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Desenvolvedora: Monolith Soft
Publicadora: Nintendo
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 9 de junho de 2026
Preço: R$ 389,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia adquirida pelo redator.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Aos que iniciaram a leitura, eu faço a seguinte pergunta: vocês possuem uma série de conforto? Uma franquia de jogos, filmes ou literatura à qual vocês sempre podem voltar para tirar dela uma experiência que te faz bem? São poucos os casos nos quais eu ativamente diria que uma mídia é “meu conforto”, mas não dá para negar que Xenoblade Chronicles acabou se tornando a minha série favorita justamente por isso.
Com o anúncio das Nintendo Switch 2 Edition da trilogia Xenoblade, venho jogando os títulos em paralelo às várias análises e textos autorais que tenho feito para o NintendoBoy (um deles, inclusive, sendo um guia de Xenoblade). E, apesar de sempre ter defendido que eu seria a pior pessoa para fazer uma “análise não enviesada” da série, decidi tomar a decisão que quase ninguém de nossa equipe tomou e apenas comecei a escrever o que vinha à minha mente!
Entre a história, gameplay e adições que a Nintendo Switch 2 Edition dá ao primeiro jogo em seu remaster de 2020, quero que vocês acompanhem minhas palavras neste texto enquanto os guio por um mundo que eu estava predestinado a amar desde que conhecei essa trilogia. Sem mais delongas, vamos nos aventurar por Bionis, Mechonis e além, enquanto discutimos Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition.
“Você deseja mudá-lo? O futuro”

“Há muito tempo, o mundo não era nada além de um mar infinito, coberto por um céu sem fronteiras, indo o mais longe quanto pode ser imaginado. E então, dois titãs vieram à existência.” – Shulk, narrando os inícios de seu mundo no começo de Xenoblade Chronicles.
Baseado na premissa de pessoas que vivem nos corpos de deuses mortos, Tetsuya Takahashi pensou na ideia de Xenoblade Chronicles – então Monado: Beginning of the World, mas com uma mudança de nome para honrar trabalhos antigos do produtor. O jogo possui uma narrativa que gira ao redor de uma infinita guerra que os titãs Bionis, Mechonis e seus habitantes, Homs e Mechon, travariam por milhares de anos.
Muito tempo após a fatídica batalha entre Bionis e Mechonis, com apenas seus corpos servindo como o ponto onde toda a vida deste universo girava, controlamos Shulk, um jovem Homs cientista que estuda a lendária espada Monado, uma lâmina capaz de cortar os semi-indestrutíveis Mechon ao preço de possivelmente destruir o corpo de quem a usa, como vemos com um dos mentores de Shulk, Dunban. Ao levar uma vida feliz na pacata Colônia 9, a vida do protagonista e seus amigos muda quando os Mechon invadem o local, e dessa vez, preparados contra a Monado.

