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Review | Eternights

Gabriel Marçal 29/10/2024

Desenvolvedora:  Studio Sai
Publicadora:  Studio Sai
Gênero: RPG de ação, Dating Sim
Data de lançamento: 17 de outubro, 2024
Preço: R$ 109,90
Formato: Físico/Digital

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pelo Studio Sai.

Revisão: Marcos Vinícius

Eternights é, a essa altura, o que podemos chamar de “Persona-like”. E embora não seja o primeiro que eu faço review aqui no NintendoBoy que segue essa linha, tivemos por exemplo, The Caligula Effect 2 e MONARK — neste caso eu acho que esse é um dos que bebe mais diretamente da fonte.

Digo isso, no sentido que os outros partem de uma premissa parecida, e tem sua constelação de semelhanças e referências, mas Eternights se inspirar em algumas coisas mais diretas, por exemplo: o menu estilizado de transição, e as músicas que lembram muito o Tartarus do Persona 3 são coisas facilmente identificáveis; a utilização de um calendário, e períodos do dia com atividades diferentes; também tenta apelar pro sistema de gerenciamento clássico da franquia da ATLUS. Claro, tudo em escala reduzida pelo próprio escopo do jogo, mas ainda assim eficiente. 

Isso no início me fez sentir uma pouco de estranheza com o jogo. Não querendo soar pretensioso, mas eu não tinha certeza se ele tinha exatamente entendido o apelo real de um jogo da franquia Persona; os personagens densos, os arcos em geral bem escritos, as mensagens por trás etc. Se Persona 3, pelo menos no original, tem uma estética mais sombria, e uma abordagem de estranheza com o Tartarus, não é (só) porque ele acha legal, mas porque ele tem algo a dizer com isso. 

Isso dito, Eternights me provou que às vezes as coisas podem funcionar, sendo feitas de um lugar maior de paixão, com vários elementos tão honestos e duvidosos, a experiência acabou sendo provocante o suficiente para se pagar em si mesma. Eternights é inspirado em Persona, mas não só em Persona, ele é uma carta de amor a cultura otaku dá última década, o que na forma e jogo é difícil pensar em um mais impactante que Persona 5. Sem mais divagações vamos ao jogo para que vocês possam entender minhas conclusões. 

A degeneração da nação otaku, seu melhor e pior

Acho que uma questão que sempre levanta muita polêmica muito facilmente no Ocidente, é a perversão ou degeneração de algumas obras, no sexo, nas relações entre os personagens, no fetiche e nos tabus. Eu particularmente já tive opiniões bem mais reacionárias quanto a isso. Não necessariamente num sentido conservador, mas num progressismo sem pensamento crítico que acreditava que em qualquer situação ter mulheres performando qualquer tipo de fantasia era inerentemente negativo ou degradante. 

Hoje eu entendo que é importante que em algum nível essas fantasias existem. Por conhecer uma comunidade de mulheres que também querem ser parte dessas fantasias, que se reconhecem nessas personagens e nessas dinâmicas, e que também compactuam desses fetiches. 

É possível esvaziar o símbolo de mulher até se tornar fantasia, mas é também possível reconhecer que mulheres complexas podem ser também sexuais, é necessário que existam mulheres sexuais para que as mulheres possam também exercer sexualidade com naturalidade. Eu sei que eu falei bastante mas é porque não dá pra falar de tabu sem bastante contexto na internet, mas fiquem comigo pois chegaremos a Eternights agora. 

Eternights é uma mistura de action-RPG e Dating Sim, então vamos começar aqui pelo “dating sim“, certo? Minha primeira surpresa positiva nesse jogo foi a Yuna, após uma introdução lotada de piadas pervertidas de quinta série, gore tosco no melhor estilo 2010, e um apocalipse zumbi tecnológico que tem início numa sequência para lá de edgy com direito a menina coadjuvante irritante sendo esquartejada (péssima primeira impressão), pasmem, somos apresentados a Yuna. 

