Review | Wonder Boy — Asha in Monster World

Review | Wonder Boy — Asha in Monster World

11/06/2021 0 Por Siouxsie Sioux

Desenvolvedora: Artdink
Publicadora: ININ Games
Data de lançamento: 28 de maio, 2021 
Preço: R$ 178,45
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela ININ Games.

A evolução tecnológica involuntariamente torna o passado obsoleto, pelo menos na maioria das vezes. Por isso é inevitável que algumas obras sejam refeitas ou, pelo menos, adaptadas para a atualidade. Wonder Boy – Asha in Monster World é um remake do clássico de 1994 Wonder Boy IV (Mega Drive) e trás todos os elementos do jogo original modernizados; a trilha sonora, os gráficos e até a perspectiva de alguns cenários. De certa forma, o título é um resgate de um tesouro ofuscado do passado.

Diferentemente dos remakes antecessores, Asha in Monster World mudou o consagrado visual cartunizado para o estilo mais oriental, lembrando as animações japonesas, além de utilizar cenários e personagens renderizados em 3D com filtro cel shading. Embora eu prefira a estética cartoon, o resultado final ficou deslumbrante na maior parte da experiência. No entanto, mesmo que tudo tenha ficado aparentemente bonito, a fórmula original não se adequa aos dias atuais.

Uma aventura dos sonhos

A aventura é protagonizada por Asha, uma jovem garota de cabelos verdes que sempre sonhou viver uma grande jornada. A história começa espontaneamente com esse pretexto: a heroína sente que um grande mal se aproxima e parte em sua jornada para proteger os quatro espíritos elementais do Monster World. Sem delongas ou apresentações, a história coloca o jogador em ação em poucos segundos de gameplay.

A ambientação e os personagens lembram um país do oriente médio, desde a decoração das casas até as roupas dos NPCs, dando um ar de Aladdin para o jogo. Essa característica pode tornar a experiência um pouco mais nostálgica para alguns jogadores, já que somado a isso, toda a estrutura de level design e combate funciona exatamente como a de um jogo da era 16 bits.

Além disso, a narrativa é simples e direta ao ponto. Você chega em uma cidade e deve encontrar certo item para acessar a masmorra e derrotar o chefe e assim por diante. Não espere por diálogos profundos ou reflexões existenciais aqui, pois o objetivo de Asha in Monster World é colocar o jogador em uma divertida e perigosa aventura do início ao fim.

Revisitando o Monster World 

Sem abandonar os conceitos de jogabilidade dos Wonder Boy clássicos, Asha in Monster mantém o padrão de andar ou correr em um cenário vertical, atacar com uma espada e se defender com um escudo. Porém aqui os golpes são um pouco mais variados, é possível, por exemplo, espetar com a espada para cima ou para baixo quando se está no ar, no estilo dos espadachins de Super Smash Bros. Embora sejam visualmente descolados, esses ataques podem colocar o jogador em maus lençóis, pois há um pequeno delay para a ação acontecer, tornando a jogada inviável quase sempre.

Há um golpe mágico especial que pode ser usado após a barra de magia ficar cheia. Entretanto, não pense que esse truque pode quebrar o jogo e salvar a sua vida, pois ele é levemente poderoso e nem sempre será fácil encher a barra de magia novamente. O ideal é guardar a artimanha para o momento certo, como em batalhas contra chefes — que assim como na versão original, não oferecem facilidades para o jogador. Aliás, as lutas contra os chefes fazem contraste com a aparência infantil do game, que pode comumente ser confundido com uma aventura fácil.

Felizmente é possível alterar a dificuldade para ter uma experiência mais balanceada, além de ser permitido salvar o seu progresso a qualquer momento, evitando frustrações. Porém, por se tratar de um jogo com menos de quatro horas de duração, o modo casual pode dar um ar de banalidade para o título. Você pode até jogar nesta dificuldade para se divertir ou para evitar passar raiva, mas o ideal é concluir a aventura na dificuldade clássica para ter uma experiência completa.

