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Desenvolvedora: Egg Hatcher
Publicadora: Colorful Palette
Gênero: Simulação Social
Data de lançamento: 30 de julho de 2026
Preço: R$ 35,79
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PC, Mobile
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Colorful Palette.
Revisão: Lucas Barreto
Videogames conseguem dar ao jogador inúmeras possibilidades de cumprir as maiores fantasias da humanidade. Derrubar dragões, salvar a galáxia, sobreviver aos horrores cósmicos… e maior que todos esses, ser pai de menina. Os desenvolvedores sabem muito bem disso, pois nos últimos anos se tornou um clichê da indústria cultural, com histórias que tentam roubar uma lágrima dos jogadores e garantir prêmios de melhor narrativa no fim do ano.
Porém, a fantasia do pai solteiro não é algo novo, pelo contrário! O gerenciamento de uma criança pode ser identificado desde os textos históricos gregos, ou após uma curta progressão de tempo, os computadores de 16-bits. É muito mais fácil e divertido criar uma criança quando você pode começar de novo para traumatizá-la cada vez menos, ou apenas desligar o monitor quando você se cansar dela. Videogames são pura magia.
Volcano Princess é a lembrança de que, sim, ter uma criança pode ser muito divertido, especificamente quando você é responsável por tudo que ela faz. Mas isso também quer dizer que suas falhas são culpa sua, por isso você precisa que ela seja perfeita, forte, inteligente e carismática.
Sim, eu adorei o jogo. Não, eu não me arrependo de nenhuma piada.
Os Anos Dourados

O jogo começa com o personagem principal perdendo a esposa. Não se preocupe, não é tão melancólico quanto parece, já que ela deixou uma mini versão dela para o jogador cuidar. Dê um nome para ela, afinal você não vai chamá-la apenas de menina, escolha a data de nascimento e a sua – mesmo que o calendário interno do jogo seja mais baseado em gatilhos de história do que progressão do dia a dia. Agora, você deve ensiná-la conceitos básicos como: empatia, caridade, a arte da espada e outros valores indispensáveis.

Com o ciclo das rotinas no jogo, o tempo passará, e a menina irá crescer. O objetivo final do jogo é torná-la uma princesa ideal para o reino, seja ela uma governante que carrega a ordem pela espada, razão ou lábia; podendo ser honrada ou não. Será ela responsável por salvar o reino? Ou irá destruí-lo de vez? Dependendo de sua criação… incompetente, ela também poderá acabar por não fazer absolutamente nada.
É importante considerar que sua filha é uma criança, portanto ela irá refletir as suas ações e aprenderá não só com você, mas com todos com quem ela interagir e se expor. Interagir com lutadores irá fazê-la se interessar em se tornar uma cavaleira, enquanto que trabalhar com teatro deixará a garota versada no mundos das artes, ir à festas treinará sua capacidade social, entre outros.

Você tem muitas opções de como irá cuidar da menina, e até terminar uma run você irá aprender muito, e errará mais ainda. É semelhante a experiência de ser pai de verdade, embora você não possa jogar suas mágoas e falhas nela, já que estamos falando de uma obra de ficção, mas o que temos é o suficiente para sentir que temos um prato cheio de possibilidades e de conteúdo.
Receba inteligência
A jovem princesa tem vários atributos que podem ser melhorados, sejam primários, incluindo sua força, inteligência e carisma, ou secundários, como emocional, sua força, sua inteligência e sua imaginação. Eles são refletidos nas atividades que a garota consegue cumprir, os diálogos que pode ter e os desafios que ela consegue encarar no jogo.
Para aumentar os atributos de sua filha, será necessário gastar energia treinando e estudando. Energia pode ser recuperada algumas vezes ao dia com descansos e alimentação. Dinheiro no começo do jogo não será problema, porém se gastar de forma inconsequente, acabará se vendo gastando muito do tempo do jogo trabalhando.
O trabalho também é uma das formas mais explícitas de outra mecânica da princesa, que é a formação de Trevas em seu coração. Trevas definem a pureza em seu coração e a vontade da jovem de seguir suas ordens diretamente. As Trevas aumentam com escolhas que podem ser consideradas egoístas, más ou escolhendo trabalhos suspeitos na cidade.
Após gastar suas energias, será necessário fazer um cronograma de treinamento da garota. Escolher treinamentos apropriados para a capacidade dela, para não gastar turnos preciosos à toa, é um atributo interessante de gerenciamento. O cronograma irá aumentar os atributos da menina, assim como as atividades que utilizam energia, fazendo-a aprender técnicas novas para serem utilizadas em combate – mais sobre isso mais tarde – e aumentará a quantidade de pontos de amizade com NPC’s, conseguindo ativar eventos de interação. NPC’s são de muita importância para a progressão do jogo, especialmente NPC’s que podem acompanhar a Princesa em aventuras.