Seguindo uma voz distante que parecia guiá-lo, Shulk consegue usar, ativar e essencialmente controlar a Monado, que o garante o poder de ver o futuro e enfrentar os Mechon; uma ação um tanto fútil, considerando o estrago feito na Colônia. Armado com a espada e o poder de suas visões capazes de mudar o futuro, o jovem cientista e seu amigo Reyn começam uma jornada para o topo de Bionis, a fim de colocarem um fim à crescente ameaça dos Mechon e acabar com tudo de uma vez por todas.
A história de Xenoblade pode parecer um tanto direta, até seguindo uma estrutura mais linear; mas, entre viradas de enredo surpreendentes e revelações chocantes, essa história de vingança esconde uma narrativa que aborda temas mais complexos, como o preconceito que há entre as espécies que habitam os dois titãs e o legado deixado por uma guerra outrora esquecida. É difícil comentar sobre essa história sem entrar em mais detalhes, então recomendo que a experienciem por conta própria!
Igualzinho a um anime!
Tetsuya Takahashi é um nerd, um weeb e, acima de tudo, uma pessoa com certa cultura que a reflete nas obras que ele dirige ou produz. O jogador ou mesmo um espectador de uma gameplay média de Xenoblade pode notar um aspecto um tanto interessante na forma que a jogabilidade e a história se apresentam: parece um anime shōnen.
Seja na forma que os personagens gritam os ataques ao realizá-los ou na maneira que tudo na narrativa tem certo impacto a mais, a estrutura da franquia Xenoblade toma inspirações diretas tanto de mídias ocidentais, como Star Wars e 2001: Uma Odisséia no Espaço, quanto de animes em que a inspiração fica óbvia em certos momentos, como Evangelion e Gundam. Como dito no tópico anterior, a narrativa do jogo toma uma apresentação mais linear, mas são esses momentos mais dinâmicos que tornam as cenas de ação não apenas bem coreografadas, como também essenciais para a obra.
Farei um comentário um tanto controverso, no entanto, e vou apontar que muitas das técnicas ludonarrativas de Xenoblade funcionam porque o mundo e a história em geral são bons, enquanto os personagens muitas vezes acabam sendo breves passageiros dela – com este sendo um detalhe que prometo explorar depois. Você pode se conectar com a história de Shulk, Reyn, Melia e outros, mas creio que dificilmente serão seu ponto alto na experiência em geral.
— E por falar em “gritar nomes de ataques”, não podia faltar o obrigatório BORN IN A WORLD OF STRIFE!
Uma jornada por deuses mortos
O maior atrativo de Xenoblade Chronicles é o seu estranho mundo explorável, algo que é um padrão em todos os jogos (tanto mainline quanto spin-offs) dessa franquia. E com o primeiro jogo, temos o começo disso tudo: você precisa explorar dois deuses ENORMES em uma jornada para chegar até seu objetivo. Partindo da filosofia de “o que você vê, você pode alcançar”, Xenoblade em seu lançamento foi um dos maiores jogos no Wii!
Dos campos pacíficos da Colônia 9 e seus arredores às venenosas águas do Pântano Marsh e até mesmo a bela flora (heals an aching soul) da Floresta Makna, Xenoblade Chronicles surpreende não só na vastidão, mas na sua beleza gráfica também. O jogo possui detalhes muito bons e que, graças ao aumento de resolução da Nintendo Switch 2 Edition, estão ainda mais nítidos e belos para o olhar.
Porém o detalhe que mais dá a essência do primeiro Xenoblade e suas áreas é saber em que parte do corpo de Bionis ou Mechonis você está: as enormes colinas das Planícies Gaur? São parte de uma das coxas de Bionis! O enorme oceano do Mar Eryth? Faz parte da cabeça do titã! Enfim, são muitos exemplos.
Vale apontar, no entanto, que apesar da enorme vastidão, os jogos de Xenoblade NÃO SÃO considerados mundo aberto, pois possuem certa linearidade nas partes às quais o jogador pode ir ou não — um problema que X, o “spin-off” não possui, tendo quase todo o planeta de Mira liberado para exploração diretamente.
Os primórdios de um excelente combate

Xenoblade Chronicles é chamado de um “MMORPG single-player” por três motivos principais:
- O enorme mundo, que lembra de fato MMOs;
- A UI complexa que “só entende quem joga”; e
- Um combate que gira ao redor de ataques automáticos.
Focando nessa última parte, Xenoblade Chronicles possui o que eu gosto de chamar de “combate de ação misturado com ATB”. Pense em Final Fantasy XII, mas um tanto menos complexo: você controla um personagem em uma party de três (os outros dois são controlados pela IA do jogo) e precisa usar de posicionamento, papéis e ataques automáticos para atacar usando Arts — essencialmente, os golpes relevantes do jogo que vão carregando em uma barra após certa quantidade de tempo.
Arts podem vir de todos os tamanhos e formatos; algumas vão te dar vantagens ou causar debuffs nos inimigos, enquanto outras são capazes de puxar fatores negativos/positivos de outros membros, etc. Embora veteranos da franquia possam apontar que o título possui um combate que definitivamente envelheceu mais que os jogos futuros, Xenoblade 1 ainda tem um dos meus aspectos favoritos, que até foi levantado pelo meu colega, Luiz Estrella, quando eu revisitei esse mundo há poucos anos.
Cada um dos personagens do jogo possui uma gameplay ou estilo diferente — é algo com o qual o segundo jogo até tenta flertar, e o terceiro quase que abandona a ideia com a customização geral, então crédito onde o crédito é merecido! Reyn é um personagem focado em criar auras para gerar diversos buffs; Sharla é focada em atacar com um rifle que o jogador precisa tomar cuidado para não sobreaquecer; e Dunban é focado em evitar dano e atrair a atenção de inimigos, etc.




