Desenvolvedora: Aurogon Shanghai
Publicadora: Modus Games
Data de lançamento: 25 de abril, 2023
Preço: R$ 73,99
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Modus Games.
Revisão: Davi Dumont
Sempre se calçando na simplicidade, jogos de plataforma 2D são figuras cativas na indústria de jogos eletrônicos já há muito tempo. É fácil fechar os olhos e listar um penca de bons títulos que são capazes de nos divertir horas a fio. Tenho certeza que você consegue imaginar alguns.
Dentro desse gênero, os Metroidvanias – em muito devido aos esforços de estúdios indies – possuem papel importante na manutenção desse tipo de jogo. A Aurogon Shangai, fundada em 2007, que conta em seu portfólio com uma franquia de RPGs chamada GuJian, resolveu se aventurar no desenvolvimento de um Metroidvania. O resultado foi o competente Afterimage, que chegou ao Nintendo Switch – e demais plataformas – no último dia 25 de abril.
Salve Engardin da corrupção

Logo no início nos é apresentado um pequeno lampejo da história de Afterimage. De forma resumida, um grande mal pairou pelo mundo de Engardin. Uma terra fantástica que, em seus momentos de glória, abrigava de forma harmoniosa seres humanos e criaturas mágicas, sob a proteção da Deusa.
Um paraíso onde a vida conflui pelo rio, garantindo à esses seres um eterno despertar. Um grande cataclisma, no entanto, interrompeu esse equilíbrio. A Deusa abandonou suas criaturas e a vida começou a definhar e a se corromper.
Não havia mais despertar e as almas se perderam. Porém, de forma misteriosa, uma jovem maga chamada Renee, sem muitas lembranças sobre o seu passado, conseguiu recomeçar o ciclo e despertar de seu sono.
Ela se vê ligada à uma tagarela criatura mágica chamada Ifree, que detalha a missão para a maga sem memórias. Juntas elas começam uma grande aventura: resgatar a mentora de Renee, recuperar as suas memórias perdidas e salvar Engardin da corrupção recuperando o seu equilíbrio.
Maior do que o devido

Uma das coisas que mais gosto em Metroidvanias é a simplicidade da narrativa. Alguns títulos não precisam nem de tantos diálogos para contar uma boa história. É algo que fica escondido nas entrelinhas e permite ao jogador formar sua própria opinião sobre aquilo que ele está experimentando.
Apesar da cena inicial de Afterimage nos indicar que teríamos algo nesse caminho, por conta do corte fragmentado e misterioso, a equipe da Aurogon Shangai, de forma desnecessária, tenta fazer da história de Renee e Ifree algo grandioso. E esse é o pior problema desse jogo.
A presença de Ifree, por exemplo, é algo ligado essencialmente à narrativa. O personagem – que é apresentado inicialmente como um alívio cômico (e não é em nenhum momento engraçado) – não possui relevância alguma no que se refere às mecânicas do título. Ao longo de nossa aventura, encontramos muitos outros personagens, cada qual com seu próprio dilema dentro daquele mundo. Mas, as histórias de Alice, Karsa, Ripe e Martin e tantos outros, são pouco desenvolvidas.
As missões secundárias, que surgem como fruto do contato com esses NPCs, muitas das vezes se resumem a conseguir ingredientes para montar receitas mágicas. Em suma, os diálogos são bobinhos e a construção de personagens não nos faz importar com a história contada.
Visual impecável
Uma coisa tem que ser dita: Afterimage é muito bonito. O visual do jogo – desenhado a mão e concebido em cima da Unreal Engine – está impecável. A mesma coisa pode ser falada de sua trilha sonora, apresentando composições originais orquestradas belíssimas em suas mais de vinte áreas disponíveis para serem exploradas. Os cenários são muito variados (florestas, cidades, castelos, laboratórios, minas etc) e cada qual apresenta uma riqueza ímpar nos detalhes.
A diversidade de inimigos também é algo digno de nota, evitando aquela sensação chata de repetição. O mapa é gigantesco e explorar cada cantinho das áreas é algo divertido e gratificante. Trata-se de um jogo que passa fácil de 30h de duração e que usa muito bem as mecânicas de backtrack comum nos Metroidvanias.

