Review | Seven Pirates H

Review | Seven Pirates H

12/05/2022 0 Por Ivanir

Desenvolvedora: Felistella, Compile Heart
Publicadora: eastasiasoft
Data de lançamento: 12 de Maio, 2022
Preço: R$ 199,00 
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Eastasiasoft.

Seven Pirates H é o quarto jogo da franquia focada em fanservice, Genkai Tokki. Com um mundo simples explorável em 3D, a obra coloca o jogador no controle de um grupo de piratinhas explorando o Monsupi Sea. Vários tesouros esperam no desbravamento de suas ilhas assim como várias situações de cunho erótico.

O sonho de ir aonde ninguém foi

Tudo começa com uma jovem piratinha chamada Parute que sonha com grandes aventuras e espera um dia ter um grande legado. Chamando a si mesma de escolhida, ela tem em mãos uma bússola antiga que parece não apontar mais para lugar nenhum. Enquanto todos acreditam se tratar apenas de um artefato quebrado, ela tem certeza de que um dia sua hora irá chegar. Até que um dia uma criatura estranha cai do céu.

Trata-se de ninguém mais, ninguém menos do que Otton, o tradicional mascote da franquia Genkai Tokki, que aqui afirma ser um grande pirata, mas continua sendo o pervertido de sempre. Juntos, os dois partem em uma aventura pelos mares guiados pela bússola de Parute. No caminho, eles encontrarão outras garotas-monstros que se juntam à tripulação. De forma geral, a narrativa tende a ser mais humorística, com vários momentos descontraídos. As personagens são bastante carismáticas e normalmente não tratam as situações enfrentadas com muita seriedade.

Esse tom não é um problema, deixando a experiência confortável e atrativa para quem curte obras mais focadas em ecchi/fanservice. Porém, há uma sensação geral de falta de foco, que fica especialmente clara em alguns momentos nos quais a próxima forma de prosseguir depende da realização de eventos e quests banais que poderiam muito bem ser opcionais. Há também alguns pequenos errinhos de digitação na tradução em inglês que aparecem ocasionalmente, mas pesam pouco contra a experiência.

Um treinamento nada ortodoxo

Como mencionei, Seven Pirates H é um RPG focado em fanservice. Assim como seus antecessores, isso não implica apenas nas personagens usarem poucas roupas e terem cenas com conotações eróticas. Há um trabalho de transformar essa perspectiva em mecânicas importantes para a experiência geral da obra. Inclusive, ao contrário de seus antecessores, é até mesmo impraticável não utilizar esses sistemas eróticos constantemente durante o jogo devido a sua grande importância para o gameplay.

Isso se deve em especial pela forma como o jogo abandona o sistema de níveis tradicional. Ao derrotar os monstros, os personagens não ganham experiência, mas vão enchendo um pacote de essência. Esse item deve então ser usado no menu para aumentar as estatísticas das personagens através de um sistema de massagear os peitos das personagens. Movimentos diferentes como apertar, empurrar para os lados ou girar os dedos levam a mudanças em parâmetros como firmeza, espaçamento entre os seios e o seu tamanho.

A proposta também afeta de forma clara os inimigos, monstros eróticos que vão desde bolas e bananas a OVNIs com três peitos e golens de preservativos. Esse é um aspecto fundamental da série Genkai Tokki, que absolutamente não tem vergonha nenhuma de usar esses temas na construção de um mundo de fantasia único e honestamente fascinante.

Batalhas, quests e tudo mais

Em termos das batalhas em si, é importante destacar que se trata de um jogo baseado em turnos que permite uma equipe de até quatro personagens. Tanto aliados quanto inimigos são associados a um tipo específico (azul, vermelho ou verde) que possui vantagens e desvantagens em relação às outras cores seguindo um triângulo de forças. Porém, não demora muito para que o jogador obtenha habilidades para transformar seus aliados nas outras cores, permitindo se adaptar às circunstâncias com qualquer time.

Para usar as habiidades ativas da equipe é necessário gastar BP, cuja barra individual inicia em 50 pontos ao entrar na dungeon. Conforme usam ataques normais e recebem dano, as personagens aumentam essa barra, ampliando também as possibilidades de técnicas especiais. Ao chegar no seu máximo (200 BP), a personagem fica excitada, habilitando o seu golpe mais poderoso que consome a barra inteira.

A partir de um certo ponto da história, o jogador recebe uma técnica especial chamada Otton Cannon, que permite usar o mascote para aumentar o BP das personagens. Para ativar esse poder, é necessário esfregar a tela que mostra o corpo da pirata daquele turno. Além do bônus de BP, isso aumenta a excitação de Otton, que ao chegar em 100% irá liberar o seu canhão contra os inimigos.

Apesar de ser necessário usá-lo contra alguns chefes, ele também funciona contra inimigos comuns. Infelizmente, essa técnica pode quebrar completamente a dificuldade já que mata esses monstros instantaneamente. O resultado é que o jogador só precisa se preocupar de verdade com as batalhas de chefe e pode repetir o Otton Cannon à exaustão para passar por qualquer outra coisa que passar por seu caminho.

Fora do combate, vale destacar que o jogo é dividido em dois momentos: por um lado, é essencial explorar o mundo de barco em um mapa mundi top down; por outro, as dungeons são áreas pequenas vistas em 3D. Apesar de relativamente humilde comparado a outros RPGs, o mundo de Seven Pirates H convida o jogador à exploração utilizando um sistema de quests e de descobertas.

O mapa mundi começa fechado e, conforme o jogador realiza quests para os Booby Kin, ele vai sendo expandido em pequenos bolsões. Com mais áreas do mar para explorar, o jogador encontra mais dessas criaturinhas, que expandem a loja do menu principal, adicionam novos poderes para o combate e revelam ainda mais tesouros escondidos. Também há eventos de interação entre as personagens espalhados pelo mar, mostrando um pouco do cotidiano e das especificidades dos membros da equipe.

Já as quests exigem que o jogador derrote inimigos e encontre itens nas dungeons, que são indicadas claramente no menu. Até há algumas quests mais ambíguas, mas elas são raras e opcionais. Por conta disso, o jogador é incentivado a retornar às áreas para obter certos itens, mas não há muita necessidade de backtracking no jogo. Esses materiais também podem ser trocados em sutiãs e calcinhas na loja dos Booby Kin.

Dando partida para os sete mares pervertidos

Seven Pirates H é um RPG carismático focado em seu aspecto ecchi assim como seus predecessores da franquia Genkai Tokki. Apesar de ter alguns problemas no gameplay e na narrativa, qualquer jogador à procura de garotas carismáticas e uma experiência que não tem medo de explorar o erotismo em múltiplas camadas provavelmente irá aproveitar o jogo bastante.

Prós

  • Um sistema bem incomum de progressão que abandona níveis em prol de bônus baseados em massagens nos peitos das personagens
  • Mundo de fantasia curioso em que as criaturas são adequadas ao tom erótico da proposta
  • Sistema de quests e segredos escondidos valorizam a exploração
  • Narrativa bem humorada
  • Personagens carismáticas

Contras

  • Narrativa pouco focada e com progressão ocasionalmente artificial
  • O Otton Cannon quebra totalmente a dificuldade das batalhas comuns
  • A absoluta necessidade de interagir com os sistemas eróticos constantemente faz com que o jogo não seja indicado para jogadores que não se importam com eles
  • Tradução para o inglês conta com alguns erros ocasionais

Nota Final:

7

Ivanir
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