Vocês acham que acabamos de falar do combate e mecânicas do jogo? Bom… estão enganados.
Mais e mais mecânicas
Xenoblade Chronicles conta com diversas mecânicas paralelas que podem ser vistas durante uma gameplay geral; explicar o funcionamento direto desses conceitos e mecânicas não é difícil, mas ainda causa essa “estranheza” porque você está explicando algo que simplesmente “clica” com o jogador. Para facilitar o meu trabalho e continuar minha paixão por tópicos, irei resumir algumas das mecânicas extras que este jogo tem:
- Exp extra & Expert Mode: um aspecto fixo da franquia desde Xenoblade 2, o jogador consegue experiência bônus ao descobrir localizações, superar conquistas, fazer missões secundárias e enfrentar inimigos únicos; o Expert Mode é uma adição da Definitive Edition que permite não apenas gastar essa experiência extra para aumentar o nível dos seus personagens, mas, caso quiser, também abaixá-los.
- Afinidade & relacionamentos: dando uma ênfase em seu mundo, Xenoblade possui um Affinity Link que funciona tanto para os membros da party e suas relações entre si quanto para NPCs; dependendo da forma que diferentes personagens no grupo se relacionam na tabela de afinidade, mais vantagens em combate — e no próximo tópico — o jogador terá.
- Gem Crafting: armas e armaduras do jogo podem ser equipadas com partes especiais chamadas gemas. Estas são um dos fatores que mais podem fazer uma diferença no combate, além do aspecto de ver os números e estatísticas possíveis subirem; para criação de gemas, materiais específicos precisam ser coletados in-game e o processo pode depender tanto de sorte quanto da afinidade máxima que seus personagens in-party possuem.
- Combos de combate: o sistema de combate também conta com uma vantagem que o jogador possui quando enfrenta monstros — os combos! Baseado em um sistema de quebrar a defesa (Break) ☞ derrubar (Topple) ☞ para então, paralisar (Daze) o inimigo, Xenoblade Chronicles possui esse sistema de combos que está presente em todos os jogos da série; o primeiro, inclusive, deixa o jogador abusar um pouco da mecânica, sendo possível causar uma estratégia chamada por fãs de “Topple Lock”.
- Ataque em corrente: ao preencher uma barra específica durante o combate, os jogadores podem ativar algo chamado de Chain Attack: o esquema de combate funciona como um RPG por turnos no qual em nenhum momento é a vez de seu oponente, com ataques de combos garantindo o seu efeito prometido; vale apontar que a duração de um Chain Attack no primeiro jogo depende da tensão da party, de sua afinidade e os tipos de ataques que foram usados pelos membros da equipe em questão.
- Colecionáveis e Collectapedia: como um último tópico, Xenoblade apresenta vastas regiões e, em determinados pontos espalhados por elas, o jogador perceberá orbes brilhantes que são os materiais coletáveis do jogo! Estes, muitas vezes, servem para quests ou para preencher a titular “collectapedia” da área, essencialmente um álbum de itens; completar as categorias da enciclopédia de uma região dá ao jogador alguns bônus e itens exclusivos.




Encerrando este tópico, pode parecer que Xenoblade sempre está te jogando coisas para fazer, mecânicas novas para dominar ou até informações demais que você acha que vai precisar lembrar, mas, sendo alguém que não apenas jogou muito o primeiro jogo, como também defendo a ideia de a primeira entrada ser “inferior” aos seus sucessores, digo que são coisas que virão automático conforme a pessoa joga. Dito isso, algumas dessas mecânicas ficaram bem mais toleráveis nesta Nintendo Switch 2 Edition, o que me leva ao próximo tópico…
Jatos, performance e muito mais
Anunciada como um lançamento-relâmpago (ou shadowdrop, em inglês), a Nintendo Switch 2 Edition de Xenoblade Chronicles: Definitive Edition saiu no mesmo dia que o Nintendo Direct de junho deste ano — e qual cobrimos aqui. Durante a apresentação, eles introduziram quais seriam as diferenças desta versão, incluindo as mudanças de resolução e taxa de quadros pela qual a versão mesma passaria, além de uma adição exclusiva.
As mudanças são:
- Aumento de resolução e FPS máximo, de 540p30 (portátil)/720p30 (dock) para 1080p60 (portátil)/4K60 (dock);
- Novas roupas para os protagonistas usarem, desbloqueadas após concluir as missões de Grand Prix;
- Cenas heart-to-heart inteiramente dubladas, mantendo o elenco original (tanto EN quanto JP); e
- Os Ether Jets, uma forma rápida de locomoção por Bionis e Mechonis.
Embora a maioria das adições ao jogo possa parecer mínima, o Ether Jet em si resolve alguns dos meus problemas com o primeiro jogo, vindo do fato que eu o considerava “vazio demais” em alguns pontos e atravessar certas áreas se tornava um porre. Dito isso, também não é um elogio ao Ether Jet, pois ele vem com seus probleminhas…
Pego de surpresa, fui descobrir que a responsável pela otimização do jogo foi a Logicalbeat, a mesma empresa por trás do remaster de Baten Kaitos: Eternal Wings & The Lost Ocean e Baten Kaitos: Origins; apesar de defender que eles possuem, sim, um conhecimento na área de otimização e afins, o jogo desta análise sofre em alguns pontos por isso. O Ether Jet apenas piora alguns dos meus problemas com a performance de Xenoblade: usá-lo em áreas como a Floresta Makna ou Mar Eryth é pedir para que seu Nintendo Switch 2 possa entrar em combustão.

