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Desenvolvedora: Jump Over the Age
Publicadora: Fellow Traveller
Gênero: RPG Textual | Simulação
Data de lançamento: 25 de junho, 2026
Preço: R$ 100,76
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Fellow Traveller.
Revisão: Davi Dumont Farace.
Citizen Sleeper foi um jogo curioso de regressar. Em minha review original, destaquei que o título não me apeteceu do jogo que esperava, principalmente pelas linhas narrativas convolutas que, ao invés de ajudarem a criar uma unidade, mais parecem dar um ar de prolongamento à experiência.
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Talvez, em qualquer outro momento, as coisas poderiam finalmente ter se encaixado em minha mente. Talvez a escrita aparecesse de forma mais inspirada, a gameplay engajante e o universo convidativo. Contudo, mesmo com as melhorias do pacote para o Nintendo Switch 2, as coisas não andaram da forma esperada.
Recomeçando…
O grande ponto por trás do texto é que a Fellow Traveler lança, em junho de 2026, um upgrade para ambas edições de Citizen Sleeper. A melhor parte é de que se trata de um upgrade gratuito a quem já havia comprado os títulos anteriormente.

Não espere, contudo, qualquer conteúdo extra com essa edição: o upgrade se trata de um boost de resolução, chegando a 4K em TVs compatíveis, e de performance, com 60 quadros por segundo inclusive em modo handheld.
Todos esses pontos são muito bem-vindos, sem dúvida, mas não são elementos de outro mundo até pelo escopo do projeto. Citizen Sleeper é, afinal, uma franquia de jogos com base em texto, com fontes pequenas demais para serem aproveitadas na TV. E o grande diferencial se dá nos modelos 3D navegáveis onde encontramos os campos de ação, em que no lugar de valores de dado ou recurso conseguimos um resultado qualquer.
Nesse sentido, esse é o melhor momento para experimentar os títulos, especialmente com a tela maior do Switch 2. Algo que me incomodou em demasia no primeiro título foi o tamanho da fonte, mas a melhoria de resolução ao lado do aumento da tela não é um elemento irrelevante.
Por outro lado, a performance maior permite mais detalhes nos cenários, aumentando a imersão no mundo desses replicantes abandonados à própria sorte. Acredito que é isto que pode ser dito dos upgrades em comparação às versões originais de Switch 1.
Ciclo sem fim
Mesmo com o upgrade visual, Citizen Sleeper permanece o mesmo jogo, para melhor ou pior. Aqui, gerenciamos os ciclos de um sleeper, um replicante / andróide em um universo cyberpunk recheado de perigos. Vivemos em uma estação espacial colossal, buscando sobreviver a cada dia entre ameaças de grandes corporações e sujeitos que buscam se aproveitar de nossa situação de vulnerabilidade, sem recursos para nos vermos livres de nossas amarras.
O grande diferencial do título está no gerenciamento de recursos, sendo os valores atribuídos aleatoriamente de dados a cada ciclo o mais importante. Com cada vez mais ações possíveis e narrativas abertas em seções diferentes, precisamos gerenciar exatamente o que pretendemos fazer em cada ciclo, seja anguariando recursos ou evoluindo relacionamentos.

O que acreditava ser o grande problema ao jogar originalmente se manteve dessa vez, infelizmente. Primeiro, sendo um RPG textual, o primeiro pecado está na escrita. As descrições, reações e falas se tornam massificadas em um grande bloco de texto, com o visual de fundo sem mudanças consideráveis.
Citizen Sleeper, no fim das contas, não é nem um livro, em que um tom monocórdico é viável, nem uma sessão de RPG de fato, com a possibilidade de múltiplas vozes. Sendo um jogo, vários elementos devem ser utilizados para contar a história: música, modelos, animações, efeitos sonoros… recusando muitos desses elementos, temos um texto sonolento até pela ambientação geral.
Já no campo da escrita, Citizen Sleeper é incapaz de ir além do básico. Seu texto é trivial, com muitas interrupções pelo elemento “jogo”, como tutoriais, sendo arrastado, óbvio e sem empolgação. Imaginem se o texto de Ace Attorney não tivesse o ritmo imposto pelos efeitos sonoros e pelas músicas? Se uma sessão de RPG não fosse acompanhada pela voz do mestre dando ênfase em certos momentos? Eis o meu grande problema com a série, encontrada no primeiro título e repetida no segundo.
Alguma esperança?

Semelhante à minha conclusão da minha review original, devo apontar que, talvez, eu que não seja o público alvo do título, o que não é um problema em absoluto. Mas algo que venho notando com cada vez mais frequência é como, no mercado de jogos, estamos acostumados a textos ruins ou medíocres.
Por isso acredito sempre ser importante destacar esse ponto, especialmente em jogos com ênfase na narrativa. De todo modo, o upgrade vale à pena principalmente por ser gratuito, sendo a melhor oportunidade para limpar o backlog com um console da Nintendo.
Prós:
- Upgrade Pack gratuito traz boas melhorias, apesar da melhor estar associada ao modo TV, que é o menos recomendado para o título;
- Os cenários ficam mais vivos com a melhora do processamento.
Contras:
- Não há inclusões de conteúdos extras que poderiam corrigir ou melhorar elementos do jogo original;
- O título em si fica apagado por uma escrita ruim em cenários convolutos que mais cansam que empolgam.
Nota
6

