Desenvolvedora: POLYGON BIRD
Publicadora: eastasiasoft
Gênero: Shoot ‘em up | Bullet Hell
Data de lançamento: 23 de setembro de 2026
Preço: R$ 69,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela eastasiasoft.
Revisão: Lucas Ferreira
BIRDCAGE se passa em um mundo onde a humanidade se separou entre duas facções opostas no espaço. Enquanto SELENE controla a Lua e o restante da Terra, RADON possui controle de uma colônia espacial chamada CAGE (claramente traçando paralelos com a história do Universal Century da série Mobile Suit Gundam).
As filhas de RADON haviam criado uma arma chamada WORLD-EGG que acabaria de vez com o reinado da Terra por SELENE. É nesse contexto que conhecemos a piloto da Halcyon, que desperta com uma voz ecoando em sua mente, ordenando a destruição da arma que representa a ruína da Terra.
Destruíndo o WORLD-EGG com força bruta

Estéticamente, BIRDCAGE vai se inspirar em jogos retrô, especialmente da era do PlayStation 1, utilizando pixel art somada a elementos 2.5D nos cenários de forma que remete a jogos dessa era, além de evocar bastante a memória do primeiro Metal Gear Solid em suas ilustrações e ligações que o jogador recebe de outros personagens no meio da fase. A UI do jogo também remete bastante a um visual de ficção ciêntifíca cyberpunk que era muito utilizado no início dos anos 90 e 2000, algo que lembra Serial Experiments Lain e principalmente Ghost in the Shell.

O mesmo sobre os gráficos pode ser dito também sobre o departamento de som, que soube evocar a iconografia visual do gênero e referências com maestria, digna de ir parar em uma playlist pessoal.
À primeira instância, os visuais foram o que mais me chamaram a atenção no jogo, já me convencendo a dar uma chance pro título mesmo não sendo uma pessoa muito versada no gênero, apesar do interesse. Mesmo com todo esse encanto pela arte do jogo, no fim das contas, o que me conquistou de verdade foi a sua jogabilidade desafiadora mas bem balanceada.
BIRDCAGE possui um teto de dificuldade alto, e caso o jogador seja iniciante em jogos do gênero shoot ‘em up, é extremamente recomendado que comece pela dificuldade mais fácil, que adiciona um escudo à nave, além de deixar mais brechas para desviar dos projéteis.

No jogo, também é bem difícil atingir pontuações altas. A nota máxima que consegui jogando na dificuldade normal foi um C, por exemplo. No entanto, senti que a progressão da minha habilidade com o jogo foi bem natural. Mesmo sentindo difículdade no fácil, logo minha progressão foi ficando cada vez mais suave, uma vez que fui aprendendo a melhor forma de desviar e eliminar cada inimigo, além de ir decorando o que cada fase iria apresentar em seu momento a momento.

BIRDCAGE vai representar a hitbox da nave a partir da luz que é emitida de seu corpo. Partes da nave que não são cobertas por essa luz passam direto por projéteis e não tomam dano. Apesar de ser uma janela bem pequena, o jogo vai ser realmente impiedoso na quantidade de inimigos e particulas que podem causar dano, oferencendo também janelas bem pequenas para evitá-los.
Essa abordagem faz com que o jogo requeira bastante precisão, pois uma empurrada no analógico um pouco mais forte ou mais fraca do que o necessário pode ser letal. Ainda mais considerando que Birdcage vai ser bem escasso em vidas extra e itens que aumentam a saúde da nave, podendo levar somente 3 ataques antes que seja destruída, com somente 1 vida extra por padrão. Na metade de cada fase, o jogo vai ofertar três bônus que o jogador deve escolher: uma vida extra, pontos de saúde a mais, e uma moeda que aumenta a pontuação na fase.

