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Review | Wax Heads

Kat Oliveira 17/05/2026
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Kat Oliveira
Kat Oliveira
Fã de consoles portáteis, livros e fones de ouvidos. Dentre os seus principais interesses estão artes em geral, jogos japoneses e todo tipo de RPG. Seu coração mora em Faerûn e Ivalice.
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Desenvolvedora: Patattie Games
Publicadora: Curve Digital
Gênero: cosy-punk slice-of-life  | Simulação
Data de lançamento: 5 de maio, 2026
Preço: R$ 49,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Curve Digital.

Revisão: Lucas Ferreira

Wax Heads é um jogo de puzzle e simulação, podendo ser chamado de “cosy-punk slice-of-life“, desenvolvido pela Patattie Games. O título é nada mais que um simulador bem simples de gerenciamento de uma loja de discos, somado a uma narrativa leve e um tanto emocional sobre música e família, tanto a de sangue quanto a que nos acolhe ao longo da vida.

Nada mais punk-rock do que apoiar a cena local

Em Wax Heads, acompanhamos uma protagonista self-insert, chamado apenas de “Jovem” pelos seus colegas de trabalho. A personagem tem pouco envolvimento com a história de fato, e funciona mais como um agente observador, os olhos do jogador sob a trama como um todo.

“Jovem” consegue um emprego em uma loja de discos chamada Reapeter Records, cuja dona, Morgan, foi uma ex-estrela nos anos 80 junto de sua irmã Willow, tocando na banda Becoming Violet. A passagem da banda pela música foi bem marcante, garantindo-os sucesso avassalador na cena musical por um curto período, até a separação do grupo depois de muitas brigas entre as irmãs e os outros membros da banda. O motivo real da separação, a princípio, não é claro, e é algo que vai sendo revelado pouco a pouco, trazendo as mais diversas consequências para a vida de Morgan e o seu atual negócio.

É estabelecido logo cedo que a Repeater Records não é lá um empreendimento muito lucrativo. Mas como várias das empreitadas no ramo artistíco, a loja é muito sustentada pelo amor que as pessoas tem pela arte e os amigos feitos no caminho, e que infelizmente, acaba sendo infectada por parasitas gananciosos que só querem dinheiro. Teria isso alguma coisa a ver com o passado de Morgan na música? Talvez.

O que Wax Heads busca representar com bastante ênfase é a característica comunitária da música, não só de amizades já estabelecidas, mas também de novas relações que podem surgir a partir de espaços onde esses interessem podem ser compartilhados. Dentre algumas das fases do jogo, podemos ver isso acontecer intimamente, o que marca os momentos mais interessantes da obra.

O conceito pode ser muito bonito, mas nem tudo são flores. Wax Heads é um jogo que parece se importar e levar muito a sério sua história, o que torna-se um problema quando nos deparamos com personagens fracos e chatos de acompanhar. Praticamente todos eles são reduzidos somente à piadas relacionadas ao seu único traço personalidade. O jogo comete seu maior erro ao possuir personagens e narrativa simples e, mesmo assim, dar seu maior enfoque na história.

Por seu enredo não ser lá muito interessante, na maioria das vezes, a minha vontade era mesmo de pular todas as cutscenes e ir direto para a gameplay — o que não é algo que me ocorre com frequência, visto que o aspecto narrativo costuma ser grande parte do que me chama atenção em jogos habitualmente.

O dia a dia na loja de discos

O loop de gameplay de Wax Heads consiste, basicamente, em uma série de puzzles lógicos envolvendo os discos disponíveis na loja e a requisição dos clientes. Como nenhum serviço de caixa é fácil, “Jovem” precisa lidar com clientes que não sabem exatamente o que querem. Cabe ao jogador, então, interpretar suas falas, descrições, situações de vida e às vezes até mesmos roupas para descobrir e indicar um álbum que se adeque às suas necessidades.

Exemplo: um cliente recorrente é um homem que está sempre comprando discos para o seu primo, mas aparentemente ambos não tem uma comunicação muito boa, e por isso ele sempre vai falar os nomes da banda e do álbum que não são exatamente corretos. Então, você deve procurar os álbuns por um nome que seja parecido com que o rapaz erroneamente solicitou.

Esse é apenas um exemplo de um dos tipos mais básicos de puzzle. Pode-se dizer, mesmo assim, que o jogo é simples mas apresenta formas criativas de desafiar o jogador — ao menos nos seus primeiros minutos de jogo. Nada do que é apresentado em Wax Heads é difícil ou abstrato demais, e não demora quase nada para pegarmos o jeito da gameplay e suas nuances, tornando a maior parte do restante do jogo em apenas uma repetição do que foi visto no começo.

No entanto, Wax Heads ainda possui características interessantes dignas de nota. Uma delas é a sua construção de mundo e da cena musical, que vai se desenvolvendo pouco a pouco. Cada álbum da loja vem com uma breve descrição do tipo de música que pode ser encontrada naquele disco, juntamente com um breve explicação do contexto atual da banda e às vezes sua história.

Além dos encartes dos discos, nos interlúdios entre uma fase e outra, o jogo vai apresentar entrevistas e programas de TV que relatam algum acontecimento da cena musical que pode impactar nas vendas e interesses do público. A partir disso, bandas novas podem surgir, algumas se separar, um artista pode levar um exposed e ser cancelado, e por aí vai.

A protagonista também conta com um celular com alguns aplicativos, como uma rede social e um portal de notícias de música, que servem como uma ferramenta valiosa para ter acesso a várias informações novas acerca do cenário, podendo fornecer dicas importantes na hora de solucionar algum dos puzzles em questão. De tempos em tempos, o estoque da loja também vai mudando, o que dá brecha para que os puzzles não fiquem automáticos demais, uma vez que não demora muito para aprender sobre todas as bandas e discos no acervo da loja.

Realmente não se tornou uma violeta

Wax Heads oferece uma experiência curta, podendo ser finalizada por volta de 5 horas de jogo mas que acabam parecendo um pouco mais do que isso. Uma narrativa lenta, que nunca chega a engrenar de fato somada, a um gameplay que gira em torno de uma ótima ideia, mas que é executada de maneira tão simplória, é o que torna complicado recomendar esse jogo para qualquer pessoa. É difícil indicá-lo até mesmo como um cozy game desprentencioso, visto que o jogo gira em torno de absorver um tanto de informações sobre discos e bandas fictícias.

Prós:

  • Boa construção de mundo e boa representação do senso de comunidade da cena musical;
  • Ótimo entralaçamento dos aspectos narrativo e mecânico.

Contras:

  • Personagens rasos que se reduzem a arquétipos esteriotipados e piadas repetitivas;
  • História desinteressante que nunca chega a engrenar de fato, mas que insiste em se fazer presente o jogo inteiro;
  • Puzzles simples que ficam entediantes antes mesmo da metade do jogo.

Nota

6

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