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Desenvolvedora: Lancarse
Publicadora: Square Enix
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 22 de outubro de 2026
Preço: R$ 284,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Square Enix.
Revisão: Davi Sousa
Ahh, gacha games. Um gênero que possui seus fãs e seus haters, mas, bem, que gênero não possui? Porém, uma tendência que infelizmente anda ocorrendo é ser muito difícil esses títulos continuarem no mercado, o que normalmente faz com que suas histórias, por melhor que sejam, vire lost media.
Contudo, há uma luz no meio disso, que envolve que a Square Enix anda fazendo recentemente. Apesar de seu nome parecer implicar que é um jogo completamente inédito, FINAL FANTASY RESONANCE na verdade nada mais é que um remake feito em HD-2D de Final Fantasy Brave Exvius, que esteve ativo entre 2019 e 2024. Assim como tivemos Octopath Traveler 0, este título busca trazer a história do gacha game em um novo formato.
Será que eles acertaram em cheio?
O perigo dos oito cristais

Nossa história começa com uma lenda: se os oito cristais elementais forem destruídos, o mundo logo vai junto. Por causa disso, cada um dos países possui um cristal, que conta com uma proteção. Um dia, no reino de Grandshelt, onde fica o Cristal de Terra, além de um selo que supostamente aumenta o poder mágico de alguém (vejo isso dando muito certo no futuro), nossos dois protagonistas, Rain e Laswell, saem para investigar um problema que ocorreu no Templo de Terra. Infelizmente, ao invés de resolver tal problema, eles encontram um cavaleiro das trevas que basicamente pega o Cristal de Terra e o quebra como se fosse um cristal da Temu.
É não é só esse cristal: todos eles estão sob risco de ser destruídos por um grupo chamado Sworn Six of Paldia. E com isso, Rain e Laswell começam sua jornada para prevenir que isso aconteça, para que a tal lenda não vire realidade e, no meio do caminho, responder a uma grande pergunta: quem são esses Sworn Six? E por que eles ficam repetindo que há muitas coisas que é melhor nem sabermos?

Eu achei a história em si muito boa. Já havia ouvido falar muito bem da história de Brave Exvius, e posso dizer que o Team Asano fez jus a ela, mas se eu tivesse que apontar só algumas falhas, diria que tem muita coisa que o jogo simplesmente introduz meio que do nada.
Você às vezes fica perdido, se perguntando coisas do tipo “como é que você sabe disso?” ou “isso foi explicado ou falado anteriormente?”. Tudo bem que são termos que a franquia Final Fantasy já havia utilizado no passado, mas às vezes eu achei que algumas partes poderiam ter sido melhor explicadas.
Porém, isso não quer dizer que a história deixa de ser engraçada. Tem várias cenas das quais eu dei tantas gargalhadas, e a trama tem seus momentos de emoção. Segundo a Square Enix, a história principal leva cerca de 40 horas para ser finalizada, e demora-se entre 60 e 80 para completar tudo que o jogo tem a oferecer.
Eu escolho você

Originalmente, algo que você podia pegar no Brave Exvius eram os cristais chamados de Visions, ou Visões. Cada uma dessas Visions consiste em uma projeção de algum personagem da franquia. Você consegue adquirir essas Visions pelos vários Sanctums que estão espalhados pelo mundo, e, ao tocar no cristal dentro dele, você receberá uns spoilers do jogo ao qual o personagem pertence… e responderá a três perguntas.
Infelizmente (ou felizmente?), olhando a lista de Visions no menu, eu só consegui ver que eles trouxeram apenas os personagens da franquia Final Fantasy. Então, sinto muito para quem esperava que eles fossem incluir a Katy Perry e a Ariana Grande… mas vamos concordar que aquela collab no gacha era tão bizarra que até hoje eu não sei como que os planetas alinharam, mas enfim.
Cada personagem possui uma categoria, e tecnicamente as Visions também, mas não há nada contra você pegar um personagem que é claramente pra ser um healer, e botar a Vision do Cloud, cheia de ataques de dano. O jogo te traz essa completa liberdade em como você quer fazer sua party, e bem, você não precisa gastar nenhum recurso a mais. Sério, responder as 3 perguntas passa nada mais de uma formalidade, não é como se o jogo vai te negar a Vision só por causa que você discorda de como o personagem foi na vida.
Encontro de inimigo aleatório em pleno 2026?

