Revisão: Juliana paiva Zapparoli
Já é de conhecimento para muitos que o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time é um grande sucesso antes mesmo de ser lançado. Com a pré-venda esgotando em questão de minutos, fica bem perceptível o quanto a franquia da Nintendo é gigante, tanto no nicho de fãs da empresa quanto para o público geral.
Porém, assim como qualquer mídia gigantesca e cheia de produções diferentes entre si, existem aqueles jogos que não são tão lembrados pelo público, seja per serem muito diferentes do habitual ou porque são tão desconhecidos, que muita gente poderia até mesmo passar a vida sem nem saber que existiram.
The Legend of Zelda Oracle of Ages / Oracle of Seasons
Começando por jogos que, entre alguns fãs mais assíduos, são clássicos, porém, se levar para fora do nicho da franquia, muita gente nunca os jogou ou simplesmente não os conhece. A duologia Oracle saiu em 2001 para o Game Boy Color simultaneamente e conta histórias diferentes, porém que se conectam, não importando a ordem que você as zere.
Em Oracle of Seasons, Link é transportado para outra terra chamada Holodrum, onde ele conhece uma dançarina chamada Din (nome familiar) e sua trupe. Porém, não muito tempo depois desse encontro, o general das trevas Onox sequestra a moça, que na verdade é o Oráculo das Estações, e gera consequências terríveis na natureza, visto que, após o sumiço de Din, as estações começam a mudar de forma totalmente caótica.
Já em Oracle of Ages, a premissa é quase igual, porém, ao invés de ser transportado para Holodrum, Link é mandado para Labrynna pela Triforce. Lá ele conhece Nayru (um nome também familiar), que, dessa vez, é o Oráculo das Eras. Após o breve encontro do herói com ela, uma feiticeira chamada Veran possui o corpo de Nayru e viaja para o passado, usando os poderes do Oráculo para alterar a história. Assim, cabe ao nosso herói viajar através do tempo para salvar a moça, coletar as oito essências do tempo e restaurar a linha temporal à normalidade.

A gameplay dos dois jogos é bem similar, seguindo o estilo clássico de Zelda top-down, porém com algumas diferenças pontuais de acordo com a temática do jogo. Oracle of Seasons tem um foco maior em combate de ação do que o Ages, que é mais voltado para os puzzles. Além disso, a principal gimmick do jogo é diferente para ambos.
Em Oracle of Seasons, o principal item que Link usa em sua jornada é o Rod of Seasons, que permite que o herói altere a estação do tempo para resolver alguns puzzles no mapa principal para acessar certas áreas. Já em Oracle of Ages, o item central do jogo é a Harp of Ages, que, ao tocá-la, abre fendas temporais que permitem que o herói canhoto possa viajar entre o passado e o presente.
Uma coisa interessante em Ages é que muita coisa feita no passado terá consequências no presente e o jogador pode usar dessa lógica para resolver puzzles e acessar novas áreas no mapa. Outra gimmick legal presente nos Oracles é que, ao terminar um deles, o jogador recebe uma senha para usar no outro jogo, conectando assim as duas histórias, mudando eventos, transferindo itens e liberando, assim, o verdadeiro final.

Bom, depois dessa descrição, fica até difícil de acreditar que esses não são títulos populares da franquia, visto a variedade de mecânicas e, pelo menos para mim, são, sim, ótimos jogo que não merecem ser injustiçados dessa forma. Porém, eu consigo enxergar motivos para isso.
Algumas pessoas podem se afastar dos jogos por eles não terem sid internamente na Nintendo, mas sim por uma subsidiária da Capcom chamada Flagship. A questão de ter que comprar dois cartuchos na época para ter a “experiência completa” também pode ter afastado um pouco os consumidores, mas isso não muda o fato de que, hoje em dia, os jogos ão bem mais acessíveis, estando disponíveis oficialmente serviço Nintendo Switch Online.
Além disso, são mais dois Zeldas que merecem um remake, talvez nos moldes de Link’s Awakening, que também não era um jogo tão lembrado antes de receber a nova versão e ganhou mais público a partir disso.
Jogos multiplayer na franquia
The Legend of Zelda é mundialmente conhecido por ser uma franquia de games single player e as tentativas de trazer uma experiência para mais de um jogador na série são poucas, porém não inexistentes. A primeira tentativa da Nintendo foi no jogo The Legend of Zelda Four Swords que veio junto do relançamento de A Link to The Past para o Game Boy Advance em 2002 no Japão e nos EUA.