Ter uma boa noção da hitbox é crucial, visto que BIRDCAGE vai abraçar o lado mais bullet hell do gênero, enchendo a tela de particulas de dano inimigas, porém o mesmo pode ser dito para o lado do jogador, onde cada nave pode disparar quantidades avaçaladoras de projéteis. Cada nave vai possuir dois tipos de tiro, um espalhado e o outro concentrado: enquanto o tiro espalhado não impacta na movimentação da nave, o concentrado foca os tiros que sairiam para todos os lados em um lugar só, causando mais dano por segundo mas ao mesmo tempo deixando a nave mais lenda.
Encontrando caminhos entre projéteis
O modo história de BIRDCAGE pode ser terminado em pouco mais de meia hora, dependendo do nível de habilidade do jogador e quantas vezes será necessário repetir as fases. O que pode-se dizer a cerca da história do jogo é que ela é bem interessante, apesar de não ser nem de longe o seu foco, mas mais um aperitivo e algo que complementa a estética do que qualquer outra coisa.

A respeito de sua duração, além de poder ser terminado em cerca de 30 minutos, BIRDCAGE também possui apenas 6 fases, sendo um tanto quanto curto até mesmo para padrões dos gênero, que normalmente se apoia muito em rejogabilidade. O lado bom dessas 6 fases é que a sua idéia e os desafios lançados para o jogador não se tornam repetitivos de maneira alguma, no entanto, senti que ainda haviam formas de desafiar o jogador que não foram aproveitadas. Novos inimigos e desafios seriam muito bem vindos.

Para complementar a história, BIRDCAGE possui um menu de extras, onde é possível resgatar artes conceituais e informações que aprofundam a construção de mundo do jogo. Apesar de ser um conteúdo bem breve, é interessante pois permite ao jogo aprofundar o seu lore sem interromper muito a ação desenfreada do jogo e sem parar a narrativa para contar detalhes da história que não são necessariamente essenciais.

Além do modo história, o jogo também vai contar com um modo arcade, que retira completamente todas as cutscenes e ligações opcionais de personagens. Nesse modo também é possível escolher livremente qualquer uma das duas naves disponíveis, sendo estas Ceyx ou Halcyon.
Halcyon é mais rápida e possui como mecânica principal a espada, que precisa que a neve esteja perto dos inimigos para causar dano. A espada é atraída automaticamente para a direção dos inimigos mas pode também ser controlada pelo analógico da direita caso seja necessário. A espada some após uma certa quantidade de dano causado, mas antes disso, ela pode ser atirada para qualquer direção como um projétil.
Essa espada é bem divertida de se utilizar, sendo uma arma de alto risco mas que também dá alta recompensa, considerando que o dano causado é significativamente maior que os tiros normais, além de darem uma quantidade de pontos maior. Em contrapartida, Ceyx vai se mover mais devagar, mas no lugar da espada de Halcyon, consegue disparar mísseis teleguiados.

No modo história, Ceyx só é jogável em apenas um capítulo, o que de certa forma faz sentido, considerando que Halcyon foi realmente planejada como a nave princípal, com mecânicas mais interessantes e com um balanceamento de nível que faz mais sentido para as suas individualidades. No geral, senti que Ceyx era mais poderosa, mas bem menos divertida de se utilizar.
Ceyx também acaba representando uma jogabilidade mais tradicional, eliminando completamente a parte corpo a corpo do combate, o que também reduz parte do desafio e o que faz o jogo único.
Um bullet hell para todos inspirar
BIRDCAGE é o primeiro jogo desenvolvido pela POLYGON BIRD, exibindo bastante esmero, polimento e, acima de tudo, um conhecimento mecânico do gênero invejável para um estúdio de estreante, o que só aumenta minha empolgação para os próximos jogos do estúdio.
Prós:
- Bullet hell altamente estimulante, onde é praticamente impossível desgrudar os olhos da tela ou se distrair com qualquer outra coisa enquanto joga;
- Traz referências estéticas interessantes, remetendo diretamente a jogos da era PS1 em seus visuais e trilha sonora;
- Jogabilidade desafiadora com um alto teto de habilidade mas que ainda é intuitiva de se aprender.
Contras:
- Curto até mesmo para os padrões do gênero, podendo ser finalizado em por volta de 30 minutos;
- A segunda nave não é tão interessante quanto a primeira, sendo insuficiente para manter o jogador no jogo por mais tempo;
- Além do ranking, não possui muitas outras recompensas que encorajam a rejogabilidade.
Nota
8,5
