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Desenvolvedora: Hyde, Idea Factory
Publicadora: Aksys Games
Gênero: Otome Game
Data de lançamento: 26 de março de 2026
Preço: R$ 269,59
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Aksys Games
Revisão: Davi Dumont Farace
Otome Daoshi -Fighting For Love- é a mais recente obra da Otomate a ser publicada no Ocidente pela Aksys Games. Com inspiração chinesa e um contexto que mescla disputas de artes marciais e o sacerdócio taoísta, a obra nos coloca no papel de uma jovem garota que acaba se envolvendo com belos e fortes rapazes após um torneio ser interrompido por um misterioso incidente.
Uma sacerdotisa-em-treinamento e um reino de artes marciais

Otome Daoshi nos coloca no papel de Shunlin, uma daochi-em-treinamento do reino de Kayu que, sob o comando do rei Luojin, tem como principal valor a força. Como parte de suas tradições, temos o popular Torneio da Bravura (Tournament of Valor) que é realizado frequentemente para definir quem é o mais forte do reino.
Desta vez, o melhor amigo da protagonista, Haoran, decide participar da disputa, fazendo com que a dupla e seus respectivos mestres viajem para o local do torneio. Por lá, Shunlin acaba conhecendo outros rapazes e reencontrando um velho amigo chamado Yuhang.
Infelizmente, antes do fim do torneio, um grave incidente acontece, forçando os membros do governo a postergarem a realização das quartas de finais. O assassinato de guerreiros de Kayu e o surgimento de criaturas chamadas jiangshi (cadáveres reanimados como “zumbis chineses”) faz com que nossos personagens centrais busquem entender melhor o que está acontecendo.
Rotas e carisma

Após uma introdução do contexto acima na breve rota comum, o jogo permite escolher entre três potenciais interesses românticos, com outras duas opções sendo desbloqueáveis. As opções incluem Haoran, que é como um irmão para a protagonista; Yuhang, um amigo de infância que sumiu e age de forma tsundere; e Shaowu, um poderoso guerreiro de poucas palavras. Além deles, temos também como desbloquear as rotas do elegante Longli, que trabalha para o governo de Kayu, e um outro personagem que serve como “rota verdadeira” para amarrar as pontas da história.
A variedade de personalidades dos rapazes é interessante e eles possuem forte carisma, além de dinâmicas divertidas com a protagonista. Os grandes destaques da obra, porém, são a própria Shunlin e o misterioso Shiyu que age e conversa de forma extravagante com muita frequência.

Shunlin é uma garota divertida e frequentemente usa suas habilidades como daochi durante a história. Tão ativa quanto os rapazes, ela também demonstra sua fragilidade e emoções de formas que são compreensíveis e geram empatia. Por exemplo, a garota se preocupa em mostrar seu valor como parceira, mas também sabe a hora de brincar e até sente uma atração física intensa por Shaowu.
Essas camadas fazem da personagem uma excelente protagonista, cheia de vida e com o vigor necessário para participar da história em vez de ser apenas levada pelos rapazes. Em contraste, Shiyu é um personagem profundamente teatral cujos excessos são perfeitamente trabalhados pela voz de Jun Fukuyama e pela tradução de Alexandra Owen-Burns que apresenta muito bem as variações de personalidade de cada um. Até mesmo erros de digitação foram menos comuns do que o usual no jogo.
Estilo e qualidade de vida

Outro fator que pesa para fazer Otome Daoshi extremamente interessante é a sua estilização. Os elementos de interface são cheios de cor, geralmente usando azul e laranja em bordas e outros destaques, e os ambientes e as vestimentas dos personagens possuem clara inspiração na China Antiga.
Um ponto interessante é que cada capítulo é pensado como se fosse uma obra televisiva, tendo marcação de “próximo episódio” a cada término para dar um gostinho do que está por vir. Além disso, momentos-chave da trama são apresentados como se fossem um mangá, dando ainda mais detalhamento ao fluxo de ações e às reações emocionais dos personagens.

Em comparação com alguns outros jogos do gênero, porém, é importante ter em mente que Otome Daoshi tem poucas cenas de casal com momentos de beijo. Porém, isso não significa que não há um desenvolvimento de intimidade nítido nas CGs, que geralmente trabalham bem a proximidade e o afeto. Além disso, a sensação geral é a de que as tramas poderiam mostrar mais dos casais e ter um desenvolvimento um pouco maior.
Vale destacar que, como já é esperado da Otomate, a obra conta com vários aspectos de qualidade de vida úteis. Além de skip, auto e log com possibilidade de voltar a momentos lidos anteriormente, temos a função de pular até a próxima escolha ao rejogar e o sistema de capítulos para rapidamente explorar trechos já lidos novamente com valores diferentes de afeição. No lugar do dicionário de termos, a obra também apresenta alguns dos termos-chave da ambientação em forma de mangá educativo, o que é bem detalhado e agradável de conferir.

Na galeria, é possível rever CGs e os mangás especiais de cada personagem, além dos vídeos de abertura e encerramento e as músicas. Também é possível ajustar a velocidade dos textos, o volume das vozes dos personagens e da música, tendo até opção para eliminar as “prévias de episódio” caso o jogador não goste desse elemento e queira mais agilidade.
Uma obra imperdível

Otome Daoshi -Fighting For Love- é um otome game com um contexto chinês curioso e personagens bastante carismáticos. Com uma trama ágil e de excelente leitura graças ao esforço de dar vozes únicas para cada personagem, a obra carrega também uma estilização única em seus aspectos visuais, se destacando no gênero. O resultado final é francamente imperdível.
Prós:
- Ambientação chinesa mística bem curiosa;
- Personagens carismáticos com especial destaque para a protagonista;
- Estilização única que abusa de cores e da representação oriental;
- Os já tradicionais elementos de qualidade de vida da Otomate.
Contras:
- Poucas cenas para mostrar os casais mais desenvolvidos.
Nota
9