Yuna é uma idol, constantemente a premissa perfeita para escrever uma personagem vazia que performa um papel cheerful ou fofo e que vai servir apenas como fantasia para o protagonista, mas Yuna é tão mais que isso. É sutil o suficiente, mas Yuna tem uma tonelada de personalidade. Ela é a primeira das garotas que reconhece o protagonista como um degenerado, e após o protagonista ganhar o poder de transformar a mão em uma espada (o maior sonho do menino médio de 13 anos), ele transforma a mão em um tentáculo em mais um dessas piadas e isso vira uma piada interna entre os dois. 

A maneira sutil e delicada com que Yuna brinca mas não condena os impulsos adolescentes do nosso protagonista colocou a relação dos dois em um lugar bem pacifico, principalmente porque bem, nosso protagonista assumidamente sente atração, sente tesão, fala sobre isso, mas não faz nada de inapropriado na prática e isso é muito bom.

A agência de transformar essa pequena piada, em algo dois dois, e permitir que Yuna também brinque de certa forma com a própria sexualidade, que deixe claro em alguns momentos que o desejo que ela desenvolve pelo protagonista não é de um romance puro e esvaziado, mas sim também de uma atração sexual genuína. Tira ela do clássico espaço de vítima dessas garotas de anime que são basicamente apenas assediadas, para alguém genuinamente interessado, interessante e com uma personalidade até que bem complexa nessa relação, tendo a agência de não só ser sexualizada, mas ser também sexual. 

A história de Yuna, por outro lado, pouco tem a ver com nossos protagonista, mostra um lado bem complexo da personagem que coloca em confronto seus desejos e arrependimentos. De uma maneira bem direta, ela quer fazer melhor do que no passado, quer pedir desculpa de um jeito até mais humano do que estamos acostumados com personagens num jogo do tipo. 

Tudo isso cai muito bem porque tudo é tão surreal, que beira o forçado do lado da aventura, o que torna abismal o contraste de ver personagens tão reais em um jogo desses. 

O que Persona não fez

As outras duas personagens femininas romanciaveis seguem em posições parecidas. Min é uma garota fofa e tímida que se coloca propositalmente em uma dinâmica de “teasing” com você por agência própria e tem seus próprios motivos para lutar.

E enquanto Sia, é uma cientista claramente inspirada na Tae Takemi de Persona 5, mas aqui ela é basicamente tão degenerada e direto ao ponto quanto os rapazes na dinâmica o que eu acho muito bom, e se ao invés de cancelar a perversão dos homens, permitissem também mulheres pervertidas em um ambiente desses, ao invés de lutar contra o fetiche, permitir que ele funcione nas duas vias. Mas o mais impressionante para mim, até por conta do apelo pessoal mesmo, foi a presença de Yohan, um rapaz que é também uma rota romântica.

Olhando para tudo isso acabou fazendo muito sentido. Eu olhei para a cena de introdução que teria sido muito apelativa se lançado em 2011 ao lado dos clássicos contemporâneos Mirai Nikki e Another por exemplo, para o estilo emprestado de Persona o JRPG mais icônico da última década provavelmente, o tesão de harém com energia de isekai, o apocalipse zumbi, uma ode a tudo que há de mais barato mas mais honestamente apaixonado na indústria e nas comunidades de anime na última década. E eles foram capazes de entender que não existe forma de retratar a verdadeira essência dessa comunidade e dessa degeneração, sem colocar o aposentado “Yaoi” ou moderno  BL, na conta. 

Por mais hipócrita que seja, e é, quando esse jogo se apresentou como um tributo a essa paixão e isso não me incluía eu cinicamente estava diminuindo ele, quando ele me apresentou personagens femininas fortes que eu gostaria de ser, e opções de romance que me contemplavam, eu passei a entender o apelo muito mais fácilmente. 

Eu como alguém que tenta ter a cabeça aberta a experiências no geral, pensei porque eu tinha  me fechado para Eternights tão rapidamente e foi fácil de entender que o trunfo de Eternights é incluir todo mundo nessas fantasias que normalmente são relegadas exclusivamente ao homem, hetéro e cis nesse tipo de obra. 

