Desenvolvedora: SUNSOFT
Publicadora: Red Art Games, Clouded Leopard Games
Gênero: Ação
Data de lançamento: 25 de fevereiro de 2026
Preço: R$ 142,50
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Red Art Games
Revisão: Davi Sousa
Baseado na obra do mangaká Tsukasa Hojo, City Hunter é um jogo de ação que foi originalmente lançado no Japão para PC Engine em 1990. Agora, a obra retorna nas plataformas modernas, ampliando a oportunidade de conhecê-la com uma edição ocidental inédita.
Caçando criminosos pela cidade

A franquia City Hunter conta a história de Ryo Saeba, uma espécie de investigador que atua junto à jovem tomboy Kaori Makimura em Tóquio. O rapaz se esforça para lidar com casos variados que chegam à sua agência, se enfiando em tramas do mundo do crime e se livrando de figuras perigosas.
No jogo de PC Engine, acompanhamos alguns casos específicos envolvendo três empreendimentos corruptos. As opções incluem uma empresa de criação de eletrônicos, um laboratório de pesquisa animal e uma companhia de fachada da gangue Kozuki. A ideia é escolher uma das três missões e explorar os prédios-sede deles em busca de provas de seus crimes.

Conforme o jogador completa as missões, elas são eliminadas da lista, deixando em aberto apenas as que ainda não foram concluídas. Ao final, abre-se uma quarta missão como clímax e encerramento dos casos.
Em geral, a história não é particularmente interessante nem demanda conhecimento prévio da obra original, mas ela brinca com alguns elementos do seu universo. Por exemplo: o fato do Ryo ser um pervertido é usado como mecânica de cura, com ele recuperando vida em momentos nos quais encontra garotas seminuas.
Uma fetch quest glorificada ao status de jogo

A gameplay de City Hunter combina a tradicional movimentação de rolagem lateral com a entrada em portas específicas para encontrar NPCs e avançar pela narrativa. Como Ryo, temos que explorar as áreas, eliminando os inimigos que aparecem pelo caminho com a sua pistola.
A estrutura das fases é basicamente a mesma. Primeiramente, o jogador deve avançar e encontrar NPCs parados dentro das salas de cada prédio. Algumas interações específicas são necessárias, como os casos em que um deles entrega uma chave que abre uma das portas inicialmente inacessíveis. Por fim, Ryo encara um chefe final em uma área que representa o telhado do prédio, embora, francamente, as conexões façam pouco sentido em termos de arquitetura.

No total, a campanha é bem curtinha e de resolução rápida, e, tendo em vista esse fator, ela até conta com uma boa variedade de inimigos. Além dos gangsters básicos que podem atacar a curta distância, atirar e usar bombas, temos inimigos mais resistentes que carregam lança-chamas, pulam ou se agacham. Há ainda alguns chefes, como um que voa e retalha o ar, e armadilhas como lasers e espinhos que ativam quando o jogador passa por cima.
Infelizmente, a estrutura de jogo acaba sendo bem repetitiva e pouco interessante. Na verdade, a maior dificuldade da experiência é encontrar o que fazer para avançar, já que não temos nenhuma espécie de mapa e as portas que podem ser abertas não são diferenciadas das que não podem, gerando, assim, um processo de tentativa e erro.

Outro ponto bizarro é a forma como o jogo faz um péssimo trabalho em planejar o respawn dos inimigos. Em alguns momentos, é possível sair de uma porta e dar de cara com mafiosos, e encostar neles é uma das formas de tomar dano. Embora a vida seja bem larga, esse problema ainda pode incomodar bastante por estar fora da alçada do jogador. Testei usar dificuldades diferentes para ver se o problema era específico de uma delas, mas infelizmente é uma constante possibilidade.
De forma geral, a gameplay é aceitável, mas nenhum dos seus aspectos é plenamente satisfatório ou engenhoso. A repetitividade da estrutura das fases e o aspecto labiríntico de sua exploração acabam nunca criando algo verdadeiramente interessante ou agradável de jogar, fazendo a experiência toda parecer mais uma “fetch quest”.
Dentro das expectativas de relançamento

Em termos de trabalho de port, não tenho praticamente nada a reclamar de City Hunter. Além de rodar bem, com controles responsivos, e ser um jogo bem bonito, temos o mínimo de funcionalidade esperada. É possível mudar o aspecto visual entre Pixel Perfect, Nativo, 4/3 (usada por padrão) e Widescreen, além de aplicar um filtro básico de CRT.
O jogo original havia sido lançado apenas em japonês e, embora o português não esteja presente, a nova versão inclui várias opções de língua, como inglês, espanhol, italiano e francês. A última opção permite até que o jogador escolha entre manter a nomenclatura japonesa ou usar os nomes da adaptação francesa Nicky Larson.

Dentro do jogo, é possível usar a funcionalidade Rewind para evitar certas situações, como tomar dano e morrer de forma estúpida. Também dá para salvar em um menu dedicado para voltar quando quiser, sendo também possível utilizá-lo a qualquer momento para alterar os detalhes gráficos e o balanço sonoro entre efeitos e música. Mudar de língua também é possível ali, mas força o jogo a recomeçar.
Por fim, ainda temos uma galeria com alguns bônus interessantes. Em termos de artes, temos imagens variadas utilizadas na divulgação do jogo, incluindo cenas do anime, enquanto a jukebox de trilhas do jogo também conta com Get Wild, o primeiro encerramento do anime. O mais interessante, porém, é a possibilidade de abrir a caixa do jogo e ver tanto o manual (infelizmente disponível apenas em japonês) quanto o cartucho de formato único da época.
Uma caça a um passado qualquer

City Hunter é um jogo mediano, raso e pouco interessante, mas que teve a sorte de ser resgatado do passado e disponibilizado de forma aceitável nos sistemas modernos. Tendo em mente suas limitações, a obra pode ser interessante para retrogamers, mas seu apelo infelizmente acaba aí.
Prós:
- Controles responsivos;
- Boas funcionalidades adicionais do relançamento.
Contras:
- A experiência como um todo é curta, repetitiva e pouco desenvolvida;
- Exploração labiríntica desnecessariamente confusa que é o único desafio real do jogo;
- O respawn de inimigos mal planejado pode levar o jogador a tomar dano desnecessariamente.
Nota
5,5
