Desenvolvedora:
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Lançamento:
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Gênero:
Plataformas:
Digital Eclipse
Digital Eclipse
30 de outubro, 2025
R$ 134,99
Físico/Digital
Coletânea | Luta, ação e aventura
Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Desenvolvedora: Digital Eclipse
Publicadora: Digital Eclipse
Gênero: Coletânea | Luta, ação e aventura
Data de lançamento: 30 de outubro, 2025
Preço: R$ 134,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Digital Eclipse.
Revisão: Davi Dumont Farace
Fruto das mentes criativas de Ed Boon e John Tobias, Mortal Kombat se debruçou nas bases definidas em Street Fighter 2 para entregar algo inovador, ao adicionar um nível de violência incomum para videogames, na época.
O primeiro jogo fazia uso de um novo recurso tecnológico que capturava imagens de atores reais e as transformavam em sprites na construção de personagens. A narrativa girava em torno de um torneio de artes marciais, inspirado em filmes como “O Grande Dragão Branco”, estrelado por Jean-Claude Van Damme. A ideia, inclusive, era usar o ator como a estrela do jogo. Não rolou, mas ele serviu de inspiração para um dos personagens: Johnny Cage.
Eu vou ser bem sincero com vocês. É muito difícil, pra mim, escrever sobre os primeiros jogos de Mortal Kombat sem transparecer certa passionalidade. Os três primeiros jogos, em especial, a revelia de qualquer revisionismo que tente apontar suas falhas técnicas, tem lugar cativo, pra sempre, em meu coração. Dito isso, quem “envelheceu mal” foi você! Enfim, tenho boas memórias, jogando com os amigos de infância e meu irmão, nos fliperamas, locadoras e em minha casa, nos já distantes anos de 1990. Nos braços da Digital Eclipse, pude ter um gosto do passado, jogando a coletânea Mortal Kombat: Legacy Kollection.
Revisite clássicos do passado
O título revisita jogos clássicos, seja dos consoles, arcades e portáteis. Talvez, o que tornou os jogos dessa “frankia” memoráveis, pra mim, é justamente a forma como eu os experimentei com amigos e meu irmão, passando o controle após uma derrota, anotando sequência de fatality e de tantas outras finalizações, das mais sangrentas às mais hilárias possíveis. Revisitar esses jogos quase trinta anos depois é um pouco perigoso. Digo isso porque corremos sempre o risco de diminuir o encanto e o apego emocional que tínhamos com eles. Confesso que foi estranho, por exemplo, jogar Mortal Kombat II sem ter o meu irmão, do meu lado, no sofá de casa.

E, de fato, diversos pontos ligados a aspectos técnicos saltam à nossa vista, seja positiva ou negativamente. Continuo a achar a técnica de captura e digitalização de atores reais, ao invés do uso de sprites pixelizados, uma coisa incrível. Mas, a IA dos personagens controlados pela máquina, os problemas nas mecânicas e controles de Mythologies: Sub-Zero ou a aposta no mundo 3D de Mortal Kombat 4, saltam à vista, negativamente.

Independente disso, essa coletânea se justifica não pelos aspectos técnicos dos jogos do passado, mas pelo trabalho de resgate e manutenção desse legado, como o próprio título do jogo sugere. Legacy Kolletion, nesse sentido, é um verdadeiro museu digital.
A missão de Legacy Kollection
Em 2011, uma coletânea com três jogos de arcade de Mortal Kombat foi lançada para os consoles de sétima geração. Mortal Kombat: Arcade Kollection não entregou nada além dos jogos clássicos (Mortal Kombat, Mortal Kombat II e Ultimate Mortal Kombat 3), com quase nenhum conteúdo adicional, com problemas na emulação e no online.
O jogo ficou confinado a esses consoles, sem suporte dos desenvolvedores — Other Ocean Interactive e a Netherealm Studios — e, de certa forma, esquecido pela comunidade. Mortal Kombat: Legacy Kollection, assim, tem a missão também de corrigir as falhas dessa primeira coletânea. Adianto que analisando por esse aspecto, a nova versão Kollection tem muito mais mérito e qualidade.

Para a galera mais velha, que é fã de Mortal Kombat, é impossível não se arrepiar já na tela de apresentação. Sério! É, simplesmente, incrível ver o logo de MK, com o dragão imponente, em meio a saraivada de raios. O pacote inclui Mortal Kombat, Mortal Kombat II, Mortal Kombat 3, Ultimate Mortal Kombat 3, Mortal Kombat Trilogy, Mortal Kombat 4, Mortal Kombat Mythologies Sub-Zero, Mortal Kombat Especial Forces, Mortal Kombat Advance, Deadly Alliance e Tournament Edition.
Em suma, como dito, versões dos arcades, consoles (SEGA Mega Drive, Sega 32X, SNES e PlayStation) e portáteis (Game Boy, Game Gear, Game Boy Advance) dão as caras aqui. Uma pena que Shaolin Monks, a versão de Nintendo 64 de Mortal Kombat Trilogy e Mortal Kombat 4 Gold, de Dreamcast, não estejam presentes.