Anos após os eventos de The Minish Cap, o selo da espada Four Sword enfraquece e Zelda leva Link para verificar, porém Vaati escapa, quebra o selo e sequestra a princesa. Para salvá-la, o herói canhoto puxa a espada, dividindo seu corpo em quatro versões de si mesmo, assim como era no Minish Cap, porém, ao invés do jogador controlar as quatro ao mesmo tempo, dois a quatro jogadores controlam uma versão do Link por meio do Game Link Cable para resolver puzzles e avançar no jogo de forma cooperativa.
O motivo desse jogo ter sido esquecido na comunidade é bem mais aparente do que os dois jogos da saga Oracle. Embora seja uma ideia divertida, a logística para que o jogador tivesse a experiência completa era bem complicada. Era necessário ter de duas a quatro cópias do jogo, dois a quatro Game Boys Advance e cabos Game Links para conectar todos os jogadores.
Além disso, o jogo funciona de forma diferente dos demais Zeldas. Dessa vez, os quatro jogadores não terão que explorar a vasta Hyrule, mas sim passar por desafios em estágios lineares de puzzle cooperativo. O título também foi relançado de forma limitada e gratuita para DSi e 3Ds, que, inclusive, até permitia que o jogador pudesse jogar sozinho, com inteligência artificial implementadas nos outros Links; porém, por ter saído de forma bem limitada, muita gente nem sabe da existência dessa versão do jogo. Ao menos, hoje em dia, Four Swords pode ser jogado no Nintendo Classics de forma online, facilitando muito a vida dos fãs.

Não demorou muito até que Four Swords ganhasse uma continuação, dessa vez em um console de mesa. The Legend of Zelda Four Swords Adventures saiu em 2004 para Nintendo GameCube e vinha com uma proposta bem parecida do seu antecessor. A história do jogo começa quando Shadow Link sequestra a princesa Zelda e as seis donzelas do santuário em que a espada descansa, forçando Link a empunhar a Four Sword novamente e partir em mais uma nova aventura junto de seus clones.
Dessa vez, apesar do foco em multiplayer, o jogo tem um modo single-player onde o jogador controla os quatro Links ao mesmo tempo. Porém, para ter a experiência pensada pela Nintendo, são necessários quatro Game Boys Advance com um cabo para conectar esses portáteis no GameCube, para que eles possam ser usados como controle e uma espécie de segunda tela, sendo um caso bem parecido com o jogo anterior.
Four Swords Adventures também segue uma estrutura diferente dos demais Zeldas, assim como seu irmão mais velho, o que afastou os fãs mais acostumados com a jogabilidade clássica. O jogo também nunca foi relançado e até hoje está preso no GameCube, o que também pode explicar o esquecimento dele nos dias atuais.

