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Desenvolvedora: Ryu Ga Gotoko Studio
Publicadora: SEGA
Gênero: Luta
Data de lançamento: 26 de março, 2026
Preço: R$ 109,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela SEGA.
Revisão: Davi Sousa
A SEGA AM2, com Virtua Fighter (1993), foi a responsável por transportar as dinâmicas dos jogos de luta para o mundo 3D, apresentando gráficos poligonais bem no auge do charmoso estilo pixel-art.
Criado por Yu Suzuki, o jogo conta com algumas alterações – salvo o visual – em comparação a títulos como Street Fighter 2, apesar de, em essência, manter muito das bases estabelecidas no gênero. Os comandos foram “simplificados” (e atente-se para as aspas aqui). Os estágios se transformaram em arenas. Os adversários, se arremessados para fora, perdem o round. A movimentação é multidirecional e o combate é muito mais cadenciado.
Se Street Fighter abriu caminho para jogos como Fatal Fury e Mortal Kombat, é seguro afirmar que VF pavimentou o caminho para títulos como Soul Calibur e Tekken, popularizando jogos de luta em arenas tridimensionais. Virtua Fighter 5 REVO World Stage é a versão definitiva (e remasterizada) do jogo lançado, originalmente, para os arcades no já distante ano de 2006, e que está chegando agora para o Nintendo Switch 2.
Ué, cadê a história

Um dos maiores problemas de Virtua Fighter 5 é a ausência de uma boa história. Quero deixar claro que não esperava algo cinematográfico como a campanha dos títulos mais recentes da NetherRealm (de Mortal Kombat), mas é decepcionante, ao final do modo Arcade, depois de enfrentar Dural, não rolar nem mesmo uma cutscene ou alguma imagem estática que mostre um desfecho para o personagem selecionado.

Para todos os efeitos, esse Virtua Fighter é muito enraizado em sua essência arcade. REVO World Stage conta com dezenove personagens. A trama se resume a reunir lutadores de diferentes estilos marciais em um grande torneio mundial de luta. No processo, os organizadores do evento coletam dados dos competidores para o Projeto Dural. Mas, infelizmente, a lore dos personagens e suas motivações não são explicitadas.
O World Stage
Há pouquíssimos modos de jogo em Virtua Fighter 5. O modo mais interessante para o público mais casual é o World Stage, que consiste numa série de desafios (trezentos e vinte e seis, para ser mais exato) contra avatares de jogadores reais controlados pela CPU. Além de vencer os adversários, devemos também cumprir certos objetivos, como escapar de arremessos, se recuperar de quedas e por aí vai.

O World Stage é dividido em estágios chamados de cabines. Conforme avançamos pelas cabines, além de subir de nível, a dificuldade vai aumentando. Como recompensa, desbloqueamos itens cosméticos que possibilitam mudarmos a aparência dos nossos personagens. Uma pena que as melhores opções de customização – como a possibilidade de aplicar uma skin de personagens do jogo clássico de 1993 ou da franquia Yakuza – só esteja disponível via DLC pago.

Ainda nos anos de 1990, a SEGA havia lançado uma espécie de crossover que reunia personagens de Virtua Fighter e Fighting Vipers, chamado de Fighters Megamix. Os segredos e personagens (dos mais loucos e variados possíveis) eram desbloqueados conforme a gente jogava. O ponto que me fez ir longe no tempo citando FM é que, para mim, faltou um pouco disso nesse “novo” Virtua Fighter.
Não precisava, necessariamente, lotar o título de modos de jogo, mas muita coisa poderia ser desbloqueável conforme fossemos jogando, aumentando o nosso tempo com o título. Infelizmente, até mesmo artes conceituais, arquivos de design, conteúdos extras diversos como trilha sonora, que me provocaram uma nostalgia gigante de quando jogava Virtua Fighter Remix no meu Sega Saturn, só estão disponíveis se adquiridos à parte.
Pensado para o competitivo

No menu principal, há um destaque desmedido para partidas online, deixando claro o foco aqui: o competitivo. O online é super competente – apesar de um pouco vazio – e conta com rollback netcode para minimizar problemas de lag. Nesse modo, podemos desfrutar de partidas ranqueadas, entrar ou criar salas customizáveis, filtrar oponentes por localidade, nível, qualidade de conexão e jogar com adversários de outras plataformas. Esse último, inclusive, foi primordial para que eu pudesse testar o modo de jogo.
Como dito na nota introdutória, os comandos aqui são simplificados. Há um botão para chute, soco, defesa e agarrão apenas, mas isso não quer dizer que o gameplay é simples. Há, nesse sentido, inúmeras combinações de botões à nossa disposição, que permitem diferentes ações com cada personagem. Dominar as sequências de combo é, ao mesmo tempo, gratificante e desafiador. Para todos os efeitos, VF é um dos jogos de luta mais técnicos que existem. Assim, dada certa complexidade em relação à curva de aprendizagem – por mais que haja uma área de treino com tutorial – e os poucos modos presentes, jogadores mais casuais podem não enxergar nele um atrativo.
Performance e visual no Switch 2

Essa versão de Virtua Fighter, feita em parceria com o Ryu Ga Gotoku Studio, utiliza o motor gráfico da série Yakuza, o Dragon Engine. O resultado, obviamente, não é ruim, mas entrega se tratar de um título com uma bagagem de vinte anos nas costas. Tecnicamente, no entanto, REVO World Stage se sai bem no Nintendo Switch 2. As telas de carregamento são rápidas, o framerate é estável e a resolução mira os 1080p. Minha única queixa, nessa parte técnica, é com os efeitos sonoros do jogo e o voice acting dos personagens, que soam como abafados.
Jogando no modo portátil, apesar dele performar muito bem, eu enfrentei alguns problemas com os controles, mas isso é algo que enfrento em qualquer jogo de luta: não consigo jogar com o D-pad do Joy-Con ou usando o analógico. Acho desconfortável. Se você quiser jogar com um mínimo de domínio nos controles, sugiro jogar com um Pro Controller, seja com o console plugado na TV ou em modo semiportátil. Uma outra coisa que aconselho fazer é abusar da possibilidade de remapear os botões do controle. Ajuda muito na experiência.
Conjunto da obra
É pessoalmente trágico, pra mim, ver que a série Virtua Fighter não alcançou o nível de popularidade de jogos como Street Fighter, Mortal Kombat e Tekken. Digo isso como alguém que curtiu muito, na época, o início da franquia. Nesse sentido, Virtua Fighter 5 REVO World Stage funciona como uma forma de reavivar a marca e apresentá-la a um público mais amplo. Essa ideia talvez possa ser corroborada pelo anúncio recente do novo título. Não estou dizendo que jogar VF5 seja uma experiência ruim. Só que poderia ser algo muito melhor do que é.
Prós:
- Customização dos personagens;
- Online com rollback netcode e crossplay são muito bem-vindos;
- Apresenta boa performance técnica no console da Nintendo.
Contras:
- Muito pouco conteúdo disponível;
- Sem modo história;
- Contempla apenas jogadores do cenário competitivo;
- Problemas de som no Nintendo Switch 2.
Nota
7