A exploração, no entanto, pode ser problemática, pois o mapa só é aberto conforme exploramos as áreas e atualizado nos pontos de salvamento, nas “Árvores de Confluências”. Como existem muitas áreas escondidas, por mais que haja um percentual do que foi explorado em cada área e a possibilidade de colocar marcadores, itens importantes podem acabar ficando para trás, caso seja um jogador mais desatento.
Apesar de serem de gêneros diferentes, gosto muito da solução presente em Resident Evil, onde uma área que ainda guarda segredos se mantém vermelha no mapa indicando haver algo ali para ser encontrado. Outra coisa que atrapalha um pouco a exploração é a demora do jogo em liberar o Fast Travel, através de uma habilidade chamada de “Flor de Confluência”.
Em relação a performance, presenciei alguns pequenos problemas no Switch. Afterimage possui uma jogabilidade bastante ágil, assim como Ori e Aeterna Noctis, por exemplo. E por conta da movimentação rápida na tela, em alguns momentos, há um certo “drop de framerate”, apresentando até mesmo uma tela chata de carregamento, com o logo do jogo, que trava a jogatina e pode atrapalhar o combate e o avançar por certas áreas.
O carregamento inicial também é bem irritante. É importante mencionar que isso não é algo constante e na maior parte do tempo o framerate é estável e a movimentação da personagem é bem suave. Outro problema bobo é o marcador de progresso que continua computando o tempo quando colocamos o Switch em hibernação com ele aberto. Nada que um patch não possa resolver.
Mecânicas de RPG

As mecânicas de RPG comuns aos Metroidvanias dão as caras aqui. Cada inimigo abatido nos concede experiência. E quando subimos de nível recebemos “Pontos de Remanescência” que liberam diversas melhorias (HP, MP, ataque, defesa, etc) numa vasta árvore de habilidade chamada de “Talento”.
Aqui podemos aprimorar também os atributos de ataque de nossas armas, liberando golpes mais poderosos para as sete variações existentes. Há a possibilidade de equiparmos duas armas principais e uma arma secundária de efeito mágico, que consome MP. E todas podem ser aprimoradas usando bálsamos que encontramos explorando os cenários.
Essa variedade torna a experiência com o jogo única, na medida que cada jogador pode ter uma afinidade mais acurada com determinadas armas. Eu, por exemplo, me adaptei melhor aos desafios usando um montante e um chicote. Mas, nada impede outros jogadores de terem mais afinidade com uma espada e uma foice. Isso vai depender do gosto de cada um.
No que se refere a parte defensiva, podemos equipar elmos, armaduras, botas, vestimentas e anéis que melhoram todos os nossos atributos (inclusive os de ataque). Dessa forma, montar um bom setup é a chave para conseguir passar daquele chefão apelão que está atrapalhando o seu progresso no jogo.

Outros elementos comuns aos Metroidvanias são as habilidades adquiridas após derrotar um chefão. Tais habilidades – como pulo duplo, dash e deslizar em paredes – recebem o nome de “Remanescência”. Como de praxe em jogos do gênero, é gratificante voltar para uma área antes inacessível depois de conseguir novos poderes.
Há também a possibilidade de conseguir um poder extra ao usar as chamadas “Sementes Divinas” que possibilitam habilitar novas habilidades para Renee, tal qual os amuletos em Hollow Knight. Afterimage conta ainda com baús espalhados pelos cenários e mercadores que nos dão acesso a itens diversos e receitas mágicas que nos concedem buffs que ajudam a ultrapassar os desafios que aparecem pelo caminho.
Um prato cheio
O ponto fraco do jogo é a forma como ele conta a sua história e o plot super previsível nos momentos finais. Todo o restante, porém, é muito competente e demonstra um zelo da equipe de desenvolvimento com o produto que criaram. É um jogo viciante e com um desafio bastante moderado. A dificuldade está longe da vista em Blasphemous, por exemplo.
O visual é lindo e as melodias seguem o mesmo caminho. Os controles respondem super bem e em nenhum momento bateu aquela sensação de que as falhas são resultado de algum problema com eles. Seja para quem gosta do subgênero ou para aqueles que querem se divertir de forma descomplicada, Afterimage é um prato cheio.
Prós
- Lindo visual desenhado à mão;
- Melodias originais orquestradas;
- Controles responsivos;
- Mecânicas viciantes de bactrack.
Contras:
- História bobinha e diálogos pouco inspirados;
- Pequenos engasgos durante o gameplay.
Nota Final:
8,5
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