11 anos depois, em 2015, a Nintendo decidiu apostar novamente em multiplayer na franquia, com o lançamento The Legend of Zelda: Triforce Heroes, que, dessa vez, não tem nada a ver com Four Swords ou The Minish Cap, mas sim com a era do Link de The Legend of Zelda: A Link Between Worlds. O jogo se passa no reino de Hytopia, um lugar onde a moda e o estilo são a prioridade para o povo.
A trama se inicia quando uma bruxa amaldiçoa a princesa do reino, Styla, a forçando a vestir uma roupa feia que é impossível de tirar. O rei de Hytopia se desespera e envia uma busca de três heróis que se encaixam na profecia do herói da Triforce, chegando assim em Link e mais dois garotos idênticos a ele. Desse modo, o rei os envia para uma aventura para derrotar a bruxa e quebrar a maldição.
O jogo foi projetado para jogar entre três jogadores, online ou localmente, passando por desafios cooperativos, porém, dessa vez no estilo de gameplay um pouco mais parecido com o Zelda top-down clássico. Apesar disso, a insistência dos devs em manter o jogo quase exclusivamente focado em multiplayer afastou muitos jogadores.
O modo single-player, no qual o jogador deve alternar entre estátuas do Link ao invés de inteligências artificiais, transformou a progressão na aventura lenta e maçante. Além disso, dependia sempre de três pessoas para funcionar corretamente, quando o jogo não estava travando graças ao online instável do 3DS.
Esse é, de fato, o mais esquecível entre os três na minha opinião, o que é triste, já que esse é o jogo mais recente da lista.

Link’s Crossbow Training
Este aqui foi tão esquecido quanto o Wii Zapper, acessório que justificou o título, tem como objetivo demonstrar justamente as funcionalidades do mesmo. O jogo se passa na Hyrule de Twilight Princess e Link deve treinar suas habilidades com o Crossbow, passando por vários testes de pontaria.
Link’s Crossbow Training usa controles de movimento, assim como a maioria dos jogos de Wii, como forma de mirar e o botão B do Wiimote para atirar as flechas. Além disso, também conta com multiplayer para até quatro jogadores e três modos de jogo, sendo eles o clássico Tiro ao Alvo; Defender, no qual Link deve acertar diversos inimigos vindo em sua direção antes que eles cheguem; e Ranger, o único em que o jogador pode movimentar Link livremente usando o Nunchuck para encontrar certo número de inimigos pela fase e derrotá-los.
No geral, é um jogo extremamente simples e sem nenhuma ambição de ser mais do que ele foi projetado para ser: uma “tech demo” do Wii Zapper e, a não ser que você queira ser profissional em crossbow e ter a melhor mira do seu bairro, não vale muito a pena.

Spin-offs do… Tingle?
Como se esquecer do Tingle, o homem quarentão que tinha como seu maior sonho se tornar uma fada que nos vende mapas em Majora’s Mask? Mas o que muita gente não sabe é que, por algum motivo, a Nintendo pensou que esse personagem fosse carismático o suficiente para sustentar não só um, mas quatro spin-offs.
O primeiro, Freshly-Picked Tingle’s Rosy Rupeeland, saiu em setembro de 2006 no Japão e em setembro de 2007 no Reino Unido e na Irlanda. No jogo, Tingle recebe uma proposta para morar em um paraíso chamado Rupeeland e agora, guiado pelo Uncle Rupee, o homem-fada deve coletar diversos rupees e jogá-los na Western Pool para ter acesso à cidade.
Um ano mais tarde, em 2007, saiu, apenas no Japão, Tingle’s Balloon Fight DS, um remake do clássico jogo de NES, só que, ao invés do Baloon Fighter, o homem-fada com roupas coladas é o nosso protagonista. O jogo tem três modos, sendo o principal o clássico Balloon Fight tradicional; multiplayer para até quatro jogadores; e um terceiro no qual o jogador deve desviar de obstáculos enquanto coleta rupees.
Dois anos mais tarde, quando todos pensavam que dois jogos do Tingle já eram mais do que o suficiente, a Nintendo lançou mais dois em um intervalo de dois meses. Em junho de 2009, foi a vez de Too Much Tingle Pack, pela bagatela de 500 Nintendo Points no DSiWare, e, em agosto de 2009, Ripened Tingle’s Balloon Trip of Love, para completar a quadrilogia de jogos principais do personagem.
Too Much Tingle Pack não é bem um jogo em si, pois ele conta apenas com algumas ferramentas, como calculadora, timers, uma cartomante, um minigame de cara ou coroa e um joguinho no qual o Tingle somente dança. Já o segundo sim faz jus ao nome da franquia, sendo este uma visual novel na qual Tingle compra um livro que estava em promoção na TV e vai parar dentro da história quando ele o abre.
Como se isso já não fosse aleatório o suficiente (TVs em Hyrule?), o homem de 35 anos conta com a ajuda de personagens inspirados em O Mágico de Oz em sua aventura para encontrar a princesa daquele mundo e dançar com ela, já que, aparentemente, essa é a única forma dele escapar.

