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Desenvolvedora: Otomate
Publicadora: Idea Factory International
Gênero: Otome Game | Visual Novel
Data de lançamento: 22 de setembro de 2026
Preço: R$ 99,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Análise feita no PC com cópia fornecida gentilmente pela Idea Factory International
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Essa review vai cobrir spoilers leves da rota comum de Cupid Parasite.
Desenvolvido pela Idea Factory, Cupid Parasite é uma visual novel de comédia romântica que está disponível no Nintendo Switch desde 2021 e, depois de anos, finalmente teve seu lançamento no Steam. Grande destaque no gênero otome pelos seus elementos de humor e mitologia greco-romana, o jogo equilibra cenários malucos e descontraídos com reflexões profundas sobre amor e afeto, tornando-o uma experiência envolvente do início ao fim — e agora finalmente abrindo portas para os jogadores que queiram aproveitar tudo que a visual novel tem a oferecer no PC.
A história gira em torno de Lynette Mirror, uma consultora de casamentos na prestigiada Cupid Corporation, em Los York. Apesar de ser uma das melhores em seu ramo, o que poucos sabem é que, assim como qualquer protagonista digna de um otome, ela guarda um grande segredo.
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A protagonista de Cupid Parasite é, na verdade, Cupido, a deusa do amor, trabalhando incógnita no reino humano após perceber que seu trabalho de unir os mortais não estava mais rendendo tantos resultados. Com a ajuda de sua tia Minerva, a heroína repara que isso se deve ao fato de que muitos hoje em dia já conseguem encontrar o amor por conta própria por meio das redes sociais; desse modo, Cupido toma a decisão de morar na Terra e viver como humana para entender por conta própria esses novos meios de conquista, provando assim ao seu pai que os métodos divinos de alinhamento amoroso precisam de um upgrade.
Adotando o nome de Lynette Mirror, ela se torna a principal consultora de casamentos da Cupid Corporation, a agência de casamentos mais bem-sucedida de Los York. Seu maior desafio e foco principal da história surge quando recebe de seu chefe a missão de garantir um par perfeito para os “Parasite 5” — um grupo de cinco solteiros excêntricos que, após muitos fracassos românticos, acabaram tornando-se o maior desafio de toda a empresa.
Logo de início, torna-se muito fácil detectar o porquê dos interesses românticos carregarem o título de parasitas: tirando o fato de serem fisicamente atraentes, todos são um fiasco absoluto e não possuem nenhuma experiência positiva com ninguém, romanticamente falando. Ryuki Keissain categoriza as pessoas por sua beleza (ou ausência dela), ignorando qualquer uma que não se encaixe nos seus padrões; Shelby Snail é um viciado em trabalho que acha válido deixar todas as decisões sobre sua vida amorosa nas mãos de seu secretário; Gill Lovecraft está tão apaixonado que não consegue focar em mais nada e mais ninguém; Raul Aconite não consegue passar 15 minutos sem fazer alguma referência sobre mitologia grega; e Allan Melville é um viciado em casadas.

Confrontada com a difícil tarefa de tomar conta desses esquisitões, a protagonista, mesmo dedicando tanto de seu tempo em ajudar os outros, percebe que não sabe tanto assim sobre o amor, já que nunca viveu um romance. Isso a torna uma personagem um pouco ingênua em alguns momentos (como quando não consegue perceber que certas pessoas estão clara e obviamente apaixonadas por ela), mas longe de a tornar alguém desinteressante. Sua personalidade é forte e, além disso, ela é muito esforçada no seu trabalho, impressionando de maneira positiva em alguns momentos da história com sua ousadia e senso de humor.
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A rota comum do jogo é bastante extensa (levei em torno de 10 horas pra concluir) e foca em todas as desventuras e momentos cômicos que Lynette enfrenta, servindo como uma base para a história progredir. No entanto, o desenvolvimento dos interesses românticos nessa parte é raso, já que, desde o início, a narrativa destaca todos os seus defeitos e resume os rapazes apenas àquilo, tornando alguns diálogos altamente previsíveis. Ao invés disso, é nas rotas individuais que suas personalidades verdadeiramente brilham, cada um tendo o seu momento para mostrar que são muito mais do que seus defeitos e encantando a protagonista (e a mim também).
A transição entre a rota comum e a rota de determinado personagem é definida através de um quiz de 14 perguntas que Lynette faz pelo computador. O resultado mostra qual é o seu tipo ideal de amor e é baseado na teoria do círculo cromático do amor, algo que eu nunca tinha ouvido falar antes. O jogo então determina quem será o interesse romântico mais compatível, sendo possível até não ser ninguém. Apesar de ser uma dinâmica que eu considerei divertida por ter me lembrado de quando eu respondia, na adolescência, a testes de “qual membro do One Direction combina mais com você”, sinto que faltou um pouco de claridade para determinar que rota seguir e qual o melhor final a se pegar.
Uma das mecânicas do jogo é um flowchart no qual podemos manter registro do progresso já feito, revisitar capítulos específicos para alterar escolhas e as possíveis ramificações que podem ser causadas na história, além de mostrar também se existem CGs para serem desbloqueados. Completar todas as cinco rotas disponíveis libera uma rota secreta, então o flowchart é bem útil para aqueles que quiserem fazer 100% do jogo ou pegarem todos os achievements, além de aumentar o valor de rejogabilidade.
Glamour em Los York

A arte, em todos os momentos, chama muito a atenção pelas cores vibrantes, o que pode ser um choque para alguns; no entanto, para mim, combinou muito com a estética do jogo, já que cada elemento é colorido e repleto de formas e listras marcantes que causam uma sintonia perfeita com o universo moderno e a cidade em que o jogo se passa.
Los York possui um charme e arquitetura que lembra muito os anos 50 e obviamente pega inspiração de Los Angeles e Nova York. A arte de fundo dos vários locais da cidade mantém a estética vibrante e colorida do jogo e traz uma sensação de energia e elegância aos lugares, refletindo bem a vibe de comédia romântica de Cupid Parasite.
A trilha sonora também casa perfeitamente com a estética proposta, apresentando músicas vibrantes e cativantes que conseguem ser emotivas e românticas nos momentos ideais. Além disso, cada Parasite possui uma música tema individual que reflete bem a sua personalidade.
Do primeiro encontro aos votos finais

Cupid Parasite é a prova de que nem todo otome precisa ser dramático e deprimente para entregar um romance com personagens envolventes e uma execução que definitivamente vai arrancar risadas de quem for jogar. Para os que não aproveitaram o lançamento no Nintendo Switch ou preferem a experiência de jogar no computador, essa é a oportunidade perfeita de usufruir de tudo que esse jogo tem a oferecer.
Prós:
- Direção artística impecável, com interface cheia de estilo que combina perfeitamente com o tom cômico e romântico da obra;
- História leve e divertida com diversos elementos de comédia, mas sem perder o foco no romance;
- Abordagem da mitologia greco-romana em contextos da atualidade traz um frescor único para a história.
Contras:
- Os diálogos e conflitos iniciais focam excessivamente nas falhas de cada Parasite, gerando previsibilidade nos diálogos;
- Mecânica de quiz para definir a rota dos pretendentes pode ser bastante confusa e pouco intuitiva.
Nota
9
