quantidade considerável de jogos ao decorrer do seu curto período de vida na terra, você provavelmente já se deparou com uma quantidade considerável de jogos dentro de jogos, os famosos minigames. Um minigame em específico que me marcou ao decorrer de alguns jogos, Astral Chain e Shin Megami Tensei III para citar alguns, é aquele famoso minigame de mover caixas ou plataforma, que eu honestamente não sei se tem um nome em específico até hoje, no qual objetivo em suma é deslocar o personagem, ou objeto, de um ponto A, para um ponto B.

Lynn, The Girl Drawn On Puzzles é, de certa forma, um jogo que expande essa ideia. Que inicialmente parece ser consideravelmente simplória, mas que é explorada de maneira interessante no título.

Lynn, The Girl Drawn On Puzzles leva o jogador a guiar a protagonista Lynn que foi transportada para o mundo da arte oriental, através de labirintos misteriosos até a Raposa de Nove Caudas, a criadora daquele mundo. Nesta jornada, Lynn pode explorar o mundo desenhado em um estilo de arte único e descobrir o que aconteceu há muito tempo com seu criador, enquanto precisa voltar segura para casa.

O jogo conta com 3 modos, sendo dois principais: Acorn Story, que conta a história de Daram um esquilo respeitavelmente guloso, e Lynn Story, que conta a história da garota que da nome ao jogo. Ambos modos se assemelham na maneira que são apresentados, com uma estrutura capitular, que contém em si diversas fases com os quebra-cabeças que nomeiam o jogo.

Enquanto a história de Daram oferece uma perspectiva mais conservadora para a progressão de dificuldade dos quebra-cabeças, a história de Lynn por sua vez nos dá uma perspectiva mais complexa para a progressão de dificuldade, constantemente apresentando novas mecânicas que trazem variedade ao gameplay. Lynn, The Girl Drawn On Puzzles ainda conta com um modo extra que é liberado após determinados objetivos serem concluídos na campanha de Lynn.

A história do jogo é apresentada por meio de pequenos trechos que são contados de uma forma que se assemelha com fábulas, porém as artes são apresentadas no estilo que remete aos estilos de arte orientais, que são tão diversos e complexos que eu evito rotular como um título específico pertencente a esse grupo. As cenas das história ainda tem um toque de feito à mão, tentando replicar a estética de um teatro de fantoches, enquanto as músicas acompanham a estética Oriental, trazendo coesão para o pacote como um todo.

Concluindo

No mais, Lynn, The Girl Drawn On Puzzles é um pacote simples, coeso, e compacto, porém um pouco compacto até demais. Apesar do preço condizente, admito que é um pouco decepcionante saber que um jogo simples, polido, com uma direção estética bem atípica (num sentido positivo), para um jogo do gênero é tão curto, e por se tratar por um game em que quebra-cabeças são o principal foco, o fator replay é praticamente nulo.

Prós:

  • Experiência de resolução de quebra cabeças agradável
  • Trabalho estético único, especialmente dentre jogos do hemeroy

Contras:

  • Duração curta

Nota:

8,5

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