Jogos de Satellaview
O não tão famoso acessório do Super Nintendo, Satellaview, que permitia que os jogadores japoneses se conectassem à internet via satélite para ter acesso a jogos exclusivos, revistas digitais e outros conteúdos, recebeu dois jogos da franquia Zelda.
O primeiro deles, BS The Legend of Zelda, começou a ser publicado semanalmente no Japão em agosto de 1995, e é um remake do primeiro jogo da franquia, porém com algumas diferenças pontuais. Uma delas é que o protagonista não é Link, mas sim o avatar do Satellaview, BS-X, que era baseado nas informações fornecidas durante a criação da conta no sistema.
Outra diferença é o tamanho do mapa, que teve a grade reduzida de 8×16 para 8×8. Além disso, e os gráficos atualizados, o mapa e as dungeons são um pouco diferentes, porém ainda mantendo a essência e pontos de referência iguais ao jogo original.
Porém, a maior diferença de todas na gameplay é um sistema de tempo que foi implementado. Em alguns momentos durante a jogatina, alguns eventos acontecem para facilitar ou dificultar a vida do jogador, como melhorias de poder ou os inimigos ficando mais fortes.

Dois anos mais tarde e, dessa vez baseado em A Link to The Past, o segundo jogo, que foi transmitido em quatro episódios semanalmente a partir de março de 1997, foi o BS The Legend of Zelda: Ancient Stone Tablets. O título tem uma história completamente original, que se passa após os eventos do clássico de Super Nintendo e o protagonista também é baseado no avatar do BS-X.
No jogo, após seis anos de paz em Hyrule graças a Link, Zelda vem tendo pesadelos recorrentes que pressentem o mal retornando ao reino. Porém, o herói foi embora de Hyrule e está impossibilitado de salvar o mundo desta vez, então, o jogador, por meio de seu avatar do Satellaview, é transportado ao reino para ajudar a encontrar as quatro Table Stones espalhadas pelo mundo com a ajuda da princesa Zelda e uma personagem original chamada Agna para impedir o ressurgimento de Ganon.

Game & Watch
Outro jogo que ficou esquecido na memória do público foi Zelda de Game and Watch, de 1989, no qual Link precisa passar por oito dungeons e reunir os pedaços da Triforce para resgatar a princesa Zelda dos dragões que almejam dominar o mundo. Apesar da premissa parecida com o primeiro Zelda, a jogabilidade se assemelha bem mais com Zelda II, porém, de forma bem mais minimalista, afinal, é o Game & Watch, um console que se parece bem mais com uma calculadora do que um videogame de verdade.

Conclusão do texto
Mesmo que a maioria desses jogos não sejam de fato ruins (alguns são até bem bons dentro de sua proposta), é fato que dificilmente eles receberão a mesma atenção que outros títulos da franquia. Em uma série em que sua concorrência por atenção são jogos que chegaram a mudar a indústria, revolucionando de alguma forma, como Ocarina of Time ou até mesmo o primeiro Zelda fez, muitos acabam ficando na sombra destes.
Apesar disso, são jogos que fazem parte da história da franquia e valem a pena serem experimentados, caso você seja um fã. Quando se trata de The Legend of Zelda, é muito difícil que um jogo seja ruim, visto que a régua de qualidade é bem alta, mesmo que ele fuja do padrão e não cumpra as expectativas que um jogo dessa série nos coloque por seu nome gigantesco na indústria dos games.