Se tem uma coisa que vai soar bem familiar, é o sistema de combate de Final Fantasy Resonance. Como se trata de um refeito pelo Team Asano, eu consigo ver muitas similaridades com o sistema de Octopath Traveler 0, com mudanças bem leves. Honestamente, é um sistema com o qual eu me senti tão confortável que o tutorial em si foi algo rápido e fácil de entender.
Cada inimigo possui uma barra amarela; se você a esgotar, o atordoa e começa uma fase bônus onde todo mundo da sua party tem mais um turno para atacar com a Vision que você escolheu, inclusive dando uma skill que… é bonita, mas eu acho que o vídeo pré-renderizado em 3D entra em bastante conflito com a arte HD-2D, ainda mais considerando que, no Switch 2, os vídeos possuem aquele problema clássico onde parece que fica tudo pixelado quando tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E até onde eu pude perceber, não tem como desligar essas animações. Você precisa apertar o botão “-” toda vez para skippar. É um pouco chato, mas não chega a ser algo tão ruim.
Há também tem personagens como a Fina, que são capazes até de chamar os Espers, deuses de Final Fantasy que lutam junto de você. E preciso contar uma coisa: durante minha pesquisa sobre o gacha game, eu descobri que a fanbase do jogo postou uma verdadeira fórmula matemática pra calcular a quantidade de dano que personagens e Espers dão, e… olhem isso:

Eu não faço a menor ideia se essa fórmula é utilizada da mesma forma dentro de Final Fantasy Resonance, mas eu adoraria imaginar um desenvolvedor do Team Asano indo à sessão de Mechanics da Wiki e ajustando o dano do jogo com base nessas fórmulas. Tá certo que não tenho provas disso, mas a comunidade de Brave Exvius não tava de brincadeira, viu?
Porém, aqui vai um dos principais problemas que eu tenho com esse jogo: o fato de que os inimigos que você enfrenta aleatoriamente aparecem. No minimapa, seu ícone fica pulsando verde no começo, e, à medida que você anda, ele começa a pulsar amarelo, depois vermelho… e pronto, você é colocado em combate. Ah, e tome cuidado, pois o jogo vai decidir se você ataca primeiro ou se o inimigo conseguiu “te surpreender pelas costas”.
Isso é especialmente chato em partes onde você tem que andar pela dungeon para resolver um puzzle, e toda hora vem um inimigo te interromper. Quero deixar uma coisa bem clara: estamos em pleno 2026. Pra mim, random encounter (ou encontro aleatório) é coisa do passado. Eu sei que há quem sente nostalgia, mas infelizmente não sou uma dessas pessoas.
Um título que celebra a franquia
Final Fantasy Resonance é um verdadeiro “título celebrativo”, que não só celebra e homenageia a era clássica de Final Fantasy como também traz a tão querida história de Brave Exvius em um formato que pode ser aproveitado por todos.
O trabalho e carinho que o Team Asano teve para trazer a história de Brave Exvius é bem evidente, e eu achei esse jogo uma maravilha. Sua história pode não ser perfeita, mas ainda assim, eu adorei cada momento, e olha… quando eu fui olhar o preço do jogo, fiquei bem surpreso, o que me faz recomendá-lo ainda mais.
Prós:
- História muito interessante, mesmo com seus garranchos;
- Personagens que são altamente flexíveis em combate;
- Cutscenes muito bonitas em HD-2D;
- Experiência offline sem microtransações, diferente do jogo original.
Contras:
- O encontro aleatório de inimigos é um pouco chato;
- Sem caminho de upgrade entre Switch e Switch 2.
Nota
8,5