Espadas a postos
Além do sistema de gerenciamento da própria princesa, uma outra parte da jogatina é o combate em turnos. Simulando um RPG de masmorra bem rudimentar, não é exatamente a parte mais empolgante do jogo, mas também é uma das grandes parcelas de conteúdo que esse jogo possuí.
Independente da linha que sua princesa irá seguir, ela conseguirá participar dos combates, mas claro, seguindo funções diferentes no grupo, quem sabe organizando-os com sua carisma, ou usando sua inteligência para suporte. No meu caso, eu a ensinei sobre a gravidade, e que se ela deixar a espada descer em cima de um inimigo, ela tem o costume de cortá-lo ao meio.
Honestamente falando, sou muito exigente com a qualidade de um RPG de turno, e Volcano Princess é propositalmente simples. Enquanto jogava um RPG okay, só conseguia pensar em duas coisas: primeiramente, que não estava fazendo progresso com minha filha, apesar de literalmente estar, e em segundo lugar, que eu poderia simplesmente estar jogando um RPG melhor.

Apesar disso, pode servir como quebra-gelo caso o jogador passe um intervalo muito grande de gerenciamento e comece a se sentir um pouco cansado, mas não recomendo ir com muitas expectativas dessa parcela do jogo.
Bonito nos olhos do pai
Se fosse para dizer um ponto verdadeiramente negativo do jogo, apontaria os visuais. O estilo de arte dele é bem padrão de um anime shoujo, com corpos mais finos e olhos grandes. Isso por si só está longe de ser um problema: jogos desse gênero sempre tiveram um estilo de arte similar. O mesmo não pode ser dito das animações.
Os personagens têm animações robóticas, com seus membros se movendo como se fossem bonecos de articulação limitada. A quantidade de animações em si são minúsculas, e não é exatamente um foco do jogo, mas apresentações mais bonitas, nesse mesmo gênero, existem desde os anos 90, e acaba distraindo o jogador.

Além disso, a trilha sonora não é nada exatamente memorável, nenhuma música se destaca em minha cabeça de forma que eu queira escutar novamente, muito menos que me faça cantarolar enquanto escrevo sobre esse jogo.
Orgulho do papai
Volcano Princess foi muito agradável, entregando na medida certa o que faz os jogos mais velhos desse gênero serem tão agradáveis até hoje e conseguindo torná-los ainda mais casuais. Tratando-se de um jogo com essa estética e temática, eu considero isso um ponto positivo, apesar de saber que alguns discordariam comigo.
Dou destaque principalmente à quantidade de conteúdo do jogo. A simples ideia de ter três vertentes de como criar sua filha, além dos objetivos que o próprio jogador pode definir como pai, dão um fator replay muito grande para o jogo, especialmente com a ideia de que a personagem que você criou em uma jogatina pode terminar completamente diferente em outra, conhecendo outras pessoas, criando uma princesa completamente diferente.

Se eu recomendo Volcano Princess? Para aqueles que gostam de gerenciamento de números e tempo, aplicando um planejamento de forma que ele lentamente vá de plano à realidade, com certeza. Sempre foi assim que vi jogos do tipo, uma grande planilha do Excel, com uma garotinha que precisa ser cuidada. É a fofura que faz meu coração bater, ou isso ou as quantidades grandes de cafeína.
Prós:
- Oferece bastante conteúdo:
- Fácil e divertido;
- Alto fator de rejogabilidade.
Contras:
- Animações feias;
- Jogo de turnos medíocre;
- Vários bugs na versão de Nintendo Switch.
Nota
8,5
