Desenvolvedora: Bliss Brain
Publicadora: ININ Games
Data de lançamento: 03 de Junho, 2022
Preço: R$ 139,99
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com chave cedida gentilmente pela ININ Games.
Aproveitando o movimento de revival de séries famosas em décadas passadas, é chegada a hora de aproveitar os primeiros quatro títulos da série Wonder Boy. Mas será que mesmo passado tantos anos, a mágica de outrora ainda está viva? Vem comigo nesse passeio para saber o que de melhor (e de pior) a ININ GAMES disponibilizou para os donos do Nintendo Switch.
As 4 jóias
O pacote que compreende Wonder Boy Collection contém quatro jogos: dois oriundos do arcades e dois para consoles. O primeiro deles se chamaria apenas Wonder Boy, lançado em 1986. Nele, o jogador encarna o protagonista Boy em sua busca para salvar a sua namorada Tina do Rei Maléfico. Como vários outros títulos de sua época, não existe uma grande dramatização da história ou a criação de vínculos entre o jogador e o personagem principal. O foco do game está no seu gameplay simples e funcional, onde o jogador faz uso de apenas dois botões: um de pulo e outro para utilizar as habilidades provenientes de ovos, que uma vez rachados, provém a Boy alguma arma ou objeto que se comporta como tal, como o skate.
O próximo da lista é Wonder Boy in Monster Land (1987). Diferente do primeiro título da série, aqui encarnamos o cavaleiro Book, que deve livrar a terra de Wonder Land de um terrível dragão. Uma curiosidade interessante aqui é que este foi o jogo que serviu de base para a produção de Mônica no Castelo do Dragão, sendo um mix dos sprites dos inimigos originais sendo Mônica a protagonista ao invés de Book. Wonder Boy in Monster World foi a sequência de Monster Land, tendo como protagonista Book e seus companions Priscilla, Hotta, Shabo e Lotta.
Mudando um pouco o tema de cavalaria temos Asha, a primeira protagonista da série, mudando o tema do jogo para algo mais árabe. Coincidência ou não, uma animação nem um pouco maravilhosa chamada Alladin havia sido lançada dois anos antes, coincidência?!. O nome original da aventura é Monster World IV, mas você pode conhecê-lo como Wonder Boy: Asha in Monster World [leia nossa análise aqui], que foi o nome dado ao jogo no seu remake lançado no ano passado para Nintendo Switch.
O motivo de não ter detalhado a jogabilidade de cada game após o primeiro deve-se ao fato de a nível de gameplay todos os 3 serem muito parecidos, diferenciando do título original na questão de equipamentos e magias, conferindo aos jogos toques leves de RPG, mas bem leves mesmo, nada que vá dificultar muito para quem busca bons jogos de plataforma oldschool.
Atendendo novas audiências
Por mais que relançamentos e coletâneas de jogos de outrora tenham como público alvo os jogadores que experienciaram essas obras em sua data de lançamento original, uma franquia, seja lá qual produto ou serviço for, precisa renovar de tempos em tempos sua base de fãs. Podemos pegar como exemplo a própria Nintendo, que em seu portfólio tem jogos mais tradicionais, como os da série Mario, e games que conversam mais com novas audiências, com foco no multiplayer competitivo, como Splatoon.
Em Wonder Boy Collection foram utilizados dois facilitadores muito conhecidos pelos fãs: a possibilidade de salvar o seu progresso a qualquer hora do jogo durante o menu de pausa e retroceder o tempo, o que ajuda muito a desviar daquela morte certa e conservar suas preciosas vidas. Caso fosse ache ultrajante utilizar esses recursos, ainda é possível jogar sem fazer uso dos mesmos, na intenção de emular os “tempos dourados” dos jogadores mais hardcore.
Novos recursos estéticos foram adicionados como a possibilidade de adicionar filtros que homenageiam as antigas TV de tubo, aqueles trambolhos onde só era possível conectar o console a televisão por um cabo RF, e muda até mesmo o formato de 16:9, 4:3 e por vai. Não existe certo ou errado aqui, a escolha é puramente orientada pelo gosto pessoal de cada um (se você escolher esticar o jogo por toda a tela você morreu por dentro). O último dos novos recursos, e aquele mais esperado pelo designer que vos fala, é a galeria de imagens com artes conceituais dos quatro jogos do pacote. Bem, o que posso dizer é que foram bem econômicos aqui, tendo a disposição poucos mais de uma dezena de imagens, frustrando aqueles que esperavam muito mais recheio nessa coxinha.
Uma coletânea (in)completa
Costumeiramente, edições especiais de jogos incluem itens que tem a função de ser algo a mais, um completo a um produto que já pode ser experienciado de forma completa, sem aquele sentimento de que está perdendo algo. Há pouco tempo atrás vimos a BIG N adotar um sistema de venda temporária para alguns de seus jogos, mais especificamente um port digital do primeiro título da série Fire Emblem e a coletânea de jogos reunindo os principais jogos da era 3D de Mario (Super Mario 64, Super Mario Sunshine e Super Mario Galaxy).
Toda uma polêmica foi gerada em relação a essa prática, tanto pela questão da venda por tempo limitado, tanto pelo fato de todos esses jogos do nosso querido encanador italiano estarem disponíveis para compra na plataforma anterior (sim, o Wii U existe) através do Virtual Console (uma seção na eShop onde você poderia adquirir jogos de plataformas anteriores da Nintendo e de terceiros, como a SEGA). Some a isso o fato de que pouquíssimas melhorias foram implementadas e o pandemônio estava estabelecido no fandom. Porém independente da versão comprada (digital ou física) o fã teria a disposição todos os jogos da coletânea com a mesmíssima qualidade.
O que vemos com Wonder Boy Collection é ligeiramente diferente. Uma versão básica chamada Wonder Boy Collection que possui menos jogos do que a versão mais completa, Wonder Boy Anniversary Collection (21 títulos contando versões em outros idiomas e jogos únicos), sendo que essa última está sendo distribuída em cópias limitadas e por um valor superior. Toda empresa visa lucro e não podemos ser inocentes a ponto de achar que elas não vão lucrar mais com algum produto, mas o que é temeroso aí é a forma com que está sendo feita. A ININ Games não possui operações no país e se para alguém que mora em algum dos mercados principais já vai ser difícil adquirir a versão em edição física mais completa (Wonder Boy Anniversary Collection), imagina para nós meros tupiniquins. Fica aqui o desejo de que esse fato não se torne uma prática comum e que edições limitadas voltem a ter como conteúdo extra apenas penduricalhos realmente opcionais.
O indispensável é relativo
Se você é um entusiasta dos clássicos de plataforma dos anos 80-90 e busca apenas uma forma cômoda de aproveitar os jogos da sua série preferida jogando através do console híbrido da Nintendo seja lá onde você estiver, essa coletânea foi feita para você; Wonder Boy é uma franquia longeva e as datas originais que vão até os consoles da era 16-bits. E nem todo mundo dispõe dos equipamentos necessários para emular essas experiências nas TV ‘s mais recentes. Quando você, crianças do início do século XXI pensariam que seria possível jogar Wonder Boy na sua hora de almoço na firma, não é mesmo?
Caso o seu intuito seja apenas conhecer uma nova série de jogos, peço que releve todo o péssimo design de interface do jogo e aproveite 4 dos jogos mais relevantes dessa série muito divertida.
Prós
- Preservação de jogos clássicos;
- Galeria com artes;
- Opções de filtro e formato de tela;
- Save State;
- Mecânica de Retroação.
Contras
- Design de interface fraco;
- Coleção mais cara com mais jogos.
Nota:
6