Mas esses problemas são pífios perto de alguns dos meus “tiques” contra o primeiro Xenoblade.
Problemas de um jogo de 2010
Pode parecer estranho reclamar de alguns problemas presentes em um jogo que já tem mais de 15 anos — um marco que, inclusive, celebramos no site com um texto sobre a franquia. Mas é um ponto que eu acharia ingênuo não comentar sobre, afinal, se eu defendo que os jogos posteriores da trilogia aprenderam com os erros de seus antecessores, eu precisaria reconhecer os erros, não?
Enfim, entre problemas de pacing e a já citada vastidão vazia dos mundos de Bionis e Mechonis, eu diria que o principal problema por trás de Xenoblade Chronicles está em sua escrita em determinados momentos. Já na reta final, o jogo constantemente te apresenta novas ameaças e as elimina na mesma rapidez; traições não acabam tendo o mesmo peso que em outros momentos, porque você não tem o tempo para processá-las; deuses podem aparecer como se tivessem saído do ar, etc.

Não posso me esquecer de mencionar do tratamento um tanto injusto que as personagens femininas passam durante a história, sendo muitas vezes deixadas de escanteio ou tendo momentos nos quais o foco delas está numa paixonite idiota por um membro masculino da party (sim, estou olhando para você, cena específica do Mechonis Core). Uma reclamação pífia perto das inúmeras qualidades do jogo, mas uma válida quando os jogos posteriores e até mesmo o X souberam trabalhar melhor o seu elenco feminino.
São esses e mais outros problemas que acabaram afastando pessoas próximas de mim desse jogo. E apesar de amá-lo, eu entendo isso.
Iniciando (o que seria) uma trilogia
“É o desejo de cada homem mudar o futuro, não é o caso?” Foi essa frase que me cativou por uma jornada de mais de 70 horas e foram essas palavras ditas por um Alvis em 1080p no Switch 2 no modo portátil que me fizeram voltar. Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition é o tipo de jogo que pode não clicar com algumas pessoas, mas, para aqueles com que de fato conseguir clicar, é uma das experiências mais únicas que terão em um JRPG.
Resumindo tudo, se você está livre, sem saber o que jogar e um dos jogos em seu enorme catálogo for Xenoblade porque você nunca conseguiu dar uma chance, vá em frente e abra essa porta. Garanto que, no final de tudo, você vai acabar indo atrás de mais experiências únicas que esses RPGs podem proporcionar — e se possível, espero que a mensagem central do jogo seja transmitida durante a experiência.
“Neste mundo, todos andarão para o futuro, com suas mãos dadas.” — Ontos
Prós:
- Um dos melhores JRPGs já feitos, agora com uma edição no Nintendo Switch 2;
- A adição dos Ether Jets no jogo traz um frescor nas áreas mais largas;
- Combate único que trouxe os conceitos que seriam aprimorados em jogos futuros;
- História e elenco de personagens marcantes;
- Alvis.
Contras:
- Quedas de FPS frequentes em certas áreas na NS2 Edition;
- Problemas de pacing em determinados capítulos da obra;
- Misoginia típica dos RPGs daquela era.
Nota
9,5
