Estudante de jornalismo com uma paixão enorme pela cultura do Japão e os jogos, em especial, os RPGs que o povo de lá produz. Sou redator e minhas Franquias favoritas incluem gigantes como Xenoblade Chronicles, Zelda e Mega Man.
Com múltiplas notícias deste tipo saindo recentemente, mais uma figura importante da indústria se pronunciou a respeito do avanço crescente da IA generativa na criação de jogos, Shigeru Miyamoto. O criador de Mario que, recentemente, recebeu o prêmio Ordem da Cultura no Japão, teve um pouco a falar durante o seu discurso na conferência realizada na sede da Nintendo.
O discurso foi separado pelo portal VGC, com uma tradução que vocês podem ver abaixo:
Nossa geração viveu por um período de rápido desenvolvimento de computadores – um tempo onde ferramentas estavam constantemente evoluindo, saindo de máquinas de datilografia básicas para máquinas de escrita mais complexas. No passado, por exemplo, designers eram ensinados a como criar letreiros bonitos para pôsteres; só de possuir essa habilidade já bastava para alguém ser chamado de “designer”. Mas, alternativamente, você poderia simplesmente pegar um design que já estava em modo no mundo afora, dar um “estilo japonês” a ele, e ainda assim ser chamado de “designer”.
Porém, conforme computadores e tecnologias avançam, as capacidades verdadeiras de cada designer, como seu senso de layout, finalmente começam a se demonstrar. Eu acredito que a IA generativa representa uma mudança parecida.
No processo, nós diferenciamos “criar” algo e o “esforço” envolvido nisto. Quando você se dispões a criar algo, você primeiro estabelece suas estruturas gerais, então começa a trabalhar sobre isso: com tarefas que seguem este passo, como preencher os pontos vagos de seu plano e refinar os detalhes de seu jogo.
A parte complicada é que este esforço pode ser bem divertido. Enquanto o ato de criação é inerentemente satisfatório, existe um perigo: o designer pode achar a satisfação no trabalho e acreditar erroneamente que um trabalho de alta qualidade foi criado. Nesse sentido, quanto mais a IA substitui essas tarefas, mais oportunidades existem para refletir no que é importante, o que eu vejo como um positivo.
Olhando para os designs passados, existem alguns que foram criados meramente por copiar e colar. Ainda assim, tais designs dificilmente duram com o passar do tempo; afinal, lhes faltam a intenção individual de cada design. Porque o processo depende da intenção de um indivíduo, com o computador servindo como um assistente ao seu trabalho.
Eu acredito que, conforme a tecnologia continua a evoluir, mesmo que a IA eventualmente seja capaz de lidar com tudo, sempre haverá um papel que nós [desenvolvedores] teremos para fazer.
Embora não diretamente antagonista ao uso de IA generativa como outros membros da indústria de jogos (como mais recentemente, o diretor Masahiro Sakurai), a visão de Miyamoto é um tanto otimista em um mar de demissões em massa crescente devido ao constante uso de vibecoding. É mais do que interessante ver o que o criador de Mario teria a falar sobre uma tecnologia que cada vez mais se torna controversa, e seu discurso certamente não deixa a desejar!
Sendo um péssimo jornalista e adicionando um comentário final enviesado, mas extremamente válido: É POR ISSO QUE ELE É O GOAT!