O dia a dia de Eternights

A jogabilidade por si só é bem simples, mas bem eficiente. No entanto, o que importa mesmo é o loop. Você pode escolher passar o dia com os personagens que já estão na história para aprofundar a relação ou explorar as dungeons do jogo, enquanto a noite você pode ou melhorar os status sociais, ou fortalecer a relação para que ela avance mais rápido durante os dias com um mini game de encontrar itens. 

Você possui limitações de tempo para explorar cada dungeon para criar um senso de stakes no gerenciamento do tempo, e isso é sempre bem vindo, mas o jogo te dá tempo o suficiente para fazer o que o jogador quiser. O combate em si é bastante dinâmico, é um RPG de ação com mecânicas convencionais, aparas e esquivas precisas são necessárias, mas como o jogador pode escolher a dificuldade, e o jogo não é tão difícil assim, acho bastante acessível e divertido para jogadores novos e desafiador o suficiente no difícil para os mais hardcore. 

O mais legal disso é, na verdade, a árvore de habilidades de cada personagem que está relacionada a cada um dos relacionamentos, o protagonista ganha melhorias diferentes de personagens diferentes o que faz com que o lado social tenha mais importância para a experiência geral, o que eu apoio muito. 

Salvar o mundo, impedir o apocalipse e ficar com a garota

Acho que como é natural da maioria das experiências, em Eternights nem tudo são flores, eu acho que às vezes o jogos se perde no quanto ele é e na sua própria capacidade de lidar com os temas. Questionamentos como a moralidade de matar os zumbis passam bem veloz pela mente do protagonista, eu acho que esse e outros temas e questionamento vez ou outra são levantados sem nenhum propósito aparente e esquecidos na cena seguinte. Isso é um detrimento para a coesão da narrativa, mas caso você encare esses breves momentos, como tropos desse tipo de gênero e momentos protocolares mais esvaziados, eles funcionam o suficiente. 

Mas muitas coisas de excelência estão sim presentes. A iluminação bisexual no quarto do protagonista na primeira cena é muito boa, a direção de arte nas cenas de sonho também, algumas músicas da exploração, o design de personagem e o estilo de anime no geral, tudo considero ser excelente estofado para um experiência que já é muito boa na maior parte do tempo.

No fim eu diria que, caso você deixe se levar pela hype de uma história mais facilmente, e que seja capaz de tolerar uma história principal mais medíocre para uma aventura com um ritmo excelente, um combate divertido e uns puzzles simples mas eficiente além de claro, o destaque principal, as ótimas relações entre os personagens e a homenagem que a experiência traz, então Eternights pode ser perfeito para você. No sentido contrário, caso você esteja cansado de tropos mais batidos e esteja mais amargurado do que entusiasmado para celebrar a cultura otaku moderna, então vá procurar qualquer outra coisa. Mas pessoalmente, aproveitei muito a experiência e seria hipocrisia minha dar uma nota melhor que essa. 

Prós:

  • Excelente celebração da cultura do público alvo;
  • Boas retratações de situações de tesão com agência das meninas e autoconsciência;
  • Loop de gameplay bastante divertido;
  • Possui textos em Português.

Contras:

  • História principal mais simples que se perde nela mesma as vezes.

Nota Final:

9

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Gabriel Marçal
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Outrora um herói curioso e gentil, Gabriel vivia no seu própria ritmo pelas suas própria batidas, sempre com um sorriso no rosto e muito amor pelas coisas que jogava e escrevia. Contava suas histórias e opiniões aos 4 ventos em forma de maravilhosas reviews, porém hoje, é um andarilho perdido e obstinado que vaga pelas nada amistosas terras da vida adulta, tentando se encontrar e encontrar seu lugar no mundo, Gabriel só tem uma missão, ser o gatekeeper que trará a vocês o conhecimento de quais jogos merecem ser jogados.
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