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Desenvolvedora: Statera Studio, Wired Dreams
Publicadora: Nuntius Games
Gênero: Ação | dash and slash
Data de lançamento: 11 de junho, 2026
Preço: R$ 24,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Nuntius Games.
Revisão: Lucas Barreto
Arashi Gaiden é um “dash and slash” produzido em uma parceria dos studios Statera Studio e Wired Dreams, sendo publicado pela Nuntius Games.
No jogo, controlamos o ninja Shinji Arashi na sua missão de recuperar relíquias poderosas que foram tomadas de assalto pela Matilha, uma organização criminosa que domina o submundo japonês. Os acontecimentos do game têm como palco o mesmo mundo de Pocket Bravery, sendo um jogo que expande a lore de personagens do núcleo oriental de personagens.
Então resta responder: o quão satisfatório é fatiar vilões enquanto se salva o dia?
Um ninja cheio de recursos
Diferente do seu xará de Neon Genesis Evangelion, Shinji, de Arashi Gaiden, é um personagem pragmático e focado. Apesar do seu passado guardar cicatrizes, o seu foco no presente se reflete até na jogabilidade do jogo, que apesar de se adaptar às capacidades do jogador mais lento, brilha quando você alinha velocidade e objetividade. Basicamente, o comando principal do personagem faz uso do direcional (tanto o digital D-Pad quanto o analógico) para direcionar o caminho dos ataques, ficando a cargo dos botões XABY a ativação de poderes auxiliares obtidos ao longo da campanha.

Caso o jogador derrote todos os inimigos sem que a sequência de abates seja perdida, você consegue a maior classificação possível da fase, que se divide em pequenos trechos. Quanto melhor você for em cada estágio, melhor será a sua avaliação final, no melhor estilo Devil May Cry. Caso o seu reflexo não seja dos melhores, como o do redator que vos fala, existe a possibilidade de revisitar as fases já superadas em um outro momento, então pode fica tranquilo. Também, não há a exigência de cumprir de forma rigorosa as fases para se prosseguir na narrativa, com o score existindo com o intuito de motivar a fazer bonito.

No canto direito da tela pode ser vista uma barra de etapas até os chefes das fases, e aqui é mais um ponto onde a jogabilidade brilha. Afinal, os tais oponentes são inventivos e desafiantes, fazendo com que o jogador tenha que se adaptar à forma como vinha jogando até então ao ritmo do novo desafio que se apresenta. Apesar dos desenvolvedores informarem uma média de 5 horas de conteúdo, um jogador mediano terá uma média bem maior que a prevista.
“Eu trabalho nas sombras para servir a luz”
Arashi Gaiden lembra os jogos dos anos 80-90 ao apostar muito no seu gameplay para fisgar a atenção do jogador. Enquanto se avança no jogo e novas habilidades são adquiridas, é impossível não se pegar imaginando em novas formas de terminar os estágios onde a performance foi aquém da desejada, e esse sentimento de investir o seu tempo em um jogo além do que é necessário para se zerar é um sentimento muito raro nos dias atuais, devido à enxurrada de opções no mercado. Ter jogos em que os adultos podem aproveitar em doses homeopáticas sem perder o fio da meada chega a ser um alívio e não cria aquela preguiça de embarcar em uma aventura prolixa e cheia de “barrigas”

As referências de cultura pop estão por todo o jogo, seja no design de personagens, ambientação e sound design. Normalmente consumimos obras de criadores de culturas muito diferentes, o que nos faz não estar tão ambientados assim. Em Arashi Gaiden tudo soa muito familiar, por conta da bagagem cultural de outro brasileiro ser muito mais familiar a nós do que alguém que não respira e vive a nossa cultura. Além de Evangelion e Wolverine, as referência, do jogo carregam muito de Kill Bill, com frames tão inspirados quanto o clássico do cineasta norte-americano.

O personagem principal, Shinji, tem muito da personalidade do nosso caro Logan. Ele é ciente das suas habilidades e não faz a menor questão de falsa modéstia. Tem a pressa de alguém que não tem muita paciência para conversinhas e não gosta de deixar nada inacabado, todo trabalhado no conceito de anti-herói carismático meio despretensioso. Se fosse para resumir a experiência em uma frase, bastaria-me em: “tudo bem direto ao ponto”.

Não pense, que por conta disso, que a obra é apressada ou desleixada, alíás longe disso! O nível de detalhe está em pequenas coisas, como a sua serviçal te cumprimentar após o persongaem se distanciar dela. A experiência com o jogo foi bem satisfatória, tanto no NS1 quanto no NS2. O único problema que tive, e que aconteceu apenas uma vez, foi ao retornar do modo de espera no Nintendo Switch 2, uando o jogo deu uma travada que me impedia de acionar os comandos. É o tipo de bug que é resolvido no primeiro ou segundo patch, mas que ainda vale ser pontuado.
Sem síndrome de vira-latas por aqui, Shinji é top!
O cenário de desenvolvimento de games brasileiro melhorou muito se compararmos com o início dos anos 2000, mesmo assim ainda existe um gap de investimento e valorização enorme para ser preenchido. Por conta do “senso comum” e de sequelas do neocolonialismo, é ainda persistente o vício que nos faz ver produtos estrangeiros de forma mais benevolente, fazendo com que bons títulos brasileiros passem despercebidos. O jogo que me fez superar essa percepção, por exemplo, foi Chroma Squad, belíssimo jogo por turnos que emula programas tokusatsu sob uma ótica tupiniquim.
Arashi Gaiden tem a mesma chance de realizar esse feito com outros jogadores brasileiros. A intro do jogo é cantada, com um rock bem “bacanudo”, com uma estética similar a uma abertura de anime. A jogabilidade é agradável e de poucos comandos, e mesmo que a dificuldade escale ao longo dos estágios, fica fácil entender que é só uma questão do próprio jogador se tornar melhor, e não que o jogo está se tornando artificialmente difícil. Apesar de ser uma obra que o ponto forte é a o gameplay, ainda existe uma história de fundo se desenrolando que vai sendo inserida para a loucura da jogatina não ficar massante.
Por conta de tudo isso, é impossível não recomendar a compra do jogo. Meu editor detesta que eu envolva questões de custo benefício de preço em relação à qualidade do jogo enquanto produto, mas aqui acho que ele vai deixar passar. A precificação do jogo é inversamente proporcional à sua qualidade. O preço original do game parece preço daquelas boas promoções sazonais. O seu tempo com o game vai ser prazeroso e por conta da portabilidade da familia de consoles Nintendo Switch é um jogo que você pode usar como divertimento tanto enquanto espera em uma fila quanto, e como eu, em uma viagem mais longa de ônibus durante aqueles engarrafamentos chatos. Viva os jogos BR, e joguem Arashi Gaiden!
Prós:
- Design dos personagens inspirado dá uma vida a um mundo obscuro, mas cativante;
- Jogabilidade de fácil aprendizagem mas que leva tempo para ser dominada;
- Fator replay muito bom por incentivar o jogador a rejogar as fases e conseguir melhorar a sua performance.
Contras:
- Travamento aleatório ao jogar no Nintendo Switch 2 quando o jogador volta do modo de suspensão.
Nota
9
