Mario vs. Donkey Kong: Uma série de altos e baixos

A franquia Super Mario é repleta de spin-offs de todos os tipos: seja Mario Kart, Mario Tennis, Mario Golf, os RPGs, o encanador bigodudo da Nintendo já encarou uma variedade de gêneros diferentes em dezenas de subséries. Claro, nem todas são sucessos estrondosos e algumas delas infelizmente passam por anos sem jogos, a exemplo da série Mario Super Sluggers, de Baseball, que eu tanto amo e clamo por um retorno.


Por isso pode ser surpreendente para alguns quando eu digo que uma das séries com lançamentos mais consistentes entre todos os spin-offs da franquia é Mario vs. Donkey Kong. Talvez por ela nunca ter sido um grande sucesso crítico e comercial, Mario vs. Donkey Kong se trata de 9 jogos de puzzle estreando Mario em uma rivalidade reacendida com Donkey Kong, todos se inspirando muito no jogo de Arcade lançado em 1981 (alguns mais que os outros).

Por ser uma série com tantos títulos que não recebem o devido valor que merecem e em celebração ao lançamento do remake de Nintendo Switch de Mario vs. Donkey Kong, hoje eu lhes trago uma retrospectiva de todos os jogos que essa série já recebeu na esperança de, talvez, trazer um pouco de interesse para os outros jogos dessa bizarra série.

Leia também:

Donkey Kong ’94

Apesar de não ser explicitamente da série Mario vs. Donkey Kong, é mais do que óbvio que Donkey Kong de Game Boy – normalmente chamado de Donkey Kong ’94 pelos fãs em alusão ao ano de lançamento do game – é uma espécie de precursor espiritual da série.

O jogo começa como uma espécie de remake do clássico título de arcade recriando todas as quatro fases contidas nele, mas subverte todas as expectativas do jogador quando, ao concluir a quarta, mais 97 adicionais são liberadas! Claro, por mais clássico que seja, um Donkey Kong com 97 fases provavelmente não daria certo e ficaria entediante relativamente rápido por conta das escolhas de movimento limitadas que o Mario tinha naquele jogo, e é por isso que Donkey Kong ’94 é extremamente inteligente em expandir todo o potencial de se mover do bigodudo.

Ao invés de apenas ter ações de andar e pular como no game original, aqui Mario pode fazer piruetas e mortais, liberdade de movimentação é o nome do jogo e você deve utiliza-la para conquistar todas as fases e chefes que o jogo tem a oferecer. Mais do que só um remake, Donkey Kong ’94 reviveu o estilo de um clássico dos fliperamas e talvez por isso tenha sido tão bem recebido pela crítica e pelo público, vendendo bem o suficiente para eventualmente receber uma sequência.

Mario vs. Donkey Kong

É aqui onde a série Mario vs. Donkey Kong começa de verdade com o nome que nós conhecemos hoje. Lançado para o Game Boy Advance, Mario vs. Donkey Kong foi lançado com o objetivo de dar continuidade ao que Donkey Kong ’94 começou, pegando de seus conceitos e evoluindo: a movimentação foi expandida e Mario tem ainda mais movimentos do que no jogo anterior, os visuais foram aprimorados se utilizando de gráficos pré-renderizados que ficam lindos na telinha do GBA, e o level design foi ainda mais fundo no elemento de puzzle do que no primeiro game.

Apesar de eu, pessoalmente, preferir seu antecessor, é inegável que Mario vs. Donkey Kong evoluiu muitos dos conceitos dele e estabeleceu o que poderia ser visto como um joguinho solo como uma série recorrente da Nintendo que viria a receber muitos mais jogos nos anos a seguir.

Mario vs. Donkey Kong 2: March of the Minis

É com o segundo jogo que as coisas começam a tomar um rumo estranho. Ao invés de seguir com a bem sucedida fórmula estabelecida por Donkey Kong ’94 e sua sequência, Mario vs. Donkey Kong 2: March of the Minis lançado para o Nintendo DS muda tudo que os jogos anteriores fizeram.

Neste jogo, ao invés de controlar diretamente Mario em fases de plataforma 2D com movimentação livre, você apenas ativa os Mini-Mario, versões de brinquedo do bigodudo, e os guia indiretamente pela fase, posicionado blocos e criando pontes para evitar que os pequeninos se danifiquem.

É um rumo um tanto quanto bizarro de se tomar após criar dois platformers tão amados que se inspiram no clássico Donkey Kong de Arcade, mas March of the Minis consegue ser um bom jogo mesmo assim, com puzzles bem feitos e interessantes e até mesmo a possibilidade de criar suas próprias fases e compartilhar elas com o mundo, um recurso mais do que bem-vindo para aumentar a vida útil do game.

Mario vs. Donkey Kong: Minis March Again!

O terceiro jogo, Minis March Again, foi lançado apenas para o Nintendo DSi por meio da DSi Shop. Não é exagero nenhum dizer que o game não apresenta nada de novo, sendo apenas mais fases de March of the Minis, o que por si só é aceitável para um jogo exclusivo para download.

O editor de fases retorna com algumas opções adicionais e o modo história apresenta novos puzzles para o jogador resolver, mas Minis March Again é apenas isso: mais Mario vs. Donkey Kong 2: March of the Minis, um padrão que iria se repetir um pouco mais nos anos a seguir…

Mario vs. Donkey Kong: Mini-land Mayhem!