Os problemas do modo online
A forma que a gente experimenta jogos de luta – e qualquer outro gênero que contenha multiplayer, no geral – mudou ao longo do tempo. Hoje em dia é muito mais fácil as disputas acontecerem explorando o modo online do que o competitivo local. Aqui o online conta com rollback netcode para diminuir o input lag das batalhas, por conta da qualidade da conexão.
De toda forma, apesar das promessas de melhorias contínuas pela Digital Eclipse através de atualizações futuras, o online de Legacy Kollection, atualmente, é muito problemático e com poucas opções de customização. A única opção presente é a de disputa rápida, sem a possibilidade de criação de salas ou a de gerenciar um leque de títulos presentes para as disputas.

Em MARVEL vs. CAPCOM Fighting Collection: Arcade Classics e Street Fighter 30th Anniversary Collection, por exemplo, podemos escolher os jogos para busca de adversários online. Quem chegar primeiro dá início a luta. Em Legacy Kollection, no entanto, nesse momento, o máximo que podemos escolher é a região de busca por adversários e sua qualidade de conexão.
No geral, a busca por oponentes é burocrática. Temos que acessar jogo a jogo até conseguir encontrar um e não há crossplay. Achar um adversário, em qualquer título da coletânea, nesse sentido, é uma missão quase impossível, no Nintendo Switch. Assim, pouco importa terem adicionado rollback netcode, já que não tem com quem disputar. Salvo isso, há um input lag nos controles, principalmente se ativarmos os filtros, que diminuem as precisões dos movimentos, mesmo em disputas locais.
Um resgate histórico
Uma característica dos jogos mais antigos da franquia são os segredos ativados por códigos ou sequências de comando nos controles, tal qual o Konami Code. Todos os jogos de Mortal Kombat, dessa época, contavam com segredos desbloqueáveis por algum desses meios.

Os jogos aqui emulados permitem fazermos essas sequências clássicas ou habilitarmos, no menu do jogo, o desbloqueio deles, tal qual fatalities, com um só botão; habilitar um personagem ou adversário secreto e por aí vai. Há ainda a possibilidade de desativar o tempo para a sequência de finalizações (Fatalty, Friendship. Brutality, Animality, Babality), treinar golpes, combos e fatality, colocar os comandos dos movimentos especiais na tela, customizar controles, escolher a dificuldade dos jogos, habilitar filtros e tamanho de tela, ou retroceder no tempo caso a disputa não nos seja favorável.
A coisa mais interessante de Legacy Kollection, no entanto, se encontra no modo A Kripta. Aqui nós temos um rico material documental que narra, com detalhes, seja em vídeos, entrevistas, pôsteres, manuais, músicas e artes conceituais, todo o aspecto criativo do desenvolvimento de cada um dos jogos e a respectiva história dos personagens. Explorando esse material, por exemplo, descobri que a versão estadunidense de Mortal Kombat II (e outros), para o Mega Drive (Genesis), diferente do Brasil, contava com um manual de instrução que detalhava não só golpes especiais dos personagens, quanto suas respectivas finalizações.

Vocês tem noção que em um momento pré-YouTube, descobrir essas sequências rolava na dobradinha “tentativa e erro”, olhando em revistas ou trocando ideia com os coleguinhas? O documentário segue uma ordem cronológica, dividida em capítulos, explorando os acontecimentos que antecederam o lançamento do primeiro jogo, em 1993, até a sua transição para o mundo 3D. Um resgate histórico!
Um documentário interativo
Como jogo, Mortal Kombat: Legacy Kollection poderia trazer mais novidades e melhorias, porque — por mais que me doa dizer isso — é um produto do seu tempo. A emulação dos jogos encontra alguns problemas técnicos que podem ser corrigidos a longo prazo (visual, input lag, IA etc) assim como o modo online, que foi o que mais me decepcionou nesse jogo. A escolha de títulos também poderia ter sido mais criteriosa e robusta.
Apesar de servir, ao menos pra mim, pra saber o quão problemático é Mortal Kombat: Mythologies: Sub-Zero, por exemplo. Não me entendam mal, é super importante ter esses jogos, de forma oficial, nos consoles atuais. Mas, dado os problemas que enfrentei, no fim, o ponto mais alto dessa coletânea, ao menos nesse momento, é o fato de ser uma espécie de documentário interativo. E, pra mim, está tudo bem!
Prós:
- Um incrível trabalho documental;
- Revisitar jogos clássicos.
Contras:
- Problemas na emulação dos títulos;
- Ausências na Koletânea;
- Modo online problemático.
Nota
7,5
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