Desenvolvedora: Seed by Seed
Publicadora: Armor Games Studios
Gênero: Aventura | RPG estilo Tabletop
Data de lançamento: 19 de fevereiro, 2026
Preço: R$73,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Armor Games Studios.
Revisão: Manuela Feitosa
Nos últimos anos, um “nicho” que eu vi explodir na internet foi o dos RPGs de tabuleiro: seja em programas como Critical Role (que inclusive gerou duas animações incríveis que recomendo) ou certos YouTubers fazendo a fama como mestres de masmorra, é inegável que estamos na era do RPG. E por estarmos nesta era, um jogo que eu vinha acompanhando o desenvolvimento de perto, há um certo tempo, foi um que caiu justamente na minha mão quando ofereceram uma key para o NintendoBoy: Baladins!
Misturando uma gameplay de tabuleiro muito inspirada em campanhas de RPG, Baladins mistura uma gameplay que traz à tona o fator “tabletop” do jogo, mas em um tom em sua apresentação; um RPG sem combate, mas que ainda possui uma grande profundidade. Lançado originalmente para PC pelas produtoras Seed by Seed e Armor Games em 2024, Baladins talvez seja a opção perfeita de fãs de jogos de tabuleiro nos consoles Nintendo que cansaram de se matar no Mario Party, já que aqui cooperação é chave.
Entre altos e baixos, minha experiência com Baladins foi extremamente positiva, mas antes de começar a review, gostaria de agradecer ao nosso colaborador Ivanir Ignacchitti, que jogou comigo e tornou essa experiência dez vezes melhor do que seria originalmente. Sem mais delongas, vamos explorar mais sobre a guilda dos “Baladinos” e como nossas escolhas moldam nossa história – desculpa por roubar seu vinho, Tonneline.
Loops & Dragons
Se passando no mundo de Gatherac, Baladins gira ao redor da guilda Baladins – traduzido como “Baladinos” na eShop, mesmo que o jogo não tenha uma tradução PT-BR ainda – que, originalmente, começa com uma missão simples: arranjar os preparativos para o “Festival da Paz”. No entanto, após as seis semanas de preparativos serem bem-sucedidas (ou mal, dependendo de como você fez), o verdadeiro ponto do jogo se revela e nos mostra algo que eu ansiava em ver em um jogo para falar em uma análise:
ELEMENTOS ROGUE-LIKE… mais ou menos.




Um dragão chamado Colobra se revela na sétima semana, se intitulando um “devorador de tempo” ele coloca os personagens em um loop temporal de sete semanas consecutivas onde apenas eles mantêm a memória de eventos passados e o conhecimento futuro do que fazer. No caso de muitos jogos falamos como o fator replay é um loop interessante, mas o próprio loop de Baladins é seu gancho para gameplay, e a forma que ele incorpora tais loops só melhora sua experiência base.
Os atributos que o jogador escolhe aprimorar ou as escolhas que decide fazer é o que vai moldar a experiência final. Com uma gameplay que é quase que inteiramente texto salvo as interações de tabuleiro e alguns eventos aleatórios, Baladins parece perfeito tanto para fãs de RPG de mesa, ou pessoas como eu, que sempre tive dificuldade com RPGs virtuais assim. Porém, não pense que apenas as escolhas são o que moldam a sua gameplay, afinal, onde já se viu um RPG de mesa ser jogado por apenas uma pessoa, não é mesmo?
— Inserindo aqui só por falta de um local melhor no texto, mas esse jogo é muito gay, e eu adoro isso.

A união faz a força!
Apesar de ser possível uma jogatina solo (não recomendo, aliás), Baladins foi projetado com um multiplayer de até quatro jogadores em mente; isso ajuda quando as jogatinas podem ser tanto local, com o famoso couch co-op, como no online por salas dedicadas. Inclusive, uma sugestão que eu tenho para a equipe do jogo na chance improvável de eles estarem lendo essa review é que esse é o tipo de jogo que casaria perfeitamente com o GameShare, ao meu ver.
Como eu disse, Baladins suporta um multiplayer que vai até 4 jogadores, mas para esses 4 jogadores, temos cinco opções diferentes de personagens para escolher:
- Bard
- Cook
- Dancer
- Pyro
- Luxomancer
Também há 5 atributos que determinados personagens vão ter superioridade de início, tais atributos podem ser modificados na gameplay; estes atributos que podem definir a run são:
- Physique
- Finesse
- Knowledge
- Creativity
- Destruction

O jogo incentiva a cooperação quando ele exige números absurdos de um determinado atributo que mesmo um roll perfeito de dados (que aqui dá 18, entro em mais detalhes no próximo tópico) não garantiriam. Entretanto, se você e um amigo estiverem fazendo a ação, mesmo com um determinado atributo baixo, vocês podem virar uma chance baixa a seu favor – insira a explicação do Gogeta de como uma fusão não é uma soma e sim uma multiplicação exponencial.
Embora as ações cotidianas da semana não possam ser feitas em cooperativo para um ganho mútuo de atributos, a ajuda para qualquer ação é bem-vinda, por mais idiota que seja; dos dois exemplos mais engraçados que consigo lembrar onde a cooperação foi a chave do nosso sucesso, uma foi para roubar uma vinícola e a outra foi para relembrar de uma história antiga para uma grande roteirista.
LET’S GO GAMBLING (de novo)