Esses nomes estão ficando muito confusos. Mini-land Mayhem é o terceiro jogo da série para o Nintendo DS e ele novamente se utiliza do mesmo esquema de gameplay de March of the Minis.

É um pouco difícil entrar em detalhes sobre esses jogos sem simultaneamente entrar em repetição, porque eles inegavelmente são todos mais do mesmo. Mini-land Mayhem não adiciona muitas mecânicas novas, mas eu posso dizer que ele é facilmente o melhor e mais interessante entre os três, muito por conta do level design e mecânicas refinadas.

Entretudo, no fim do dia, é inegável que vender três jogos tão parecidos um com o outro em um período tão curto de tempo talvez tenha enjoado os fãs da série, então estava na hora de uma mudança.

Mario and Donkey Kong: Minis on the Move

E foi do desejo de mudança que Mario and Donkey Kong: Minis on the Move nasceu, lançado para o Nintendo 3DS. Sim, Mario AND Donkey Kong, eles aparentemente pararam de lutar e resolveram suas diferenças.

Minis on the Move é interessante por mudar a fórmula da série mais uma vez: agora os Mini-Mario se movem automaticamente por um cenário 3D, e tudo que você faz é posicionar plataformas pré-determinadas para fazer os pequeninos chegarem ao seu destino. A descrição faz parecer bem similar aos jogos anteriores, mas acreditem em mim, é muito mais interessante! O game não tem muitas fases, contendo 10 para cada versão “Mini” de um personagem da série (no caso Mario, Toad, Donkey Kong e Peach), mas cada um deles tem seu próprio estilo de puzzle, por exemplo: Mini-Toad é sobre manipular mais de um personagem ao mesmo tempo, já Mini-Donkey Kong contém fases maiores e mais complexas.

Enquanto um retorno às raízes como puzzle-plataformer era mais do que desejada pelos fãs, Mario and Donkey Kong foi uma elegante surpresa que deu uma nova vida muito necessária para a série e que se expandido corretamente, poderia criar uma nova fórmula muito divertida.

Mario vs. Donkey Kong: Tipping Stars

E talvez seja por tudo isso que Mario vs. Donkey Kong: Tipping Stars me deixe tão triste. Lançado para o Nintendo 3DS e Wii U, ele retorna á fórmula que Marchs of the Mini, o segundo jogo, estabeleceu. Com tanto tempo passado entre um lançamento e outro, eu no mínimo esperava que algumas inovações fossem introduzidas, mas infelizmente Tipping Stars não passa de mais fases de Mini-land Mayhem, que por si só não passava de mais fases dos dois jogos anteriores.

A única grande novidade do game é referente ao editor de fases: agora você pode dar estrelas para fases compartilhadas por outros usuários na internet e com essas estrelas mais itens podem ser comprados para o seu editor, mas isso é tudo. Tipping Stars não introduz nada de novo, dizer que ele é o mesmo game de anos atrás não seria exagero nenhum, e aqui ficou claro o quão a série precisava urgentemente retornar às suas raízes ou, no mínimo, inovar em algo.

Mini-Mario and Friends: Amiibo Challenge

Eu serei bem direto ao ponto: eu não tive a oportunidade de jogar Mini-Mario and Friends: Amiibo Challenge. Chocante, eu sei.

Isso se deve ao fato que este game lançado para Nintendo 3DS e Wii U funciona puramente a base de amiibo, mas nem se animem muito: ele é apenas Tipping Stars de novo, mas agora você precisa dos pequenos brinquedinhos da Nintendo para desbloquear os puzzles. Cada amiibo desbloqueia fases exclusivas para o personagem escaneado e cada um deles tem sua própria habilidade única, mas essa não é a grande inovação que essa série tanto precisava.

À esse ponto, tudo que nós queríamos era um retorno ao que Donkey Kong ’94 e o primeiro Mario vs. Donkey Kong haviam estabelecido, e de certa forma… nós conseguimos exatamente isso, só iria demorar mais um pouco para acontecer.

Mario vs. Donkey Kong (2024)

Após anos com a série em hiato, o primeiro Mario vs. Donkey de Game Boy Advance recebe um remake para o Nintendo Switch! A apresentação foi totalmente refeita, com visuais e músicas com um toque moderno, porém fieis ao jogo original; modo multiplayer cooperativo foi adicionado junto dois mundos inéditos incluindo 40 novas fases!

Apesar das adições, o jogo em si é o mesmo e está intacto do começo ao fim, mas infelizmente um pouco do charme do game original foi perdido na transição: algumas animações de morte, falas do Mario e imagens do bigodudo derrotando Donkey Kong após cada chefe foram removidas. Mas além de ser uma agradável experiência por si só, o remake de Mario vs. Donkey Kong era o retorno às raízes que os fãs tanto desejavam após os jogos estreando os Mini-Marios, e eu espero que no futuro nós possamos receber jogos completamente novos que se aproveitem e aprimorem esse estilo de gameplay.

Mesmo com seus altos e baixos, Mario vs. Donkey Kong é um spin-off muito querido e icônico para aqueles que os jogaram e é uma série que fez parte da minha infância, desde Donkey Kong ’94 até os repetitivos jogos estreando os Mini-Mario, então eu espero ter trazido um pouco de conhecimento (e quem sabe interesse) para essa série tão bizarra e interessante estreando nosso encanador e gorila favoritos no pico de uma clássica rivalidade que se iniciou nos anos 80.

Diego Gomes
Siga-me!
Últimos posts por Diego Gomes (exibir todos)