Falando em facilidade, Asha não encara todos os desafios da sua aventura sozinha. Ela conta com a ajuda de Pepelogoo, uma pequena e fofa criatura redonda que pode ser arremessada como uma arma, flutuar por abismos ou realizar um salto duplo. Diferente da maioria dos monstrinhos de sua espécie, que são amarelos, o Pepelogoo de Asha é azul.

Como nos demais jogos da série Wonder Boy, os elementos de RPG estão presentes aqui. Isso significa que o jogador pode aumentar a vida de Asha ao coletar certos itens pelo cenário, além de ser possível melhorar o ataque, defesa e resistência da heroína comprando itens e armamentos nas lojas. Vale ressaltar que por ser uma aventura linear, os itens deixados nas lojas se perderão para sempre caso você não os compre, pois não será possível retornar para cidade anterior uma vez que você saiu de lá.

A exploração pelos cenários foi melhorada em relação ao jogo de 1994. Agora as cidades possuem uma estrutura horizontal pseudo-3D, que nada mais é do que um truque de design de criar diferentes camadas 2D e interligá-las por becos ou corredores, dando uma impressão de cenário tridimensional. Esse truque de design é bem comum em jogos indies e foi usado de maneira inteligente neste remake.

Visualmente repaginado

Como disse anteriormente, o visual de Wonder Boy Asha in Monster World é maravilhoso na maior parte do tempo. Todas as cidades são muito coloridas, os personagens bem detalhados e as animações autênticas — tudo sob um filtro Cel Shading que dá uma cara de experiência moderna ao game. Porém muitas vezes as texturas de alguns cenários, como os das masmorras, parecem genéricas e mal polidas. Sem falar que a falta de otimização proporcionou quedas de quadros por segundos em alguns momentos.

Os remakes dos primeiros Wonder Boy caíram perfeitamente no gosto popular atual, pois além dos jogos originais serem simples e divertidos, o visual usado nas versões modernas casava perfeitamente com a arte oficial dos games. Já em Asha in Monster World não acontece o mesmo, principalmente porque a estrutura do jogo em si já é datada e isso pode ser percebido por elementos arcaicos na dificuldade e até mesmo na tendência da protagonista ser empurrada para trás ao tomar um hit — o que ocasionalmente pode fazê-la cair em algum abismo sem querer. 

Além disso, o visual tridimensional dos cenários não combinou com a arte original do clássico de Mega Drive, tirando um pouco da alma que o título carregava. Isso talvez seria resolvido se houvesse a opção de alternar para a estética retrô, como nos últimos remakes da saga, porém infelizmente isso não foi adotado aqui.

Por outro lado, a trilha sonora supera as expectativas, criando um clima alegre e memorável em boa parte da aventura. É realmente confortável ouvir as músicas das cidades, por exemplo. Não podemos deixar de mencionar que o jogo recebeu uma dublagem e elas conseguiram deixar algumas cenas mais vivas do que antes. 

Um tesouro do passado

À primeira vista Wonder Boy – Asha in Monster World parece um jogo moderno com um visual em cel shading e uma trilha sonora memorável. Porém bastam apenas alguns minutos de jogatina para perceber que se trata de um título dos anos 1990 com muitos elementos datados. Apesar de contar com uma bela aparência, a experiência carece de polimentos que a tornaria mais recomendável. Mas apesar de tudo isso, a aventura de Asha não deixa de ser divertida e muito bem vinda para as gerações atuais. 

Prós

  • Visualmente bonito;
  • Trilha sonora memorável;
  • Protagonista carismática;
  • Ambientação feliz e animada.

Contras

  • Level Design datado;
  • Muito curto;
  • Enredo simples demais;
  • Deixa a desejar em polimento e otimização.

Nota:

7

Siouxsie Sioux
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