Dito isto, Baladins funciona de uma forma diferente de outros TTRPGs que joguei ou assisti com minha noiva; por exemplo: num RPG determinadas ações são feitas com dados de 4 faces (D4), 6 faces (D6), 8 faces (D8),10 faces (D10), 12 faces (D12), 20 faces (D20) e já vi até de 24 faces (D24). Entretanto, ao invés de depender de um dado só para os fatores, a CPU de Baladins computa os resultados do RNG no rolar de três D6, logo os resultados podem variar de 3 no mínimo a 18 no máximo.
Isso é interessante pois dá muito mais espaço para o RNG ser generoso com o jogador e entregar resultados que variam de 9-13, então se você for “tentar a sorte” para algo que precisa de poucos pontos a mais de um determinado atributo, é quase certeza que você vai conseguir realizar a ação com êxito. Entretanto, o jogo possui sim um “difficulty spike” para ações que geralmente finalizam uma missão; foram nesses pontos da jogatina que eu e o Ivanir ativamente tivemos que trabalhar juntos para ter uma chance.

Apesar de não ter tido a experiência completa de “4 jogadores”, presumo que Baladins assuma uma posição oposta a Monster Hunter quando falamos de multiplayer — calma, a comparação vai fazer sentido. Onde em um exemplo, a dificuldade do jogo se ajusta a quantidade de jogadores, em Baladins a dificuldade deve ser praticamente inexistente ou apenas em pontos específicos como gerenciamento de recursos e no cuidado para determinadas ações, como doações de itens entre jogadores (algo que só dá para fazer uma vez a cada turno/semana).
Finalizando, se você tinha medo de certos jogos pela dependência do RNG ou abuso do mesmo, fiquem tranquilos, a estrutura de Baladins vai totalmente contra isso, e é um dos pontos que me deixou viciado nesse jogo. É, talvez eu tenha um problema com apostas virtuais falsas.
A maldição do “Forever Alone”
Se fosse para resumir meus únicos problemas com Baladins, seriam dois aspectos muito simples, e um dos quais nem é tão importante assim para mim:
- A falta de localização em português (mesmo tendo advertsing em PT-BR);
- A dependência do multiplayer para a experiência completa do jogo.
Note que nenhum dos dois casos são um problema de fato, com o primeiro sendo algo que eu já espero de jogos mais “nichados” e o segundo sendo algo que o jogo foi construído como base, então não tem para onde fugir. Mas devo só apontar que minha reclamação se dá mais ao fato que eu não tenho muitas pessoas na minha vida pessoal que curtam esse tipo de jogo, então estava dependente do Ivan (e ele de mim) para uma jogatina ideal.

Mas, no fim de todas as minhas “reclamações”, eu me encontro num limbo pessoal onde eu sei que existem aspectos deste jogo que eu poderia criticar, mas são tão pífios e não afetam a experiência que eu estava buscando que, no final, eu só consigo olhar para o game de maneira positiva.
Como último adendo, acho importante notar que eu usei esses espaços sem jogatinas de Baladins para colocar meu Backlog em dia, então poder ser justamente o tipo de jogo perfeito para quando você quer deixar seu Backlog descansando um pouco.
No fim, voltamos à Guilda Baladina
Com um visual adorável que parece tirar inspirações do estilo de storybook para seu artsyle, Baladins oferece uma gameplay sólida e divertida entre amigos, que pode ser aproveitada até por quem tem certas “ressalvas” quanto a esses RPGs muito baseados em texto. Embora não seja de fato um jogo desse ano, eu fico feliz de ter esperado uma versão de Switch para conseguir jogar este jogo, e pretendo continuar em diversos loops mesmo após esta análise.

Dito isso, minhas recomendações sobre como melhorar a experiência do jogo no Nintendo Switch (e no caso da minha jogatina, no Nintendo Switch 2) como implementação do sistema GameShare ou, quem sabe, futuramente a adição de cross-play podem ajudar e muito no ideal do jogo de ser jogado pelo máximo de pessoas possível. No final, a experiência “perfeita” ainda seria pelo couch co-op, na minha opinião.
Prós:
- Artstyle adorável que combina com o mundo de Gatherac;
- RNG bem generoso para um RPG de tabuleiro;
- Uso perfeito de mecânicas cooperativas que demonstram o foco de co-op do jogo;
- Uma ótima variedade de escolhas, ideal para a ideia de “choose your story”.
Contras:
- Uma dependência forte do multiplayer torna o jogo “injogável” para um jogador só.
Nota
9
